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2008/04/01

Desculpas de mau perdedor

Em Outubro, recebeu um telefonema do banco avisando-o de que o fundo UBS em que colocara algum dinheiro já perdera um terço do seu valor. (...) Por outras palavras, fora vigarizado, comprando como investimento de baixo risco um investimento de grau de risco desconhecido.

5dias
Qual a probabilidade de algo dar para o torto, quando raramente dá para o torto, sabendo que afinal até deu para o torto? A desonestidade de dizer que o investimento afinal não era de baixo risco reside na reavaliação à posteriori, conhecendo já o seu desfecho, incorrendo assim na falácia da probabilidade condicionada, sabendo que o risco baixo se concretizou de modo indesejado.

Fazendo uma comparação: Considere-se um Baralho de 52 cartas. A probabilidade de ao retirar uma carta sair um rei é 4/52, ou 1/13. No entanto, se alguém retira uma carta e nos diz que é uma figura, então a probabilidade de ter saído um rei é 4/12=1/3, ou seja, P(sair um rei|sair uma figura)=1/3.

A figura é nada mais que o telefonema do banco. Afinal o risco era de 1/3, lamenta-se o JPC! E não os 1/12 que constavam do prospecto. Ao gatuno! Ao gatuno!

2008/03/28

Momento de solidariedade com o Miguel Duarte

Há quem nos acuse de sermos menos que simpáticos para com o MLS por estas paragens.

Não pude contudo deixar de ficar estarrecido e chocado com as palavras (com negritos meus) do Hugo Garcia para com o Miguel Duarte, respectivamente vice-presidente responsável pela política do movimento e o seu presidente:

Miguel,
O que tu estás a fazer não tem nada a ver com opiniões políticas.

Tem simplesmente a ver com incentivar o ódio.


Tu não mostras todos os lados do Islão. Tu nunca colocas textos a mostrar coisas boas ou o mal que existe contra eles.

A tua posição é simplesmente de ódio, que tenta encontrar um argumento para a destruição do islamismo fomentando o ódio que já existe.

Se existe alguma forma de acabar com violência e ódio é através do diálogo, que é o oposto daquilo que tu fazes constantemente.

Podes vir com argumentos de Liberdade de comunicação ou liberdade de expressão, mas primeiro tinhas que saber o que palavras como comunicação ou expressão querem dizer.

Se no congresso sobre democracia e desenvolvimento tivesses ouvido o discurso do Lord Alderdice, em vez de estares a fazer lobby, tinhas percebido que:

1- a violência é a comunicação dos que não têm voz
2- a única forma de acabar com a violência é abrindo os canais de comunicação
3- que nunca se deve gerar o ódio dentro do nosso grupo contra o outro, porque isso apenas conseguirá aumentar o ódio de ambos os lados.

Experimenta ler um livro de Amin Maalouf, como as identidades assassinas ou as cruzadas vistas pelos árabes e depois vem me dizer que não és racista.
Já agora, tenta ler o Mein Kampf ou a bibliografia do Hitler para perceberes como essa tua estratégia tem muito mais a ver com a dos nazis.

Porque também eles tinham muitos argumentos contra os judeus, tal como tu tens hoje.
A diferença é que o Hitler era um líder e conseguiu espalhar o seu ódio.
Basicamente (e apropriadamente ao assunto em questão), o que Maomé não disse do toucinho.

Fica a dúvida sobre o que é que Hugo Garcia está a fazer na direcção do movimento, quando acha que o seu líder e principal face é merecedor dos adjectivos e representável da forma como o descreve.

Ou está a candidatar-se, de forma consequente com as suas palavras, ao lugar de Goebbels?

2008/03/17

E assim se ganham eleições

O governo PS – Sócrates conseguiu fazer pelo menos uma coisa com sucesso. Conseguiu mostrar as vantagens e benefícios que os trabalhadores ligados ao estado possuem, dependendo da corporação a que pertencem. Vantagens por comparação com a vida no sector privado, o mesmo que paga as contas do público. Os eleitores que não têm estas benesses vêm o governo “reformador” como o domador da besta. Por isso é que uma manifestação de 100.000 de uma corporação cujos direitos e benefícios têm sido atingidos em vez de tirar votos e apoios dá no final mais força ao governo. No final até pode dar o dito por não dito e deixar parte ou a totalidade das benesses, mas isto será feito em silêncio, de forma a capitalizar dos dois lados da barricada que criou.

