A proposta de constituição do PND
- Uma constituição que não consagra o direito de propriedade, arredando-o do conceito das formas de manifestação da dignidade da pessoa humana...
- Uma constituição que parece defender direitos sociais ao considerar que a dignidade humana envolve "qualidade de vida em termos económicos, sociais, culturais e ambientais" (art.º 1 nº3, al.h)) e que o Estado deve garantir como direitos fundamentais todos os direitos necessários à promoção dessa suposta vertente da dignidade humana (art.1º nº4)...
- Uma constituição que não se limita a consagrar o direito ao desenvolvimento livre da personalidade (art.1º nº3 al.c)), parecendo, pelo contrário, decidir confinar esse desenvolvimento aos limites de um "modelo educativo personalista e humanista" (mesmo artigo)...
- Uma constituição que garante às crianças a "inserção num ambiente familiar normal" (art.1º nº1 al.d))...
- Uma constituição que não torna a vinculação das entidades privadas às normas sobre direitos fundamentais dependente do articulação destas normas com os princípios básicos do direito privado, entre os quais o princípio da liberdade contratual (art.1º nº6)...
- Uma constituição que, não contente com o facto de o Estado respeitar e garantir os direitos fundamentais e de cada um de nós dever respeitar os direitos dos outros, nos obriga a garantir a dignidade humana do "próximo"(art.1º nº7)...
PS: dito isto, faço minhas as palavras do JLP neste post. E lembro que, há uns tempos atrás, ambos também dissémos que o liberalismo mais tarde ou mais cedo seria apropriado por quem, com reserva mental, dele quisesse tirar proveito político. Está a acontecer, mas não é propriamente o, por ora, solitário PND que deve preocupar um liberal; é antes o tal conservadorismo-pseudo-liberal que mais cedo ou mais tarde fará o seu caminho num dos principais partidos políticos de direita. Resta que, como, entretanto, me apercebi de que muitos liberais da blogosfera navegam essa onda, desisti de perder tempo a acreditar no liberalismo enquanto alternativa política viável nos próximos anos. Que a democracia-cristã lhes faça a todos bom proveito.
2 comentários:
Caro José Barros,
já em Novembro passado tinha feito uma análise muito breve a esta Cosntituição em http://arespublicaemdebate.blogspot.com/2005/11/projecto-de-constituio.html.
Ptojecto que tinha sido publicado aqui: http://arespublicaemdebate.blogspot.com/2005/11/uma-constituio-presidencialista-para.html.
Penso tratar-se de uma constituição muito incompleta nomeadamente no que respeita aos direitos fundamentais.
Caro Pedro Santos Cardoso,
O seu post faz uma análise bem mais exaustiva do projecto de constituição. Tem toda a razão em dizer que não estão previstos o direito de reunião e de manifestação ou o direitos de informação em relação à Administração Pública.
2. O meu ponto de vista é, como sabe, liberal. Acho que muitos dos direitos contidos na actual constituição não deveriam existir, porque implicam uma limitação de outros direitos mais fundamentais, nomeadamente o direito de propriedade. É a história da manta: para cobrir o pescoço destapa os pés. Muitas pessoas têm a ideia errada de que se pode criar mais direitos sem limitar direitos anteriores.
3. Tendo analisado apenas a parte relativa aos direitos fundamentais, acho que este projecto de constituição não só não consagra certos direitos (liberais) de que falou (direito à reunião e manifestação, direito à desobediência civil, direitos de informação relativamente à Administração)como assume a mesma posição que a actual Constituição face aos direitos sociais (que, na minha perspectiva não deveriam existir) e assume um conservadorismo um pouco tenebroso quando fala no "direito a crescer numa família normal".
4. Basicamente, o que eu quis dizer é que há muita direita a piscar o olho aos liberais sem a mínima intenção de seguir políticas liberais. Exemplo disso é consagrar-se o direito ao desenvolvimento pessoal quando se limita logo a seguir tal desenvolvimento a um (e não vários) modelo educativo supostamente livre, mas obrigatoriamente personalista e humanista (se é livre não tem de ser personalista e humanista, signifique isso o que significar).
5. E depois não percebo o que é isso de eu ter de garantir a dignidade humana das outras pessoas (art.1º nº7). Caramba, não basta respeitá-la? Tenho mesmo de vestir o fato de super-homem?:)
Um abraço, Zé
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