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2008/06/04

Segurança social - Nota

O exercício deste posts foi puramente utilitário. Assumiu as mesmas funções do Estado, embora com uma abordagem diferente, que me parece compatível com a tecnocracia do PS de Sócrates ou do PSD de Manuela Ferreira Leite.

Escusado será dizer que como ultraneoliberalfascistaarautodocapitalismoselvagemedesenfreado que sou, se dependesse de mim, acabaria com a Segurança Social de um dia para o outro sem mais nem menos.

2007/12/04

... Muda-se

"O escravo tem um amo só, o ambicioso tem tantos quantos são úteis à sua fortuna”.

(Jean de la Bruyère)
Parece que o Tiago Mendes foi corrido optou por tirar as suas conclusões em relação à crise que ele próprio criou, e se vai afastar da participação no blog da Revista Atlântico. Isto se, a julgar pela quantidade de artigos que ainda vai escrevendo depois do "ponto final", não se tiver ainda barricado.

Saída em grande, com todos os ingredientes do tiagomendismo e da tragédia clássica grega, apesar do facto de se esperar que o coro venha a desempenhar uma função substancialmente distinta. Senão vejamos:

- O respeitinho, a educação e tento na língua em função do destinatário, ou a discussão de "ideias" e não de "pessoas":
No texto que eu tinha originalmente escrito para este post, incluía um parágrafo em que referia isto: eu consideraria inaceitável escrever algo próximo do que escrevi sobre o André Azevedo Alves relativamente ao “deus” nesta casa - o director - ou mesmo aos seus “semi-deuses” - os membros do Conselho Executivo (Rui Ramos, Vasco Rato, João Marques de Almeida, Luciano Amaral). Se escrevesse tal coisa sobre o director, só podia bater de imediato com a porta - e o mesmo se teria de passar, provavelmente, se me referisse a um membro do Conselho Executivo. [...] O André Azevedo Alves, neste momento, é “apenas” colaborador e membro do Conselho Editorial da revista.
- Os Cavaleiros do Apocalipse, ou o acumular de escritos que não permitiu citar nem sequer um:
O que o que escrevi sobre o que tem escrito o André Azevedo Alves não foi motivado por “um” post dele recente, mas sim por um acumular de escritos na blogosfera que primam pelo saudosismo, conservadorismo moral e libertarianismo económico [...]
- O "puxei, puxei mas não saiu nada":
Eu não digo que o André Azevedo Alves me dá vómitos - isso seria, obviamente, gratuito e inaceitável. Os fortes qualificativos que usei resultam de um conjunto de ideias suas que, na minha opinião, o tornam merecedor desses atributos.
- O síndrome "o que é chato é eu não lhes conseguir dar a volta e ele ter mais público que concorda com as dele do que com as minhas":
Aquilo que eu escrevi foi motivado por uma coisa muito simples: considero que as ideias expressas pelo André Azevedo Alves são demasiado toleradas à direita - no sentido de não serem “criticadas” suficientemente, e não no sentido de não haver ninguém que as “elimine”.
- O argumento do sistema, ou a táctica Luís Filipe Vieira:
Pergunto, então: por que há, à direita, tão poucas críticas ao que escreve o André Azevedo Alves? Será por “medo”? De quê? Porque ele está na revista, e em crescendo na revista? Porque tem as costas quentes? Por preguiça? Porque muitos dos possíveis críticos estão de outro modo comprometidos, temendo perder lugares ou favores? Porque a direita que se diz “moderna” se revê naquele conjunto de ideias e na forma obsessiva, mal educada (sim, a “educação” era ironia, claro que se trata de um mal-criado), propagandista e moralista? Porquê, pergunto? Pergunto mesmo.
- O momento de clarividência:
Participar num blogue conjunto implica regras mínimas de convivência. Quando vim para este blogue, o André já cá estava. O Henrique e o Paulo tiveram, com grande pachorra e simpatia (e também interesse: afinal, a imagem de “pluralidade” e as audiências também contam), muito insistir para que eu aceitasse o convite, porque temia que alguma ruptura viesse a ter lugar.
- A escola otáviomachadista, ou o argumento "vocês sabem do que estou a falar":
Não vale a pena recolher dezenas de posts sobre isto, deixei uma pequena amostra. Quem o lê sabe do que falo, e quem não sabe do que falo, paciência.
- A victimização, a imolação do mártir, ou aquela cena em que começam a tocar os violinos:
Se ser desagradável - muito por não se conseguir escrever, num momento de impulso e em que se sente que é preciso “dizer basta” de forma clara - é o preço a pagar para se poder dizer verdades importantes, sem salamaleques, de forma clara, tendo como consequência o não poder frequentar certos salões sociais, é um preço que aceito, mesmo tendo em conta os danos causados a terceiros. Sempre me ensinaram - família e 9 anos de educação num colégio católico, desde pequenino - a valorizar a “boa formação” e a “boa educação”, mas a dar prioridade à primeira. A olhar mais para o coração do que para a roupagem.
- O momento "afinal havia outra", ou "causa é causa mas isto do altruísmo é claramente overrated":
Vim para este blogue, como qualquer mortal viria, com um misto de interesses pessoais e de contribuir para um projecto em que acreditava e que acarinhava.
- A ameaça, ou o síndrome "eu tenho muitos poderes" (próximo do "eu parto isto tudo" de uma Zazie de outras paragens):
Primeiro, sublinhando que existe muita gente à direita (que eu conheço alguma, acreditem que sim) que suporta as ideias do André Azevedo Alves tanto ou menos do que eu, só que não o diz. (Se eu revelasse alguns nomes publicamente, acreditem que a blogosfera de direita nunca mais seria a mesma).
- O beijo de Judas:
Terceiro, agradecendo novamente ao Henrique - mas sobretudo ao Paulo - a oportunidade que me deram de estar aqui; e desejando a melhor sorte a todos os que estão no barco que agora deixo, em particular ao seu dedicado e esforçado director, que terá muitas limitações (todos temos) mas não essas duas. Ele está neste projecto de corpo e alma e, como já disse o Henrique há tempos e eu concordo, “Os outros falam, o Paulo faz”.
Como se vê, ingredientes do mais fino recorte que, ainda mais com a greve dos argumentistas de Holywood, seria matéria pronta a verter no próximo êxito em substituição de um Tom Clancy ou de um John le Carré.

