2007/02/16

Frases anti-liberais e fascistas

  • Hitler era um grande jogador de ténis e tratava melhor o seu cão do que os seus sucessores
  • Stalin tinha o cabelo muito bem tratado e era melhor jardineiro que Gorbatchov
  • Cunhal gostava muito dos netos e escrevia melhor que Cavaco
  • Salazar era um homem prudente e durante o tempo que passou no governo o peso do estado na economia era mais baixo do que actualmente

15 comentários:

JB disse...

Salazar era um homem prudente e durante o tempo que passou no governo o peso do estado na economia era mais baixo do que actualmente - Carlos

Diz que também era um grande liberal. Até é citado por liberais que consideram a escravatura um modelo económico eficiente.

Engº Carlos Guimarães Pinto disse...

Zé, as afirmações de salazar citadas no Blasfémias têm de facto alguma conotação liberal. De resto, não vi ninguém chamar liberal a salazar.

Caixa de comentários:

"Quanto ao liberalismo do Salazar a única coisa que afirmei -e mantenho -é que, do ponto de vista da intervenção do Estado na economia, ele tinha uma concepção mais liberal do que o actual regime democrático - como a citação do post ilustra e como os economistas certamente confirmam (eles medem essa intervenção pelo peso das despesas do Estado no PIB)"

Penso que a mensagem está aqui e é alarmante. Um ditador providenciava mais um tipo de liberdade, a económica, do que aquela que conseguimos ter em democracia. Em vez de pensarmos sobre isto, matamos o mensageiro.

Engº Carlos Guimarães Pinto disse...

O comentário que cito anteriormente é do mesmo autor do post: o pedro arroja.

JB disse...

Zé, as afirmações de salazar citadas no Blasfémias têm de facto alguma conotação liberal. De resto, não vi ninguém chamar liberal a salazar.

Caro Carlos,

As citações dos "nossos" são sempre uma citação que é só uma citação. As citações dos "outros" é que são muito mais do que isso: aí entra o jogo de intenções, do timing da declaração, etc...

Quanto ao que chamas "mensagem" não passa de uma opinião que carece de argumentação para (passar a) ser levada a sério. Vários comentadores disputaram-na, lembrando o corporativismo. Sem que o Pedro Arroja se dignasse a sustentar a tese com algo parecido com um argumento. Ergo, o excerto que passaste não passa de um sound-byte. Leva-o a sério quem quiser. Se queres que o levemos a sério, mostra-me que o regime de Salazar era economicamente mais liberal que o regime actual.

CGP disse...

Zé, segundo li o argumento foi o de que o peso do estado na economia, que é um indicador muito utilizado para medir a liberdade económica, era muito inferior ao actual. De resto até encontrei quem escrevesse sobre o assunto antes: http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/editorial/pt/desarrollo/688491.html
Pessoalmente, rejeito a utilização isolada deste indicador. Mas é verdade é que ele é geralmente utilizado e de que era mais baixo durante o estado novo. O aqui está em causa não é preferir um regime a outro. Ninguém se importa, certamente, de abdicar de um pouco de liberdade económia para obter todo um outro conjunto de liberdades também elas fundamentais.

abraço

JB disse...

Ninguém se importa, certamente, de abdicar de um pouco de liberdade económia para obter todo um outro conjunto de liberdades também elas fundamentais. - Carlos

Caro Carlos,

Ora aí está. Mas mais do que isso, não creio que qualquer noção de liberdade económica faça sentido quando não há liberdade de pensamento e de expressão. Não há concorrência nos jornais, não há concorrência nos manuais escolares, não há espaço público de discussão, não há, em suma, o pluralismo necessário a um mercado concorrencial.
Além disso, qualquer análise da liberdade económica no Portugal de hoje, terá de ter em conta o espaço europeu e não apenas o mercado nacional. Ninguém me convence de que haja mais liberdade de iniciativa e livre concorrência no Portugal dos anos 50 do que no Portugal inserido no espaço europeu de hoje.

Dou só um exemplo: a ruína do mercado de arrendamento no nosso pais deu-se com Salazar. Foi ele que congelou o preço das rendas durante décadas a fio. O 25 de Abril não teve coragem de alterar a situação, porque isso implicaria perder votos. Salazar não era mais liberal do que aqueles que se lhe seguiram. Nem de perto, nem de longe. As diferenças que se apurem ficarão a dever-se muito provavelmente ao espírito da época: se Salazar fosse político nos dias de hoje defenderia o Estado Social. Aliás, defendeu-o durante 40 anos, ainda antes do conceito ser conhecido.

Willespie disse...

Salazar era um homem prudente e durante o tempo que passou no governo o peso do estado na economia era mais baixo do que actualmente.

Desde o comércio com as colónias até ao State Inc. da metrópole. O estado novo foi um modelo de economia dirigida. Completo com trabalho infantil e supressão de livre associação de trabalhadores à bastonada.

