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2008/01/07

O poder democrático do meu clube foi ignorado

O liberalismo tuga começou o novo ano de 2008 confundido.

Enquanto no próprio primeiro dia do ano proclamava o Dia da Liberdade, e louvava a canção do amanhã feito presente, bastaram quatro dias para proclamar solenemente a morte da Democracia.

Afinal, a tal de democracia que ainda há tantos dias prestava serviços e préstimos tão úteis e defensáveis na causa do aborto e na causa materializada na nova lei do tabaco, deixou de agradar.

Aparentemente a tal da democracia, a boa, que permitia determinar o que era vida humana com direito a personalidade jurídica e protecção pela lei, e que era boa para determinar o que é que cada um pode ou não deixar fazer na sua propriedade a pessoas que avisadamente lá entram, agora, aqui d'el-Rei porque decidiu determinar por lei o que é um partido político e as regras verificáveis da continuidade da sua existência e reconhecimento legal.

Está o caldo todo entornado.

Parece que por um lado, aprovar uma lei que viola a opinião e os interesses legítimos de milhões de fumadores e proprietários de estabelecimentos comerciais, não tem problema. Impor por via da fiscalidade (e do peso da Lei) a uma larga faixa dos portugueses o patrocínio dos seus impostos a uma prática que consideram imoral e/ou socialmente irresponsável, não fez desviar uma linha os tais liberais tugas das suas causas de eleição. Mas agora, uma decisão também ela democrática e seguindo aparentemente todas as regras instituídas, e que afecta na prática pequenos partidos, alguns dos quais com existência puramente fictícia e dificilmente distinguível de um grupo de carolas que se juntam de vez em quando para uma almoçarada, e que no cômputo geral dos afectados atingirá menos pessoas do que as que caberão num estádio de futebol em jogo importante, isso sim, já é grave.

O que me parece é que afinal são estes auto-proclamados democratas que não percebem a Democracia.

Eu compreendo a dificuldade que o MLS, ao longo dos quase três anos da sua existência, tem tido para demonstrar níveis mínimos de credibilidade, relevância e substância política. Compreendo que, devido a esse facto, os números de filiados e simpatizantes não abundem, e que a perspectiva de sequer formalizar a associação como partido, quanto mais garantir a sobrevivência de acordo com a lei actual, pareça aterradoramente distante. Mas, face à conduta adoptada no passado, não me parece viável que a causa agora descoberta venha a granjear grande simpatia, por mais que possa ser defensável em termos de Liberalismo. É que cheira a oportunismo de causa própria, e tresanda a hipocrisia face aos exemplos dados num passado bem recente, alguns até frescos de alguns dias.

Hipocrisia que transparece na transcrição no referido artigo do poema do pastor Martin Niemöller. É que, como bem ironizou o "nosso" Carlos nos seus comentários, faltam lá as primeiras estrofes:

Quando vieram para os fumadores,
permaneci em silêncio,
não era fumador

2008/01/04

Nós os ultra


Toda e qualquer mudança de valores ao longo da história sempre foi um exercício de extremismo e de fundamentalismo. Sempre que se entrou em rasgo com os valores estabelecidos, os novos valores propostos sempre foram percepcionados por aqueles que defendiam o status quo como drásticos, radicais e extremistas.

Note-se que o simples facto de rotular uma posição de fundamentalista é desde já uma visão parcial e etnocêntrica do assunto, pois apenas qualifica o modo como este terceiro se posiciona em relação a ele. Quem qualifica de extremista ou fundamentalista parte também do princípio que o outro tem desde já uma concessão moral a fazer quanto ao seu posicionamento.

A denúncia do extremo é por isso uma postura de defesa do poder. O direito à propriedade encontra-se hoje sujeito a regulamentação pública. Isso significa que aos cidadãos não é consentida a emancipação e o livre exercício do património. Um liberal pretende devolver a liberdade ao seu proprietário. Um proibicionista não. Quando o Miguel Duarte fala de "fundamentalismo liberal", deixa subjacente a ideia de concessão perante a regulação estatal e perante um certo conceito de liberdade máxima, que não chega a definir.