Isto se não fosse simplesmente patético.

2007/12/02

Quem não está bem...

Há condições mínimas para a convivência, num mesmo espaço, com reaccionários do calibre do André Azevedo Alves (e não digo isto como “insulto”, como “arremesso”, mas como mera “constatação”, percebam isso antes de mandar emails). Aceites que estão - obviamente - a sua presença (aliás, prévia à minha) e a sua liberdade de expressão total neste blogue, de vez em quando é necessário lembrar que não só não se partilha o que quer que seja daquele furor patrulhador contra tudo o que possa pôr em causa a tradição milenar da santa madre igreja e contra quem defende tolerância para com a diferença, como se acham certas atitudes simplesmemente asquerosas. Leram bem: asquerosas. Nojentas, execráveis, mesmo de puxar o vómito.

Tiago Mendes.
Não imagino o sofrimento e o incómodo por que passará o Tiago Mendes para debelar os seus instintos primordiais, as náuseas e o nojo, e mesmo assim continua forte e vigoroso escrevendo de rédea solta no blogue da revista Atlântico. A causa que o move deverá ser muito forte para fazer tão grandes sacrifícios e o forçar a trocar linhas de HTML com tão nefastas companhias como o André Azevedo Alves. Imagino que seja só até recorrendo a fármacos (felizmente de venda livre) que conseguirá debelar esses impulsos gastro-intestinas e seguir o rumo da causa do pluralismo (não-absoluto), da liberdade (não-absoluta) de expressão e do liberalismo de tipo B.

Afinal, desde o início da participação do Tiago Mendes no referido blog, pudemos assistir ao mais graves sacrifícios em prol das boas causas, mesmo que esses sacrifícios fossem o ter de criticar violentamente colegas da casa, ou até mesmo o responsável pelo convite para nela escrever. Ou simplesmente ter umas crises e mandar as forças de bloqueio procriar.

