2009/07/20

modelo irlandês

A crise veio colocar em cheque o famoso 'milagre' irlandês. O modelo de crescimento seguido nos últimos vinte anos chegou ao fim. Mas a morte deste 'felino' é uma notícia exagerada.

O 'tigre' celta surpreendeu o mundo durante vinte anos. (...) De verdadeiro 'cágado' entre os anos 1950 e 1980, no final da lista europeia do PIB per capita, (...) passou para o grupo da frente em apenas quinze anos.
(...)
Esse ganho estrutural não morreu com o crepúsculo do 'tigre'. Por isso, convém moderar as notícias sobre a morte do 'tigre' celta.
(Geoscópio)


E eu acrescentaria, à laia de comentário para os astrólogos de serviço:
1. pensam mesmo que este desenvolvimento vai desaparecer em 1 ano, o tempo que parece que vai durar o núcleo da crise?

2. o que é preferível? Um desenvolvimento destes com um solavanco forte em crises que surgem à taxa de uma por século ou andar a penar com crescimentos de 1% (se tanto!) durante 1 ou 2 gerações (se não mais)?

Eu sei que importar o modelo irlandês é tão viável como importar o modelo nórdico que nos queriam vender há uns 4 anos. Basicamente, bebemos cerveja diferente. Mas podemos importar ideias e adaptar. E entre nórdicos e irlandeses, talvez até tenhamos mais em comum com os irlandeses.

3 mulheres e um PSD

"Manuela Ferreira Leite (...) está mais livre que a maior parte dos seus colegas de partido [sem] temer que lhe vasculhem o passado." [Pode bem ser] "o projecto de quem, pessoalmente, não tem nada a perder"
(Helena Matos, Blasfemias)

- Sobre Ana Gomes e as direitas: "Porque quererá o PS perder as eleições?" (Carlos Pinto, Insurgente)

- o irreversível fim de Elsa Ferreira. "Não me vejo como vereadora" (Sol)

2009/07/17

trabalhar para o Estado

Ganha-se mais dinheiro, trabalha-se menos horas e o risco de despedimento é zero. Humm... Que paraíso é este?
(Pedro Santos Guerreiro, JNeg)


2009/07/16

Alberto João e os Comedores de Criancinhas

Por muitas vezes que me apeteça proibir o Comunismo e associados (!),
esta tirada de Alberto João é tão insanável como coerente com o que se
passa na Madeira.
Mas o mais importante é que vai marcar um ponto de viragem para o PSD.
Ou MFL se demarca, clara e incisivamente, destas afirmações -- e ganha
mais votos no Continente do que os que (eventualmente) perde na Madeira
-- ou não faz nada e é um duro golpe na Manuela Ferreira Leite séria,
com pose genética de Estado e anti-propagandices.

Estou curioso.

aditamento:

"Aguiar Branco diz que este não é o momento para falar de revisão constitucional"

Fica-se sem saber se isto quer dizer que "a ideia até faz sentido, apontei no meu Moleskine e quando for altura da revisão vamos lançar o debate". Estou convencido que foi fuga para a frente mas não deixa de ser muito triste





deflação

Portugal atravessa um período de deflação. Hoje os keynesianos não almoçaram porque sabem que amanhã o almoço será mais barato. E assim sucessivamente.
(João Miranda, Blasfémias)

2009/07/15

câmara de Lisboa e a vantagem de votar no Porto

Eu não voto em Lisboa. Mas se votasse teria um enorme dilema: entre
votar Santana para que ele fique por Lisboa calado durante 4 anos e não
votar Santana para ver se ele perde o pio do invencível em eleições.

o que interessa é ser doutor porque depois temos os subsídio

Aumentam vagas para cursos com mais desempregados
(DN, hoje)

2009/07/14

o prometido é de vidro

Candidata à Câmara de Valongo regista programa eleitoral no notário e irá a tribunal se não cumprir.
(Publico, hoje)

Não serve para quase nada, mas é muito interessante.