Nem é o rótulo de extremista ou fundamentalista do qual discordo. Pois o extremo depende tanto da escala, como do universo de hipóteses excluídas. O CDS estava no extremo do hemiciclo após as primeiras eleições em 1975, depois de se excluir e proibir todos os partidos de direita. Logo, o CDS passou a ser rotulado de partido de extrema-direita e teve a sua sede saqueada por diversas vezes. Foi apupado por votar contra a constituição de 1976. Irónico precisamente após 30 anos, lendo os programas dos outros partidos da época, inspirados na via ao socialismo, constatar que é esse mesmo extremo que hoje mais se assemelha aos programas do PS e do PSD, ou seja o status quo de hoje. Mas esse é um banal e insípido exemplo da nossa história. Vejamos onde nos poderia ter levado a lógica da denúncia do extremo ao longo do tempo:

- as sufragistas são umas extremistas que defendem o voto ao extremo, logo hoje em dia as mulheres deveriam ter meio voto
- os abolicionistas defendem a abolição da pena de morte ao extremo, logo a cadeia eléctrica deveria deixar o condenado meio morto
- Darwin defendia a evolução das espécies ao extremo, logo o correcto é explicar às crianças que o homem surgiu do consenso entre Deus e a natureza
Se alguém se lembrar de mais exemplos, fico grato.

2008/01/01

Inebriações legislativas I

Pela minha parte estou já preparado para nos próximos temos chatear muita gente.
Assim termina a resolução de ano novo da presidência do liberalismo tuga.

Armada a malta do progresso com a nova boa lei, saliva já, no dia 1, pela oportunidade de meter o bedelho, acompanhada da ASAE, da Inspecção Geral do Trabalho e das demais agências armadas da coerção pela boa causa, nas relações humanas e profissionais, bem como na casa dos outros.

Afinal, a oportunidade de guiar pela mão os pobres estúpidos, incautos e ignorantes que ainda não foram expostos à Verdade revelada é algo que faz concerteza salivar qualquer bom planeador central que se preze.

Mais ao lado, vaticina-se até o dia de hoje como o Dia da Liberdade. Todos os atentados ao contribuinte, todas as intromissões na vida privada, os abusos, as perversões e os desvarios (impostos no passado por outros tantos iluminados) do estado omnipresente no nosso dia-a-dia aparentemente acabaram hoje, porque finalmente uns quantos vão poder exercer o seu direito humano e fundamental a comer uma sandoca no centro comercial sem que ninguém à sua volta esteja a fumar.

A exercer o seu direito egoísta, sustentado pelo braço coercivo do estado, a ditar e a impor as regras e o que é tolerável ou aceitável nos sítios que frequentam, senhores do politicamente correcto em casa alheia.

São estas as prioridades dos liberais tuga. Apoiar as boas leis e depois arregaçar as mangas para chatear o próximo. Nada que, afinal, nos surpreenda particularmente, mas que não podemos deixar de assinalar com o respectivo nojo e asco quando é protagonizado com tanta clareza.

2007/11/29

Notícias da La-La Land

Cada empresa deverá dar seguros a todos os trabalhadores, por blocos de 1 ano. Desta forma, mesmo que o trabalhador se despeça ou fique sem emprego, terá acesso ao seguro de saúde durante o período de um ano. Note-se que as seguradoras tendem a oferecer melhores condições a seguros feitos em bloco, pois o segurado ganha posição negocial perante a seguradora.
Os seguros dos trabalhadores deverão ser extendidos aos progenitores (quando reformados ou desempregados) e eventualmente a todos os familiares directos.

Hugo Garcia, no sítio do costume.
Já agora, lembro o caro Hugo Garcia que "estendidos" se escreve, em bom português (e não em "estrangeiro"), com "s".

2007/10/23

A Loucura da Liberdade

E acho que é deveras maluco pretender o contrário, em geral, ou seja, defender que tudo deve ser permitido de uma forma completamente à vontade."

Luís Lavoura, nesta caixa de comentários
O Luís Lavoura escreve algo que infelizmente se ouve recorrentemente sempre que se questionam leis que limitam a acção de indivíduos. Primeiro que tudo penso ser sintomático pensar-se não em função do que deve ser proibido mas no que deve ser permitido. Porque não mudar o paradigma e perguntar:

"Porque é que qualquer acção tomada por um indivíduo responsável por si próprio, sem impacto sobre terceiros deve ser proibida?"

A esta pergunta recebo dois tipos de resposta.

Uma resposta paternalista, que se baseia no pressuposto que o estado toma melhores decisões do que os indivíduos em assuntos que apenas lhe dizem respeito a ele. Este pressuposto ganha força utilitária com a colectivização de alguns aspectos do dia a dia. Se o Estado tem o dever de garantir a saúde de cada um, o Estado tem o direito de moldar os comportamentos para que todos e cada um sejam saudáveis.

