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2007/10/08

Voltaram os Ferraris para os maus Gestores

Pagos à custa do contribuinte, os bobos da festa, como de costume.

O Governo vai disponibilizar 530 milhões de euros para as pequenas e média empresas que apostem em inovação, com o objectivo de aumentar a sua competitividade, anunciou hoje o ministro da Economia e Inovação. (...)

"Estes recursos são os parceiros que as PME inovadoras e competitivas necessitavam para poder crescer", disse Manuel Pinho (*).
Resta definir o que se define por Inovação, e quais são as empresas competitivas. Se o produto for realmente inovador, e útil para o consumidor, de certo que alguém estaria interessado em pagar por ele. A longo prazo a empresa inovadora tende a prosperar, pergunto-me então para que seria a injecção de dinheiro necessária? Existem empresas cronicamente inovadoras, cronicamente premiadas pelo governo, e cronicamente com necessidade de serem ajudadas. Estranho...

Mas é claro que o Manuel Pinho dispõe de uma equipa de iluminados que sabem distinguir o trigo do joio. Melhor que os contribuintes que pagam estas ideias visionárias, e melhor do que os próprios gestores. Pela experiência anterior, as empresas mais inovadoras são as empresas dos amigos do ministro que se encontram em insolvência, e que necessitam de umas injecções de capital para manter os tachos.

Ah, estas amizades que se pagam no natal com umas valentes prendas!

(*) Ministro da Economia, que tem por função governativa beneficiar algumas empresas arbitrariamente escolhidas por ele, à custa de todas as restantes.

2007/09/18

Nem o D. Quixote Faria Melhor

Pinho quer Portugal “alternativo” para evitar efeitos do recorde do petróleo.

O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou hoje que o investimento e a aposta nas energias alternativas são "a melhor forma" de Portugal atenuar os efeitos dos máximos atingidos pelo barril de petróleo. (...)

Para Manuel Pinho, se Portugal não investir nas energias alternativas, "será como a Venezuela não explorar o seu petróleo". "Temos que explorar os recursos naturais que temos, que são um potencial imenso por explorar", referiu.
Como sempre, os números são o grande ausente do discurso de Manuel Pinho. O seu discurso autista e simplório apenas refere banalidades e lugares comuns para serem consumidos sem ter de pensar muito. Para Manuel Pinho o dinheiro é a enfadonha tarefa de ter de carregar duas vezes no verde. Uma mera formalidade, nada mais. A mensagem do eco-fundamentalismo é repetida ad nauseam. Para ser aceite como um dogma, nunca posta em causa. O ventinho que lhe sopra por cima do quintal vale tanto como as avultadas reservas de petróleo da Venezuela. Basta um visionário, ou o rei midas decretar tal capacidade. Tudo vale: gigantescos parques eólicos com tecnologia obsoleta, tornados rentáveis através da injecção de fundos patrocinados pelo consumidor português, que paga a energia mais cara da Europa. E no entanto a megalomania continua. Nada parece demover o maluquinho dos parque eólicos.

Numa conjuntura em que o petróleo continua barato, com tendência a encarecer, e em que a energia eólica continua cara, com tendência a tornar-se mais barata, qual será a estratégia óptima:
- Esperar para o momento óptimo de investir na nova tecnologia
- Investir já em moinhos de vento que estarão obsoletos dentro de alguns anos

Aparentemente, o governo decidiu por investir já. Lembre-se que os contratos efectuados com os produtores por prazos prolongados. Quem se compromete a pagar a tralha obsoleta são os consumidores. Manuel Pinho estabelece contratos generosos à custa dos clientes da EDP. À medida que os contratos com os produtores eólicos entram em vigor, o custo da energia aumenta. Resta acrescentar que são os mesmos consumidores de energia que financiam a publicidade da EDP que nos vem impingir os benefícios das energias renováveis.