2009/07/13

Fisicamente Em Bruxelas mas com o Coração em Sintra

Em relação a Ana Gomes, "quando for eleita presidente da Câmara de Sintra",

1. a primeira sessão a que assistiu hoje em Bruxelas foi, provavelmente, a última
2. porque se meteu Agosto e depois as campanhas começaram, actividade muito time-consuming
3. e Parlamentos não são compatíveis com trabalho à hora

eu vou perguntar o que é que ela lá foi fazer.

está-nos no sangue

(...) a dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (SCESP), Emília Marques, afirmou que o objectivo desta acção é "denunciar a atitude das associações do comércio retalhista de Lisboa e Cascais, que escondidas atrás da crise, em vez de pedirem apoio ao Governo para eventuais soluções da crise", não querem aumentar os trabalhadores.
(Expresso, hoje)

2009/07/11

Novas Oportunidades: um caso verídico


Conta-se aqui o caso alguém que, por via das Novas Oportunidades, "ao obter a certificação final do seu curso não contém as lágrimas" porque, como "tem um emprego como técnica de nível baixo que não lhe confere sequer mais do que uma contratação a recibo verde", "não consegue obter um empréstimo bancário para tentar comprar um T1+1 para ela e para a miuda".

Parece que é um exemplo representativo do impacto das Novas Oportunidades na vida das pessoas.

Pois eu gostava de saber que empresa é essa que tem como critério para oferecer contracto de trabalho com base nas qualificações oficiais.

É que só vejo três possibilidades:
1. ou é uma empresa regida pelas regras do Estado
2. ou não dou um chavo por ela
3. ou a questão das habilitações é umas das balelas que o patrão lhe contava para não a passar para os quadros.

Em qualquer uma delas, não era preciso Novas Oportunidades nenhumas. Talvez haja uma quarta razão.

2009/07/10

Ministério da Educação em 2019

Portugal, 2019:

"A Minixtra da Educaçom xublinhou hj a importância du Programa "Todox Xomus Dotores" pa kombater u "klaro deficit de klaxificaçom" dus trabalhadores prtuguexes: +- 3,5 milhões ñ completaram 1 curso universitáriu."
(baseado no Público)

mau comportamento

A escola C+S dos Açores vai reavaliar na próxima reunião do conselho directivo o acesso a novos meios de comunicação dentro da sala de aula, para evitar polémicas entre alunos, como as que aconteceram esta semana por causa da utilização do 'Twitter'.
(Expresso, hoje)

errata:
onde se lê "escola C+S", ler "Assembleia Legislativa"
onde se lê "reunião do conselho directivo", ler conferência de lideres"
onde se lê "sala de aula", ler "do plenário"
onde se lê "alunos", ler "deputados"


2009/07/09

falácias da doutrina económica largamente dominante

post de Carlos Santos sobre os neoclássicos:

1. o "largamente dominante" com que começa o post tem uma certa piada.

2. Já que é para entrar em extremismos, enumeremos as virtudes das economias planeadas. Quiçá um manifesto.

3. Alguém que tenha chapéu de economista haveria de o pôr na cabeça e discutir estes argumentos.

change management: CITIUS




O inquérito [aos juízes] conclui ainda que "a desmaterialização dos processos é desnecessária, não traz vantagens visíveis e prejudica gravemente a eficiência da resposta judicial".
(DN, hoje)


A afimação por si mesma, principalmente vista por um tecnólogo, é simplesmente ridícula -- mas muito compreensível, principalmente dada a conhecida aversão que juristas têm pelo digital. Mas quem está a fazer a introdução do CITIUS deve ter noção destas coisas. Por exemplo, se isto estivesse a ser gerido pela Ministra da Educação (por muita razão que muitas vezes lhe dou) era o fim do mundo.

2009/07/08

imparcialidade a toda a prova

A deputada [Susana Sanfona] foi tão independente no seu trabalho que nem pelos depoimentos dos inquiridos se deixou influenciar.
(Daniel Oliveira, Arrastão)

2009/07/07

presidente da Mota-Engil defende grandes investimentos públicos

Jorge Coelho considera "preocupante" possibilidade de adiar investimentos públicos
(JNeg, hoje)

Já não sei onde li isto, mas acho que há uma regra para quem faz investigação em História que é a seguinte: havendo dois testemunhos contraditórios, o mais credível é o que vai contra os interesses pessoais da testemunha.

coligação MMS/MPT/PND

Não é verdade:
http://mmsaveiro.blogspot.com/2009/07/mms-vai-sozinho-as-legislativas.html

1. E seria um disparate se o MMS se coligasse com o PND... Praticamente,
a única coisa que o MMS tem em comum com o PND é o azul escuro...

2. A maior parte das pessoas com quem falei opor-se-ia visceralmente a
tal coligação.

2009/07/06

sobre Maria João Pires

Com Paulo Alves Guerra a ser categoricamente desmentido pelo advogado de Maria João Pires, parece não se confirmar o anúncio da renúncia à nacionalidade portuguesa por parte da pianista.