Este governo aprendeu a lidar com as corporações. Atinge-as na reputação, torna-as alvos enfraquecidos perante uma opinião pública que quer sacrifícios. As corporações são os novos “capitalistas”. O inimigo do povo que tem que ser combatido. Por isso é que uma manifestação dá mais votos que tira. O povo vê a corporação a chorar. É porque o governo está a fazer o trabalho duro e a enfrentar a besta… e batem palmas.

As corporações se quiserem sobreviver como instituições respeitadas têm de aprender a lidar com este governo. Mostrar que querem defender para quem existem e não os seus membros, em especial os piores. Mostrar que estão dispostos a prescindir de benefícios, mostrar que, por exemplo, querem ser avaliados. Tomar a iniciativa. Depois, dentro da máquina da mudança estarão em posição privilegiada para encravar a engrenagem. No final deixar tudo na mesma ou ainda mais favorável para a classe ou corporação. No final não há ilusões, as corporações monopolistas e estatais existem mesmo para proteger os piores e a classe como um todo.

Enquanto não mudarmos de sistema com base corporativa e laivos marxistas, o que podemos esperar é esta utilização da impressão e da opinião pública para criar consensos sobre a utilização do dinheiro tirado à força pelo estado aos cidadãos. Enquanto o estado não tiver o seu poder severamente limitado, com funções claras e limitadas, seremos sujeitos ao jogo da impressão e da sugestão como meio de distribuição de benesses a uns ou a outros. Do retirar de benesses de uns ou de outros, como caminho para a vitória para as próximas eleições. Fraca democracia a que temos e que só podemos esperar que um dia mude, em vez de morrer.

Nota:

1. O sistema de avaliação tal como está montado de nada vale. Carga burocrática inexequível e sem significado. A única avaliação que vale é a externa. A solução de consenso, corporativa e endógena, burocrática ao extremo é uma piada. Maior piada é o facto dos professores não terem usado esta mensagem simples. Passaram, talvez porque é assim mesmo que a corporação é, por mais uns beneficiados atingidos e ofendidos na sua “dignidade profissional” que apenas eles têm direito.

2007/08/08

Won't the real US Treasury Department please stand up?

The Chinese government has begun a concerted campaign of economic threats against the United States, hinting that it may liquidate its vast holding of US treasuries if Washington imposes trade sanctions to force a yuan revaluation.

Two officials at leading Communist Party bodies have given interviews in recent days warning - for the first time - that Beijing may use its $1.33 trillion (£658bn) of foreign reserves as a political weapon to counter pressure from the US Congress.

[...]

Described as China's "nuclear option" in the state media, such action could trigger a dollar crash at a time when the US currency is already breaking down through historic support levels.

It would also cause a spike in US bond yields, hammering the US housing market and perhaps tipping the economy into recession. It is estimated that China holds over $900bn in a mix of US bonds.

"Of course, China doesn't want any undesirable phenomenon in the global financial order," [Xia Bin, finance chief at the Development Research Centre (which has cabinet rank)] added.

He Fan, an official at the Chinese Academy of Social Sciences, went even further today, letting it be known that Beijing had the power to set off a dollar collapse if it choose to do so.

"China has accumulated a large sum of US dollars. Such a big sum, of which a considerable portion is in US treasury bonds, contributes a great deal to maintaining the position of the dollar as a reserve currency. Russia, Switzerland, and several other countries have reduced the their dollar holdings.

"China is unlikely to follow suit as long as the yuan's exchange rate is stable against the dollar. The Chinese central bank will be forced to sell dollars once the yuan appreciated dramatically, which might lead to a mass depreciation of the dollar," he told China Daily.

The threats play into the presidential electoral campaign of Hillary Clinton, who has called for restrictive legislation to prevent America being "held hostage to economic decicions being made in Beijing, Shanghai, or Tokyo".

