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2007/08/20

Todos iguais

Volto de férias da Blogosfera.


Acabei de ler 3 livros de carácter biográfico, todos diferentes, todos com um ponto em comum. Tratam de homens como os outros que conseguiram concentrar o poder da vida e da morte de outros indivíduos durante o séc. XX. Mao Tsé-tung, Che Guevara, Idi Amin Dada.

Enquanto me ponho a par do que foi escrito deparo-me com este texto de um líder político do Portugal do séc. XXI.


De Miguel Portas (negritos meus):

"Dissociar-me-ia deste tipo de protesto caso o Movimento Eufémia Verde fosse uma espécie de “braço militar” que se pusesse a queimar propriedades com milho transgénico onde quer que elas se encontrassem. Não por qualquer motivo de ordem moralista. Mas porque atrasaria a formação de uma corrente de opinião maioritária quanto ao princípio que referi."

Colectivistas de esquerda ou de direita têm este ponto em comum. A violência sobre outros seres humanos só é de evitar se criar obstáculos à prossecução dos seus fins. Para Miguel Portas a violência sobre outros seres humanos é moralmente aceitável. O que não é aceitável é a “má imprensa” que pode prejudicar a sua causa.

Não compreendo como tantos jovens inteligentes marcham pela “paz" ao lado de indivíduos que tão manifestamente a usam como meio para atingirem os seus violentos fins. Os livros que acabei de ler estão cheios de histórias de jovens que acreditavam. Uns tiveram sorte e voltaram as costas "aos ideais", outros com menos sorte ficaram em valas sem nome com um tiro na nuca. É que para os seus heróis os meios justificam os fins e eles não passavam de "meios".

2007/06/04

Private Equity (III)

Se há oportunidades por explorar, como é que o mercado bolsista se deixa ultrapassar por estes fundos de Private Equity que de forma deliberada retiram estas empresas do escrutínio, supostamente eficiente e racional, dos mercados financeiros?

Ladrões de Bicicletas.
No seguimento da análise do Ricardo sobre a referida sucessão de artigos, acho que há um ou outro ponto que será interessante e importante de referir.

Um ponto é mais ou menos óbvio: a bolsa de valores, e o mercado financeiro, não são "O Mercado". São tão somente vectores de um mercado livre. Nada obriga, nem cauciona a liberdade do mercado (mesmo que só na sua vertente de mercado de capitais), que uma empresa se faça cotar em bolsa. Aliás, há empresas que fazem gáudio de não dispersarem o seu capital em bolsa, já que anseiam antes por autonomia de gestão e decisão e pela autonomia de planeamento de longo prazo, longe das imposições de divulgação de informação operacional periódica do mercado de capitais. É uma decisão legítima, livre e que só enriquece o mercado, ao diversificar os intrumentos de gestão acessíveis às empresas.

Além disso, há outra questão que importa ponderar. A bolsa, em primeira análise, é tão somente um fórum de troca de autonomia de gestão e de informação previlegiada e operacional da empresa por capital e por dispersão do risco empresarial. Um empresa ofereçe informação, essencialmente, e uma participação no património, nas decisões e uma garantia de partilha do futuro económico da empresa, e em troca recebe o capital disperso (distribuído pelos seus sócios originários) bem como uma participação no risco operacional da empresa. Como na generalidade das transacções num mercado, há claramente uma troca de informação por capital (e genericamente, por risco).

O que sucede, é que o próprio facto de haver essa dispersão do risco, nomeadamente no caso de empresas em que o capital se encontra disperso por vários accionistas, faz com que a atitude empresarial passe a ser bastante mais conservadora, quer pela vontade de obtenção de lucros rápidos quer pela cautela agregada que se manifesta nos processos de decisão da empresa.

Mas, lembre-se, a informação, apesar de mais disponível, não é absoluta. O que acontece é que a ligação entre a decisão de gestão, o acesso à informação e a titularidade do risco dilui-se. Como tal, é natural que se acumulem ineficiências internas, ou mesmo dificuldades de apreensão do real valor da empresa pelo mercado.

