2007/06/13

Os homeopatas também não gostam do caminho tomado pela Medicina

(...) De facto, a generalidade dos autores deste blog não se revê naquilo que a ciência económica se foi tornando: uma prática científica que sobrevaloriza o formalismo e subvaloriza a análise histórica e institucional concretas,(...)

Ricardo Paes Mamede, nos ladrões de bicicleta
Ricardo Paes Mamede ganhou o meu respeito. Porque não está a escrever para enganar ninguém. Não gosta da Economia analítica, que produz teorias com hipóteses, raciocínios, conclusões e previsões verificáveis. Não se revê na Economia moderna.

Pessoalmente gosto do caminho dado à Economia. De uma forma geral o caminho dado às ciências chamadas sociais. É um caminho que dá menos espaço à demagogia e à ideologia mascarada de ciência. Não a imuniza, claro, mas que ajuda, ajuda. Hoje em dia Marx não vingava, pelo menos como economista. Tal como não vingam os “Economistas de combate” apreciados pelos colegas do Nuno.

A mim estas discussões lembram da importância da ideologia, da moral e dos valores. Estão por cima e antes de qualquer conclusão de qualquer ciência. E também por isso não se devem nem misturar nem deixar cair em dependências de parte a parte. Já o escrevi antes e volto a escrever, mesmo que a liberdade originasse piores resultados económicos, escolho a liberdade a qualquer outro ideal.

PS: Nós por aqui linkamos artigos de blogs que preferem a igualdade à liberdade. Acreditamos que ganhamos na comparação....e claro...que não há nada como uma decisão bem informada e em liberdade.

Nota: Corrigido o nome do autor, humildes desculpas.

6 comentários:

Junq disse...

Então há quem possua a "análise histórica e institucional concretas"?
Surpeendente novidade histórica!
Patente urgente...

L. Rodrigues disse...

Não sou economista, apenas um observador curioso, mas já li algumas criticas de matemáticos (e economistas)aos modelos usados na "economia moderna". Simplistas, foi o termo mais simpático.

André Azevedo Alves disse...

Suspeito que neste caso estarei mais próximo, pelo menos em alguns pontos importantes, dos homeopatas.

Mas como não tenho tempo para desenvolver, fico-me pela suposição...

Cirilo Marinho disse...

Por favor não confundir homeopatia (teoria da memória molecular) com medicinas alternativas com séculos de sabedoria e experiência acumulada.

Os lobbies servem para queimar coisas boas mas também tamponam a charlatanisse.

E contrapor o formalismo (i.e. método científico) à análise histórica concreta (whatever that is) já não lembra nem Augusto Rosa.

Curiosamente, a análise histórica comparativa (método formalista)era bem capaz de ser um pouco desfavorável aos economistas "dos amanhãs que cantam".

Enfim. Registo, contudo, uma preocupante tendência para analisar os ladrões e o mls no mesmo patamar.

Ricardo Paes Mamede disse...

Caro Ricardo Francisco,

infelizmente não lhe posso retribuir o elogio - parece não querer abdicar do tom demagógico. E insiste em querer confundir rigor analítico com formalismo. E se acha que isto não é 'Economia Moderna', sugiro-lhe dois exercícios de leitura: (i) os discursos que os presidentes da American Economic Association têm feito nos últimos anos na sessão anual daquela associação sobre a deriva formalista da Economia e (ii) os principais trabalhos de prémios Nobel da Economia como Simon Kuznets (1971), Gunnar Myrdal, (1974), Friedrich August von Hayek (1974), Herbert A. Simon (1978), Douglass C. North (1993), Amartya Sen (1998), Daniel Kahneman (2002) ou Thomas C. Schelling (2005). Neles perceberá que só quem se limita a estudar economia pelos manuais é que continua a acreditar que a crítica metodológica aos fundamentos da economia 'mainstream' é coisa de gente obscurantista.

Ricardo G. Francisco disse...

Caro Ricardo Paes Mamede,

O que chama de tom demagógico prefiro assumir como tom beligerante. Não prometo moderar. Mas garanto-lhe que a minha beligerância é proporcional ao autismo que encontro. Atendendo que finalmente respondeu é natural que diminua o tom.

Agora "on topic". É natural que a "deriva formalista" da Economia seja criticada, dá-lhe um caracter técnico. Nem todos querem ser técnicos. Muitos querem ser "motores de mudança" valendo-se dos seus conhecimentos específicos sobre uma dada matéria. A Economia é uma matéria que se presta muito a isso.

Por isso sou dos que luta pela separação entre a Economia ciência e a Economia "ferramenta" ideológica.

Prometo continuar a desmontar o que vou lendo de economia ideológica com a economia ciência. Tambem porque concordo com Hayek.

Entretanto (e voltando ao tom beligerante) tenho a certeza que pode usar argumentos melhores que referências, por melhores que sejam os autores que refere. Tenho a certeza que ficou com mais conhecimentos sobre as matérias do que simplesmente o título e o nome do autor.