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2008/06/04

A quinta maior promessa para o FCP da próxima época

A promessa esquecida pelo João....

Jorge "Luvas" Pinto "o do Apito" da Costa


PS: Editei mas a verdade é que o Carlos tambem se esqueceu...

2008/01/03

Salários injustificados e desproporcionados

Cavaco Silva, como presidente da República, ganhará nesta altura, 7.262,77 euros ( o primeiro-ministro aufere 5.360,58 euros) de salário bruto, sem contar as despesas de representação, que são mais 40% dos respectivos vencimentos.
A este rendimento mensal que pode muito bem ser mantido intocável, na continha de banco, pois o transporte, alimentação, viagens e outras regalias sociais, são por conta da casa que é de todos nós, Cavaco Silva, ainda junta uns euros mais, arredondando o seu pecúlio mensalmente auferido como servidor do Estado e desde sempre ligado ao Estado.

Por força de lei oportuna, o regime de pensões e subvenções destinadas aos sacrificados titulares de cargos públicos ( deputados, membros do governo, governadores civis, etc) deixou de fora o presidente.
Assim, Cavaco Silva, enquanto PR, acumula legalmente o respectivo salário com duas pensões de reforma, fruto de descontos sacrificados ao longo de anos de trabalho exclusivo e em part-time ( os professores podem sempre acumular as aulas, com outras coisas, como toda a gente sabe) : do Banco de Portugal, onde entrou em 1977, atingindo o nível 18 e aí permaneceu ligado durante toda a sua vida pública e política que vem desde 1979, pelo menos; e também da Universidade Nova, onde leccionou. Ao todo, por contas de há dois anos, o valor da acumulação ultrapassava os 5000 euros ( líquidos), pagos pela CGA e pelo próprio fundo de pensões do Banco de Portugal.

[...]

Portanto, temos um PR, que acumula duas reformas, já de si elevadas, para a média de reformas em Portugal, com o vencimento de presidente da República. Agora, critica os salários elevados dos gestores.
Será dos gestores públicos? Será dos privados? Parece que será destes. Que autoridade lhe terá subido à cabeça para se entreter com os salários de gestores privados que pouco dizem à coisa pública?

josé, na Grande Loja do Queijo Limiano
.

2007/06/28

O obreiro de grandes passos em direcção a um estado policial foi-se

E já foi tarde, quanto a mim. Afinal, o seu curriculum fala por si, naquilo que define um inimigo da Liberdade, que conseguiu transformar porventura um dos países europeus com maior tradição de respeito por esta e pelos cidadão num estado sob vigilância, e onde a marca da subjugação por um estado policial e com tiques totalitários se vai tornando mais distinta a cada dia.

Senão vejamos a herança Blair: as Anti-Social Behaviour Orders (ASBOs para os amigos - e onde o nome diz muito - em que se permitiu ao poder judicial a privação de liberdades e a sanção de comportamentos baseada em princípios de prova de direito civil, e não de direito penal e em juízos abstractos de perigosidade); a possibilidade de deter alguém arbitrariamente durante um período de 28 dias (que, se tivesse vingado a posição do governo seria de 90 dias); a promoção do vigilantismo como mecanismo de segurança; a imposição de um projecto megalómano de cartão de identificação nacional, com informação biométrica, num país sem tradição de identificação civil; a construção de uma massiva base de dados de ADN, englobando informação genética de todos os detidos, mesmo que nunca tenham sido acusados; o ter transformado o Reino Unido no campeão mundial da videovigilância, em que existe uma média de uma câmara por cada 14 pessoas; o ter patrocinado uma intervenção ao nível da cultura do politicamente correcto na publicidade e na actuação dos media, na melhor tradição do nanny state; afinal, last but not least, ter patrocinado e participado numa invasão ilegítima de um país soberano, e contribuído para o descrédito do direito internacional público, promovendo um clima internacional de extremismos e de unilateralismos.

São estas algumas das coisas que se pode agradecer ao senhor Blair e à sua política governativa. Numa sucessão de mandatos pautada por um total vazio de oposição, sustentado em grande reconhecimento do seu carisma e da sua visibilidade mediática, e em que poderia ter feito a diferença tentando herdar da sólida tradição política britânica, foi a este ponto que chegámos.

Assim como Thatcher não acautelou a sua sucessão (mas deixou melhor obra), também Blair sai sem o fazer, promovendo Brown ao estatuto de ser o Major do Labour.

Ontem, o Reino Unido perdeu um inimigo, que deixa marcas difíceis de reverter. Trocou-o por em cenário político em que um Cameron perdido nas suas campanhas de imagem e uns LibDems folclóricos se opõem a um cinzentão de serviço, que faz opor à opulência de carisma do seu antecessor uma imagem desprovida de qualquer gota deste.