She said foreign control over 44pc of the US national debt had left America acutely vulnerable.

Telegraph.
As megalomanias do passado, da rotativa sempre à mão, do apelo à dívida para sustentar o Big Spend e toda a máquina estatal americana começar a dar os seus resultados e a fazer temer o pior. O resto dos dados, a acrescentar ao problema da bolha do crédito em curso, não são nada animadores (antes pelo contrário). Veja-se (falam por si) as evoluções das cotações das principais moedas de referência em termos de reserva de moeda, do ouro, e da participação estrangeira na dívida (clicar para aumentar):


Participação estrangeira na dívida


Ouro vs. USD


USD vs. Yuan


USD vs. Libra Inglesa


USD vs. Yen


USD vs. Euro


USD vs. Franco Suíço

2007/06/18

A Filosofia e o conhecimento dos fundamentos do Liberalismo fazem mesmo muita falta

O Liberalismo por seu lado, tem nos seus fudamentos a ausência de doutrinas, mas não de valores. O pragmatismo associado ao liberalismo é baseado nos princípios da dialética Socrática. Estes princípios foram trazidos até nós pelo seu seguidor, admirador e provavelmente amante Platão, que foi o autor daquela que eu considero a maior obra literária da Humanidade " a República".

Hugo Garcia, Vice-Presidente Área de Política do Movimento Liberal Social.
Estive recentemente a reler A República e este debate em torno do mérito e do não-mérito fez-me lembrar uma coisa muito interessante.

(...)

E é neste sentido que de facto posso arguir o seguinte: a meritocracia corresponde a este platonismo da intenção, o que os conservadores (que em Portugal gostam de se chamar liberais, mas ao que parece pelo que leio no Arte da Fuga também já são anarquistas - qualquer dia vê-los-ei a ser marxistas-leninistas) pretendem (e sempre pretenderam, é essa a sua natureza) corresponde a este platonismo do método.

Igor Caldeira, recente tarefeiro de polémica.

2007/06/04

Sem nada a acrescentar

Sobre a proposta absolutamente inconcebível do governo de legislar obrigando à suspensão do mandato de autarcas que sejam arguidos e com acusação deduzida:

Qualquer lei que obrigue um autarca (ou outra pessoa eleita) a suspender o seu mandato porque (1) é constituido arguido, (2) é acusado pelo Ministério Público, (3) é pronuciado por um juiz de instrução ou (4) é condenado sem trânsito em julgado da sentença, é uma lei inconstitucional e - pior - é uma lei que viola o princípio da presunção de inocência. Para além disso, ao colocar nos juízes e magistrados um poder que não é suposto terem, é uma lei que põe também em causa o princípio da separação de poderes.

[...]

Justiça e política não podem confundir-se, sob pena de perdermos o pouco que ainda resta das duas.

Eduardo Nogueira Pinto, no 31 da Armada.
Este é mais um passo na judicialização da política. Especialmente grave porque contribui para alimentar a suspeita já existente de que a justiça pode ser politicamente dirigida. Especialmente grave também que o Governo escolha um momento em que estamos em pré-campanha para umas intercalares em Lisboa que, em grande medida, acontecem por um presidente de Câmara ter sido constituído arguido. Especialmente grave, finalmente, é que ninguém se lembre que, uma vez mais, o PS está a legislar - ou a propor legislação - à exacta medida das próprias necessidades ou interesses conjunturais.

Paulo Pinto Mascarenhas, no blog da Revista Atlântico.

2007/05/31

Financiamento público dos partidos

A problemática do financiamento é uma boa candidata, como outras, a motivar o intervencionismo através de um discurso de boas intenções e de "bem-colectivo". Os argumentos de "favorecimento do pluralismo", da "igualdade de oportunidades" para todas as ideias políticas e para a colocação de todas as forças partidárias em pé de igualdade em termos da capacidade de levar o seu discurso até ao eleitorado são frequentes, muitas vezes bem-intencionados, mas culminam inevitavelmente no cenário perverso que hoje em dia rege a arena dos partidos políticos no nosso país.

