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2008/09/13

A vereadora sem pelouro, e os seus assessores pagos a peso de ouro

Urge moralizar a crescente despesa em pessoal da CML. Todos os candidatos abordam o tema. A verdade é que os maus hábitos mantêm-se. Já durante o anterior executivo camarário veio a público o avultado montante gasto pela vereação de Sá Fernandes, que apenas para si tinha 11 assessores muito bem pagos para assessorar a vereação de pelouro-nenhum.

Uma discussão interessante veio a público numa proto-plataforma-cívica que no seu cabeçalho "Promete não gastar um cêntimo do erário público em campanhas". Afinal muitos desses cêntimos de "assessoria" vão durante o horário de trabalho parar ao blog pessoal do assessor, de uma vereadora também sem pelouros na CML. Perante a questão, o "assessor" Paulo Ferrero resolveu trancar os comentários lá da sua plataforma cívica apenas a questões que lhe são confortáveis. Em sua defesa veio Maria Isabel Goulão (a.k.a. Miss Pearls) que veio prontamente em defesa da honra do seu colega de blog, e também assessoria de acordo com a caixa de comentários.

Diria que o trabalho de assessor é bastante folgado, pois o "assessor" Paulo Ferrero tem disponibilidade durante o horário de "trabalho", muito bem pago, de escrever ainda para aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Para além claro dos comentários em seu nome que aparecem em outros tantos. Saúdo desde já o grande sacrifício pessoal e voluntariado de quem pretende não gastar um cêntimo do erário público.

2008/07/04

A Falácia de Trichet


Quando o BCE fala em reduzir a inflação esquece-se de incluir no seu cabaz a variação de um elemento essencial: das próprias taxas de juro.

Pergunta alternativa: de que serve que uma família gaste menos 10€ por mês, se tiver de pagar mais 100€ em juros para isso? O monopólio da emissão monetária por parte do superestado europeu zela mesmo pelo bem comum?

2008/05/29

Não é a mesma coisa?

"Este Governo não distribui a riqueza, distribui a pobreza"

Jerónimo de Sousa, hoje no Parlamento
Tudo depende da perspectiva: a do contribuinte ou a do assistido.

2008/05/23

Só não se vão embora os que não podem

O caso real de uma jovem:

  • Vencimento bruto anual: 60 000 Euros
  • Seg. Social (trab. @11%): 6600 Euros
  • IRS (@40%) : 24 000 Euros
  • Seg Social (empr. @23,75%): 14 250 Euros
  • Vencimento líquido (VL): 29 400 Euros
  • Custo Total para a empresa (CTE): 74 250 Euros
  • VL/CTE : 40%
60% do que a empresa está disposta a gastar directamente para que esta jovem trabalhe para ela vai para o Estado. O que fica pode levar a jovem para casa.

O que acontece aos restantes 40%?

Dado que tudo o que ganhamos será consumido mais cedo ou mais tarde temos que entrar em conta com os impostos sobre o consumo. Aqui o perfil de consumo pode levar a enormes variações. Hoje o peso dos transportes no consumo é altíssimo para algumas pessoas e para outras é muito reduzido. Mesmo assumindo uma taxa média baixa, 20%, temos que o estado ainda arrecada mais (29 400 – 29400/1,2) = 4900 deixando o indivíduo com 24 500 Euros depois de impostos.

O Estado português fica com 67% (100%-24500/74250) do que esta jovem deveria ganhar se recebesse todos os frutos do seu trabalho.

Para esta jovem as contas com o Estado só são saldadas em Setembro. De acordo com uma imagem usada muito hoje em dia apenas em Setembro esta jovem começa a trabalhar para si mesma.

Quando indivíduos de outras gerações se elevam com discursos palavrosos apelando para que os jovens talentos não saiam de Portugal deviam lembrar-se deste facto. O facto que os jovens talentos são explorados em Portugal por um Estado socialista que não escolheram. Não escolheram o Estado mas podem escolher onde vivem e onde desenvolvem o seu talento. E só não se vão embora os que não podem.

Petróleo caro, e agora?

Não existe política governamental que possa fazer algo contra o esgotamento da energia barata. Resta a energia cara. Qualquer barato será um artifício contabilístico em que alguém pagará pela diferença.

Neste campo, de todas as soluções, propostas e políticas energéticas preconizadas, existe algo de comum entre elas: quando o Estado Intervém, Regulamenta, Propõe, Favorece, Proíbe, Restringe, em suma interfere de toda e qualquer forma no mercado energético, traz sempre consequências adversas e efeitos secundários piores do que o pretenso malefício inicial que se propunha corrigir.

Que deixe portanto os consumidores comprar e os produtores produzir. Se os deixar trabalhar sem se intrometer naquilo que não é o seu negocio, o estado presta o melhor dos serviços.