Posto isto, é perfeitamente natural que instituições financeiras, com propensão para o risco, utilizem esse factor como maisvalia de gestão. Na prática, o que acontece é uma reversão da troca que presidiu à dispersão do capital em bolsa da empresa que é adquirida por estas empresas. Há uma re-agregação do risco, um restabelecimento de um mecanismo de decisão absoluto e com pleno acesso à ordem interna da empresa. Nada de estranho, num mercado livre e que funcione com pressupostos liberais.

Concretamente em relação às criticas dos artigos em causa, levanta-se ainda outra questão, e constata-se a estranheza: acha-se uma reacção anormal e uma atitude perversa num mercado livre uma empresa adquirir outra, "comprando" o seu valor de mercado e retirando-a de cotação, desmantelando-a e reorganizando-a de acordo com o ganho de informação e de capacidade de gestão adquirido, e ao facto de se re-dispersar as empresas resultantes em bolsa, com ganhos de "4,3 vezes em 20 meses". Mas já não se acha estranho que uma empresa persista com um valor que acaba (por falta de informação) por ser sub-avaliado em relação à realidade efectiva, e por manter uma empresa no mercado alheada da sua verdadeira realidade e potencial, e desprovida de capacidade de atrair investimento fresco que até é capaz de, bem vistas as coisas, cativar.

Ou seja, mercado livre, para alguns, não é um fórum de interacções e de trocas não-coercivas e voluntárias entre indivíduos, mas sim um mecanismo de fazer perfurar o bafio e o alheamente da realidade para onde foram remetidas algumas empresas.

2007/05/30

A CGTP é uma boa companheira

A CGTP vai patrocinando no dia de hoje aquilo que se poderia classificar como uma boa ajuda ao governo Sócrates, que a poderá elevar eventualmente a um lugar cimeiro no pódium dos principais apoiantes do actual governo.

Senão vejamos: primeiro, temos toda uma poupança em salários e subsídio de refeição, e o seu óbvio contributo para a meta do défice e para o equilíbrio das contas públicas. Depois, em consequência do bloqueio imposto em termos de transportes, em alguns casos até desrespeitando os servíços mínimos legal e democraticamente impostos, milhares de particulares foram obrigados a viajar para o seu local de trabalho em viatura própria, com o previsível aumento do encaixe de verbas do imposto sobre os produtos petrolíferos, a contribuir para o mesmo desígnio.

Para terminar, o encerramento de repartições públicas e de muitos dos serviços públicos vai mais uma vez fazer notar: ao que não precisam deles, que estão a pagar por uma coisa em que nem sequer dão conta se está aberto ou não (no seguimento do clássico "não falte ao trabalho, que o patrão pode chegar à conclusão que não faz falta"); aos que precisam, a imensidade de coisas que estão debaixo da alçada do estado em regime de monopólio público, e o respectivo respeito que os funcionários têm por quem lhes garante a função e o posto de trabalho. Concerteza que estes utentes ficarão bem mais motivados para aceitar e simpatizar com propostas de emagrecimento da função pública ou com a retirada de regalias aos seus funcionários.

Sem dúvida, a CGTP é uma boa companheira do governo. Presumo que a esta hora Sócrates (e principalmente Teixeira dos Santos) estará feliz e contente a pensar porque é que ela não faz coisas destas mais vezes.

2007/05/26

Já não pega...

Sugiro ao Luís Lavoura que vá falar com o João Rodrigues. É que o Luís , com estes posts, envergonha a ala económica da esquerda moderna.

Bolsa, esquema de ponzi? Mercados de capital, esquema de ponzi? O Luís ainda está com as palavras de ordem dos partidos que formaram o BE...e estes entretanto evoluiram. Perceberam que era necessário perceber-se mesmo muito pouco de economia e finanças para se fazerem essas comparações. Evoluíram, agora as ilusões são outras.


PS1. Por estas é que me recuso a escrever sobre física nuclear...

PS2. Será que me vão moderar este post?