Os referidos argumentos de "pluralismo" e de "igualdade de armas" motivaram a instituição de mecanismos de subvenção e apoio público (portanto com o dinheiro de todos os contribuinte) aos partidos, às candidaturas presidenciais e autárquicas, bem como aos movimentos organizados quando existem referendos. Naturalmente, plenos de preocupações igualitárias, o pressuposto foi de que todos teriam que receber um apoio essencialmente próximo uns dos outros, já que tal apoio não deveria presidir a novos mecanismos de exclusão patrocinados pelo estado. Claro que, no momento posterior, a preocupação foi de não "nivelar por baixo", já que tal iria "empobrecer" o combate democrático e provavelmente seria insuficiente para colmatar as diferenças e os resultados dos financiamentos privados adicionais que seriam recebidos pelas instituições mais representativas e significativas.

Naturalmente, todo o ónus financeiro gerado por esta actuação levou à inevitável conclusão: o dinheiro não chega para tudo e para todos! Portanto, o passo seguinte for criar barreiras e requisitos administrativos à criação de partidos e de movimentos elegíveis para essas subvenções. Exemplo disso são as 5000 assinaturas que são necessárias para fundar um partido, ou as 4000 (pouco menos) assinaturas de eleitores de uma determinada circunscrição que são necessárias para formalizar uma candidatura autárquica independente.

Ou seja, acaba-se por ter na prática exactamente a falta de pluralismo e de diversidade de ideias que motivou toda a intervenção! Instituiram-se claros entraves à entrada no mercado das ideias políticas que consubstanciaram o actual oligopólio político que podemos observar, em que os "eleitos" se realimentam das verbas que eles próprios (ou os outros que lhe são próximos na gestão do oligopólio) instituiram, e se sujeitam às regras que eles próprios escolheram.

Mais uma vez, a intervenção para suprir as "lacunas do mercado", e para alimentar a "igualdade" e o "pluralismo" rendundaram exactamente na deteriorização desse mercado e na total perversão dos seus objectivos.

Portanto, e face ao acima exposto, quem quiser fazer política e disseminar as suas ideias (que acha pessoalmente mais válidas e mais oportunas), que arranje maneira de pagar esse processo. Mas não à custa dos contribuintes.

2007/05/30

A CGTP é uma boa companheira

A CGTP vai patrocinando no dia de hoje aquilo que se poderia classificar como uma boa ajuda ao governo Sócrates, que a poderá elevar eventualmente a um lugar cimeiro no pódium dos principais apoiantes do actual governo.

Senão vejamos: primeiro, temos toda uma poupança em salários e subsídio de refeição, e o seu óbvio contributo para a meta do défice e para o equilíbrio das contas públicas. Depois, em consequência do bloqueio imposto em termos de transportes, em alguns casos até desrespeitando os servíços mínimos legal e democraticamente impostos, milhares de particulares foram obrigados a viajar para o seu local de trabalho em viatura própria, com o previsível aumento do encaixe de verbas do imposto sobre os produtos petrolíferos, a contribuir para o mesmo desígnio.

Para terminar, o encerramento de repartições públicas e de muitos dos serviços públicos vai mais uma vez fazer notar: ao que não precisam deles, que estão a pagar por uma coisa em que nem sequer dão conta se está aberto ou não (no seguimento do clássico "não falte ao trabalho, que o patrão pode chegar à conclusão que não faz falta"); aos que precisam, a imensidade de coisas que estão debaixo da alçada do estado em regime de monopólio público, e o respectivo respeito que os funcionários têm por quem lhes garante a função e o posto de trabalho. Concerteza que estes utentes ficarão bem mais motivados para aceitar e simpatizar com propostas de emagrecimento da função pública ou com a retirada de regalias aos seus funcionários.

Sem dúvida, a CGTP é uma boa companheira do governo. Presumo que a esta hora Sócrates (e principalmente Teixeira dos Santos) estará feliz e contente a pensar porque é que ela não faz coisas destas mais vezes.

2007/05/29

O melhor foi mesmo ir dormir

Ontem ainda me afoitei a ver o Prós e Contras, que versava sobre as problemáticas do trabalho no nosso país.

