2007/11/27

Estradas

Escreve o Mário Lopes:

Com a popularidade de Ron Paul, muito se tem falado do neoliberalismo. A melhor analogia para entender o neoliberalismo é imaginar as estradas sem sinais, em que cada condutor se regula a ele mesmo. Não existe a intervenção do Estado (ou esta é absolutamente mínima) e cada um é totalmente livre de fazer o que quiser (economicamente falando). Neste caso, a passagem ou cedência de passagem seria negociada pelos intervenientes.

Ora, quem já passou por uma estrada sem sinalização sabe o que caos em que resulta.
À posição expressa, que conclui que estradas sem sinais, sem regras, no fundo sem regulação conduziriam ao caos e a uma anarquia destrutiva, contraponho aquela que é a opinião, a observação e a experiência da generalidade dos condutores: a pior coisa que se pode fazer para regular o trânsito ou resolver um problema de "arbitragem" entre condutores é colocar lá um polícia.

Já agora leia-se isto.

22 comentários:

Ricardo G. Francisco disse...

Os bandidos neo-liberais...

A malta já se informava pelo menos um bocadinho sobre o que é que esses malandros defendem...

Anónimo disse...

hhhmmm.. não é por nada, mas geralmente, quem chama a policia são os próprios condutores, e normalmente resulta... e para regular o trânsito, não havendo sinais, a melhor coisa é mesmo colocar lá um policia... mas em que país é que a generalidade dos condutores diz o contrário, ó JLP? Por onde é que tem conduzido? Agora fiquei intrigado.

R. Faria

Ricardo G. Francisco disse...

R. Faria,

Creio que o perigoso Ultra neo liberal JLP está a insinuar que a verdade indiscutivel de que é fundamental que o estado regule as relações entre seres humanos em geral e em particular a utilização das estradas é posto em questão pelos artigos que indica.

Claramente o JLP, de forma completamente escabrosa está a querer atribuir mais peso a factos e à razão do que a sentimentos e pressupostos aceites pela maioria. Nada que não seria esperar de um perigoso ultra neoliberal...

Não há ninguem do mls que o ponha na ordem?

JLP disse...

Caro R. Faria,

O país e local não é muito distante. Chama-se Portugal e, essencialmente, Porto. Mas o facto já foi presenciado em outros locais, o que garante uma perspectiva mais abrangente.

Recomendo-lhe que faça a experiência.

JLP disse...

Ricardo,

:-D

"Não há ninguem do mls que o ponha na ordem?"

Acho que não.

Parece que de momento estão mais ocupados em defender a extensão do âmbito e dos efeitos dos contratos de trabalho à vóvó, à mamã, ao papá, ao filho e ao neto.

Anónimo disse...

JLP, eu tenho uma esperiência de mais de 20 anos de condução. Não conheço muito bem a realidade do Porto, mas no Barreiro e em Lisboa, que conheço melhor, por exemplo, são os próprios condutores que insistem em chamar a policia quando têm um acidente com mais estragos. Acredite que resulta a grande maioria das vezes. Mas não sei de facto como se passam as coisas no Porto a este nível.

Quanto à regulação do trânsito, a minha experiência é que quando existe um problema de trânsito que não possa ser regulada por sinais, um policia dá muito jeito para resolver a coisa. Olhe, por acaso, aconteceu-me no Porto ainda este ano, ver um policia a mandar passar os carros ali perto do Estádio das Antas, por causa de um camião de brita que despejou a carga na estrada. Eu acho que teria sido o caos se assim não fosse. Mas se me diz que geralmente no Porto as coisas não se passam assim, quem sou eu para duvidar. Caramba, as pragas que aquele pobre policia não deve ter ouvido das bravas e liberais gentes do Porto ;)

Quanto ao link, são experiências curiosas de engenharia social que dão resultado em algumas latitudes, e ainda assim em espaços relativamente limitados. É como os testes de sobrevivência nas bolhas do deserto do Nevada, lembra-se? ;) Quando me vier informar que a coisa está implementada no Porto (ou na baixa de Lisboa ou de Nova Iorque, ou onde quer que seja, que não na bucólica aldeia de Makkinga…) eu venho qui dar-lhe os parabéns e, muito mais do que isso, fico com uma fé e uma esperança na natureza humana, que nem queira saber!

R. Faria

Anónimo disse...

Lembrei-me agora que o meu filho e o primo, quando andam de triciclo no pátio de casa da avó, também praticam com muito êxito (mais ou menos, enfim...) a técnica do shared space. Quando fizerem dez anos ponho-os num avião para a tal aldeia holandesa e nunca hão-de conhecer os problemas do trânsito e os conflitos do mundo real, graças a Deus.

O liberalismo é uma excelente coisa, pelo menos no que ao trânsito e relações entre as pessoas diz respeito. E acredite, jlp, que digo isto com muita sinceridade.

Rui Faria

Anónimo disse...