2008/05/12

Como manipular dizendo a verdade

Duas diferentes formas de dar a mesma notícia:

1) O Salário Mínimo Nacional, estabelecido pelo governo, cresce a um ritmo superior ao do salário médio, aproximando-se deste último. Os empregadores que queiram manter empregados pouco qualificados têm de o fazer a um preço cada vez maior. Esse salário aproxima-se do salário de trabalhadores mais qualificados. O número de pessoas a auferir o mínimo estabelecido por tabela consequentemente é maior, uma vez que o limite mínimo é obrigado a aumentar. Auferir o Salário Mínimo Nacional é algo cada vez mais comum, e equiparável em termos de poder de compra ao salário médio nacional.

Publicado em Jornal Nenhum


2) Há cada vez mais pessoas a auferir o Salário Mínimo Nacional. Já vai em 192 mil pessoas, quem o diz é o Ministério. A culpa é das empresas que querem conter os custos, e dos imigrantes pouco qualificados. Entrevistamos alguns reputados economistas que assim o confirmam. O governo aumentou em 6% o salário mínimo, mas isso não interessa nada.

Diario Economico

2008/04/21

Le Stock-Trader Malgré Lui



Um cenário em que um indivíduo é obrigado a jogar na bolsa o seu ordenado, é essa a realidade de quem contrai empréstimo para a compra de casa. Um comprador de casa que se endividou em 150.000 € na compra de casa há dois anos atrás já terá visto a sua prestação aumentar em 250€ mensais. O aumento está unicamente relacionado com o custo do dinheiro, factor que este não pode de forma alguma influenciar.

Esse risco poderia ser diversificado, e atenuado, houvesse a possibilidade de concessionar uma moeda alternativa para utilização em território português. Moeda essa que seria válida para negociar contratos de trabalho, declarar os seus impostos, subscrever aplicações sem risco, transaccionar comercialmente ou guardar à ordem sem desvalorizar. O absoluto monopólio da emissão monetária por parte do estado é um dogma largamente aceite e imposto, justificado com pretextos obscuros tais como a intervenção nos ciclos económicos e o controlo da inflação.

Deixo por fim o reparo, que quando o governo afixa a inflação nos 3%, o aumento dos encargos financeiros em 250 € reduziu o poder de compra bem acima dos 15%. É essa a inflação real, sentida no orçamento familiar. A estabilidade é uma farsa. A factura é real. O monopólio de estado é um mau serviço.

2008/04/17

Economia Planificada, Preços Tabelados

A prova de que os juízos de valor são nocivos para os indivíduos é a capacidade dos governantes para se imiscuirem na vida privada das pessoas e na gestão das empresas privadas. Não contentes da distorção fiscal que os governantes estipulam de modo a induzir os bons hábitos e costumes dos indivíduos, acham-se também no direito de pedir satisfações sobre o preçário dos serviços prestados nas casas de bons hábitos, apesar destes serem meros comerciantes privados.

Três cadeias de ginásios têm amanhã como data-limite para justificar porque é que não ajustaram os seus preços em função da descida do IVA sobre a actividade, de 21 para cinco por cento.

A Direcção-Geral do Consumidor (DGC) enviou notificações neste sentido a três cadeias de ginásios, segundo noticia a rádio TSF, que se arriscam a enfrentar eventuais processos nos tribunais se as suas explicações não forem aceites e não baixarem os preços.

Público

2008/04/04

Argumentário Falacioso (2)


"Seguindo a mesma filosofia do ultimo post não se faça uma mas mais 10"

"esta ideia saloia de que toda a gente tem o "direito" de vir de automóvel para a capital é característica de um país do terceiro mundo."

Num Forum Cívico Perto de Si
Pela imagem, consegui contar 30 pontes em Paris. As 12 pontes referidas no comentário constituem um número bem inferior.

Argumentário Falacioso


Quem vive em Lisboa precisa desta Ponte ? Não me parece. Então façam-na onde seja precisa, mas não em Lisboa.

Num Forum Cívico perto de si
Do contraditório:

1) Tal como se pode ver na foto, uma ponte tem faixas nos dois sentidos. Tem portanto utilidade para muitas pessoas (como eu) que se levantam em Lisboa e trabalham numa câmara governada pelo PCP.

2) Lisboa tem população activa fora do concelho.

3) Uma ponte entre o Montijo e o Barreiro não resolve o problema de quem quer entrar em Lisboa.

Ensino Privado

A mercantilização do ensino na íntegra é um bom favor que se faz a toda a gente. Por um lado aos contribuintes que não têm de subsidiar a carreira dos outros, e mesmo aos próprios estudantes. É que na altura de recorrer à banca para financiar os estudos, a mão invisível tratará de os encaminhar apenas para aqueles cursos que valem a pena.

2008/04/01

Prémios de Má Gestão


A Portugal Telecom deu prémios a alguns trabalhadores e gestores pela vitória na Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Sonaecom. Só os administradores receberam 4,98 milhões de euros por terem derrotado a oferta.
A Portugal Telecom merece a minha distinção. É a única empresa portuguesa que eu conheço que recompensa os seus gestores para obrigar os seus accionistas a perder valor.

2008/03/26

Envelopes Muitos

O Luís Filipe Menezes acaba de dar uma proposta em como aumentar substancialmente a corrupção no país. Basta uma mudança legislativa para que o poder discricionário dos autarcas permita ter grandes impactos na facturação dos agentes económicos. Que esteja na sua mão uma decisão tão simples como estes poderem facturar ao domingo, dia de maior encaixe.

