2007/10/01

Populistas e Populares

Na República romana pontuaram os tribunos populistas. Os tribunos tiveram em diferentes momentos o poder de levar à assembleia popular propostas de lei sem a aprovação do senado. Na eleição dos tribunos, pelo povo romano de acordo com a classe, alguns candidatos prometiam medidas consideradas Populistas. Eram chamadas medidas populistas aquelas que, à custa do erário público controlado pelo Senado, satisfaziam necessidades de curto prazo da plebe. As mais comuns medidas populares passavam pela subsidiação ou mesmo distribuição gratuita de cereais e a distribuição de terras públicas, nomeadamente a ex-militares.

É escusado dizer que medidas populistas, embora potencialmente danosas no médio ou longo prazo (mais do que uma vez Roma viu-se sem tesouro para financiar o exército para a sua defesa) garantiam alguma popularidade a quem as propunha. O Populismo em Roma foi fonte de Popularidade, mas não foi nem a única nem a mais perene. Outra fonte de popularidade era a pura Simpatia e outra ainda mais forte era o serviço público em especial o militar. O Populismo podia dar Popularidade em alguns sectores mas as coisas eram por definição diferentes.

Pode-se dizer que se usa com leviandade o adjectivo de populista em políticos portugueses. Que alguns são rotulados de populistas, Luís Filipe de Menezes, injustificadamente. A minha opinião é contrária. Em Portugal em regra, os políticos de primeira linha são Populistas. A regra é a promessa de facilidades, obra, e distribuição de riqueza no curto prazo, no horizonte do mandato a que se candidatam. À partida, o que separa, em termos de populismo um Luís Filipe de Menezes de um Sócrates?

Na minha opinião a classificação de Populista a um político ou não, tem a ver com a percepção dos aparelhos partidários da sua base eleitoral, se esta é originada pela influência e apoio das elites do partido ou se é originada pelas bases. Também na minha opinião, quando temos aparelhos partidários tão orientados para funcionarem como intermediários na manipulação do Estado em função do melhor preço, aparelhos estes dominados pelos ditos notáveis, não consigo deixar de ver com relativos bons olhos os Luís Filipe de Menezes. Veria com absolutos bons olhos alguém com as ideias de Ron Paul, mas para já e para apoiar em termos absolutos só mesmo para eleições em outro país.

2 comentários:

O Raio disse...

Luís Filipe Menezes não é populista é mas é oportunista...

Marques Mendes suicidou-se politicamente ao exigir o referendo ao Tratado que substituí a Constituição Europeia.

LFM, tal como Sarkozy, lançou çogo para a mesa que provavelmente não apoiará o referendo.

Quando ele disse isto eu vi logo que ele iría ganhar.

É que em Portugal não há lugar para políticos que não obedeçam cgamente aos ditames de Bruxelas, como Marques Mendes estava a fazer.

Ricardo G. Francisco disse...

Caro Raio,

Clarifico a mensagem do post:

- Está para aparecer um político portugês candidato a um cargo de relevo que não seja populista no sentido de prometer tudo a todos

- As estruturas partidárias dos "partidos de poder" funcionam como centrais de compras para o estado

- No dicionário partidário um candidato populista é o que não é apoiado pelos responsáveis pelas estruturas partidárias

Conclusão: Um candidato nomeado como populista pelo próprio partido tem nisso, e na minha prespectiva, um ponto a favor