Engº Carlos Guimarães Pinto disse...

Zé e willespie, eu acho discutível que houvesse maior liberdade económica no período do estado novo. Como digo em cima considero muito redutor a utilização do indicador referenciado pelo pedro arroja para medir liberdade económica. Penso que o peso do estado na esfera económica se mede tendo em conta também outro tpo de medidas.

Mas o objectivo do post não era esse. Era antes o de criticar os reflexos pavlovianos sempre que se fala em salazar ou no estado novo sem ser aos gritos e de punho cerrado.

abraço

JB disse...

Mas o objectivo do post não era esse. Era antes o de criticar os reflexos pavlovianos sempre que se fala em salazar ou no estado novo sem ser aos gritos e de punho cerrado. - CGP

Caro Carlos,

A mim parece-me que pavloviano
seria vir defender as palermices do Arroja só para combater os "punhos cerrados" de meia dúzia de anónimos em caixas de comentários do Blasfémias.

É uma coisa em que convinha pensar: o Salazar veio à baila por que razão? Por causa do documentário do Jaime Nogueira Pinto. É Salazar uma causa fracturante da direita neste momento? Parece que sim. Interessa isso a um liberal? Não, como é óbvio. A um liberal interessa convencer mais pessoas e não menos de que o liberalismo oferece uma boa solução económica e política para o país. Ergo, deixemos o Arroja em paz com as suas palermices e tratemos de arranjar melhores argumentos para convencer as pessoas a não confundirem um liberal com um membro de uma juventude popular.

JB disse...

Correcção:

"...com um membro da Juventude Popular...".

Tiago Mendes disse...

"Ergo, deixemos o Arroja em paz com as suas palermices e tratemos de arranjar melhores argumentos para convencer as pessoas a não confundirem um liberal com um membro de uma juventude popular."

"Palermices" - uma boa palavra.

Ricardo disse...

JB escreveu:

"Diz que também era um grande liberal. Até é citado por liberais que consideram a escravatura um modelo económico eficiente."

Por esse senhor escrever em um blog pejado de liberais não quer dizer que seja liberal. É por causa dessas associações que os liberais continuam a assustar muita gente.

Não consigo evitar ser bruto com esse senhor.

Ricardo Francisco

JB disse...

Caro Ricardo Francisco,

Foi apresentado no Blasfémias e noutros blogues como o pai do liberalismo. Como a única pessoa que nos anos 90 defendia o liberalismo.

Acredito que a ideia esteja correcta e reconheço que o Pedro Arroja é uma pessoa inteligente.

Não lhe reconheço honestidade intelectual e capacidade de discutir ideias de forma civilizada, porque, entretanto, já tive oportunidade de discutir ideias com ele.

E, sim, acho que actualmente presta um mau serviço à difusão de ideias liberais em Portugal. Mas não é o único a prestar um mau serviço. Tudo depende de saber se os blogues liberais têm alguma responsabilidade na difusão de ideias liberais ou se são apenas espaços livres de qualquer compromisso com os ideais liberais. Na segunda hipótese, dificilmente podemos criticar um qualquer liberal por defender Salazar, a supressão de liberdades individuais ou whatever...

É bom ver que no Blasfémias há autores do próprio blogue a rejeitar a ideia de que Salazar foi um óptimo governante. O liberalismo tem de seguir esse caminho, porque só assim ganhará credibilidade. Não se pode estar a defender ditadores e esperar que alguém acredite que o que se defende é a liberdade. Isto repito se é esse um dos objectivos desse blogue. Não se trata de fazer purgas, mas de esperar o mínimo de coerência de quem se apresenta como defensor da liberdade.

Ricardo disse...

Caro JB,

É bem verdade o que escreve.

E purgas não são uma coisa necessariamente má. Purgas em um grupo privado são perfeitamente legítimas. A livre associação anda de mãos dadas com a livre dissociação.

Uma das mais pesadas heranças do estado novo é o medo do conflicto. De dizer olhos nos olhos: Não concordo. Não admito. É um roubo. Não me quero associar a essa pessoa.

As purgas, no sentido que é normalmente dado têm a ver assocociações públicas. V~em do tempo em que o estado era o partido na União Soviética.

Quem nos dera que fossem feitas muitas purgas nas corporações da Justiça, saúde, defesa, segurança e afins. Em vez de promoverem a "imagem da instituição". Uma instituição sem conflictos, sem problemas. Olhos que não vÊm coração que não sente.

Eu espero que no Blasfémias se faça uma purga....e quanto mais rápido, melhor.

Willespie disse...

"deixemos o Arroja em paz com as suas palermices e tratemos de arranjar melhores argumentos para convencer as pessoas a não confundirem um liberal com um membro da juventude popular."


Hear hear!