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2008/04/21

12,0% = 3,3%



Vamos ajudar o génio da bola a fazer contas?



Receita rápida para desmontar estes prospectos: desprezar o prospecto, passar a frente do texto, sossegar as hormonas, ir a ultima pagina, encontrar as letras pequenas, e multiplicar TANB por 80%.

2008/03/25

Acto de Caridade para com os compradores da EPUL



Aos compradores de apartamentos através da EPUL:

Dado as recentes queixas de atrasos na construção e entrega dos apartamentos da EPUL nos empreendimentos de Entrecampos, Lumiar e Martim Moniz, tenho assistido a um rolar de lamúrias. A rapaziada diz ter a vida adiada, e estar a ser gravemente lesada. Ora bem, eu tenho uma solução para essa rapaziada. E ao contrário dos filantropos com o dinheiro dos outros, eu proponho-me resolver o problema deles com o meu dinheiro.

Eu compro ao comprador da EPUL que estiver interessado a casa ao preço que foi estabelecido, incluindo juros de actualização 6% anuais sobre o que já pagou, deduzindo obviamente o valor de mercado das rendas acumuladas da casa camarária que ocupa à custa dos contribuintes enquanto aguarda a conclusão da obra. Se aceitar a minha proposta, entre em contacto comigo. Se não ouvir falar de si, deduzo que se está a queixar de barriga cheia.

2007/12/03

Estradas II



Cruzamentos de entradas múltiplas em que nenhum dos condutores tem a prioridade: a aterrorizar (e provavelmente a deixar a ver a banda passar) condutores dependentes de regulamentos e reguladores, e genericamente a empurrar a sociedade para a anarquia desde tempos imemoriais.

2007/11/27

Estradas

Escreve o Mário Lopes:

Com a popularidade de Ron Paul, muito se tem falado do neoliberalismo. A melhor analogia para entender o neoliberalismo é imaginar as estradas sem sinais, em que cada condutor se regula a ele mesmo. Não existe a intervenção do Estado (ou esta é absolutamente mínima) e cada um é totalmente livre de fazer o que quiser (economicamente falando). Neste caso, a passagem ou cedência de passagem seria negociada pelos intervenientes.

Ora, quem já passou por uma estrada sem sinalização sabe o que caos em que resulta.
À posição expressa, que conclui que estradas sem sinais, sem regras, no fundo sem regulação conduziriam ao caos e a uma anarquia destrutiva, contraponho aquela que é a opinião, a observação e a experiência da generalidade dos condutores: a pior coisa que se pode fazer para regular o trânsito ou resolver um problema de "arbitragem" entre condutores é colocar lá um polícia.

Já agora leia-se isto.

2007/07/04

Dura Vida de Consultor



Caro Project Manager,

Envio-lhe a ordem dos trabalhos para a semana. Tem 4 apresentações para enviar aos clientes. Não se esqueça que o seu objectivo é ganhar 1 ou 2 projectos este mês.

Para elaboração da aprezentação, esta deverá ser feita em Power Point. O menino vai ao servidor da empreza, e seleciona os selaides padrão aqui indicados. Envio-lhe em anecso, após a nossa conversa do almosso com os partners, que demorou 5 horas na bica do sapato, o plano de trabalhos. Tinha o orijinal num guardanapo, mas o estagiário novo andou a passar a limpo no Excel.

Agora resta ao menino usar os selaides indicados para o cliente serto. Não troque. Não esqueça de mudar os logos do cliente, que depois vai vender o projecto da Galp, à EDP como da última vez. O que vale é que o Mexia não deu pela diferença, e a conclusão é sempre a mesma, e já estava encomendada, e ele não se rala em pagar, pois isto é sempre à custa do consumidor ou do contribuinte. E corrija os erros de hortographia.

Tem aí trabalho para uma semana. Distribua pelos seus funcionários, e divirta-se. E tente parecer ocupado e stressado, senão os boys não vêm cá ao escritório trabalhar este fim de semana.

