2008/01/01

Inebriações legislativas II

A minha mulher, grávida do nosso primeiro filho, teve que suportar no seu trabalho, numa grande empresa portuguesa, reuniões de trabalho que se prolongavam por várias horas, numa pequena sala fechada, com três ou quatro pessoas a fumar. Se se queixava, era desprezada.

Luís Lavoura.
Trabalhando rapidamente no sentido de fazer por realizar a profecia do Migas, pode-se concluir fácil e objectivamente pelo exemplo e pelas palavras do Luís Lavoura que a sua mulher preza mais o seu emprego do que a saúde dos seus filhos.

17 comentários:

Anónimo disse...

Falso. Ela abandonou o emprego ao terceiro mês de gravidez (+-) e ficou desempregada. Foi aconselhada a isso pela sua médica, que lhe disse: ou Você abandona o emprego, ou é bem provável que aborte.

Luís Lavoura

JLP disse...

E mesmo assim não saiu ao fim da primeira reunião, deixando que o mesmo se repetisse noutras? E não saiu sequer logo uns minutos depois de ter verificado que nesta se fumava?

Que lamentável noção de prioridades...

caramelo disse...

jlp, que lamentável post e comentário

JLP disse...

Caro caramelo,

Porquê?

caramelo disse...

"Porquê?" Que pergunta estranha. Se não sabe, não lhe vou explicar. Seria coisa para demorar dias, e não tenho tanto tempo.

Filipe Melo Sousa disse...

Da minha parte não acho que o Luís Lavoura esteja demasiado à direita. Fica aqui a minha contribuição para contrariar a profecia.

Miguel Duarte disse...

Face à falta de respeito pelo próximo dos fumadores, que acham que os outros, quer queiram, quer não, têm que respirar a porcaria que fumam, a desgraçada da mulher do Luís bem que podia ficar no desemprego, se virasse as costas cada vez que alguém fumasse no emprego.

Mas o que mais graça acho nisto tudo, é como os agressores (os fumadores), de repente, após anos de agressão ao próximo, se resolvem vitimizar.

JLP disse...

""Porquê?" Que pergunta estranha. Se não sabe, não lhe vou explicar. Seria coisa para demorar dias, e não tenho tanto tempo."

Caro caramelo,

Efectivamente não sei. Limitei-me tão somente a criticar e comentar o exemplo apresentado por exclusiva vontade e iniciativa do Luís Lavoura relativamente à sua mulher.

JLP disse...

"Mas o que mais graça acho nisto tudo, é como os agressores (os fumadores), de repente, após anos de agressão ao próximo, se resolvem vitimizar."

Quais fumadores?

Miguel Duarte disse...

"Quais fumadores?"

Tu és um daqueles casos ainda mais estranhos. Masoquismo mesmo. Não fumas, engoles a porcaria dos outros pelos brônquios adentro e ainda defendes o direito de te continuarem a encher os ditos.

Mas nesse aspecto, tens a minha solidariedade. Defenderei sempre o teu direito a intoxicares-te com o fumo dos outros (e a intoxicares-te com coisas bem piores). Desde que isso não infrinja a minha liberdade de não o fazer.

JLP disse...

"Não fumas, engoles a porcaria dos outros pelos brônquios adentro e ainda defendes o direito de te continuarem a encher os ditos."

Não, limito-me a exercer a minha liberdade e a não frequentar locais onde tal possa acontecer.

Ou a dizer que em minha casa, aí sim, ninguém fuma.

Contrariamente a alguns, não meço a causa da liberdade pela minha concordância ou discordância pontual em relação ao uso que dela é feita pelos outros, na sua esfera privada ou da sua propriedade.

Não fumo, nunca fumei (com o mínimo de relevo), e sempre tentei persuadir as pessoas que me rodeavam a deixar de fumar.

Não sou é pelo uso da coerção do estado, da força das multas e do controleirismo e vigilantismo para levar a minha avante, para difundir as minhas ideias iluminadas, independentemente de até serem certas.

O que parece estranho, mesmo estranho, é que supostos liberais não se lembrem da máxima do Voltaire...

Miguel Duarte disse...

"O que parece estranho, mesmo estranho, é que supostos liberais não se lembrem da máxima do Voltaire..."

Não João, o que me estranha é que supostos liberais, defendam os opressores e não as vítimas e tenham perdido por completo a noção da realidade.

