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2007/09/21

Caldeirada de Neutrões

Um blogue que vale a pena seguir, o Caldeirada de Neutrões. Se tivesse Autoridade recomendava. Assim só digo que li demasiados bons posts para salientar um só. Ainda por cima o Tarzan partilha os meus sentimentos pela malta que tem sonhos molhados em que toma conta dos destinos de todos e de cada um.

2007/08/02

O Paizinho Faliu

A maioria dos eleitores portugueses, independentemente da cor partidária, está contaminado pela crença nas virtudes divinas do Estado. O governo regula e interfere em assuntos privados? Não faz mal, é para isso que serve o Estado, para nos aliviar desse imenso fardo chamado “responsabilidade individual”. O governo conduz a nação com políticas colectivistas? O Estado tem que zelar pelo bem comum, nem que isso implique sacrificar o orçamento de alguns (muitos) cidadãos, ou mesmo devassar-lhes a vida privada e arrestar o outro fardo, a “liberdade individual”. Com um ambiente destes, ninguém se pode surpreender com a boa receptividade a essa coisa das “políticas de natalidade”. Lembrar que o Estado “dá” x, depois de tirar 2x, gastando o restante na Máquina, é inútil. Estamos a lidar com Fé, e a Fé não se discute.
A ler, pelo Carlos Miguel Fernandes, no No Mundo.

2007/06/19

Socialismo e Social-Democracia

Uma discussão muito recomendada nesta caixa de comentários. É sempre bom conhecer o outro lado da barricada.

Saliento a lucidez de Hugo Mendes. Não basta acreditarem na igualdade. Têm de ter uma estratégia com razoáveis probabilidades de sucesso mesmo que isso signifique esquecer a luta de classes.

A social-democracia é perigosa por isto. Aprendeu a lição. Deixar os indivíduos produzir para depois os roubar dá mais resultado que roubar os meios de produção directamente.

2007/05/30

Pois...

O Adolfo Mesquita Nunes está enganado.

O Chavez é de esquerda. Não pode ser ditador. E se for é para bem do povo. O Chavez é de esquerda. E é natural que o grande capital e as forças imperialistas o ataquem. Ainda bem que o Chavez tem poder para os parar. O Chavez é ditador para o bem do povo. É bom termos a esquerda a lembrarnos que um ditador de esquerda é um bom ditador. Viva a ditadura. Desde que seja de esquerda.

2007/05/22

A palavra ao venerável e excelso Terry Jones



Ainda sobre o episódio da captura dos marinheiros ingleses pelo Irão, no The Guardian:

Call that humiliation?

No hoods. No electric shocks. No beatings. These Iranians clearly are a very uncivilised bunch

I share the outrage expressed in the British press over the treatment of our naval personnel accused by Iran of illegally entering their waters. It is a disgrace. We would never dream of treating captives like this - allowing them to smoke cigarettes, for example, even though it has been proven that smoking kills.

2007/05/21

Ecce Huomo



se alvitra o autor da "fuga". Aliás, na confirmação da genial estratégia de regresso de Paulo Portas à sua carreira política.

Às vezes fico espantado com as argoladas que alguém com a sua fama na praça de animal político e de maquiavélico mete. E ao constatar que este seu regresso dificilmente poderia estar mais próximo do manual de instruções do que não fazer quando se buscam regressos messiânicos e credibilizadores para um partido.

2007/05/16

Leituras

Rui Pereira acabou de decretar a morte política do Tribunal Constitucional. Nomeado há menos de dois meses para um mandato de nove anos, o jurista bate com a porta para integrar o Governo como ministro da Administração Interna. Isto depois de ter insistido com José Sócrates durante semanas para fazer parte da short list do PS para aquele órgão, afastando assim nomes como Vitalino Canas. Pereira lá entrou, mas não conseguiu o seu objectivo, que era chegar a vice-presidente do TC, para, numa lógica de médio prazo, vir a presidir ao órgão. Rui Pereira, recorde-se, já tinha sido hipótese para Procurador-Geral da República, proposto por Sócrates, numa tentativa de remover Souto Moura antes do prazo de validade. Na altura, Jorge Sampaio impediu que as intenções do PS se concretizassem.