Trocou-se a ambição desmedida e perigosa pelo deserto de ideias e de protagonistas. Mas, mesmo assim, parece-me melhor o desfecho.

(Publicado também n'O Insurgente.)

2007/06/26

O caminho para a utopia

Em mais um texto em que evidencia todo o seu talento de comunicador, Pedro Arroja deixa uma frase que diz tudo sobre a consequência da sua linha de argumentação:

"(...) Não são as leis que fazem uma sociedade liberal. É uma sociedade iliberal que torna as leis e o Estado necessários. (...)"
Uma sociedade que tem valores morais diferentes das desejadas (por quem?) torna necessário o estado. O estado pai de família, cheio de autoridade a colocar a sociedade, que se porta mal, no bom caminho. Estado engenheiro social, ou simplesmente, um espartilho social.

Ainda não conheci quem acreditasse em uma Utopia que não defendesse um caminho, de forma implícita ou explícita, para se chegar a essa utopia. Caminhos que passam sempre pelo estado.

2007/06/14

TV Shop

A RTP vai emitir no próximo domingo a parte das cerimónias comemorativas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas que não transmitiu no domingo passado, atendendo ao protesto do Presidente da República.

Público Última Hora.
Naturalmente, a transmissão vai ser acompanhada com a mesma indiferença e distância que conquistou no fim de semana anterior.

O presidente da república e o governo conseguem talhar o mecanismo de extorsão que obriga os contribuintes ao sustento de dois canais públicos de televisão. Mas (por enquanto), ainda não os conseguem obrigar a financiar um polícia em cada lar, de modo a que todos sejam obrigados a visionar os seus actos públicos de solenidade auto-proclamada.

2007/05/30

A CGTP é uma boa companheira

A CGTP vai patrocinando no dia de hoje aquilo que se poderia classificar como uma boa ajuda ao governo Sócrates, que a poderá elevar eventualmente a um lugar cimeiro no pódium dos principais apoiantes do actual governo.

Senão vejamos: primeiro, temos toda uma poupança em salários e subsídio de refeição, e o seu óbvio contributo para a meta do défice e para o equilíbrio das contas públicas. Depois, em consequência do bloqueio imposto em termos de transportes, em alguns casos até desrespeitando os servíços mínimos legal e democraticamente impostos, milhares de particulares foram obrigados a viajar para o seu local de trabalho em viatura própria, com o previsível aumento do encaixe de verbas do imposto sobre os produtos petrolíferos, a contribuir para o mesmo desígnio.

Para terminar, o encerramento de repartições públicas e de muitos dos serviços públicos vai mais uma vez fazer notar: ao que não precisam deles, que estão a pagar por uma coisa em que nem sequer dão conta se está aberto ou não (no seguimento do clássico "não falte ao trabalho, que o patrão pode chegar à conclusão que não faz falta"); aos que precisam, a imensidade de coisas que estão debaixo da alçada do estado em regime de monopólio público, e o respectivo respeito que os funcionários têm por quem lhes garante a função e o posto de trabalho. Concerteza que estes utentes ficarão bem mais motivados para aceitar e simpatizar com propostas de emagrecimento da função pública ou com a retirada de regalias aos seus funcionários.

Sem dúvida, a CGTP é uma boa companheira do governo. Presumo que a esta hora Sócrates (e principalmente Teixeira dos Santos) estará feliz e contente a pensar porque é que ela não faz coisas destas mais vezes.

2007/05/23

As quatro maiores promessas para o FCP da nova época


Nuno "pagas-me em golos" Gomes


Rui "sopinha de pão" Costa


Fernando "inscrito na Ordem" Santos


Luís Filipe "trombone dourado" Vieira

2007/05/22

Dead man walking

O "nosso" Jorge Sampaio, enquanto vai usufruindo das benesses que a generosa república lhe vai conferindo e do tacho que os bons serviços à causa socialista lhe vai proporcionando, veio hoje à tona das águas do esquecimento piedoso a que estava remetido para apelar a que não seja penalizado nas urnas em nome de um "julgamento do governo" aquele que era até há uma semana o número dois desse governo, ministro de estado e principal responsável pelos governos civis e pela legislação de financiamento autárquico actualmente em vigor.

2007/05/14

Isenção

Daniel Oliveira anunciou o seu afastamento de responsabilidades directivas no Bloco de Esquerda, remetendo-se voluntariamente à condição de militante de base. Se a decisão pessoal, por esse facto e nessa qualidade, está para além de crítica, as ilacções políticas que dela se podem tirar, quanto a mim , são significativas.