Resta esperar por uma próxima oportunidade.
(André Azevedo Alves, n'O Insurgente)

(admirei particularmente a punch line)

2009/07/05

reabilitação urbana

O programa eleitoral do Bloco de Esquerda propõe um plano de investimentos públicos na requalificação urbana como forma que reanimar a economia que implica um investimento de 500 milhões de euros em cinco anos.
(Expresso, hoje)

Esta ideia está interessante. Pelo que percebi, o Estado reabilita e põe a arrendar durante 5 anos (recebendo as rendas). Ao fim de 5 anos, devolve aos proprietários.

2009/07/04

Cosec desmente governo

Isto começa a ser um caso médico:

A Euler Hermes, empresa que detém metade do capital da Cosec, desmentiu a existência de qualquer negociação oficial acordo com o Governo português, contrariando as afirmações do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que deu o negócio como garantido, noticia o Semanário Económico.
(Público, hoje)

efeito Manuela

"PS exclui duplas candidaturas socialistas a câmaras e ao Parlamento"

Mais vale tarde do que nunca, vamos lá a reconhecer.
Alás, quase que apetece dizer que, ainda Manuela Ferreira Leite não é
primeira, e já está a mudar o país.

2009/07/03

mercado de futuros

vindo de um especulador é extraordinário (JNeg, hoje):

O CEO da PVM, David Hufton, tem criticado com frequência os especuladores que operam no mercado do petróleo. "Se não existissem mercados de futuros, os preços do crude estariam muito mais baixos"

Já imagino o João Miranda a dizer "Ah e tal, é que o mercado antecipa o fim do petróleo."


sobre Antonio Costa

Uma interpretação possível da actuação de António Costa em Lisboa:

Do declínio do império romano: o case-study PS, n'O Cachimbo de Magritte

Faz algum sentido. É que dá mesmo a sensação de que António Costa está à procura de razões para se antagonizar com o actual PS.

mesmo depois de se demitir, continua a criar postos de trabalho

Ryanair abre base no aeroporto do Porto

A operação dará origem a 1500 empregos.

a natureza humana nas demissões

Demitissem-se eles pelas boas razões; exaltação não é uma delas; mentir, por exemplo, já é. A ninguém se pode censurar o biológico da natureza humana; quem nunca se exaltou ou deu murros na mesa?

Se exaltação pontual é biológico e não há nada a fazer, mentir é deliberado.

2009/06/30

acho que nunca tinha ouvido uma frase destas de um político português

Se o PSD fez isso, só tenho a considerar que fez mal. E é não pelo facto de um dia nós termos feito uma coisa mal que eu posso deixar de criticar algo que está feito mal. Se fez, fez mal, não devia ter feito.

Manuela Ferreira Leite (via Público)


Não me consigo lembrar da última vez em que alguém admitiu que o próprio partido pode errar. Dito desta forma soa a ridículo. Mas é um facto.

A política portuguesa teve um bom momento.

2009/06/27

manifesto dos 78

Alguém que explique a um tecnocrata porque é que os manifestos são
incompatíveis, salvo agendas políticas.

Em particular,
(i) porque é que não há outras formas de atacar o desemprego que não
seja por via de elefantes brancos
(ii) o que é que se faz a 1 000 000 de pessoas (mais dependentes) na
próxima década enquanto as contas da mercearia não são pagas

Se não forem incompatíveis, acho que deveriam ir todos tomar um copo e
-- fica a sugestão -- produzir o manifesto dos 78.

capa do Expresso esta semana


Já não me lembro de ver uma capa do Expresso tão interessante há muito tempo.

Primeiro, a trapalhada de Sócrates com a Manuela a marcar 2 pontos antes de Sócrates fazer alguma coisa e depois de Sócrates fazer alguma coisa. As europeias fizeram-lhe bem e, por este caminho, nem precisa de Rangel na campanha.

Depois, mais Manuela: Exceptuando a Segurança Social, muda tudo: "prepara rupturas e pondera reduzir o Estado ao 'imprescindível'.

Vai daí até o vou comprar.

2009/06/26

aquela coisa do exame de inglês por fax

2009/06/25

Uma questão de carros usados



Só com muito optimismo e bias se consegue perceber, politicamente, as diferenças entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite. Defendem exactamente o mesmo modelo de desenvolvimento, o mesmo tipo de sociedade, o mesmo tipo de "moral".

