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2008/01/24

Renascido das cinzas



Depois de pouco mais de uma semana de diagnóstico de problemas aleatórios de hardware e reinstalações sucessivas, e forçado em virtude da conclusão de se tratar de um problema na memória a conviver temporariamente com um iBook G4 800MHz reduzido a uns alucinantes 128MB de memória (o que vos afianço, é tarefa para gerar um santo e que, garanto, me terá reservado um lugarzinho no Céu), eis que estou de volta à normalidade.

Agora, venha a francesinha!

2007/07/02

Perguntas sem resposta...

Na tua opinião, o que é que o Estado deveria fazer?
Quando me fazem esta pergunta só me lembro de coisas que o Estado não deveria fazer...

2007/06/28

O obreiro de grandes passos em direcção a um estado policial foi-se

E já foi tarde, quanto a mim. Afinal, o seu curriculum fala por si, naquilo que define um inimigo da Liberdade, que conseguiu transformar porventura um dos países europeus com maior tradição de respeito por esta e pelos cidadão num estado sob vigilância, e onde a marca da subjugação por um estado policial e com tiques totalitários se vai tornando mais distinta a cada dia.

Senão vejamos a herança Blair: as Anti-Social Behaviour Orders (ASBOs para os amigos - e onde o nome diz muito - em que se permitiu ao poder judicial a privação de liberdades e a sanção de comportamentos baseada em princípios de prova de direito civil, e não de direito penal e em juízos abstractos de perigosidade); a possibilidade de deter alguém arbitrariamente durante um período de 28 dias (que, se tivesse vingado a posição do governo seria de 90 dias); a promoção do vigilantismo como mecanismo de segurança; a imposição de um projecto megalómano de cartão de identificação nacional, com informação biométrica, num país sem tradição de identificação civil; a construção de uma massiva base de dados de ADN, englobando informação genética de todos os detidos, mesmo que nunca tenham sido acusados; o ter transformado o Reino Unido no campeão mundial da videovigilância, em que existe uma média de uma câmara por cada 14 pessoas; o ter patrocinado uma intervenção ao nível da cultura do politicamente correcto na publicidade e na actuação dos media, na melhor tradição do nanny state; afinal, last but not least, ter patrocinado e participado numa invasão ilegítima de um país soberano, e contribuído para o descrédito do direito internacional público, promovendo um clima internacional de extremismos e de unilateralismos.

São estas algumas das coisas que se pode agradecer ao senhor Blair e à sua política governativa. Numa sucessão de mandatos pautada por um total vazio de oposição, sustentado em grande reconhecimento do seu carisma e da sua visibilidade mediática, e em que poderia ter feito a diferença tentando herdar da sólida tradição política britânica, foi a este ponto que chegámos.

Assim como Thatcher não acautelou a sua sucessão (mas deixou melhor obra), também Blair sai sem o fazer, promovendo Brown ao estatuto de ser o Major do Labour.

Ontem, o Reino Unido perdeu um inimigo, que deixa marcas difíceis de reverter. Trocou-o por em cenário político em que um Cameron perdido nas suas campanhas de imagem e uns LibDems folclóricos se opõem a um cinzentão de serviço, que faz opor à opulência de carisma do seu antecessor uma imagem desprovida de qualquer gota deste.

Trocou-se a ambição desmedida e perigosa pelo deserto de ideias e de protagonistas. Mas, mesmo assim, parece-me melhor o desfecho.

(Publicado também n'O Insurgente.)

2007/06/27

Sair do armário...

Com grande pena retirei o speakers corner da minha lista de feeds. Substituí por outro Blog de esquerda. O tempo é limitado e tento equilibrar a lista. O "Zero de conduta", no mesmo alinhamento ideológico, é mais interessante. Preferências...

Gosto de acompanhar Blogs de esquerda, mas prefiro seguir os mais coerentes e assumidos. Embora entenda alguns homossexuais que não se assumem por medo de consequências sociais e mesmo económicas, não entendo porque é que Socialistas não se assumem como tal. Só têm a ganhar tanto socialmente como economicamente...

