E assim se ganham eleições
O governo PS – Sócrates conseguiu fazer pelo menos uma coisa com sucesso. Conseguiu mostrar as vantagens e benefícios que os trabalhadores ligados ao estado possuem, dependendo da corporação a que pertencem. Vantagens por comparação com a vida no sector privado, o mesmo que paga as contas do público. Os eleitores que não têm estas benesses vêm o governo “reformador” como o domador da besta. Por isso é que uma manifestação de 100.000 de uma corporação cujos direitos e benefícios têm sido atingidos em vez de tirar votos e apoios dá no final mais força ao governo. No final até pode dar o dito por não dito e deixar parte ou a totalidade das benesses, mas isto será feito em silêncio, de forma a capitalizar dos dois lados da barricada que criou.
Este governo aprendeu a lidar com as corporações. Atinge-as na reputação, torna-as alvos enfraquecidos perante uma opinião pública que quer sacrifícios. As corporações são os novos “capitalistas”. O inimigo do povo que tem que ser combatido. Por isso é que uma manifestação dá mais votos que tira. O povo vê a corporação a chorar. É porque o governo está a fazer o trabalho duro e a enfrentar a besta… e batem palmas.
As corporações se quiserem sobreviver como instituições respeitadas têm de aprender a lidar com este governo. Mostrar que querem defender para quem existem e não os seus membros, em especial os piores. Mostrar que estão dispostos a prescindir de benefícios, mostrar que, por exemplo, querem ser avaliados. Tomar a iniciativa. Depois, dentro da máquina da mudança estarão em posição privilegiada para encravar a engrenagem. No final deixar tudo na mesma ou ainda mais favorável para a classe ou corporação. No final não há ilusões, as corporações monopolistas e estatais existem mesmo para proteger os piores e a classe como um todo.
1. O sistema de avaliação tal como está montado de nada vale. Carga burocrática inexequível e sem significado. A única avaliação que vale é a externa. A solução de consenso, corporativa e endógena, burocrática ao extremo é uma piada.