Há algumas diferenças; mas o que em absoluto é um jogo a feijões, em termos relativos parece ser o suficiente para marcar as diferenças de programa. Por exemplo, um quer o TGV, outra quer PMEs. São pontos válidos, seguramente que sim, mas só no país das Maravilhas que MFL tanto mencionou é que isto é central. O país tem outros problemas.

A única e verdadeira diferença, que, no fundo, me parece que é a grande estratégia de MFL ao dizer que as eleições servirão para os eleitores dizerem se querem que Sócrates continue ou não, é apostar no carácter, cobrindo um leque de qualidades que inclui "bom-senso", "rigor", "transparência", "desapego", ...

Ou seja, no boletim de voto estará implicitamente a questão "a quem compraria um carro usado?".

2009/06/19

a ler

A "mundivisão" de José Sócrates por Carlos Botelho, n'O Cachimbo de Magritte

Também me parece que é uma componente forte em Sócrates.

2009/06/18

da série "agora é perceber como"

Em segundo lugar, é necessário evitar a confusão entre socialismo democrático e socialismo estatista. A memória marxista da esquerda leva-a por vezes a pensar que a única alternativa ao neoliberalismo da direita é o regresso a uma espécie de socialismo de estado. Isso é um absurdo.
(João Cardoso Rosas, i)

2009/06/17

dresden


A propósito deste post sobre as duas Coreias (Delito de Opinião, via Afilhado):
Estou esta semana numa espécie de cruzamento entre Coreias: Dresden. Dresden é uma espécie de chão sagrado para se compreender o século XX europeu (por extensão, mundial). Não só foi reduzida a cinzas e reconstruída, por via de um nacional-socialismo, como é uma lição de história sobre o que acontece quando as belas utopias de esquerda tomam o poder e o que acontece quando as mesmas belas utopias deixam o poder.

O que é incrível é que, 20 anos passados, parece que ninguém se lembra disto.

ou é ideologia ou falta de humor

(sobre empregos mantidos por subsídios, entre José Sócrates e Ana Lourenço)
- ... mantendo artificialmente esses empregos?
- ... err... hmm... sim, sim, é isso mesmo!

2009/06/15

alternância

Acho que o que se está a passar é o princípio da desagregação de um sistema político baseado no bloco central e num pacto profundo entre os partidos do bloco central no sentido de assegurar a sua continuação e a repartição de poder.


Precisamente. Esta coisa da alternância democrática (vulgo, agora nós agora eles), em que há dois partidos "com vocação de poder" (só a expressão diz tudo) faz-me lembrar aquela anedota de loiras:
- como é que se entretem uma loira durante o tempo que for preciso?
- dá-se-lhe um papel em que em que cada face está escrito "o outro lado é que tem piada".

Independentemente de o povo ter memória ou não, parece-me que, finalmente em larga escala, se começam as pessoas a perguntar porque não haveriam de colocar a cruz noutros sítios que não os do costume. Nem que seja à totoloto.

2009/06/11

o essencial do PR sobre o financiamento dos partidos

bla bla bla financiamento privado bla bla financiamento público bla bla transparência bla bla bla encargos para os contribuintes bla bla pecuniário não titulado bla bla bla bla inoportuna bla bla bla conjuntura bla

em resumo: bla bla vergonha na cara bla bla

2009/06/08

quando ele se candidatar a primeiro-ministro


sou bem capaz de votar nele

e dos pequenos partidos foi assim

PH:
A cabeça-de-lista do Partido Humanista (PH) às europeias, Manuela Magno, destacou à agência Lusa a "extraordinária derrota" de hoje dos políticos que têm "governado nas últimas décadas", manifestada nos "praticamente 250 mil" portugueses que votaram branco ou nulo.

MEP:
O presidente do Movimento Esperança Portugal (MEP), Rui Marques, reconheceu que não foi atingido o objectivo de eleger um deputado para o Parlamento Europeu, mas destacou o "excelente resultado" na primeira votação.

MMS:
O Movimento Mérito e Sociedade (MMS) lamentou hoje que "os portugueses não tenham percebido as opções novas" para as europeias e considerou que os resultados do partido "ficam longe do necessário para desencadear a mudança". O presidente do MMS referiu que quem ganhou as eleições para o Parlamento Europeu foram "a abstenção e o sistema" e que por "nada ficar alterado, perdem os portugueses e perde Portugal".

PCTP/MRPP:
O candidato "número um" do PCTP/MRPP às europeias, Orlando Alves, afirmou que os resultados do sufrágio europeu representam uma "derrota nítida do Governo", culpa "das suas políticas relativamente ao país e à integração europeia" de Portugal.