O problema é que o abuso dos medicamentos de venda livre, mesmo tendo em conta o seu acesso livre, não está isento de efeitos secundários, que vão surgindo aqui e ali a perturbar o discernimento e o normal funcionamento das faculdades humanas. Vai daí, um diálogo e troca de impressões que recorria ao tal de "pluralismo" (mesmo que não-absoluto), descambou subitamente num perder de cabeça. As críticas racionais de argumentos foram substituídas por falácias básicas de ataque ad hominem e de vitimização pessoal. Em linhas de argumentação tão elevadas como as que se podem reconhecer no artigo ligado, do género "segura-te, garboso arauto do liberalismo tipo B, messias da boa palavra e dos limites óbvios e de bom senso, dos não-absolutos e do bom sentido", "segura-te que o ultra-neo-extrema-direitérrimo-fascistóide ultramontano é poderoso e tem um pacto com o demónio do Liberalismo-Absoluto, que ainda convoca as forças do Sauron sobre ti"; "mas eu sei que sendo tu corajoso e magnânime como te conhecemos tu vais querer avançar em frente".

Espremidinho tudo o que se pode ler, é mais ou menos isto que se pode ver. Além do assumir que "é preciso condições e mínimos de convivência", mas que aparentemente se pode conviver bem com a sua violação. Não percebi bem como é que a coisa ficou. Se os limites foram violados, ou afinal continua tudo um happy bunch.

Quanto ao visado em concreto, o AAA, não tenho muito a dizer. Foi alguém que sempre me lembro de ver do outro lado da barricada em causas muito concretas, mas que aprendi a compreender como alguém com quem se pode partilhar um projecto liberal, mesmo assente nessas diferenças. Alguém que, para além de sempre ter visto comportar-se com a lisura e educação que o próprio Tiago Mendes lhe reconhece, não me lembro de ver furtar-se a discutir abertamente todas as questões mesmo que em relação a elas tivesse as opiniões mais antagónicas, e que no processo acumulou o estilo ponderado e educado com honestidade intelectual, pluralismo e liberdade de expressão. Não me lembro de ver ninguém queixar-se de ver um comentário ou critica que fosse apagado ou convenientemente ignorado, mesmo que este fosse acutilante a por em causa a sua linha de argumentação e os seus erros ou fragilidades argumentativas. Já o mesmo não se pode dizer de outros, concretamente até no caso dos comentários do artigo que tanto o vilipendia.

Ou de ver agredir e insultar e depois esconder a mão, com ressalvas de que "era no bom sentido" ou "não era com essa intenção". Ou de que não era “insulto” ou “arremesso”, mas "mera “constatação”"

De resto, é tanta a falta de pluralismo e de gosto pela liberdade de expressão do André que até eu e o Carlos, conhecidos ultra-neo-extrema-direitérrimo-fascistóides ultramontanos que até nem nunca tinham acumulado divergências nas caixas de comentários d'O Insurgente e mesmo em artigos nesta casa, acabámos por ser convidados a nele escrever e lá a termos a liberdade de continuarmos a dizer de nossa justiça, mesmo com a noção da grande discordância intelectual dos restantes membros do blog em relação a alguns temas. Tudo num clima mais do que salutar de convivência, de respeito de e tolerância, mas sempre dispostos a dizer o que achávamos que tinha que ser dito.

É assim. A liberdade de expressão e o pluralismo, mesmo debaixo de um "guarda-chuva" liberal fazem-se com este género de actos, e não com conversa que, when the going gets tough, se vê onde vai parar.

2007/11/21

Estado angolano, companhia limitada

Não me surpreende o respeito institucional crescente pela propriedade privada que o Ricardo aparentemente descobriu em Angola. Afinal, quando o estado e o enxame de parasitas que por um ou outro motivo o rodeiam detém, de facto, a propriedade sobre a generalidade dos recursos naturais que interessam (que não são um apartamento em Luanda), é natural que esse "respeito" se afirme.

O que acaba por existir é o transformar do sistema de segurança, militar, de justiça e legal do estado no exército privado do estado para a manutenção e defesa da sua propriedade e dos seus amigos. Não é portanto de estranhar que o Ricardo "descubra" que os generais e maiorais se converteram em empresários e que o próprio José Eduardo dos Santos (e prestimosa filha) são os principais "empresários" do país. Isto enquanto o suposto "mercado livre" se vai alimentando das "gasosas" e do tráfico de influências da esfera de nepotismo alimentada à custa de petróleo, diamantes e outros recursos apetecíveis entretanto convertidos em "propriedade privada".