Segundo o próprio, o afastamento deve-se a uma vontade de clarificação e de separação de águas entre as suas funções de dirigente e responsável do Bloco, e o seu papel de polemista na blogosferea e na imprensa escrita e televisiva. No confronto entre a polémica e a participação activa na expansão daquele que se presume ser o seu projecto político, ganhou aparentemente a polémica.

Note-se que a justificação avançada não é de foro privado nem sequer sustentada numa eventual falta de tempo para manter os vários papéis que desempenhava. É uma vontade clara de se afastar das luzes da ribalta no que possa ser conotado com a vontade directiva do partido.

Pessoalmente, acho também que a crítica de Paulo Pinto Mascarenhas é certeira. Aliás, já há algum tempo tinha por aqui revelado curiosidade na extensão do patrocínio de Daniel Oliveira às tomadas de posição próximas do Bloco. Acho que toda a argumentação e justificação anunciada dizem muito.

Além de que, sinceramente, duvido muito das vantagens clarificativas anunciadas. Daniel Oliveira não pode já, por mera decisão administrativa, descartar-se do facto de ter sido o rosto do Bloco em muita da imprensa e o avançado-centro (salvo seja) da visibilidade pública da opinião ligada ao partido. Mantendo-se como militante, demonstra aliás que isso é para durar, e que não é um impecilho de consciência. A conotação é mais do que muita, e não vai ser por essa iniciativa que as pessoas se vão esquecer do seu papel ou a olhá-lo de maneira diferente.

Temos, afinal, somente mais um player com a isenção e o distanciamento ao nível de um Francisco Pinto Balsemão ou de um Pina Moura.

Mas este, é polemista.

2007/05/02

Cabecinha pensadora, puro génio político

O líder social-democrata, Marques Mendes, acusou hoje o Governo de estar a matar todos os dias o Estado social em Portugal e de conseguir ultrapassar pela direita o PSD em domínios sociais.

[...]

«Este Governo está a matar todos os dias o Estado social em Portugal.

[...]

Na área da saúde, Marques Mendes disse mesmo que o actual Governo socialista «consegue ultrapassar o PSD pela direita» - o PSD, um partido que recusou ser liberal, mas antes um símbolo dos princípios sociais-democratas.

Diário Digital.
Marques Mendes confirma aquilo que há muito constatámos: que o PS o ultrapassou pela direita. Afinal, não estão há tanto tempo Marques Mendes e o PSD parados de pisca à esquerda?

Em duas ou três afirmações confirmou-se a nulidade política do líder do maior partido da oposição (?), subitamente renascido como social-democrata no seio de um partido que desde sempre rejeitou a ideologia e só tinha o epíteto no nome.

O problema é que hoje esse lugar já está ocupado, concretamente pela nova encarnação do Partido Socialista de Sócrates. Só Marques Mendes é que parece ainda não ter concluído.

Temos portanto um Marques Mendes que desespera, e que se vira para a superlotada esquerda do panorama político luso em busca de alguém que ainda lhe dê ouvidos. Num rasgo de clara inteligência política, vira-se para um espectro mais que sobrelotado de partidos, e opta por ignorar todo um centro-direita e direita órfãos.

Sem dúvida, muito coxa e bizarra é a nossa política.

Fica a dúvida: será que o "realinhamento" é já uma resposta ao apontar de Paulo Portas (o grande beneficiado por estas tolices) ao "centrão"? Estará a forçar este último a realinhar-se à direita (leia-se, longe!) dando-lhe todo esse eleitorado de mão beijada? Continuará Paulo Portas também disposto a entrar na festa, e disputar o título de Verdadeiro Guardião™ do "estado social"?

2007/04/30

The Trial of Tony Blair


Serão bem passado televisivamente ontem na RTP1, com a apresentação do telefilme The Trial of Tony Blair, uma produção do Channel4 que relata um cenário futuro de um 2010 em que Tony Blair acaba a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional pela sua intervenção no Iraque.

Para mim, teve muita, muita piada. Por várias razões, e em relação a vários pontos que achei muito bem conseguidos. Num regísto satírico e cáustico, impiedoso em relação a todas as personagens retratadas, mas evitando cair num discurso acéfalo anti-Bush (remetido à rehab e substituído por uma Hillary Clinton pronta a trilhar o "caminho da paz" aos olhos das sondagens) e Blair, e antes apontado em construir todo um retrato satírico da política britânica, da farsa do direito internacional e das relações do Reino Unido com o seu aliado trans-atlântico.

A principal vítima, sobretudo e naturalmente Blair, retratado como obcecado pelo seu "legado histórico", pela necessidade de perdão, e pelo desconforto da sua substituição por Brown nos destinos da nação. Um Blair com problemas financeiros, num escritório que não consegue pagar aguardando ansiosamente o telefonema do amigo ou da instituição estrangeira que lhe vai pegar e garantir o futuro, desesperado ao ver a sua biografia rejeitada pelo editor, se por mais motivos não fosse pelas suas 29 repetições da memória de ter sentido a "mão da História" no seu ombro.