Eu não vou a discotecas por causa do tabaco. Mas almoçar e jantar, demasiadas vezes não tenho escolha.

O mesmo se pode dizer relativamente à mulher do LL, que por muito que não quisesse respirar o tabaco dos outros, e tu sabes bem isso, não poderia na realidade fazer nada.

E quanto a "difundir as minhas ideias iluminadas", não pretendo impedir ninguém de fumar, nem aliás, considero errado alguém fumar (cada um faz com o seu corpo o que entender, não tenho nada a ver com isso). Apenas considero errado fumarem para cima de mim, quando eu não tenho escolha - e isso até hoje acontecia demasiado frequentemente.

JLP disse...

"Eu não vou a discotecas por causa do tabaco."

Então nesses já deve estar tudo bem...

"O mesmo se pode dizer relativamente à mulher do LL, que por muito que não quisesse respirar o tabaco dos outros, e tu sabes bem isso, não poderia na realidade fazer nada."

E que tal trabalhar por conta própria?

"Mas almoçar e jantar, demasiadas vezes não tenho escolha."

Existe uma coisa chamada "comer em casa" ou "levar o almoço".

Miguel Duarte disse...

"E que tal trabalhar por conta própria?"

"Existe uma coisa chamada "comer em casa" ou "levar o almoço"."

Pelo menos assumes que a situação era verdadeiramente má.

Para ti a liberdade é liberdade de conspurcar o espaço público. Para mim a liberdade é de ter o espaço público limpo (que por acaso até era o estado original dele).

Tu vês a liberdade como uma liberdade de fazeres o que entenderes, mesmo prejudicando os outros - para ti a liberdade é basicamente uma questão de propriedade - uma visão muito simplista. Eu vejo a liberdade como algo bem mais complexo. Não basta eliminar todas as leis e dizer "sois livres".

O tabaco era precisamente um exemplo disso. Os não fumadores, que até são uma maioria, não eram livres. Eram diariamente oprimidos, na prática (as teorias são irrelevantes se não se confirmam na prática), contra a sua vontade.

E sim, como já disse no Insurgente, não considero um "restaurante", ou um "centro comercial", um espaço privado equivalente à casa de uma pessoa - ao abrires ao público em geral um espaço privado estás a dar ao resto da sociedade direitos de regulação sobre esse mesmo espaço - incluindo sujeitares-te a normas de higiene e de saúde pública.

Quanto às discotecas, em termos de escala de importância, a sua importância é de facto menor, sendo que do ponto de vista do consumidor, a necessidade de frequentar estes espaços é claramente mais opcional que comer.

fin disse...

E a saúde dos filhos do Luís Lavoura não pioraria se não tivessem de comer por a mãe não ter emprego?
Eu fumo, gosto de fumar, só o meu cigarro, quando o quiser e não os dos outros a qualquer hora e em qualquer local.

Filipe Melo Sousa disse...

"as teorias são irrelevantes se não se confirmam na prática"

Miguel, não é a teoria que deve ser colocada em detrimento da sua aplicação em caso de não a observares. É antes, a formulação das premissas que levaram à sua formulação. São essas que deves rever, ao invés de decretares a capitulação da prática sobre o modelo, pois a partir desse momento perguntar-se-ia: mas prática de quê? Atenção, não abras o caminho à arbitrariedade capitulando intelectualmente. Tens de voltar às premissas iniciais, e propor o modelo que defendes. Senão cada um defenderá a "sua" prática.

Vá.. devaneios de um objectivista. Agora prossegue a discussão, mas com cuidado.. mmmzzz mmmzzz

Miguel Duarte disse...

"Miguel, não é a teoria que deve ser colocada em detrimento da sua aplicação em caso de não a observares. É antes, a formulação das premissas que levaram à sua formulação."

Filipe, a teoria defendida pelo João está errada. Como basicamente todas as teorias humanas, principalmente as sociais, que ao tentarem simplificar a realidade falham.

O mercado e a lógica da propriedade não são capazes sozinhas de maximizar a liberdade individual. Muito pelo contrário, se deixares o mercado completamente sozinho e destruíres o papel do Estado, acabas inevitavelmente em situações de monopólio e de escravatura humana.

A maior preocupação de um liberal, em termos de ordem de prioridades, deve ser a defesa da liberdade, não a defesa da propriedade.