(extractos retirados da comunicação social e blogger preguiçoso para fazer as devidas referências. Googlem...)

Se isto fosse a festival da Eurovisão, seria assim
- 12 points para o MEP pela sua honestidade e coerência
- 10 points para o PH porque a leitura do valor da abstenção está, obviamente, correcta
- 5 points para o PCTP/MRPP porque é uma leitura possível
- 0 points para o MMS que acha que a culpa é dos eleitores dado que não perceberam o valor das ideias propostas


DISCLAIMERs:
1. sou militante do MMS
2. tenho afinidades emocionais com o PH



2009/06/04

mais Quimondas?

A "Silicon Valley" portuguesa vai começar a ser construída no último trimestre de 2009, anunciaram hoje os promotores da iniciativa numa conferência em França. Paredes vai acolher esta que será a primeira cidade inteligente criada de raiz na Europa, cuja construção estará finalizada em 2013.
(JNeg)

Reparem que eu nem sequer me posso queixar porque é a minha área. De um ponto de vista pessoalíssimo, venham as Silicon Valleys todas. Mas a Quimonda também já foi a minha área. E já na altura (há uns 5 anos atrás) achei que era um tiro no pé assinar contrato. Há 5 anos atrás, já se sabia que os semicondutores estavam em consolidação (i.e., fusões, encerramentos de fábricas e redução de capacidade) e a fugirem para fora da Europa.

É certo que este núcleo, a avaliar pela informação disponível (pouca) sempre parece mais flexível e robusto. Serviços em redes são human-intensive e menos susceptiveis a este tipo de processos. Mas há 15 anos atrás talvez se dissesse o mesmo da Quimonda. Até me lembro de qualquer coisa do tipo "vai ser sempre necessário grandes quantidades de memórias."

Isto para dizer que este tipo de policies são uma autêntica lotaria. Pior: uma espécie de uninformed lotaria. O que não seria dramático se fossem as empresas a entrar com o capital e o risco (problema delas). O problema é que aqueles biliões todos poderiam servir para outras coisas -- como devolver às pessoas -- a.k.a, baixar impostos -- e não deixar os Estados brincarem aos astrólogos.

2009/05/30

as acções da SLN de Cavaco Silva

Os líderes do PCP, Jerónimo Sousa, e do CDS/PP, Paulo Portas, e o cabeça de lista do Bloco de Esquerda às europeias, Miguel Portas, já vieram defender o Presidente da República, Cavaco Silva, considerando “legitima” a operação de aquisição e de venda das acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), ex-proprietária do BPN.
(Publico, hoje)


Confesso, embaraçado, que esperava outro tipo de reacções. Esperaria aquele tipo de comentários, à la Rui Tavares e João Rodrigues, que, sem explicitamente atacarem o carácter de CS (mais não poderiam fazer do que isto), poluíssem tanto a imagem do PR como o PSD, numa camada de crude que terminaria em Paulo Rangel e Manuela Ferreira Leite.

Foi, decididamente, um momento nobre da Democracia. Quanto ao Expresso, teve o seu momento Manuela Moura Guedes. Não censuro, mas também não aplaudo.

left-wing genetics ou o post que de tudo fala e nada diz

Um texto interessantíssimo sobre a origens da esquerda (via O Afilhado), ainda mais interessante sendo o facto do artigo ser do LvMises Institute e escrito por alguém cujo nome soa a Rousseau. Dentro destas interessantíssimidades, destaco esta parte:

Robespierre, who represented himself as spokesman for the people, first said that the division of the powers of government was a good thing when it diminished the authority of the king. But when Robespierre himself became the leader, he claimed that the division of the powers of government would be a bad thing now that the power belonged "to the people."

Já há umas décadas que se diz isso -- até há quem diga que, fosse a sociologia matemática, é um teorema provado. Mas, por mais que me expliquem, eu nunca consigo explicar de volta, re-explicar portanto, porque é que algo tão bucolicamente romântico como a ditadura do proletariado acaba irredutivelmente em ditadura dos Robespierres, sem que os robespierres sejam proletários ou os proletários robespierres.

A propósito, parece que se encontrou o corpo de Rosa do Luxemburgo. Deixo aqui a minha reverência aos movimentos de esquerda, desde Robespierre a Hugo Chavez, sem os quais o Mundo seria muito diferente. Às vezes um pouco melhor.