O que se passa em Angola não será muito diferente, afinal, do que se passa na Rússia. Onde se assiste a um estado que subsiste como uma oligarquia que defende os seus interesses (e dos "seus") espalhados pelo país, e a um resto de país que sobrevive numa espécie de anarquia e estado de natureza de facto, sem rei nem roque. A diferença é que que Angola não é um país-continente, nunca foi uma potência mundial nem têm os recursos militares que a Rússia (ainda) tem.

O que o Ricardo tem que pensar é que o acumular do poder coercivo de um estado com a detenção de propriedade privada por este e por quem dita as suas regras em roda livre e sem qualquer mecanismo de checks&balances é uma receita para o desastre. Enquanto persistir a propriedade de praticamente toda a economia por quem dita, afinal, as regras do jogo, e se assistir ao continuar do funcionamento irregular das instituições que qualificam a ditadura totalitária que Angola subsiste como sendo, não vejo grande esperança de evolução.

É que enquanto, por exemplo, a China é arrastada para longe dos níveis de totalitarismo de passado pelo facto da natureza do seu desenvolvimento ser povoada por uma produção e um uso da propriedade e dos recursos relativamente dispersa nos seus agentes e com um nível crescente de entropia e de descentralismo, o que culmina numa relativa "democratização" e "liberalização" do acesso ao mercado, a economia de Angola subsiste à custa de meia dúzia de vectores (com natural destaque para o petróleo), que subsistem em exploração perfeitamente centralizada, nas mãos de alguns de boas relações.

Por enquanto a oligarquia reinante consegue subsistir num circuito fechado de exploração dos recursos angolanos e de compra de bens, riquezas e participações estrangeiras, e pode manter-se distante e independente da realidade da generalidade do país. Tudo continuará bem para os parasitas que o fazem, que poderão continuar o saque, até dando-se ao luxo de promover manobras de fachada que pouco alcance têm nos seus interesses (ou servem mesmo, como já referi, para legitimar a sua guarda e defesa).

Enquanto a pandilha vigente puder subsistir à custa dos (imensos) recursos e não se sinta ameaçada por quem lhes faça mossa, não vejo que muito de bom possa ouvir-se dessa paragem, a menos que possíveis loas tecidas por empresários nacionais (não, não é para ti, Ricardo ;-) ) que se vão também juntando à festa e ajudando ao statu quo.

2007/07/02

Fazer o TPC

Como a recente historiografia tem repetido, [a ideologia do neoliberalismo] é uma parente directa da guerra-fria. Começou bizarramente como protocolos para optimizar o bombardeamento da União Soviética, conjurados nos think-tanks da Forca Aérea Americana. Esta formalização do comportamento humano foi veiculada para a academia pelos economistas matemáticos. E da academia colonizou outras ciências, pelos institutos e fundações conservadores até a cultura e a sociedade.
Parece-me que por aqui se anda a confundir "neoliberalismo" com Teoria dos Jogos...

2007/06/25

Socialistas, Comunistas, o PEC e as medidas liberais

Francisco Loução acerta na mouche. O método de gestão/financiamento ímplicito em projectos como a SCUT, Aeroporto de Lisboa e TGV tem como principal objectivo contornar as regras do pacto de estabilidade e crescimento. Ainda para mais com o acordo e apoio da UE.

João Rodrigues acerta completamente ao lado.

Quando escreve:


"Francisco Louçã a propósito das ideias liberais do governo para as estradas de Portugal já criticadas aqui."

Deveria querer dizer "ideias socialistas" em vez de "ideias liberais" com certeza...

Esta tendência para confundir medidas socialistas em desespero de causa (social) com medidas liberais....

2007/06/22

Quiz (2)

O João é o principal accionista e administrador executivo da empresa "luta de classes". Na empresa "luta de classes" é reservado um lugar de administrador ao representante dos trabalhadores. Tem um departamento na área de recursos humanos cuja única função é garantir que os trabalhadores da empresa são os melhores pagos do sector e que têm condições dignas de trabalho. Os trabalhadores da "luta de classes" concordam que o João é um "companheirão", um amigo.

A Raquel é o principal accionista e administradora executiva da empresa "Mercado". Nesta empresa os trabalhadores recebem salários base abaixo do que é pago nas outras empresas do sector mas recebem prémios de produtividade sempre que excedem as expectativas. A área de recursos humanos tem um departamento cuja única função é detectar variações de produtividade. A Raquel é reconhecida por ser uma gestora dura e pouco amiga. De facto os trabalhadores não gostam da Raquel, "não é humana", dizem.