Uma resposta moralista. A lei de uma sociedade alargada e anónima substitui a antiga condenação social que resultava na pequena comunidade. As sanções sociais espontâneas não são suficientes para desincentivar comportamentos considerados pela maioria como indesejáveis. A alternativa moralista do séc. XX é a lei universal e punitiva.

Parece-me que a linha que ganha hoje é a paternalista. Os costumes maioritários só são defendidos se suportados por uma lógica paternalista. A utilização de drogas é um exemplo. São proibidas na medida que são fonte de problemas de saúde e de "exclusão social". É nestes casos em que argumentos moralistas se unem a argumentos paternalistas que a limitação à liberdade individual torna-se muito forte e encontra adeptos em colectivistas auto intitulados de direita e de esquerda. Por outro lado é nestes assuntos que podemos mostrar mais a coerência libertária, quando existe uma clivagem clara e em simultâneo com as várias versões predominantes de colectivismo.

2007/10/15

Vai passear pá!

O primeiro parágrafo deste texto é demonstrativo da mais profunda ignorãncia sobre a situação dos Balcãs. Convido o Luís Lavoura a visitar as dezenas de milhares de Albaneses que vivem em paz e harmonia em Belgrado. Nem é preciso tanto. Convido o Luís Lavoura a vêr o que acontece de vez em quando aos carros de matrícula croata estacionados à porta do túmulo de Tito em Belgrado. Desafio-o a conversar com a população sérvia mais jovem e questioná-los sobre a sua opinião em relação aos ataques da NATO (que não os EUA - outra inexactidão). Mais interessante: desafio-o a perguntar à população mais velha o que gostariam que acontecesse aos Albaneses do Kosovo...
Também pode ir à Macedónia e à Albânia tentar saber porque raio receberam estes países dezenas de milhares de refugiados kosovares antes da intervenção da NATO, e do que fugiam essas pessoas.

2007/09/25

Ancaps, esses perigosos defensores de um estado hiper-intervencionista que acham que não deve existir

O Estado tem dois tipos de poder à disposição, o infra-estrutural (o intervencionismo económico) e o coercivo (o exercício da violência). Querer um Estado pequeno não pode ser querer acabar com um desses poderes enquanto se aumenta exponencialmente o outro. E, se não temos provas que a forte diminuição do poder coercivo leve ao aumento do poder infra-estrutural, é um facto que o inverso é verdadeiro.
Mecanismos básicos de protecção social podem ser bons mecanismos para manter o Estado controlado debaixo de certos limites. Como resultado não perceberem isto os anarco-libertarianos, que supostamente são os únicos liberais a sério, os puros, acabam defendendo governos hiper-intervencionistas que fazem aumentar enormemente o peso do Estado, não só por se imiscuir em questões de moral privada, como por aumentarem os gastos militares e policiais.

Igor Caldeira, no sítio do costume (com negritos meus).

2007/07/05

Descubram as Diferenças

Parlamento Europeu



Parlamento Português

2007/06/21

Gestão Democrática do Dinheiro dos Outros

No âmbito da reforma dos actuais órgãos colegiais, os bloggers Nos Ladrões de Bicicletas, decidiram lançar uma cruzada pela participação democrática dos funcionários e consumidores na vida económica dos seus prestadores de serviço aqui e aqui:

Os actuais órgãos colegiais de gestão das universidades, compostos por representantes eleitos dos estudantes, professores e funcionários, são substituídos por um novo órgão, o Conselho Geral, onde os funcionários não terão lugar e os estudantes estarão reduzidos a um peso 20% do CG. A substituí-los estará um conjunto de «notáveis» da sociedade civil, com um peso de 30%. (…) este processo resultará na subordinação da universidade a interesses particulares. Estes não-eleitos “notáveis” serão sempre o fiel da balança de um órgão onde professores e alunos são eleitos por listas. A autonomia e democracia universitária, conquistadas há 33 anos atrás, acabaram, ironicamente (ou talvez não!), com um governo "socialista".