Quanto à pobre Direita, esgotada de ter andado atrás da Esquerda durante este tempo todo, é hoje pouco mais do que o direito de porte de arma à caça de terroristas pelas Igrejas Adventistas.

E viva o Movimento Mérito e Sociedade, que nem é da esquerda nem da direita mas da frente. E, já agora, o Manuel Alegre.

2009/05/29

Ana Gomes


número I.
Nem é preciso ler o post da Ana Gomes (acima). Visualmente é fácil perceber que o metabolismo da senhora está perto do ponto crítico. Basta ver o jardim zoológico de links, itálicos, negritos, pontos de exclamação.
Não se admirem se amanhã for notícia "Ana Gomes entra em combustão instantânea após José Manuel Barroso lhe ter dados os bons-dias"

número II.
Quanto ao PSD/PPE ter defendido um imposto europeu, AG mostra aqui isso. Alguém que me explique onde é que isso está. Talvez seja devido ao excesso de negritos, mas eu só vejo coisas como (em tradução livre)
- muitos consideram que ainda não chegou a hora de um imposto europeu
- embora a possibilidade exista
- mais tarde isso pode acontecer
- ir-se-á analisar a possibilidade de
- será importante analisar, no futuro, a ideia de a Europa ter recursos próprios (...) recorrendo a um imposto
- (...) (...)

Mas são os negritos que me fazem mal ou eu só leio o equivalente a um "depois vê-se" porque agora-já-maintenant ninguém quer o imposto?

2009/05/28

vital moreira e o grande capital

via Arrastão




alguém imagina este homem a dizer "Nós, Europeus"?

uma grande perda para a Esquerda (II)

João Miranda n'O Blasfémias:




(nota: A quem me pergunta porque é que não consegue votar: é uma imagem. Se quiser votar, vá ao Blasfémias.)

Vital Tiro-no-pé Moreira

Tenho de concordar. O que parecia ser uma grande aposta estratégica de Sócrates: puxar à esquerda onde estão muitos votos perdidos, com um candidato ex-PCP, com mérito intelectual e (diz-se, nem sei bem) com ideias claras sobre a Europa (sobre a Europa basta ter ideias, ninguém quer muito bem saber quais são).

O problema é que virou tudo ao contrário. Ainda que esteja fora e não consiga perceber bem como está a decorrer a campanha, Vital foi um tiro no pé: à Esquerda é um traidor, à Direita é comunista; ao vivo não diz nada de jeito, por escrito ninguém o lê; na TV o Rangel dá cabo dele, na rua fala de penteados.

A primeira surpresa [desta campanha eleitoral] veio das sondagens. Ninguém esperava o empate técnico entre os dois maiores partidos. Ora nas sondagens, tal como na Bolsa, mais do que as cotações diárias, interessa a tendência de fundo e, neste caso, verifica-se uma subida progressiva do PSD que deixa tudo em aberto para as eleições de 7 de Junho.
A segunda surpresa chama-se Vital Moreira. Já não é apenas a fraca prestação nos debates. Vital parece deslocado, fora de contexto. Apesar de brilhante, a sua pose professoral (estilo “lente” de Coimbra) não entusiasma ninguém. É visto à esquerda como um “traidor”, como se viu no triste episódio do 1.º de Maio. E à direita como ex-comunista da linha dura. Até mesmo os socialistas têm dificuldade de o ver como um dos “seus”.
(Paulo Marcelo, O Cachimbo de Magritte)

2009/05/27

uma grande perda para a Esquerda

um grande ganho para a Direita:

Dias Loureiro renuncia ao Conselho de Estado

O que é uma chatice porque, agora, certas e determinadas pessoas como o Valupi já não podem atirar um Loureiro ao ar de cada vez que se fala em campanhas negras.

justiça em Portugal

Parece que o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) considerou hoje que o sistema de Justiça "não é tão mau" como algumas avaliações "pouco objectivas" pretendem transmitir.

Eu de Justiça, e principalmente sobre a malha de procedimentos legais, pouco percebo. Mas relembro o que se passou bem recentemente fora de Portugal, com exemplos que me parecem absolutamente comparáveis:

- Madoff foi julgado e condenado em poucos meses nos US; o caso BPN não tem fim à vista
- Josef Fritzl foi julgado e condenado em poucos meses na Áustria; o caso Casa Pia já leva anos.

Se, aoo olhos do leigo, isto não é comparável, não sei o que será. Estarei a ser injusto?

aditamento: João Cândido da Silva, Justiça e vingança