2007/06/26

O caminho para a utopia

Em mais um texto em que evidencia todo o seu talento de comunicador, Pedro Arroja deixa uma frase que diz tudo sobre a consequência da sua linha de argumentação:

"(...) Não são as leis que fazem uma sociedade liberal. É uma sociedade iliberal que torna as leis e o Estado necessários. (...)"
Uma sociedade que tem valores morais diferentes das desejadas (por quem?) torna necessário o estado. O estado pai de família, cheio de autoridade a colocar a sociedade, que se porta mal, no bom caminho. Estado engenheiro social, ou simplesmente, um espartilho social.

Ainda não conheci quem acreditasse em uma Utopia que não defendesse um caminho, de forma implícita ou explícita, para se chegar a essa utopia. Caminhos que passam sempre pelo estado.

2007/06/22

Quiz (2)

O João é o principal accionista e administrador executivo da empresa "luta de classes". Na empresa "luta de classes" é reservado um lugar de administrador ao representante dos trabalhadores. Tem um departamento na área de recursos humanos cuja única função é garantir que os trabalhadores da empresa são os melhores pagos do sector e que têm condições dignas de trabalho. Os trabalhadores da "luta de classes" concordam que o João é um "companheirão", um amigo.

A Raquel é o principal accionista e administradora executiva da empresa "Mercado". Nesta empresa os trabalhadores recebem salários base abaixo do que é pago nas outras empresas do sector mas recebem prémios de produtividade sempre que excedem as expectativas. A área de recursos humanos tem um departamento cuja única função é detectar variações de produtividade. A Raquel é reconhecida por ser uma gestora dura e pouco amiga. De facto os trabalhadores não gostam da Raquel, "não é humana", dizem.

A "luta de classes" está a acumular resultados negativos ano após ano (independente da forma de gestão e das regalias dadas aos trabalhadores). A "luta de classes" não encontra financiadores. Os accionistas, incluindo o João, não sabem mais o que fazer. A “luta de classes” deixa de poder pagar os salários este mês.

A representante do "Mercado" abordou os representantes da "luta de classes" para uma possível aquisição e fusão. A "luta de classes" seria absorvida pelo "Mercado" e metade dos trabalhadores da "luta de classes" seria despedida, tendo algumas área sido já identificadas como redundantes tal como a de gestão de recursos humanos. A empresa resultante seria mais competitiva que as inicias separadas sendo que o previsto é iniciarem a planificação de expansão de operações.

O que deve fazer o João?

i) Nada

ii) Montar uma manifestação no ministério da economia para que o estado viabilize a "luta de classes"

iii) Promover a nacionalização da Banca se esta não continuar a financiar os maus resultados da "luta de classes"

iv) Render a "luta de classes" ao "Mercado"

v) Dar a decisão ao representante dos trabalhadores da “luta de classes”

2. Sabendo que as respostas ii) e iii) à pergunta 1. eram armadilhas e não existem de facto, se fosse o representante dos trabalhadores da "luta de classes" que decisão tomaria?

i) Nada

ii) Aceitar a absorção da amanhãs que cantam pelo "Mercado"

iii) Montava manifestações à porta da “luta de classes” esperando por repórteres da TVI.

3) Neste caso os interesses dos trabalhadores e dos accionistas da "luta de classes" estão alinhados?

i) Sim

ii) Não

iii) Prefiro não responder a esta questão teórica que me pode comprometer na prática

4) Preferia trabalhar para a "luta de classes" ou para o "Mercado"?

Nota: Este não é caso real nem há mais informação.

Nota 2: Dedicado ao comentador jms

Nota 3: Editado para corrigir o erro de confundir "amanhãs que cantam" com "luta de classes"

2007/06/21

Quiz...

Conversa entre A, B e C:

A: Tenho um problema gravíssimo com uma fábrica. Os trabalhadores em alguns meses desaparecem por completo. A fábrica para e perdemos toda a produção do mês.

B: Param porquê? Não estão satisfeitos?

C: Quanto é que perdes nesses meses sem produção?

A: Eles estão satisfeitos, mas vão trabalhar para as terras deles. São meses de colheitas. Perco 100.000 Euros em cada mês.