Ricardo, deixe-se disso. Não considero o jlp perigoso, muito pelo contrário.

R. Faria

JLP disse...

Caro Rui Faria,

:-)

Pois pela minha experiência, não há pior do que colocar um polícia a regular, por exemplo, um cruzamento de múltiplas entradas onde os semáforos estão avariados.

As longas filas que se originam costumam ser porta-estandarte do facto, e a dúvida de quem aguarda pacientemente na fila sobre se está lá polícia ou não geralmente tem como desfecho (proporcional em certeza ao tempo que se esperou) o facto de lá se chegar e ver que eles lá estão. Muitas vezes quando se verificou anteriormente que períodos em que os semáforos se mantinham avariados/desligados mas sem a respectiva presença tinham um desfecho bem mais escorreito.

Isto quando não temos a situação caricata de termos dois polícias a gerir o mesmo cruzamento (e a maioria das vezes atrapalhando-se um ao outro), lendo-se que "gestão" se limita em grande parte a sinalizar aos automobilistas para andarem mais depressa...

Anónimo disse...

hhmmmm, então o problema é dos cruzamentos com multiplas entradas e com semáforos avariados? A coisa funciona assim tão mal com policias? Pronto, não me lembro de me dar conta disso. E é por isso que diz que a pior coisa que se pode fazer para se regular o trânsito ou resolver um problema de arbitragem é colocar um policia?... Ó jlp, eu admito que os policias às vezes atrapalhem, e todos temos razão de queixa da policia por uma ou outra coisa, mas olhe que de maneira geral (com essa excepção de que fala eeventualmente outras) a policia é muito útil. Confie em mim que já tenho muitos anos de volante ;) A regra geral é que quando não há ninguém a orientar a coisa, a coisa dá para o torto. sabe, eu essas coisas da "mão invisível" e da auto-regulação e tal, sou um bocado céptico. A gente deviamos era ir todos viver para essa tal aldeia da Holanda ;)

R. Faria

Igor disse...

De facto, apelar ao fim da sinalização nas estradas é muito mais interessante. E produtivo.

Uma pérola no seio da demência a que já nos habituámos a ler por estas bandas.

Ricardo G. Francisco disse...

O Igor tem uma destreza intelectual impressionante. As conclusões que tira...os argumentos que esgrime. Que nível. Fico por sistema sem palavras.

Igor disse...

A opinião do autor do post é que "estradas sem sinais, sem regras, no fundo sem regulação" são óptimas, excelentes, nada caóticas.

Quem conseguir ler outra coisa a partir daqui, muito bem. O relativismo é uma doutrina perfeitamente aceite nos tempos que correm, portanto, força.

Ricardo G. Francisco disse...

Caro Igor,

Arriscando-me a levar com alguns adjectivos e tiradas típicas do seu estilo atrevo-me dar-lhe uma dica sobre lógica cartesiana.

o JLP no artigo defende que a conclusão "que estradas sem sinais, sem regras, no fundo sem regulação conduziriam ao caos e a uma anarquia destrutiva" é rebatida por provas reais enunciadas no estudo que ele aponta. O erro lógico do Igor é:

1) Assumir que há ou "caos e anarquia destrutiva" ou "óptimas, escelentes, nada caóticas". O JLP não escreve que a desregulação leva a um óptimo e à ordem plena, simplesmente que não leva ao seu oposto.

2) Assumir que as únicas regras são aquelas impostas centralmente. Historicamente, sem regulação estatal, muitas interaçoes eram resolvidas por convenção, por exemplo.


Quem conseguir ler outra coisa apartir de aqui, muito bem. As conclusões ilógicas e sem sentido são perfeitamente aceites nos tempos que correm, portanto, força.

JLP disse...

"Arriscando-me a levar com alguns adjectivos e tiradas típicas do seu estilo atrevo-me dar-lhe uma dica sobre lógica cartesiana."

Acho que o risco (maior do que esse) é pura e simplesmente estares a perder tempo com quem não o merece. E, pior, com quem demonstra sucessivamente manifesta incapacidade de dizer alguma coisa de jeito, e se escuda sistematicamente no insulto e na "boca" pueril.

De resto, faço minhas as tuas palavras e análise.

Igor disse...

Não conheço cidade civilizada alguma em que funcionem as suas "estradas sem sinais, sem regras, no fundo sem regulação".

Por conseguinte, o facto de o Ricado ou o J dizerem que há "provas reais enunciadas no estudo que ele aponta" não nos diz nada.

Por outro lado, e mesmo que a abolição do cóigo da estrada não conduzisse ao caos, não há provas que nos conduza a uma situação melhor que a actual.
Recordo, no entanto, que a única forma de sabermos isso sería subtermos uma cidade de média dimensão (não era preciso ser o caos lisboeta ou portuense, bastaria Coimbra, Braga, Setúbal ou Aveiro) e ver como resultava.

Nos exemplos que são dados, ou temos uma aldeola de mil habitantes, ou "planos para implementar no centro da cidade" ou outras coisas que tais.