2007/06/21

O Ouro Renovável, ou o toque de Midas



No Jornal de Negócios hoje:

A forte procura de títulos da sua subsidiária [Martifer] deixa antever um elevado rateio e a venda das acções ao preço máximo do intervalo, pelo que os investidores estão a optar por medidas de recurso, como a entrada/reforço na Mota-Engil para estar exposto à Martifer. (...) "Não sendo possível satisfazer a procura directa, a Mota-Engil acaba por ser uma forma de antecipar a exposição à Martifer" (...) A OPS da Martifer arrancou no dia 11 de Junho e a adesão dos investidores tem sido bastante elevada, tendo já superado em 165 vezes a oferta (...).

Este apetite dos investidores pela Martifer é justificado pelo potencial de crescimento da empresa e, em especial, pela sua aposta nas energias renováveis. (...) "A operação deve realmente estar a despertar muito interesse junto dos investidores e obviamente uma forma de fazer a cobertura é através da Mota-Engil", referiu António Seladas, responsável pelo departamento de análise de acções do Millennium BCP Investimento.

A Mota-Engil controla 50% do capital da Martifer. Com o aumento de capital da sua subsidiária, baixará a sua posição para 37,5%. Tendo em conta a avaliação máxima da Martifer, de 800 milhões de euros, a posição da Mota-Engil na empresa ficará avaliada em quase 300 milhões, o que equivale a 19,5% da capitalização da empresa liderada por António Mota.
Vamos então a contas:

Martifer: 75.000.000 acções a 8,00 € cada
Valor da empresa: 600 M€

Mota-Engil: 204.600.000 acções a 7,62 € cada
Valor da empresa: 1.559 M€

600 x 0,375 / 1.559 = 0,1443. Ou seja 14,43 % do capital da ME é composto por acções da Martifer

A apreciação da Mota-Engil é consequência do forte rateio da OPS. Como os investidores não conseguem adquirir mais que 100 acções, preferem expor-se à Martifer através da Mota-Engil. Ao comprar uma acção da Mota-Engil, com o único propósito de se expor à apreciação da fracção da Martifer por ela detida, estão a fazê-lo numa parcela de 14,43%.

Assumindo que a Mota-Engil tem (excluindo Martifer) uma apreciação bolsista em linha com o psi-20. Para se expor a uma apreciação equivalente a 100 acções da Martifer, o investidor terá de comprar um número de acções da Mota-Engil equivalente a 100 / 0,1443 = 693 acções, o que custaria 5.281 €, para se expor à mesma apreciação que os 800€ que gastaria na OPV (assumindo um máximo de 100 acções a 8,00€.

Assim vai a febre do ouro renovável. Ou estas acções são muito boas, ou então alguém anda a descobrir petróleo de diamantes de novo.

Da Liberdade de Expressão



Vamos linkar o Blogue Do Portugal Profundo, enquanto tal ainda for permitido.

2007/05/27

Ha! ha! ha! ha! ha! ha! ha!

O candidato do PS às eleições intercalares de Lisboa, António Costa, avançou hoje a ideia de criar um segundo pulmão verde em Lisboa na área ocupada pelo actual aeroporto da Portela.

Público Última Hora.

2007/05/21

Sem dúvida, versatilidade

Parece que o affair "Super Mário" ainda continua mal digerido por alguns.

Os versáteis que agora acusam que não se ganha independência política entregando o cartão em véspera de eleições, mas que estranhamente no passado não constataram o mesmo dos diversos candidatos a presidente da república (inclusivé a generalidade dos do Partido Socialista), que nos dias antes da campanha entregavam o cartãozinho e passavam a ser candidatos a presidente de "todos os portugueses", refundidos e soltos do seu passado na forja da "ética republicana".

2007/04/10

Ena tantos!

O assessor de um ministro ou do primeiro-ministro não pode telefonar a um jornalista para corrigir uma informação errada ou para mostrar desagrado por uma interpretação ofensiva? E será uma prática inédita, iniciada pelo actual Governo?
Penso que esses telefonemas não são recomendáveis (até por poderem ser aproveitados como estão a ser...). Porém, o clamor de alguns media e alguns jornalistas contra uma alegada tentativa de "controlo dos media" pelo Governo parece-me francamente injustificado e artificial. Afinal, que meios é que o Governo tem para "pressionar" ou "controlar" os media e os jornalistas?

