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2007/10/04

Dislexia socialista moderna

O Governo aumenta a carga fiscal sem reduzir os gastos correntes nem o investimento público.

Qual a linha ideológica que o João Rodrigues, nos gatunos, identifica como as opções orçamentais do governo? Pois não é que se engana e em vez de socialista, ou colectivista escreve neo-liberal?

Deixo uma mensagem para o João Rodrigues. Se o objectivo é mesmo aumentar o investimento público, até podemos fazer uma coligação. A coligação podia passar por um compromisso de reduzir as despesas correntes em 90% e aumentar o investimento público em 20%. Do outro lado do "T" colocávamos receitas de venda de propriedades e imóveis do estado e impostos reduzidos a 10% do que são hoje.
Isto número de cabeça, claro. Desde já me ponho à disposição para discutir um orçamento de coligação em pormenor consigo. Para combater estes governos todas as coligações são poucas.

2007/09/21

Iluminados

Como deve ser bom viver a acreditar que se é capaz de tomar decisões melhores do que o resultado da combinação de decisões de milhões de indivíduos.

Supremacia moral e racional. Excelente. Pelo menos não têm falta de auto confiança.

É uma pena que o mundo não seja dirigido por uma mão cheia destas pessoas iluminadas. Seria um mundo novo e diferente. Um mundo em que as pessoas não fariam asneiras. Em que o bem-estar de longo prazo seria claramente encontrado pelos Iluminados. Ou talvez não seja pena. Qual será a reposta certa? É melhor esperar por um dos Iluminados para ficar a saber...

2007/09/10

Pobre e Mal Agradecida

Fonte: Correio da Manhã

Zélia Santos, 75 anos
Inquilina, há 38 anos, na Rua D. Filipa de Lencastre, em Oeiras
Rendimento de 532,20 euros mensais

Um incêndio destruiu, em Dezembro do ano passado, parte da habitação de cinco assoalhadas, propriedade do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, cabendo ao organismo do Estado reparar o imóvel.

Mãe e filha confirmam que receberam da Segurança Social a opção de viverem temporariamente nos Olivais (Lisboa) ou em Albarraque (Sintra) mas consideram que tal solução não é viável

A família indignada afirma:
“Pago sempre a renda [5,47 euros] "
"sou obrigada a viver no meio do entulho"
"A minha mãe tem dificuldades de locomoção,(...) e o médico de família é de Oeiras”

2007/06/15

É sempre bom lembrar...

...que atrás das palavras "paz", "solidariedade", "cidadania" , "Justiça social", "Ambientalismo", "Multiculturalismo" vêm as palavras que reflectem o verdadeiro programa da extrema esquerda.

Nos sempre elucidativos Gatunos, o João Rodrigues lembra-nos das principais linhas programáticas (negritos meus) ...

(...) Às vezes isto implica também cuidar e proteger palavras que são todo um programa de crítica e de transformação: luta de classes, imperialismo, desenvolvimento desigual, controlo de capitais, controlo democrático da economia, nacionalizações, autogestão, socialismo...

2007/06/13

Os homeopatas também não gostam do caminho tomado pela Medicina

(...) De facto, a generalidade dos autores deste blog não se revê naquilo que a ciência económica se foi tornando: uma prática científica que sobrevaloriza o formalismo e subvaloriza a análise histórica e institucional concretas,(...)

Ricardo Paes Mamede, nos ladrões de bicicleta
Ricardo Paes Mamede ganhou o meu respeito. Porque não está a escrever para enganar ninguém. Não gosta da Economia analítica, que produz teorias com hipóteses, raciocínios, conclusões e previsões verificáveis. Não se revê na Economia moderna.

Pessoalmente gosto do caminho dado à Economia. De uma forma geral o caminho dado às ciências chamadas sociais. É um caminho que dá menos espaço à demagogia e à ideologia mascarada de ciência. Não a imuniza, claro, mas que ajuda, ajuda. Hoje em dia Marx não vingava, pelo menos como economista. Tal como não vingam os “Economistas de combate” apreciados pelos colegas do Nuno.

A mim estas discussões lembram da importância da ideologia, da moral e dos valores. Estão por cima e antes de qualquer conclusão de qualquer ciência. E também por isso não se devem nem misturar nem deixar cair em dependências de parte a parte. Já o escrevi antes e volto a escrever, mesmo que a liberdade originasse piores resultados económicos, escolho a liberdade a qualquer outro ideal.

PS: Nós por aqui linkamos artigos de blogs que preferem a igualdade à liberdade. Acreditamos que ganhamos na comparação....e claro...que não há nada como uma decisão bem informada e em liberdade.