2007/09/11

Bancarrota Intelectual


De acordo com a Associação [APREN], a produção de energia eólica em Portugal já assegura cerca de 8% da electricidade consumida anualmente no nosso país, prevendo-se que em 2010 este valor atinja os 15%. (...) A aposta em parques eólicos feita um pouco por todo o país, nos últimos anos, vem-se concretizando aos poucos, permitindo aos consumidores de electricidade libertarem-se progressivamente do jugo imposto pelos produtores de combustíveis fósseis, refere a mesma fonte.
Jornal de Negócios

Tradução:
Custo da produção de 1MWh por aerogerador eólico: 74,0 €
Custo da produção de 1MWh na rede convencional: 55,8 €
Libertação = obrigatoriedade de pagar 33% mais caro

2007/07/04

Dura Vida de Consultor



Caro Project Manager,

Envio-lhe a ordem dos trabalhos para a semana. Tem 4 apresentações para enviar aos clientes. Não se esqueça que o seu objectivo é ganhar 1 ou 2 projectos este mês.

Para elaboração da aprezentação, esta deverá ser feita em Power Point. O menino vai ao servidor da empreza, e seleciona os selaides padrão aqui indicados. Envio-lhe em anecso, após a nossa conversa do almosso com os partners, que demorou 5 horas na bica do sapato, o plano de trabalhos. Tinha o orijinal num guardanapo, mas o estagiário novo andou a passar a limpo no Excel.

Agora resta ao menino usar os selaides indicados para o cliente serto. Não troque. Não esqueça de mudar os logos do cliente, que depois vai vender o projecto da Galp, à EDP como da última vez. O que vale é que o Mexia não deu pela diferença, e a conclusão é sempre a mesma, e já estava encomendada, e ele não se rala em pagar, pois isto é sempre à custa do consumidor ou do contribuinte. E corrija os erros de hortographia.

Tem aí trabalho para uma semana. Distribua pelos seus funcionários, e divirta-se. E tente parecer ocupado e stressado, senão os boys não vêm cá ao escritório trabalhar este fim de semana.

2007/03/28

Idiotas úteis

A central de energia solar fotovoltaica de Serpa, hoje inaugurada, vai receber um incentivo de 3,7 milhões de euros do PRIME – Programa de Incentivos à Modernização da Economia.

[...]

Além do o incentivo do PRIME, a aposta na energia solar valeu aos promotores do empreendimento um incentivo por via da tarifa paga pela Energias de Portugal (EDP), que será de 32 cêntimos de euro por MW/hora. Este valor é cerca de quatro vezes mais o que é pago pelos distribuidores pela energia eólica, segundo Sérgio Costa, administrador da Catavento, parceiro português do projecto.

[...]

Sobre o projecto, Pinho comentou que "é uma aposta com visão e ambição e é o resultado da capacidade dos nossos empresários".

Jornal de Negócios, por sugestão de Filipe Melo Sousa.
A notícia fala praticamente por si mesmo. Em nome do tema da moda, o estado prepara-se para dar o patrocínio (para além do "incentivo"), prometendo (num prazo que julgo é de 25 anos) pagar 4 vezes o preço actualmente em vigor por toda a energia que a nova central produzir nesse prazo.

Ou seja, mais uma vez com o alto patrocínio involuntário do contribuinte, vai-se estar a sustentar a viabilidade de um projecto por um quarto de século, pagando preços inflaccionados por energia vinda de uma tecnologia que provavelmente estará obsoleta em 5 anos.

Aliás, para isso, temos o exemplo dos parques eólicos. Existem neste momento em Portugal parques eólicos que foram financiados por períodos semelhantes, também obedecendo a princípios de obrigação de compra da energia a preços pré-definidos. Hoje, são relíquias obsoletas em nome dessas megalomanias e discursos simpáticos do passado, de projectos concebidos para um cliente estado amigo que gosta de aparecer nas notícias a qualquer preço, com prazos de 15, 20 ou 25 anos quando deveriam ter sido de 5 ou 6.

Ocupam alguns dos nossos bons recursos eólicos, que poderiam já hoje, à face dos progressos registados (e previsíveis face ao estado embrionário em que se encontrava a tecnologia), ser já eventualmente rentáveis comercialmente, longe de subsídios e de garantias de terceiros.

Mas, em nome do "ambiente", parece que muitos estão despostos a tudo. Nem que seja a deitar dinheiro e recursos para o lixo.