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2008/05/09

Arte (2)

Um artista é um intelectual, um homem das ideias, do intelecto. De facto físicos, médicos ou economistas poderão ser apenas técnicos, mas um artista é um intelectual. Para ser intelectual basta ser um artista reconhecido e para ser um artista reconhecido basta que o seja pelos decisores públicos.

Uma linha ideológica que suporta o princípio que a Arte deve ser financiada por meios colectivizados é atractiva para artistas que querem ser suportados por meios colectivizados. Pode ser atractiva também por outras razões, mas esta razão é incontornável. Quanto mais meios esta linha promete distribuir mais atractiva será a linha ideológica para estes artistas que são por definição intelectuais.

O objectivo de linhas ideológicas antagónicas à colectivização de meios para a distribuição discricionária dos mesmos por decisores públicos de atrair para seus apoiantes artistas tem uma probabilidade de sucesso limitada. Dos artistas que até poderiam ser atraídos por uma linha sustentada pela liberdade individual apenas ficam os que repudiam ser dirigidos por políticos.

O objectivo de linhas ideológicas antagónicas à colectivização de meios para a distribuição discricionária dos mesmos por decisores públicos de atrair para seus apoiantes intelectuais tem de passar pela redefinição do que é um intelectual. Enquanto a definição de Intelectual estiver indirectamente à mercê dos decisores da distribuição dos meios colectivizados o objectivo é impossível de alcançar.

2007/06/19

Ass. contribuinte para as touradas de morte e de tantas outras coisas (3)

O sofrimento de animais, especialmente aquele que não é necessário para a vida humana é visto por muitas pessoas, senão a maioria, como muito negativo. E quem o causa é censurado. Além de ser censurado hoje existem uma série de leis que protegem os animais do sofrimento "não justificado".

Os animais têm direitos. Para já são direitos negativos, ou seriam, se os animais tivessem um estatuto equiparado ao dos seres humanos. Isto origina um conflito. Um conflito entre direito de propriedade humano e os direitos consagrados aos animais. Vários problemas práticos:

  • Os animais têm direitos sem responsabilidades, o que no extremo explica porque é que um dono de um cão pode ser obrigado a matá-lo em vez de o "educar" com violência pavloviana.
  • Os animais são dependentes dos seus proprietários o que significa que o Estado, para garantir os seus direitos têm de entrar na vida privada dos proprietários.
  • À medida que vão ganhando mais direitos, os animais vão perdendo valor. Isto retira-lhes o valor da utilidade. Existe uma transferência de bem-estar entre os proprietários de animais, os que antes retiravam mais utilidade, para os "apreciadores de animais".
Para dizer que prefiro as sanções sociais espontâneas a quem trata com crueldade animais do impor o comportamento "humano" à força. Porque por mais simpática que pareça a causa dos direitos dos animais temos de nos lembrar que são animais. E que se os animais tendem a ser cada vez "melhor tratados" é porque somos humanos.

Diferenciar a neutralidade do estado da parcialidade individual.

2007/06/18

Ass. contribuinte para as touradas de morte e de tantas outras coisas (2)

O que é Cultura ou não, não pode ser imposto por decreto. A Cultura é vivida pelos indivíduos, sozinhos ou em grupos mais ou menos numerosos, de forma mais ou menos organizada. A Cultura é o resultado acumulado de gerações e gerações, não pode ser definida ou limitada pelo pensamento dos governantes do momento.

Qualquer financiamento público à "cultura" implica (1) a definição do que é cultura (2) a prioritização das manifestações culturais. Como é possível que auto intitulados "cultos" aceitem ser definidos por "políticos"? Um desabafo... voltando ao ponto:

O Estado Socialista transformou a Cultura em Programa político cultural. É fácil confundir as coisas considerando a apreciação pessoal que fazemos de cada evento.

Sim, reprovo a tourada, como já tinha escrito aqui. Sim, a tourada de morte foi excluída do programa político cultural, embora seja indirectamente financiada. Sim, a tourada de morte é reprovada pela maioria da população. Agora, a verdade, e a razão de a tourada de morte continuar a existir, é que a tourada de morte faz parte da nossa cultura. Ponto.

Edited: O conflicto entre multiculturalismo e tradicionalismo fica para outras núpcias...

2007/06/14

TV Shop

A RTP vai emitir no próximo domingo a parte das cerimónias comemorativas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas que não transmitiu no domingo passado, atendendo ao protesto do Presidente da República.

Público Última Hora.
Naturalmente, a transmissão vai ser acompanhada com a mesma indiferença e distância que conquistou no fim de semana anterior.

O presidente da república e o governo conseguem talhar o mecanismo de extorsão que obriga os contribuintes ao sustento de dois canais públicos de televisão. Mas (por enquanto), ainda não os conseguem obrigar a financiar um polícia em cada lar, de modo a que todos sejam obrigados a visionar os seus actos públicos de solenidade auto-proclamada.

2007/06/11

Ass. contribuinte para as touradas de morte e de tantas outras coisas

Via Café da insónia de Pedro Félix, revi o "anúncio" "contra as touradas de morte".

Bom, eu não gosto de ver touradas de morte. São de uma violência, para mim, desagradável além de que não vejo a arte da coisa. É uma posição pessoal. Não gosto e portanto não contribuo para o espectáculo, não compro nem bilhetes nem merchadising. Não contribuo? Minto.

Pago impostos e portanto contribuo. Porque estou certo que alguma instituição, espectáculo ou recinto é financiado com o dinheiro dos meus impostos. Bem sei que não directamente. Mas indirectamente vai lá parar. De algum orçamento de "cultura" central ou municipal. Por isso a minha guerra é outra. É garantir que a cultura seja cultura e não programa político. É lutar para que o Estado não se meta na arte e na cultura. Para a manter o que é, e não o que os governantes acham que deve ser.

Agora voltando ao anúncio. Dificilmente os defensores do fim das touradas de morte ganham adeptos ao comparar touros a mulheres, seres humanos. E ao sobre valorizarem a vida ou o sofrimento dos touros diminuem por comparação o sofrimento humano.