A composição das mesas de discussão foi logo sintomática: de um lado, o ministro do trabalho; do outros, as confederações sindicais. O resto seriam, concerteza, pormenores.

O resto, de tão previsível, foi confrangedor. Desde os dirigentes sindicais a abanarem os espectros e demónios do costume, à demonização da flexigurança (vá-se lá até pensar em algo mais), do neo-liberalismo que entra pela janela, aos empresários que são todos uns bandidos-escravizadores-opressores-do-proletariado, aos patrões de mão estendida e plenos de autoproclamada "responsabilidade social", assistiu-se a mais do costume. Esta gente continua toda autísta e de olhos fechados. O barco naufraga e todos estão entretidos a fazer queixas das fugas no convés e de quem é o responsável, e a pedir ao padrinho que tape os buracos.

Houve contudo alguns momentos curiosos e, apesar de tudo, assinaláveis: um foi protagonizado por Carvalho da Silva, que afiançava respeitosamente ao ministro que a greve geral e que a actividade sindical em curso não era "contra o governo", mas sim para forçar à "mudança de políticas". Parece que em governo de esquerda, principalmente quando o partido que o sustenta tem "socialista" no nome, ainda se não mexe. Outro foi o do representante da federação dos contrutores civis, que com ar pesaroso lamentava a falta de obras públicas, e que assim a coisa ficava difícil. Nada como uma boa OTA (cheia de estacas e aterros) ou uma ou outra obra de regime ou rotunda para reabilitar a coisa.

É este o mercado de emprego que temos. It'll end in tears...

Fui para a cama sem acabar o programa. Foi bem melhor.

2007/05/21

Ecce Huomo



se alvitra o autor da "fuga". Aliás, na confirmação da genial estratégia de regresso de Paulo Portas à sua carreira política.

Às vezes fico espantado com as argoladas que alguém com a sua fama na praça de animal político e de maquiavélico mete. E ao constatar que este seu regresso dificilmente poderia estar mais próximo do manual de instruções do que não fazer quando se buscam regressos messiânicos e credibilizadores para um partido.

2007/05/07

Direito intelectual

Brazil's president has authorised the country to bypass the patent on an Aids drug manufactured by Merck, a US pharmaceutical giant.

The country will import a cheaper, generic Indian-made version of the patented Efavirenz drug.

The decision came after talks between Brazil and the US company broke down.

Merck had offered Brazil a 30% discount on the cost of the drugs but the country wanted to pay the same price as Thailand, which gets a larger discount.

BBC News.
The show discusses protests launched again the large pharmaceutical company Abbot who in reaction–no, make that retaliation–to Thailand’s decision to issue compulsory licenses on AIDS drugs, and import generic drugs acted in highly questionable ways:

“Abbott responded in a way that shocked many AIDS activists - the company announced it would withhold seven new drugs from sale in Thailand including a new AIDS drugs and treatments for arthritis and high blood pressure.”

Interprete.
A problemática do direito intelectual, concretamente no que toca à questão das marcas e patentes, é uma questão complexa e particularmente exposta a conclusões precipitadas e irrefletidas ou a discursos mais ou menos demagógicos e propagandísticos.

A própria escolha de termos tem muito que se lhe diga: o facto de se utilizar termos como "propriedade intelectual" ou "propriedade industrial" faz com que muitas vezes se tente tecer em relação a essas questões conclusões por analogia com o conceito genérico de "propriedade". Ora a "propriedade intelectual" tem muito pouco de comparável ao conceito clássico e usual de propriedade, por diversos motivos. Motivos desde a própria intangibilidade dessa propriedade, à incapacidade em ser transferida ou à possibilidade de cópia ("criação de propriedade") fácil. A generalidade dos atributos que governam o conceito de propriedade, desde a posse aos princípios que governam o seu usufruto não servem quando aplicados ao conhecimento e ao intelecto.