Com o novo regime jurídico o governo incentiva as universidades a tornaram-se fundações de direito privado. (…)Aplica-se a lógica do mercado ao ensino superior, favorecida pela homogeneização dos diplomas ocorrida com o processo de Bolonha, na vã esperança que a concorrência por professores e alunos resulte miraculosamente em excelência. O resultado é previsível: fim da autonomia científica de docentes e investigadores; subordinação do ensino superior às voláteis necessidades do mercado; assimetrias crescentes entre diferentes faculdades.
Luís Lavoura, numa posição com a qual muito concordo, já referiu há uns meses atrás:
Contratam-se novos professores, criam-se novas cadeiras e novos cursos, em função dos interesses dos atuais professores, e não em função dos interesses e necessidades da sociedade. Este é o resultado da forma de governação autogestionária das universidades portuguesas. As universidades são geridas pelos seus próprios professores, e pelos estudantes e funcionários. No jargão político português chama-se a isto "governação democrática das universidades", mas na verdade não é democracia, é autogestão. Os professores, estudantes e funcionários gerem as universidades em função dos seus interesses pessoais e de classe(…).

Deve ser o Estado a gerir as universidades, uma vez que é o Estado quem as pagou e paga. As universidades são empresas. Quem as gere deve ser o seu proprietário, em função de diretivas políticas que esse proprietário define. (…) Isso sim, é democracia. (…)No caso das universidades privadas, elas têm que deixar de ser propriedade de cooperativas de professores, como a lei atualmente - e erradamente - estabelece, para passarem a ser propriedade de fundações privadas. (…). A autogestão dos professores em colaboração com os estudantes e funcionários, em que muitas universidades se encontram, não é democrática, e tem como consequência a reprodução de interesses instalados.
Após isso, seguiu-se o contraditório de Hugo Garcia, perfeitamente em linha com os ladrões de bicicletas:
(…) coloca-se em o IST ser dirigido por gestão interna o que me parece ser extremamente adequado e certamente o modelo mais eficiente. (…)É elementar que os professores são quem sabe mais sabe sobre a qualidade do ensino. Mas é igualmente elementar que nem sempre os professores têm por interesse a solução que é melhor para todos. Não por maldade, mas apenas por desconhecimento ou por darem menos importância a factores que são muito importantes para alunos e funcionários. Naturalmente que a solução pragmática é a de os professores terem mais poder que os alunos ou os funcionários isolados, mas que por outro lado, os funcionários e os alunos quando combinados tenham mais poder que os professores isolados.

E esta foi a solução encontrada: O conselho directivo é formado por 4 professores, 3 estudantes e 2 funcionários. Esta solução combina a democracia com a diferença de importâncias e conhecimento. Qualquer outra situação como ter uma maioria absoluta do poder dos professores conduziria certamente a abusos de poder. Temos ainda que ver que quando estudantes e funcionários estão do mesmo lado, em princípio fazem-no porque têm razões muito fortes. Gostei de saber que as faculdades em Portugal (…) utilizam um método tão autónomono, democrático e pragmático.
De seguida nos comments do mesmo: Luís Lavoura: Tal como um consumidor protesta contra a má qualidade dos produtos de uma empresa, mas não gere a empresa, também o estudante deve protestar contra a forma como a universidade é, mas não deve ser ele a geri-la. O estudante é, simplesmente, um consumidor do ensino prestado. Não pode ser ao mesmo tempo consumidor e produtor.

Muito trabalho, muito trabalho

O objectivo do MLS não é tomar posições filosóficas.
Podemos até ter debates sobre justiça social e provavelmente eu estarei presente, mas assumir posições filosóficas não faz parte de um projecto de partido político.

Com o nível de argumentação abstracta que já tenho ouvido, consigo imaginar alguém a morrer a fome e um "filósofo" a comentar: é necessário para bem da justiça social.

Deixemos essas questões para o BE e para o small brother.
Nós, no MLS, devemos nos preocupar em encontrar soluções para os desafios que temos.

Hugo Garcia, Vice-Presidente Área de Política do Movimento Liberal Social.
Fossemos nós ter alguma dúvida em relação a se um partido deve assumir posições filosóficas ou ideológicas, eis que aqui temos um responsável directo pela Política de um movimento que ambiciona chegar a partido a esclarecer do contrário.

Por ali, trabalha-se sem rumo. O que importa é "encontrar soluções para os desafios". Assiste-se à morte da ideologia, transformada em pragmatismo de navegação à vista.

Ficamos esclarecidos. Também pela constatação, surpreendente, que ao que parece o BE (o tal que não é socialista, não é trotskista, não é "partido de poder", não é comunista, não é maoista - dizem que agora é verde a caminho de social-democrata -) se ocupa de "questões filosóficas". Nós por cá não temos notado, mas ajuda a perceber onde é que o MLS se quer posicionar e onde é que coloca a fasquia.

