2007/02/12

As contas do Prof. Louçã

O Prof. de Economia Francisco Louça, anunciou ontem com incontido gáudio que a vitória do Sim também tinha sido uma vitória dos católicos, que teriam votado em maioria nessa direcção.

Aparentemente, não é só na Economia que o Prof. não sabe fazer contas. Senão vejamos: os dados são que aproximadamente 90% da população portuguesa se afirma como católica. Partindo do princípio que essa distribuição é semelhante nos eleitores, e que estes se repartem uniformemente entre o Não e o Sim, isso quererá dizer que a única conclusão com sustentação estatística que pode ser anunciada é que 90% das pessoas que votaram Sim são católicas, ou seja, um valor correspondente a aproximadamente 23% do eleitorado. O que, partindo da condição prévia de que 90% do eleitorado será católico, não me parece assim grande maioria.

Mas, mais curioso foi o tom de vendetta adoptado. Curioso principalmente porque é o mesmo BE um dos que critica a possibilidade de a ICAR utilizar da sua liberdade de associação, e os seus membros da sua liberdade de expressão para intervir em pé de igualdade na disputa da campanha, e que sustenta uma lei atentatória das liberdades individuais que torna os sacerdotes religiosos cidadãos de segunda.

Ou seja, Louçã arroga-se de uma vitória sobre um oponente ao qual nem sequer concede uma igualdade de armas nem de condições à partida.

Mas mais caricato será ainda o verificar que é afinal um dos principais focos de intolerância para com a intervenção cívica das religiões na sociedade, vestido no robe sempre conveniente da laicidade e da separação do estado e da religião (principios sem dúvida louváveis) a precisar de recorrer à muleta religiosa para conferir conteúdo à sua vitória.

2 comentários:

Anónimo disse...

A afirmação de Louçã foi infeliz e um tremendo disparate, pois que Louçã sabe, tal como toda a gente sabe, que uma boa metade da população portuguesa só formalmente é católica. Na prática, metade dos portugueses não liga pevas à religião, e só se dirige à igreja (se é que se dirige de todo) para funerais, casamentos ou batizados.

Luís Lavoura

ringthane disse...

É o que sucede com a democracia. Metade da população só se dirige às urnas para fazer de conta que foi ao centro comercial. Será a mesma metade?