Nota: Corrigido o nome do autor, humildes desculpas.

2007/06/05

Private Equity (IV) - Encerramento de empresas

O desemprego está na ordem do dia. De um lado defende-se que o importante é garantir-se que as empresas não fechem nem reduzam a capacidade. O como varia de um PS que atira subsídios a um PCP que advogará a nacionalização a um BE que ameaçará com a oratória de Francisco Louçã. Do outro lado estão os que defendem a flexibilidade, o funcionamento dos mercados. Mesmo olhando para o emprego como um fim em si, a flexibilidade é importante, porque ao final o que importa é que abram mais "postos de trabalho" (adoro este termo) do que fechem "postos de trabalho".

Dos que apostam na flexibilização do mercado como melhor meio para se "combater o desemprego" alguns defendem que as barreiras ao encerramento de empresas prejudicam a abertura de novas empresas.

Perguntam os "economistas de esquerda": e porque é que impedir o fecho das empresas prejudica a abertura de empresas? A resposta é simples e terão de acreditar nela, mesmo que não venha no "Das Kapital".

Quando se abre uma empresa existe um projecto de rentabilização, se não explícito, pelo menos implícito. São cada vez mais raros os projectos em que se pressupõe rentabilidade perpétua. Quando o negócio implica o investimento em imobiliário (por exemplo) uma parte importante da entrada futura de rendimentos passa pela venda desses mesmos bens imobiliários no futuro. Quanto mais difícil é o encerramento da empresa mais difícil é a recuperação desse valor terminal, menor o valor do projecto. Quanto menor o valor do projecto ou maior o seu risco menor a probabildiade de este ser implementado. Leia-se, menor a probabilidade de que a empresa e os respectivos "postos de trabalho" sejam concretizados. Esta lógica é simples e aplicada na realidade todos os dias.

2007/06/04

Private Equity (I) - Esclarecimentos gerais

Nuno Teles, nos Ladrões de Bicicletas, dedica 3 textos à bolsa de valores e aos fundos privados de capital de risco, vulgo “Private Equity Funds”. Acredito que o Nuno Teles, com estes textos, quis ajudar o Luís Lavoura a perceber um pouco como funciona a bolsa de valores e o mercado de valores financeiros em geral.

Uma empresa pode ser rentabilizada de várias formas. Uma delas é fechando-a, ou reduzindo as operações. Uma empresa pode ter activos como terrenos ou imóveis que estão a ser mal empregues. Que outra empresa ou indivíduo pode rentabilizar de forma superior. Uma das formas de rentabilizar empresas é fechando as suas operações e recolhendo o valor terminal das mesmas. Isto pode acontecer a uma empresa como um todo ou apenas a uma parte, eliminando-se uma linha de negócio ou simplesmente reduzindo-se a capacidade. Há muitas empresas que embora sendo irrecuperáveis operacionalmente têm um tremendo valor.

As acções de uma empresa são transaccionadas considerando a possibilidade de mudança de gestão e de estratégia. A possibilidade de alguém ou alguma empresa ganhar poder suficiente para mudar a gestão e aumentar a rentabilidade da empresa. Fechando-a por exemplo.

O mercado a funcionar de forma perfeitamente flexível garantiria que em cada momento esses activos estariam a ser usados por quem melhor os rentabilizaria. Como de facto os ajustes levam tempo, em alguns casos anos ou mesmo décadas, há muitas empresas que se arrastam com valores terminais prontos a serem rentabilizados.

É neste momento que podem entrar fundos privados de capital de risco. Como podem entrar quaisquer outras empresas ou indivíduos. Acontece que existem fundos que são criados exactamente para explorar oportunidades de rentabilização com reduções ou mesmo fecho das operações. Isto é óptimo. Ajudam a que empresas fechem se não tiverem razão para existir. Dão espaço a novas empresas.

As mesmas “Private Equity funds” também podem especializar-se no investimento em empresas que procuram capitais para crescer. Ou em empresas que procuram capitais para nascer. Ou em empresas que para serem operacionais precisam de uma nova gestão.

Estes Fundos são do melhor que pode acontecer a uma economia. Por um lado são o sinal que investidores privados estão dispostos a arriscar as suas poupanças investindo em negócios com rentabilidade incerta em vez de activos de rentabilidade certa como títulos obrigacionistas do estado, por outro são autênticos catalisadores da mudança. Fornecem o lubrificante que faz uma economia mexer-se e evoluir, o capital. Quem nos dera que existissem mais a operar em Portugal.