2007/05/27

Como lidar com Fundamentalistas



Uma cena de rua no Irão. Uma activista da brigada dos costumes a arrepiar caminho. Aí está finalmente, da autoria de uma jovem rapariga perspicaz, um argumento que os fundamentalistas entendem, e que demonstra ser eficaz ao demovê-los de moldar a sociedade consoante a sua visão única. A velha fundamentalista fanática deu-se por derrotada, e perante tais argumentos não teve o que contrapor. Melhor que descrito, só visto.

A nossa sociedade continua no entanto a teimar no método B, descrito aqui abaixo: ao invés de fazer entender a um estado beligerante que ele terá de sofrer as consequências de uma incursão nuclear, é mais adequado à luz da nossa moral ter compaixão para com o agressor. Segundo o inviolável princípio de auto-flagelação: onde existe ódio existe inevitavelmente culpa do mundo ocidental. Cabe a nós ocidentais entender os motivos irracionais de quem não nos quer entender, e aceder às suas pretensões. Outro modo de agir seria inevitavelmente sinónimo de alimentar o ódio.



Deixo ao critério do leitor julgar o método mais adequado, e tirar as suas conclusões.

16 comentários:

Migas disse...

Até pode ser Filipe. Mas no caso a jovem era de lá. Se fosse uma jovem nativa do Grande Satã, os locais teriam todos cerrado fileiras contra o imperialismo estrangeiro.

Há problemas que têm de ser os próprio povos a resolver; a ajuda de fora pode ser contraproducente.

Cirilo Marinho disse...

Também concordo com as objecções do Migas.

Mas é sabido que estou na fase ronpaulista.

O problema maior, pra mim, é que na dialética appeasement/war against terror os eua têm tomado decisões inaceitáveis, quer pela desproporcionalidade quer pelos erros estratégicos.

Mas já fui totalmente concordante contigo.
A realidade é que está mostrar a necessidade de estratégia alternativa (penso eu de que).

JLP disse...

A minha dúvida (ou melhor, desconfiança), é o que queres dizer com "incursão nuclear"...

Insano disse...

O Irão é uma democracia... e a base da sua sociedade não é homogenea, não é composta apenas por fundamentalistas, bem pelo contrário, onde muitos tem como ideiais, os "nossos", os "bons". Violência gera violência.

Aconselho o visionamento desta conversa de Jon Stweart com Reza Aslan:

http://www.comedycentral.com/motherload/index.jhtml?ml_video=86639

Abraço,

Filipe Melo Sousa disse...

Claro, uma democracia perfeita! Tão perfeita que qualquer candidato a um cargo político tem de ser um islâmico devoto, e ser submetido à aprovação do alto clero, os guardiões da revolução.

Aconselho o meu amigo insano ir residir nesse país tão perfeito, e de bons costumes. E enquanto o faz, passear com a namorada com a cara destapada. Ou então, caso tenha gosto pelo mesmo sexo, ou mesmo por mera experiência, que questione as pessoas na baixa da cidade de Teerão e lhes pergunte onde é o bar gay mais próximo.

Insano disse...

Caro Filipe,

Eu não defendo o Irão, nem os seus costumes, agora não estou com 2 pedras na mão, para quem nunca interferiu na política do meu País, o mesmo não posso dizer de outras "democracias perfeitas"...

Quanto à questão da cara destapada... há por aí muita confusão...

Anónimo disse...

O Irão pode talvez ser considerado um "estado beligerante", mas certamente que não é um "agressor". A única beligerância que o Irão alimenta é fornecer armas ao Hizbulah libanês e, diz-se, também ao Hamas palestiniano e aos movimentos xiitas iraquianos. Mas em todos os casos essas armas, a serem usadas, têm-no sido de forma estritamente defensiva. Todos esses grupos usam as armas fornecidas pelo Irão apenas quando a sua terra é invadida por um agressor estrangeiro. Ou seja, usam-nas de forma defensiva.

Luís Lavoura

Mentat disse...

Bom post.
Desconfio é que a "jovem rapariga perspicaz" tem as "costas quentes" por ser eventualmente filha de gente rica.
Caso contrário duvido muito (infelizmente) que ela se atrevesse a fazer o que fez.
Quanto à sua pergunta final, há 60 anos atrás já foi exemplificado o resultado do método B.
Mas alguém disse :
"Os povos que esquecem a história estão condenados a revivê-la..."
.

Mentat disse...

"A única beligerância que o Irão alimenta é fornecer armas ao Hizbulah libanês e, diz-se, também ao Hamas palestiniano e aos movimentos xiitas iraquianos. Mas em todos os casos essas armas, a serem usadas, têm-no sido de forma estritamente defensiva."

Fazer rebentar bombas em mercados matando dezenas de civis é uma definição curiosa de defesa.
Contra quê ?
Contra a falta de frescura das alfaces ?
Luis Lavoura deve ser o novo "alter ego" do Euroliberal".
.

Euroliberal disse...