A "luta de classes" está a acumular resultados negativos ano após ano (independente da forma de gestão e das regalias dadas aos trabalhadores). A "luta de classes" não encontra financiadores. Os accionistas, incluindo o João, não sabem mais o que fazer. A “luta de classes” deixa de poder pagar os salários este mês.

A representante do "Mercado" abordou os representantes da "luta de classes" para uma possível aquisição e fusão. A "luta de classes" seria absorvida pelo "Mercado" e metade dos trabalhadores da "luta de classes" seria despedida, tendo algumas área sido já identificadas como redundantes tal como a de gestão de recursos humanos. A empresa resultante seria mais competitiva que as inicias separadas sendo que o previsto é iniciarem a planificação de expansão de operações.

O que deve fazer o João?

i) Nada

ii) Montar uma manifestação no ministério da economia para que o estado viabilize a "luta de classes"

iii) Promover a nacionalização da Banca se esta não continuar a financiar os maus resultados da "luta de classes"

iv) Render a "luta de classes" ao "Mercado"

v) Dar a decisão ao representante dos trabalhadores da “luta de classes”

2. Sabendo que as respostas ii) e iii) à pergunta 1. eram armadilhas e não existem de facto, se fosse o representante dos trabalhadores da "luta de classes" que decisão tomaria?

i) Nada

ii) Aceitar a absorção da amanhãs que cantam pelo "Mercado"

iii) Montava manifestações à porta da “luta de classes” esperando por repórteres da TVI.

3) Neste caso os interesses dos trabalhadores e dos accionistas da "luta de classes" estão alinhados?

i) Sim

ii) Não

iii) Prefiro não responder a esta questão teórica que me pode comprometer na prática

4) Preferia trabalhar para a "luta de classes" ou para o "Mercado"?

Nota: Este não é caso real nem há mais informação.

Nota 2: Dedicado ao comentador jms

Nota 3: Editado para corrigir o erro de confundir "amanhãs que cantam" com "luta de classes"

2007/06/21

Quiz...

Conversa entre A, B e C:

A: Tenho um problema gravíssimo com uma fábrica. Os trabalhadores em alguns meses desaparecem por completo. A fábrica para e perdemos toda a produção do mês.

B: Param porquê? Não estão satisfeitos?

C: Quanto é que perdes nesses meses sem produção?

A: Eles estão satisfeitos, mas vão trabalhar para as terras deles. São meses de colheitas. Perco 100.000 Euros em cada mês.

B: Não há desemprego nessa zona, certo?

C: E quanto é que gastas em salários?

A: O desemprego e o sub-emprego atingem níveis brutais. Gasto em salários 5.000 Euros por mês.

B: As condições de trabalho devem ser muito más... são trabalhadores precários?

C: Quanto é que eles ganham nas colheitas?

A: (B)Têm um contrato e ganham semanalmente como é prática. Não temos acidentes de trabalho. São as pessoas com mais educação na zona que procuram trabalho nas fábricas. De facto são também esses que têm mais terras próprias. (C) Nos meses de colheita ganham o dobro se trabalharem nas próprias terras do que se estivessem na fábrica.

B: Pelo menos os trabalhadores estão contentes. Os donos da fábrica podem bem com o prejuízo. Eis um bom exemplo em como a vontade dos trabalhadores unidos os liberta do jogo do capital em prol do desenvolvimento dos meios próprios de produção.

C: Porque é que não aumentas os salários de todos os trabalhadores para o dobro em todos os meses? Dessa forma os trabalhadores da fábrica já não teriam razões para parar de trabalhar nos meses da colheita porque podiam contratar outros para fazer o seu trabalho na terra.

Pergunta 1: O que deve fazer o A?

i) Nada

ii) Congratular-se por gerir uma fábrica em que os trabalhadores também trabalham a sua própria terra

iii) Duplicar os salários dos trabalhadores

Pergunta 2:

No texto quem é o socialista e quem é o liberal?

Pergunta 3:

Os trabalhadores ficam melhor com a solução do liberal ou com a solução do socialista?

Pergunta 4:

O dono da fábrica fica melhor com a solução do liberal ou com a solução do socialista?

Pergunta 5:

Esta história tem algum fundo de verdade?