De resto, agradecemos o gesto magnânimo. O Hugo Garcia pode ter a certeza que por aqui estaremos bastante atentos e interessados nas "questões filosóficas".

2007/06/18

A Filosofia e o conhecimento dos fundamentos do Liberalismo fazem mesmo muita falta

O Liberalismo por seu lado, tem nos seus fudamentos a ausência de doutrinas, mas não de valores. O pragmatismo associado ao liberalismo é baseado nos princípios da dialética Socrática. Estes princípios foram trazidos até nós pelo seu seguidor, admirador e provavelmente amante Platão, que foi o autor daquela que eu considero a maior obra literária da Humanidade " a República".

Hugo Garcia, Vice-Presidente Área de Política do Movimento Liberal Social.
Estive recentemente a reler A República e este debate em torno do mérito e do não-mérito fez-me lembrar uma coisa muito interessante.

(...)

E é neste sentido que de facto posso arguir o seguinte: a meritocracia corresponde a este platonismo da intenção, o que os conservadores (que em Portugal gostam de se chamar liberais, mas ao que parece pelo que leio no Arte da Fuga também já são anarquistas - qualquer dia vê-los-ei a ser marxistas-leninistas) pretendem (e sempre pretenderam, é essa a sua natureza) corresponde a este platonismo do método.

Igor Caldeira, recente tarefeiro de polémica.

2007/06/15

Diz que é uma éspecie de Liberalismo Marxista (II)

Porque atrás de algumas palavras há todo um programa, e o do movimento liberal (s) é claro:

políticas activas de criação de emprego - Redução do estado a 1/2. Privatização de todas as empresas com vínculo acionista ao estado. Explosão de crescimento económico e consequente "criação de emprego". Para quem gosta de "Economia Histórica" vide exemplo "Tigre Celta".

desigualdades de rendimento que permanecem assustadoramente altas - A desigualdade entre rendimentos antes e depois de impostos é assustadoramente alta e completamente inaceitável. Há que reduzir a carga fiscal.

processo de integração e construção europeia, só terá futuro se funcionar numa plataforma de «igualdade ou exclusão» para os estados membros" - Mas primeiro há que pôr os malandros dos Europeus de acordo nessa "coisa" que é o "processo de integração e construção Europeia". De preferência um acordo sem referendos.

2007/06/02

Hein?!?

"A uniao de facto da’ direitos sobre terceiros, sobretudo sobre o Estado, ao atribuir pensoes e outros beneficios em casos particulares. A excepcao e’ a possibilidade de entrega conjunta de IRS, que “influencia” o contexto decisional das pessoas que vivem juntas, ao torna-lo, de certa forma, “natural”. Isto e’ um bocado rebuscado e o ponto era frisar que dificilmente conseguiremos uma “super-neutralidade” e, mais do que isso, nao e’ licito que essa neutralidade seja desejavel em 100% dos casos. E’ esse o argumento do paternalismo libertario. Daqui nao se segue que, por aceitar influenciar uma ou outra decisao, mantendo a liberdade de escolha das pessoas, se caminhe para um estado tentacular.

Outro argumento, mais geral, numa optica anarco-capitalista, e tendo em conta os inumeros direitos atribuidos ‘a outra pessoa por parte do Estado, seria que em caso de ser activada uma daquelas clausulas, todos nos - incluindo o proprio (se estivesse vivo) - teriamos de subsidiar a pessoa em causa. Ora isso e’ uma intromissao. “Ninguem pediu nada”. Anarco-capitalista que se preze nao defenderia qualquer destes apoios e, portanto, eles sao uma “violencia” para ele porque ele nao pode viver junto com alguem mais de dois anos sem que tais “violencias” sejam activadas. Estas a ver onde quero chegar? E’ rebuscado, como disse…"

Quanto a isso, plenamente de acordo. Os liberais ainda têm de aprender que tudo o que é demais é erro. Ainda estamos na fase infantil do liberalismo.