A defesa do direito intelectual, contrariamente ao que muitas das opiniões que assinalei referem ou deixam transparecer, surgiu não somente como um "mecanismo de protecção" dos interesses dos industriais, mas sim como um tradeoff entre a acessibilidade pública dos inventos e o legítimo direito à sua exploração pelos seus criadores (no caso das patentes), e como um tradeoff entre a defesa dos consumidores contra a publicidade enganosa e a contrafacção e o direito das empresas em verem reconhecido o seu nome e o dos seus produtos. O que se optou por estabelecer, nomeadamente no caso das patentes, foi uma troca de um período de monopólio defendido pelo estado limitado no tempo por obrigações de divulgação desse conhecimento de forma pública e liberdade de utilização desse conhecimento findo esse período.

Não podemos esquecer qual era o cenário que imperava antes deste enquadramento. Anteriormente ao estabelecimento de mecanismos de patente, o que reinava na industria era a regra do segredo industrial. Sem limites temporais. Cada empresa guardava os seus conhecimentos e fabricava os seus produtos enquanto entendesse, sem que desse facto adviesse algum beneficio colectivo que não fosse a própria disponibilidade do produto. Lembremo-nos, por exemplo, da fórmula da Coca-Cola, que se mantém como um segredo comercial longe dos olhos de potenciais interessados. Com a institucionalização das patentes, a situação mudou: a sociedade comprometeu-se a, em troca das "receitas" e das "instruções" que possibilitariam a qualquer pessoa com conhecimentos na área replicar a invenção, garantir um exclusivo do uso dessa informação e da venda desse producto durante um tempo limitado.

Este compromisso foi em grande parte espontâneo, e como tal agradou a ambas as partes. Deu até origem a mecanismos internacionais de reconhecimento dessas marcas e patentes a que aderiram voluntariamente praticamente a totalidade dos países do Mundo.

Foram estas as regras que foram definidas para o jogo. O que se passa agora é que, para acorrer às necessidades internas e aos seus sistemas de saúde em grande parte falídos, alguns estados passaram a utilizar a chantagem e a coerção como arma de arremesso contra as regras vigentes, impondo (ou ameaçando durante negociações de preços com a indústria) mecanismos de licenciamento compulsório que (sendo já por si discutíveis), estavam reservados a situações críticas de pandemias ou situações excepcionais de emergência, rasgando os compromissos a que se tinham sujeitado voluntariamente. O que passa, portanto, é em grande parte uma tentação de nacionalização por parte desses estados desses recursos de conhecimento, para os quais não contribuiram um cêntimo, mas tão somente com a promessa desse reconhecimento.

O que é que se avizinha? Já se vê, no caso referido da Abbot: naturalmente, vendo os seus interesses e as suas legítimas espectativas defraudadas unilateralmente, as empresas farmacêuticas vão retaliar, e com toda a legitimidade. Vão retaliar de vários modos, como por exemplo recusando a venda de outros medicamentos que sejam difíceis de reverse engineer, ou disponibilizando os seus medicamentos premium somente a países com boa reputação de respeito dos seus compromissos. Além disso, é fácil de esperar que os déficits comerciais que emerjam desta situação sejam diluídos pelo preço das outras especialidades farmacéuticas. Pior do que isso, poderá acontecer que se regresse ao cenário anterior de segredo industrial, prescindindo a indústria farmacêutica de registar as patentes dos seus novos medicamentos. Já para não falar no espectável aumento da duração dos ciclos de descoberta de novos princípios activos e no aumento do custo dos medicamentos, já que os investidores privados naturalmente preferirão ir investir em outros ramos que não estejam sujeitos a mecanismos arbitrários e tentações nacionalizadoras.

É este o cenário que está em cima da mesa. São estes os benefícios de longo prazo que esperam os cidadãos brasileiros e tailandeses.

2007/04/12

O cavalo mais promissor, até bomba em contrário

Three months after the United States successfully pressed the United Nations to impose strict sanctions on North Korea because of that country's nuclear test, officials in the Bush administration allowed Ethiopia to complete a secret arms purchase from Pyongyang in what appears to be a violation of the restrictions, according to senior U.S. officials.

The United States allowed the arms delivery to go through in January in part because Ethiopian troops were in the midst of a military offensive against Islamic militias inside Somalia, a campaign that aided the U.S. policy of combating religious extremists in the Horn of Africa.

International Herald Tribune, via Plastic.