Quanto às bocas pueris, isso vindo de um grupelho de onanistas intelectuais cujo culminar do prazer é ir dizer mal do que um movimento que, se não lhes dissesse nada, bastaria ignorarem-no, tem piada. Muita piada.

Igor disse...

Onde se lê "a abolição do cóigo da estrada" leia-se "a abolição do código da estrada".

E já agora, Ricardo, não sei se quis imputar-me, por desonestidade, um erro que não cometi, ou se simplesmente nem sequer um miserável copy/paste é capaz de fazer, mas o que eu escrevi foi "são óptimas, excelentes, nada caóticas" e não "óptimas, escelentes, nada caóticas".

Não é que eu não me engane, coisa que seia impossível dado que acabei de corrigir um erro meu. Mas confesso que o meu computador tem dificuldade, de cada vez que eu faço copy/paste, em substituir o x pelo s.

GMaciel disse...

Eu já li muita asneira, mas esta é impagável.

Com o conhecimento que tenho dos condutores portugueses, se mesmo com sinais é a azelhice e a falta de civismo que se vê, então sem sinais o panorama ia ser mais do que caótico, era a selvajaria pura e dura.

Mas como por aqui se acredita que o pai natal existe... talvez até tenham estudos sobre a existência do mesmo...

JLP disse...

"Quanto às bocas pueris, isso vindo de um grupelho de onanistas intelectuais cujo culminar do prazer é ir dizer mal do que um movimento que, se não lhes dissesse nada, bastaria ignorarem-no, tem piada. Muita piada."

Curiosamente, o Igor é que parece não poder viver sem por cá passar e sem nos citar (e, acrescenta-se, ao Insurgente, que tanto gosta também de adjectivar e em que participa com a mesma verve pueril). É que são comentários e comentários, com a relevância e o conteúdo que se conhece. Concerteza, pelo seu raciocínio, afinal também lhe devemos nós e os insurgentes dizer qualquer coisa.

De resto, em relação à atenção prestada ao referido movimento, que lhe afianço à muito deixou de me dizer algo de positivo, deixe-me assegurar-lhe que, apesar desse facto, subsiste como sendo uma fonte que se ameaça inesgotável de humor (para a qual temos que reconhecer com sinceridade o seu contributo). Ora por aqui damos valor ao humor, e não hesitamos em tentar partilhar. Ficamos portanto vigilantes. Veja lá: se calhar como tantas vezes acontece com alguns condutores (dos quais felizmente me excluo) não conseguimos resistir a ir e ver um acidente.

Se estiver atento, verificará também que a generalidade dos artigos que versam a associação não são sistematicamente mais que citações, que falam (e muito) por si.

Não contamos que o MLS e os seus membros nos agradeçam algo que, sendo essencialmente citações e ligações para os originais, deveria até ser visto como propaganda gratuita.

Mas tenho que confessar compreender. Afinal, se como o Igor também pudesse ser qualificado como correligionário de quem produz semelhante pérolas, se calhar eu também tinha vergonha.

Filipe Melo Sousa disse...

A cedência de passagem já é de facto negociada entre os intervenientes. Se colocarmos 20.000 novos cidadãos sobre uma colónia virgem, com as estradas já desenhadas, teríamos passado alguns anos, construção e circulação, assim como um governo constituído, com regras e normas.

Nós já vivemos numa sociedade anarco-capitalista. A força, a agilidade, a perícia da fuga aos radares, os conhecimentos junto da PSP, as influências, a sorte, o determinismo genético, são factores que determinam a liberdade que temos ao volante. Os sinais vermelhos para mim não são um problema. Pois qualquer sinal vermelho, uma vez passado para trás deixa de ser problema.

Ah, as multas! Antes que perguntem, aconselho-vos a comprar um carro em regime de ALD, com o BPI. O edifício do BPI Rent fica na rua dos fanqueiros. Todas as multas irão parar a um edifício devoluto. Ou seja, o banco nunca informa o condutor. Temos pena.

Ricardo G. Francisco disse...

"Arriscando-me a levar com alguns adjectivos e tiradas típicas do seu estilo atrevo-me dar-lhe uma dica sobre lógica cartesiana."

Eu :)

"Quanto às bocas pueris, isso vindo de um grupelho de onanistas intelectuais cujo culminar do prazer é ir dizer mal do que um movimento que, se não lhes dissesse nada, bastaria ignorarem-no, tem piada. Muita piada."

Igor


Pelo menos tentei dar-lhe uma luzes sobre lógica. Não esperava nem agradecimentos nem sucesso. Sabia o que arriscava receber em vez disso.
Sempre finíssimo, Igor...finíssimo.

Igor disse...

"Nós já vivemos numa sociedade anarco-capitalista."

O facto de haver situações em que se foge às regras não significa que esse seja o sistema.

O facto de haver um café que é assaltado, não significa que todos os cafés devem ser assaltados. Penso eu de que...