Rebuscado.
Até à criação da união de facto, apenas as pessoas que se casavam tinham certos direitos sobre terceiros. Benéfico para quem fosse casado, mas não tanto para os "terceiros". Com a criação da instituição da união de facto, alguns desses direitos estenderam-se também a pessoas quasi-casadas. Obviamente que o facto de serem garantidos uma série de direitos, mas não obrigações, suportados por terceiros, a pessoas em regime de união de facto, dificilmente se poderá chamar uma violência sobre as pessoas que tomam esse tipo de decisões.
O principal problema na visão anarco-capitalista (depois de liberal ortodoxo, liberal-libertarian, liberalóide, liberal-ultra-individualista, liberal "não me chateiem", parece que foi criada uma nova categoria para os liberais não-mendistas...) com os benefícios atribuídos a pessoas casadas ou em união de facto não se prende com a influência que tais direitos possam ter sobre as pessoas que tomam essas opções, embora as tenham, mas mais sobre as influências nefastas sobre terceiros que não tomam partido na opção.
Na minha visão de sociedade (chamemos-lhe anarco-capitalista ou comunista ou outra coisa qualquer) o estado não deve ter um papel na tomada de decisões individuais, nem como incentivador nem como inibidor (embora a sociedade possa ter o seu papel). É que se começarmos a dizer que tudo isto é legítimo porque as pessoas continuam a ter a opção de casar, unir-se de facto ou não, deveríamos aceitar que é justa a oferta de computadores aos estudantes do 10º ano porque as famílias mantêm a opção de não os comprar, é justo a RTP ser porta-voz do PS porque temos a opção de não a vêr, é justo haver um subsídio de marginalização social aos casais homossexuais* porque continuamos a ter a opção de não ser,...
O liberalismo em Portugal pode estar numa fase infantil, mas o socialismo está já definitivamente enraízado. Tão enraízado, que parece que hoje em dia basta defender que as pessoas devem poder tomar decisões sobre a sua vida privada em liberdade, e assumir totalmente as responsabilidades dessa decisão, para se ser apelidado de tudo e mais alguma coisa.

2007/06/01

Diz que é o tal de " progressismo "

Propõe Hugo Garcia, vice-presidente responsável pelo programa político do M"L"S, como moção sobre o desporto escolar (?) a ser votada em futura Assembleia Geral (excertos, com negritos meus):

O Movimento Liberal Social propõe que:

- Todas as modalidades deverão ter um carácter competitivo pela sua essência ou por demonstrações. Ficam assim excluídas as modalidades conhecidas como as de ginásio (Yoga, Pilates, Musculação ou aulas de estúdio).
- As modalidades deverão também ter uma forte componente de preparação física. Ficam assim excluídos o golf e o malabarismo.
- Ficam também excluídos desportos motorizados;
- Os alunos poderão ser excluídos das equipas por mau aproveitamento escolar, por comportamentos desadequados dentro e fora da escola, por se detectar o consumo de substâncias ilegais como esteróides, por faltarem aos treinos, ou por desleixo nos treinos e jogos.

O Movimento Liberal Social pretende desta forma:

- Promover a diversidade no desporto e na competição, nos praticantes, bem como nos espectadores;
- Preparar grandes atletas para competições internacionais que no sistema actual não têm hipótese, promovendo Portugal através do desporto;
- Em combinação com o sistema de financiamento cheque-ensino (como proposto pelo MLS), incentivar as escolas a encontrar ou desenvolver condições para a prática de variadas modalidades desportivas;
- Desincentivar, sem proibir, o consumo de substâncias prejudiciais como álcool, tabaco, comida com excesso de gordura, derivados de cannabis, etc.
- Desenvolver o carácter, a auto-disciplina e a força de vontade dos jovens estudantes sem recorrer ao “tiranismo”;
- Desenvolver orgulho pela escola e pelos colegas;

2007/05/23

Faz sentido

“Os liberais ultra-individualistas são basicamente aqueles que se identificam com o anarco-capitalismo”(…)“Os liberais individualistas-comunitários dividem-se em dois tipos: os liberais clássicos, para quem a liberdade negativa é o valor principal (defesa da propriedade privada, Estado pequeno, etc), e os liberais sociais, que admitem alguma intromissão na esfera privada como forma de promoção de certas liberdades positivas.”

Na minha condição de não-liberal, proponho uma classificação alternativa: os liberais individualistas são os “liberais clássicos”, os liberais individualistas-comunitários dividem-se “liberais sociais” e “liberais conservadores”. Não fará mais sentido?

Miguel Madeira, em comentário a este post

2007/05/16

Couve amarelada liberal do dia

Nós estatistas, uma ova. Nós somos os verdadeiros liberais. Para um verdadeiro liberal o Estado é pessoa de bem e tem a incumbência de fiscalizar o boletim de saúde dos cães. Vocês não são liberais, vocês são anarcas.

António Fiuza, neste comentário.