2007/06/06

Tantos e alguns

Há alguns tempos atrás escrevi um post provocatório.

"Porquê que os Estados Unidos da América têm tantos inimigos
Porque são a evidência que a liberdade, além de ser um bem em si mesmo, dá resultados incomparáveis aos resultados de qualquer outro fim ideológico."


Deixei uma palavra nesse post: "Tantos".

Essa palavra é importante porque a política externa americana fornece motivações muito diferentes das que identifiquei a muita gente. Comparando com o número total que os odeia, estes muitos são poucos. Porquê tantos a odiar? Se há outros países a fazerem muito muito pior, se há tantos líderes sanguinários por aí, porquê tanta ódio concentrado por tanta boa gente?

Volto à mesma conclusão.

Porque são a evidência que a liberdade, além de ser um bem em si mesmo, dá resultados incomparáveis aos resultados de qualquer outro fim ideológico.

PS: AA, eu tambem votaria Ron Paul...só não prefiro o Fidel ao Bush.

10 comentários:

Anónimo disse...

Quem é Ron Paul? Porque é que o RF votaria nele?

LL

Small disse...

http://en.wikipedia.org/wiki/Ron_paul
http://resistir.info/eua/hegemonia_dolar.html
http://www.resistir.info/energia/bolsa_petrov.html

Ricardo G. Francisco disse...

LL,

É um candidato a presidente americano pelos repulicanos. Um liberal hortodoxo dos mais purinhos que pode encontrar na política...

No arte da fuga existem imensos artigos sobre o homem. De lá dá para encontrar muito mais informação.

http://aartedafuga.blogspot.com/

Anónimo disse...

http://www.oinsurgente.org/2007/05/31/o-caso-contra-ron-paul/

AA disse...

obrigado pelas referências, mas...

PS: AA, eu tambem votaria Ron Paul...só não prefiro o Fidel ao Bush.

...hum?

AA disse...

momento LL do AA:

"os americanos são todos burros".... por não votarem Ron Paul. :D

Ricardo G. Francisco disse...

AA,

Estams de acordo, é tudo. Deixei a resposta à que tinhas dado. LEvou tempo...mas veio.

Junq disse...

Tantos, com certeza. Muitos mesmo. E por este andar, o número crescerá.

Por tanta “boa” gente, não sei. Cada vez mais a etiqueta “boa” depende do que interessa em que momento. Rapidamente a classificação se transforma em “má”, se os interesses assim o exigirem ou permitirem.

Entre Fidel e Bush, nenhum. Porque não preferir o líder ideal, que ainda não existe ou ainda não deixámos revelar? Provavelmente, algures entre os homens de boa-vontade haverá um capaz. Entre dois reais, sem dúvida, escolher o menos mau segundo as circunstâncias, espaço e tempo.

Mas, líder só mesmo com grupo que o permita. São os elementos do grupo que escolhem o líder e lhe permitem determinado percurso. O contrário é falso. Caso o grupo, leia-se por exemplo, americanos, não suportem o líder, ele cai. Portanto, focalizar em Bush, ou Fidel é desresponsabilizar o colectivo. Hitler foi suportado pelos alemães, Estaline pelos russos e Fidel pelos cubanos. Salazar pelos portugueses. Eram bons grupos e maus líderes?

Por outro lado, responsabilizar o grupo, por exemplo, o grupo nação, é difuso, pouco prático e por termos tendência a considerar que são influenciados pela liderança, logo o consideramos irresponsável.

Ron Paul, assemelha-se a mais um produto do singularizante em termos de opiniões e liberdade de poder do bipartido sistema americano. Onde o deixariam ir? Mesmo que fosse genialmente capaz até onde tolerariam que fosse, os homens do poder real?

Porque são tantos os inimigos?
A dificuldade em aceitar tantos, poderá vir de uma ilusão óptica derivada de um vício de perspectiva.
Se pensarmos numa moeda em que os dois semicírculos estão divididos em Ocidente e Oriente, talvez tenhamos mais dificuldade em perceber o porquê.
Mas, se giramos a mesma face da moeda e virmos em termos de Norte e Sul, talvez seja mais fácil.
Na primeira perspectiva, estamos integrados num mundo conhecido de um lado e desconhecido do outro. Simplesmente, aceitamos como tal.
Na segunda, estamos perante uma visão do mundo que nos deixa muito mais inseguros: Nós ocidentais e, os orientais, estranhos geracionais, fazemos “parte”, da mesma “parte”? (perdão pela repetição)?
Mas afinal quem somos nós e que temos nós com indianos, chineses, indonésios, russos etc.. E quem são os outros no semicírculo de baixo? Mais estranhos ainda?
Aumenta-se a complexidade da análise, mas está-se dentro do melhor espírito da globalização.
Australianos, sul-africanos, são implantes nossos a sul mais ou menos bem-sucedidos. Outros são-no menos.
Quando nos pomos na posição de alguém de alguns países do sul, é mais fácil sentir a responsabilidade americana, russa, inglesa, francesa e, nossa, no estado da vida.
No sul, não se é bombardeado na mesma intensidade, com a propaganda de marketing político de acompanhamento das acções económicas dos poderes europeus. Sente-se apenas o efeito das acções concretas. Vê-se o efeito devastador da nossa (nórdica) organização social, dos regimes de protecção das empresas, da mineração exagerada, da venda de armas, da corrupção, da manutenção de regimes, esses sim, verdadeiramente horríveis, mas protegidos, muitas vezes criados, pelos que se dizem guardiões da paz.
O ódio é muito focalizado nos EUA, mas apenas porque estes são a face mais visível dessa nossa operação. A acção que vincou o desprazer, historicamente, foi de Norte para Sul. Os wasp que agora ainda dominam nos EUA, vieram da Europa, eram maioritariamente saxões e normandos e são os frutos de interacções, migrações, colonizações, mercantilismos, esclavagismos, etc., nossos, tugas, chineses e indianos incluídos.
O petróleo ainda é “nosso”, as matérias primas reservadas em África e parte da América do Sul estão sob nossa influência, disciplina e controlo. Quando chamam aos EUA polícias do mundo, têm toda a razão. Eles são-no, até ao limite da sua capacidade de inventar novos confrontos dificilmente solúveis. Só não devem queixar-se das consequências da sua acção e dos efeitos provocados pela afirmação dos próprios interesses.
Quando Giuliani afirma desconhecer essa responsabilidade, passa a si próprio e aos americanos que nele crêem, um atestado de menoridade. - Juntam-se os atestados à pilha, os “bons” americanos lamentam a situação, compreendem o sucedido mas estão em minoria.
Todavia com certeza que Giuliani é livre de o fazer, embora, devesse ter algum vergonha porque ele bem sabe, e isto de certeza, que os polícias de Nova Iorque sempre foram dos maiores mafiosos da cidade, mesmo sendo irlandeses e que têm chateado muito “boa” gente enquanto protegem e/ou espremem o cidadão.
Como qualquer “bully” deve sujeitar-se às consequências das suas acções. Mas, como não quer ser reconhecido como tal… faz de conta.

Junq disse...

Filipe: guardiães não "ões"!

HO disse...

"Porque são a evidência que a liberdade, além de ser um bem em si mesmo, dá resultados incomparáveis aos resultados de qualquer outro fim ideológico."

"PS: AA, eu tambem votaria Ron Pau"

Um neoconservador que votaria Ron Paul... o mundo anda estranho...

O factor singular mais importante para a criação de ressentimentos e ódios é o poder - e independentemente do seu exercício, não "a liberdade".