Pereira e Costa, Lda., por Francisco Almeida Leite no Corta-Fitas.
Embora muito mais houvesse para dizer (o tempo não chega), o corolário óbvio da remodelação governamental em curso, motivada pela candidatura de António Costa à CML, é que, na prática e sem qualquer inocência, José Sócrates fundiu a Justiça na Administração Interna. Se já contava pouco, agora Alberto Costa, com a entrada de Rui Pereira, deixa de contar o que quer que seja. Será, a exemplo de outros do mesmo executivo, uma espécie de secretário de estado como direito a usar do título de ministro.

um resumo, por Manuel na Grande Loja do Queijo Limiano.

2007/05/09

Comentário

Comentário ao que diz o Filipe Melo Sousa:

"Se quiseres ser um agente prático da mudança, como diz o Ricardo, nada ganhas em salamizar a classificação do liberalismo. Ao associar-te com outros indivíduos assumes a diluição da tua identidade num objectivo comum."

A questão é que, na ânsia de alargar o espectro para ganhar margem de sustentação para ser esse "agente de mudança", fazem-se sacrifícios que quanto a mim desqualificam e penalizam a classificação de "liberal" que o próprio projecto político apregoa aos demais.

Não tenho nada contra soluções de compromisso e de bom senso. Mas há limites, e não valem todos os meios para um fim. E esses limites já foram, quanto a mim, largamente ultrapassados em mais do que uma ocasião, ou foram claramente ultrapassados por comentários e posições políticas dos seus associados mais influentes.

Ora é exactamente a essa perspectiva de ausência de ideologia que já há muito nos habituámos no panorama político português. Daqueles que avançam sem rumo e sem estratégia e mudam ou constroem o discurso por navegação à vista, eternamente apostados somente na estratégia para não chegar a lado nenhum.

A tentação de ser um albergue espanhol do liberalismo, além de me parecer um erro estratégico que insiste em levar muitos ao desengano, é desmentida pela própria prática quotidiana do movimento. Aliás, o seu nome é bem o espelho que esse albergue espanhol só tem quartos para alguns fregueses bem definidos, e foi clara a sua escolha.

Se o movimento pretendesse caminhar no sentido de "partido guarda-chuva", porventura inspirado nalguns princípios liberais, escusava (e seria bem mais sincero) de sequer tentar apontar para alguma conotação com o liberalismo. Escolhia um nome apolítico e definia um programa de medidas avulsas de pendor utilitarista.

Mas não é a isso que eu assisto. Assisto sistematicamente a uma tentativa de apropriação do exclusivo do "bom liberalismo", do "liberalismo moderno", e do empurrar de correntes mais que firmadas do liberalismo para rótulos depreciativos e caricaturais.

São os próprios responsáveis do movimento (nomeadamente pelo programa político) que afirmam que estás desenquadrado no movimento, e a separar bens as águas do discurso "da maioria" de alguns arrojos atípios de quem anda ao desengano.

Aliás, se houvesse essa predisposição agremiadora, assistiriamos a um movimento que trataria de igual modo liberais sociais, clássicos, anarco-capitalistas e liberais conservadores (e os tentaria cativar a todos), apontando para uma intervenção sustentada em compromissos equilibrados entre essas várias vertentes ou facções. Se assim fosse, compreenderia a tua aceitação das regras e a vontade de participar.

Mas face ao que se assiste, é de perguntar se essa vontade de compromisso e de ser "agente prático de mudança" está a ser bem ocupada no local onde está. Afinal, para viver politicamente numa perspectiva de facção, ainda por cima claramente minoritária e hostilizada, porque não fazê-lo nos partidos "tradicionais"? Conseguirias concerteza por lá uma aproximação em termos estatísticos que eu julgo maior ao que defendes, com a vantagem de teres hipóteses acrescidas de criar essa mudança.

Se não estiveres muito preocupado em coerência ideológica.