B: Não há desemprego nessa zona, certo?

C: E quanto é que gastas em salários?

A: O desemprego e o sub-emprego atingem níveis brutais. Gasto em salários 5.000 Euros por mês.

B: As condições de trabalho devem ser muito más... são trabalhadores precários?

C: Quanto é que eles ganham nas colheitas?

A: (B)Têm um contrato e ganham semanalmente como é prática. Não temos acidentes de trabalho. São as pessoas com mais educação na zona que procuram trabalho nas fábricas. De facto são também esses que têm mais terras próprias. (C) Nos meses de colheita ganham o dobro se trabalharem nas próprias terras do que se estivessem na fábrica.

B: Pelo menos os trabalhadores estão contentes. Os donos da fábrica podem bem com o prejuízo. Eis um bom exemplo em como a vontade dos trabalhadores unidos os liberta do jogo do capital em prol do desenvolvimento dos meios próprios de produção.

C: Porque é que não aumentas os salários de todos os trabalhadores para o dobro em todos os meses? Dessa forma os trabalhadores da fábrica já não teriam razões para parar de trabalhar nos meses da colheita porque podiam contratar outros para fazer o seu trabalho na terra.

Pergunta 1: O que deve fazer o A?

i) Nada

ii) Congratular-se por gerir uma fábrica em que os trabalhadores também trabalham a sua própria terra

iii) Duplicar os salários dos trabalhadores

Pergunta 2:

No texto quem é o socialista e quem é o liberal?

Pergunta 3:

Os trabalhadores ficam melhor com a solução do liberal ou com a solução do socialista?

Pergunta 4:

O dono da fábrica fica melhor com a solução do liberal ou com a solução do socialista?

Pergunta 5:

Esta história tem algum fundo de verdade?

2007/04/25

Dia número 115, que por acaso é feriado

Pensei em escrever qualquer coisa sobre o 25 de Abril.

Mas depois lembrei-me da Procuradoria Geral da República, da ERC, do ministro dos assuntos parlamentares, da ASAE, da comissão de carteira dos jornalistas, da Direcção Geral de Contribuições e Impostos, da Comissão Europeia, da Caixa Geral de Aposentações, do "bom nome" antes da verdade, da Constituição da República Portuguesa, da Ordem dos Advogados, do Serviço Nacional de Saúde, da Educação, dos regulamentos europeus, do Carmona Américo Tomáz Sampaio Cavaco, e achei que não valia a pena.

2007/04/19

Anestesia fiscal



Caro Júlio Silva Cunha:

Eu por mim preferia que o nosso prime-time fosse ocupado por essa explicação (e outras do género), protagonizada por essa senhora de ar tão afável e tão comunicativa, do que ter que o ver ocupado (como no nosso caso) por novas bem menos consensuais e pedagógicas (mas bastante semelhantes) protagonizadas por um qualquer Sócrates, Teixeira dos Santos, Paulo Macedo ou Mário Lino. Apesar de serem sempre, à semelhança dos ensinamentos relatados, também bem lambuzadas.

No caso da senhora, usa a informação quem quer. Por cá, infelizmente, não temos muito mais a dizer em relação ao assunto.

2007/04/11

magoado?

Eu não duvido que há detalhes sombrios na história do diploma do nosso Primeiro e a UnI; e não deixo de pensar sobre o timing entre ter rebentado a história do grau académico do PM (já circula há mais de 2 anos) e a decisão de encerrar a universidade

mas

- 3.8% de défice (mesmo com os 6.2% que não duvido terem sido inflacionados)
- a sua indiferença a greves e manifestações
- a sensação que transmite de ter um plano que é regulado não por uma agenda pessoal mas por uma nacional; uma certa 'ownership' do problema
- conseguir com aparente simplicidade um certo equilíbrio entre esquerda e direita, ainda que às vezes escolha o pior dos dois mundos (e.g. Ota...)

fez-me apreciar a entrevista e o discurso. Concluí que é um bom primeiro-ministro.

Às vezes sabe bem desabafar.