A neo-coneiragem anda muito hipocritamente preocupada com os véus femininos iranianos. Sem razão porque, como se vê, as iranianas lá vão resolvendo o problemas com uns piparotes. Além disso, desde 1979 o véu, que era negro e cobria todos os cabelos, tem vindo a subir e a colorir-se, já mostrando metade do cabelo e apresentando padrões tipo Hermès... Mais uma ano ou dois e cai para trás da cabeça...

O problema da neo-coneirada não é esse. Gostavam que o Irão fosse invadido pelo grande satã (ou pelo pequeno, a entidade nazi-sionista), mas os tomates para o lado de Washington e Telavive, depois dos fiascos do Iraque e do Lívbana, tornaram-se raros...

É pena, porque o Irão está bem preparado para infligir um derrota histórica aos terroristas cruzados...

JLP disse...

Caro Mentat,

Não querendo também trabalhar para suceder ao Euroliberal, e ciente de que as situações em causa são complexas, não me repugna que sejam feitas ofensivas (que têm essencialmente uma natureza de retaliação) contra civis, quando são esses próprios civis que sustentam democraticamente estados que assumem uma postura ofensiva contra esses povos.

As pessoas têm que ter a noção que a democracia também é um mecanismo de responsabilização, ainda mais quando sustenta de forma continuada esse género de situações. Assim como esses estados estão legitimados democraticamente (internamente) para tomar posições de força, depois não podem estar à espera que estejam isentos de retaliação e de represália pelo que optaram por fazer (ou apoiar).

Filipe Melo Sousa disse...

Mentat: partilho a tua opinião do que diz respeito às costas quentes. Quando morei fora do país, convivi com 3 irmãs de uma família de Teerão bastantes influente, mas viviam modestamente na Europa, por preferir a liberdade ao conforto económico.

Uma das raparigas foi uma vez apanhada pela brigada dos costumes, e levada à esquadra devido ao facto de ter um pouco de rimmel nos olhos. Segundo a lei, o pai teria de vir à esquadra administrar ele mesmo o castigo (umas chicotadas). Mas sendo o pai bastante influente na cidade, o comissário de polícia desculpou a coima. Afinal os Iranianos são tão diferentes, e tão parecidos com os portugueses.

Filipe Melo Sousa disse...

Ó Euroliberal, eu não sou o sucessor do Pedro Arroja. Ouvi dizer que o senhor iniciou uma revista online, se não a encontrares eu faculto-te o link.

Eu não trabalho para a CIA, e isto é um pequeno blog que não merece a tua atenção. Aqui o debate quer-se elevado e num ambiente mais familiar.

Por isso as tuas intervenções com discurso fundamentalista nazi-islamo-fascista não fornecem valor acrescentado.

Vá.. ide comentar para outro lado

Anónimo disse...

mentat,

as bombas que rebentam em mercados matando dezenas de civis dificilmente serão fornecidas pelo Irão e despoletadas por grupos xiitas. Geralmente essas bombas rebentam em zonas xiitas do Iraque, e são atribuídas a grupos sunitas do tipo Al-Qaida.

Além disso, uma bomba é uma coisa assaz artesanal, que não necessita de ser fornecida por um país como o Irão. O Irão, a fornecer armas a grupos xiitas, fornecerá provavelmente armas de uma certa complexidade, destinadas a combater os norte-americanos.

Ora, é perfeitamente legítimo que os iraquianos, sejam xiitas sejam sunitas, combatam os EUA que invadiram e ocupam a sua terra. O direito à auto-defesa armada contra um invasor ou ocupante militar é consagrado em qualquer (simulacro de) lei internacional.

Luís Lavoura

Mentat disse...

"O direito à auto-defesa armada contra um invasor ou ocupante militar é consagrado em qualquer (simulacro de) lei internacional."

Luís Lavoura

A invasão do Iraque pela coligação Ocidental, está mais do que legitimada "de facto e de jure" não só por resoluções da ONU, como pela realização de eleições livres com participações populares acima dos 70%.

Pelo que qualquer ataque, mesmo que apenas dirigido aos soldados da coligação mandatada pela ONU, é terrorismo não é auto-defesa.

O rebentamento de bombas no meio de mercados frequentados por Iraquianos, ou junto a filas de recrutamento para a policia ou exercito Iraquianos, visando apenas desestabilizar a consolidação do Estado de Direito é terrorismo nojento.

É muito estranha a sua concepção de Liberal quando não consegue entender isto.
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Mentat disse...

JLP

Não se preocupe porque dificilmente alguém (e eu muito menos) o confundirá com essa personagem.
Quanto ao seu comentário, se se refere a Israel, por estranho que lhe pareça até estou de acordo consigo.
Acho é que Israel devia deixar de "fazer favores" à Autoridade Palestiniana. Eles que se entendam com o Hamas.
Ou então, como Israel tanta paga por "ter cão como por não ter", quando começa um serviço devia levá-lo até ao fim.
Que diabo, eles nem são cristãos...
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