2007/05/04

Leituras

Quando, no último Prós&Contras da RTP, um dos intervenientes no debate falou sobre a defesa do património gastronómico português (referindo as virtudes daqueles que preservam receitas seculares da cozinha do país), o Inspector-Geral da ASAE respondeu desta forma: (...) antigamente também andávamos de carroça, agora andamos de carro (...) — cito de memória. Assim se arruma o arroz de cabidela numa prateleira poeirenta da cave do edifício da cultura portuguesa, e assim se denuncia uma agenda de burocrata com tiques de déspota e a arrogância de quem acredita ser um iluminado. (Vale a pena ler a lista de letreiros e avisos que certos estabelecimentos deverão ter afixados, em local bem visível e com caracteres facilmente legíveis pelos utentes; tudo para proteger o consumidor, essa criança desamparada que, sem o Estado, seria uma presa fácil de empresários com poucos escrúpulos!)

Na jornal Expresso do passado fim-de-semana, Miguel Sousa Tavares elenca alguns dos atentados à liberdade a que temos estado sujeitos desde há algum tempo. Perto do final, quando acreditamos que já nada nos pode surpreender, surge esta revelação: (...) E, finalmente, esta pérola de suprema inspiração ditatorial. O legislador quer regular como é que um caçador deve conservar e guardar as armas em casa: dentro de um armário, de características especificadas na lei. Para se certificar que ele assim o faz, a lei conferiu à polícia poderes que lhe permitem, a qualquer hora, bater à porta de casa de um caçador, entrar sem mandado algum e ir vasculhar as suas armas. E não podia faltar: já que ali estão e as armas também, podem fazer ao caçador um teste de álcool na sua própria casa! (...) Há alguém que ainda acredite que vivemos em liberdade? Muita gente. E gente que anda com o cravo vermelho na lapela a gritar impropérios anti-fascistas, mas que nunca soube, nem quis saber, o que é a Liberdade.
Liberdade?, por Carlos Miguel Fernandes, no No Mundo.

2007/04/30

Leituras

A ler, Programa do Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores e Comunismo versus nazismo e fascismo, pelo João Miranda no Blasfémias, e A ignorância liberal, por João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas.

Porque torna-se cada vez mais premente compreender que a divisão entre esquerda e direita, herdeira da escolha de cadeiras no aftermath da Revolução Francesa, está cada vez mais morta e faz cada vez menos sentido.

2007/04/26

A ler

A falência do estado social de modelo Europeu é a principal causa da xenofobia.

Os cidadãos dos vários estados Europeus têm associado à sua cidadania uma série de direitos positivos. Privilégios de ser um cidadão de determinado país europeu. Estes privilégios são, por definição, racionados entre os cidadãos. Quanto maior o “bolo” e menor a base de distribuição, maiores os privilégios distribuídos em média a cada indivíduo.

Um imigrante quando acede à cidadania entra nesta base de privilegiados. Quando isto acontece entra no sistema social em que, por definição, uns são contribuintes líquidos e outros são beneficiários líquidos do sistema social. Se a sua contribuição para o “bolo” é menor do que os privilégios que retira significa que os privilégios dos antigos cidadãos são diminuídos.

Xenofobia e Socialismo, pelo Ricardo Francisco, no Speakers Corner Liberal Social.

2007/04/16

A ler

A história que este governo e outros executam políticas “neo-liberais” quando fecham serviços do Estado já deixou de ter piada. O que os Governos fazem é nem mais nem menos que racionamento. Não é racionalização, é racionamento. O Séc XX foi pródigo a demonstrar que qualquer serviço ou produto fornecido pelo Estado acaba racionado. Não há racionamento de produtos ou serviços fornecidos pela sociedade.

Outra reflexão pequenina, pelo Helder n'O Insurgente.

2007/04/12

A ler

É o fim do mundo? É longe, mas não é o fim do mundo. É o fim de Sócrates? Também não: as notícias da sua morte são talvez exageradas. É, porém, o fim de uma certa imagem de Sócrates, algo de decisivo para qualquer político que pretenda ter uma dimensão acima dos Jardins e Felgueiras deste país: a seriedade.
As comparações entre Sócrates e Cavaco acabaram ontem. Porque Cavaco seria muita coisa de que Sócrates também é acusado (arrogante, autoritário, autista, teimoso, etc.), mas ninguém podia chamar-lhe mentiroso.

E ao vigésimo dia ressuscitou (dizem), por Pedro Picoto n'O Cachimbo de Magritte.