Mas também um Brown "sem um pingo de carisma", que vive para o o seu némesis de pertido, remetido a uma maioria eleitoral irrisória de dois deputados (em muito com o patrocínio de Blair). Ou um Cameron folclórico e inconsequente, procurando a câmara e o grupo de interesse para que fala naquele dia, insensível ao ridículo a que se expõe.

O golpe de misericóridia? Uma chamada à embaixada dos EUA, onde é informado que nos próximos dias, por força das circunstâncias, vão ter que dizer umas coisas más dele. Mas que ele pode continuar certo de que vão continuar do lado dele. Ou a votação da instituição do tribunal internacional, no Conselho de Segurança, pela unanimidade dos votos, à excepção de um embaixador inglês remetido à casa de banho durante a votação. Ou já no fim, sendo identificado numa esquadra e insurgindo-se contra a recolha compulsiva do seu ADN, sendo lembrado pelo seu advogado que tal procedimento foi instituído por si próprio.

Para algo com os pressupostos de um telefilme, muito bem conseguido. E já agora a consagração da maneira muito especial de se ser britânico, da capacidade de rir com eles próprios e de sátira mais mordaz. Da impossibilidade de se ter um filme por cá, no mesmo registo, a satirizar com os nossos políticos de mesmo estatuto, produzido por um canal de serviço público de televisão. Sei lá. Por exemplo sobre a licenciatura do nosso primeiro.

2007/04/27

Dê-nos pouco que fazer, sff

Rui Moura Ramos, presidente do Tribunal Constitucional (TC) que tomou posse na semana passada, espera que o Presidente da República, Cavaco Silva, mantenha a relativa "acalmia" que se tem verificado quanto aos pedidos de fiscalização da constitucionalidade de leis.

[...]

"Gostaria que [essa tendência] se mantivesse", afirmou.

"Tem havido uma ponderação sábia dos Presidentes da República no que toca às leis que submetem ao Tribunal Constitucional", afirmou Moura Ramos, no final da audiência no Palácio de Belém.

O novo presidente do TC revelou, aliás, que o tribunal pode ter dificuldades em "gerir" mais do que quatro a cinco pedidos de fiscalização preventiva por ano, que tem sido a média dos últimos anos.

Público Última Hora (com negritos meus).
É tudo gente muito ocupada, todos os treze.

Podem é até, um dia destes, chegar à conclusão que já ninguém sabe (ou quer saber) sequer que eles existem.

2007/04/26

Civilizações

De um lado, o fundamentalista islâmico palestiniano. Cofiando a barba, olha o seu interlocutor e imagina qual seria o padrão que o sangue do interlocutor faria na parede quando deflagrasse a bomba. Há que manter a calma. Afinal, há muita gente a ver e o fórum é grande. Que horas é que são, mesmo?

Do outro lado, o falcão israelita, de barbinha bem feita e olhar aquilino. Hirto, vai pensando em como o interlocutor já vai merecendo um "ataque selectivo", e que não devia andar para ali com aquela gentalha. Mas, the show must go on, e o argumento tem que se cumprir. Jeitosa, aquela intérprete.

Entretanto, entra o mediador, e senta-se à mesa entre os dois. Começa a falar. Um e outro lado, com enfado, colocam os auriculares da tradução simultânea. Que raio de língua é que aquele tipo fala?

Uma hora depois, termina a intervenção. Que o encontro é um marco histórico, que a tolerância se espelha naquela mesa, que os povos rejubilam com o exemplo dado de civilidade.

O palestiniano, enfadado, lembra-se que tem que ir dar um salto a Damasco. Os tempos que se antevêm são difíceis e mais vale prevenir. Além disso, é sempre bom estar com malta porreira.

O israelita, lembrando-se de algo, puxa do Moleskine. Anota que, quando sair, tem que ir falar com o amigo americano. O carregamento de armamento tarda e parece que ficou encravado por alguma decisão do Congresso. Se calhar, vai ter que ficar mais tempo para contactar as pessoas certas.

O moderador dá por terminada a sua introdução e, com olhos húmidos, passa a palavra aos participantes. Não sem antes apelar à serenidade.

Carreira promissora na assessoria de um ministério

"Sem cravo na lapela e de dedo em riste". Foi assim que o jornalista da televisão de todos nós caracterizou a aparição de Paulo Rangel no palanque da Assembleia da República.

Preparem-se, em breve vão recomeçar as fotografias de Paulo Portas com o braço esticado em elevação oblíqua ascendente.