Vital Moreira, na Causa Nossa.
Meios? Assim de repente lembro-me de dois canais de televisão, uma rádio, uma agência noticiosa, participações directas com direitos exclusivos em empresas detentoras de redes de cabo e produtoras de conteúdos, bem como participações indirectas (nomeadamente através da Caixa Geral de Depósitos) no capital e nas actividades comerciais dessa e de outras empresas de comunicação.

Assim de repente.

2007/03/29

Twilight zone

(...) hoje em dia em Portugal, o "liberalismo" tornou-se num confortável guarda-chuva onde cabe uma míriade de coisas: a direita pura e dura, os tecnocratas eficientistas, os anarco-capitalistas de candura ingénua, liberais clássicos, ou a esquerda liberal. Se isto, visto à luz da tradição que subjaz ao conceito de "liberalismo", não é um problema por aí além, a questão é que algumas destas correntes não concordam em absolutamente nada; se todos usam e abusam da palavra "liberdade", às vezes tomando-a como património seu inalienável (esquecendo toda a história da esquerda libertária, o socialismo utópico e mesmo o marxismo antes de Lenine) (...)

No entanto, isto não deixa de ser natural: esta nova geração, a minha geração, cresceu num tempo em que o guarda-chuva para toda a gente era o "socialismo", tanto que, hoje por hoje, já poucos fazem a mínima ideia do que signifique- ouve-se por aí que vivemos no "socialismo", o que seria uma anedota, se não significasse justamente isso. Desde pelo menos 1977 que pouco ou nada do que se faz em Portugal tem o que seja a ver com "socialismo", e no entanto cada vez mais se lhe atribui a culpa de todos os males portugueses.

The portuguese way, por André Carapinha no 2+2=5 (com negritos meus).

2007/03/28

República dos ignorantes

A intervenção pública dos engenheiros na questão da localização novo aeroporto de Lisboa suscita a questão de saber se entrámos na era do governo dos engenheiros. Na verdade, a questão da localização e dos custos e benefícios do aeroporto não é uma questão técnica (salvo se a localização estabelecida fosse tecnicamente inviável), mas política. E aí a competência dos engenheiros é a mesma que a de qualquer outro cidadão, sendo inadmissível a ingerência do bastonário da Ordem dos Engenheiros, nessa qualidade, na contestação da localização escolhida e na promoção de soluções alternativas.

Vital Moreira, na Causa Nossa (com negritos meus).
Das duas uma: ou subitamente os conhecimentos de investigação operacional, de decisão multi-critério ou mesmo os métodos de apoio à decisão saltaram dos curricula de engenharia (e de alguns de economia) para o domínio de "qualquer outro cidadão", desde a peixeira do Bolhão até ao guna da Areosa, ou então Vital Moreira está equivocado.

E equivocado porque confunde dois domínios de um problema. Um é o domínio técnico, da determinação e avaliação de locais potenciais de localização de acordo com critérios objectivos pré-definidos, de construção e avaliação de cenários económicos e de exploração, do risco a eles associado, tudo com vista a no final construir uma matriz de decisão que sintetise as opções encontradas e elimine as soluções dominadas do problema. Outro é o domínio do decisor que, partindo dessa matriz, assume o padrão de risco que está disposto a tomar e eventualmente assume critérios de ordem subjectiva em relação às múltiplas decisões a tomar.

Ou seja, a "questão da localização e dos custos e benefícios do aeroporto" é sem dúvida uma questão técnica, apesar de a decisão ser naturalmente de ordem política. Como é político decidir contrariando todo o estudo técnico ou pura e simplesmente ignorando todos os problemas técnicos da empreitada.

Mais ou menos o que está a acontecer.

A dúvida é se este é o comportamento de um decisor responsável. Mas claro que este o não é. Afinal, o dinheiro não é seu, e o risco pessoal é nulo.