2007/06/26

O caminho para a utopia

Em mais um texto em que evidencia todo o seu talento de comunicador, Pedro Arroja deixa uma frase que diz tudo sobre a consequência da sua linha de argumentação:

"(...) Não são as leis que fazem uma sociedade liberal. É uma sociedade iliberal que torna as leis e o Estado necessários. (...)"
Uma sociedade que tem valores morais diferentes das desejadas (por quem?) torna necessário o estado. O estado pai de família, cheio de autoridade a colocar a sociedade, que se porta mal, no bom caminho. Estado engenheiro social, ou simplesmente, um espartilho social.

Ainda não conheci quem acreditasse em uma Utopia que não defendesse um caminho, de forma implícita ou explícita, para se chegar a essa utopia. Caminhos que passam sempre pelo estado.

7 comentários:

Anónimo disse...

Os caminhos preconizados para alcançar uma utopia NÃO passam sempre pelo Estado. Veja-se a utopia anarquista, que era vulgar aqui ao lado, em Espanha, até 1936. Essa utopia (que era literalmente utópica) era totalmente e ferozmente anti-Estado. Os anarquistas preconizavam (e praticavam!) que o caminho para atingir a sua utopia social passava por educar o povo. E educaram-no tanto e tão bem que, apór o pronunciamiento militar de 19 de Julho de 1936, houve na Catalunha e em partes da Andaluzia uma revolução anarquista que levou à implantação de mini-utopiasanarquistas, apenas pela força do povo, sem qualquer intervenção do Estado.

O Ricardo Francisco leia, por exemplo, Errico Malatesta. Encontrará nele uma utopia, mas de forma nenhuma o Estado como forma de a alcançar.

Luís Lavoura

Ricardo G. Francisco disse...

Se não passa pelo Estado deve ser expontãnea. Quando escrevo Estado quero dizer poder central munido de poder coercivo. Poder coercivo encessário para criar as condições dessas utopias...

AA disse...

...e, claro, um Estado que emana de uma sociedade iliberal não terá nenhum dos vícios daqueles que procura corrigir - apesar de ter o poder de usar de força para alcançar os seus objectivos unilaterais. Pois.

Junq disse...

O anti-estatismo não será também espontâneo e um passo mais à frente para uma sociedade mais evoluída?
Haver estado, por enquanto, não será natural? Não é ele (o estado) o resultado natural de uma necessidade humana de contornar a lei da selva?
O anti-estatismo não será tão grande utopia como o estado perfeito, bondoso e pio?

Ricardo G. Francisco disse...

Junk,

Não...se quisémos uma sociedade anti-estado sim.

Compreenda a diferença entre a discussão de se deve existir Estado ou não e a discussão qual o papel do Estado.

Agora sim, a ausência de estado, ou a Anarquia é uma Utopia, concordamos.

Junq disse...

Ricardo, com q o junq não k... mas é igual...
se tiver paciência:
http://versoadverso.blogspot.com/

Gabriel disse...

«Veja-se a utopia anarquista, que era vulgar aqui ao lado, em Espanha, até 1936.»

Não só. A corrente anarquista era mais forte e organizada entre os trabalhadores portugueses até 1933.
O anarquismo em Portugual era a corrente social/politica mais activa e influente nas últimas décadas da monarquia e até á consolidação da ditudura salazarista