A decisão sobre os horários de abertura das grandes superfícies caberá ao executivo camarário. O autarca poderá dispor de um poderoso instrumento de chantagem. E de uma fonte inesgotável de receitas para proveito pessoal.

O comerciante mais apto será assim aquele que souber habilidosamente rechear a conta pessoal do autarca.

2008/03/25

Acto de Caridade para com os compradores da EPUL



Aos compradores de apartamentos através da EPUL:

Dado as recentes queixas de atrasos na construção e entrega dos apartamentos da EPUL nos empreendimentos de Entrecampos, Lumiar e Martim Moniz, tenho assistido a um rolar de lamúrias. A rapaziada diz ter a vida adiada, e estar a ser gravemente lesada. Ora bem, eu tenho uma solução para essa rapaziada. E ao contrário dos filantropos com o dinheiro dos outros, eu proponho-me resolver o problema deles com o meu dinheiro.

Eu compro ao comprador da EPUL que estiver interessado a casa ao preço que foi estabelecido, incluindo juros de actualização 6% anuais sobre o que já pagou, deduzindo obviamente o valor de mercado das rendas acumuladas da casa camarária que ocupa à custa dos contribuintes enquanto aguarda a conclusão da obra. Se aceitar a minha proposta, entre em contacto comigo. Se não ouvir falar de si, deduzo que se está a queixar de barriga cheia.

2008/03/21

Analfabetismo Económico


Estou convencido que esta minha intervenção iria trazer largos benefícios económicos uma vez que os terrenos são maioritáriamente senão mesmo a totalidade do estado e da autarquia.

Num Forum Civico perto de si

2008/03/20

Traduzido em Números



Duas leituras diferentes da mesma realidade:

Portugal é nesta matéria um exemplo, tendo para 2020 o quinto objectivo mais ambicioso a nível europeu e talvez mundial em matéria de energias renováveis.
Manuel Pinho
Luz é 53 euros mais cara em Portugal do que na União Europeia

2008/03/19

Lisboa Inacessível



Enquanto a Lisboa visitável está no estado que se vê fazendo scroll down, a Lisboa inacessível está muito bem cuidada. Mais uma vez, graças aos Live Maps (não me canso de fazer publicidade), temos acesso aos mais bem cuidados palácio e jardins lisboetas. O Palácio das Necessidades, sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Acessíveis no entanto a quem estiver bem relacionado, e aos "representantes" de outras nações, ao Kadhafi, Mobutu e Mugabe.

2008/03/18

Um Local muito mal frequentado chamado Lisboa



O Live Maps da Microsoft revela novas potencialidades. Um mapeamento mais completo que o Google Earth. E sobretudo a nova funcionalidade Bird View com alta definição nos pormenores locais. Teremos agora a possibilidade de ver as misérias mais de perto. Aqui fica a fachada Oeste do Palácio da Ajuda, inacabada há mais de um século, sem qualquer possibilidade de remate à vista. Este é o retrato espantoso das prioridades da gestão camarária de Lisboa. O património histórico largamente abandonado, enquanto os fundos são desperdiçados numa máquina burocrática inútil.

Para encher a vista lançam-se grandes projectos de revitalização de espaços cuja ruína teve como principal responsável a própria gestão da câmara, acrescida da política de rendas baixas. A baixa pombalina é disso o melhor exemplo. É nela proibido por um prego ou dispor de edifícios ocupados há gerações por ocupantes que não pagam.

A CML é devido a razões histórias (nacionalizações republicanas) o maior proprietário. A alienação de terrenos em vez de ser devidamente aproveitada, tem sido feita de modo duvidoso, desde permutas ruinosas que deram origem a processos crime movidos contra antigos autarcas, passando pela construção em terrenos camarários de apartamentos vendidos muito abaixo do preço através da EPUL. Os beneficiários dessas casas baratas acabam por ser alguém próximo daqueles que detêm o poder. Veja-se as notícias recentes de atribuição arbitrária de casas camarárias à amiga recém-divorciada e ao motorista.

Chegou-se à loucura de construir um casino em plena capital. As verbas, em vez de servir para sanar a dívida financeira da cidade servirão para a construção de um elefante branco que será um remake daquilo que foi um bairro artístico dedicado a um modelo esgotado chamado teatro de revista. Esse tipo de espectáculo decaiu por falta de procura, e sobrevive hoje residualmente e por vezes apenas injectando verbas estatais. Os lisboetas não precisam de um parque Mayer, mas os nossos governantes tornaram-se especialistas em desperdiçar dinheiro. Mesmo em alturas de grande escassez.

A juntar à má gestão e aproveitamento pessoal às claras, os contribuintes terão de pagar os juros do dinheiro mal gasto. António Costa afirma teimosamente contra tudo e todos, e contra os tribunais que irá contrair uma dívida para pagar a dívida a fornecedores, fazendo com que os lisboetas paguem em 20 anos despesas correntes como o saneamento e os gastos da parque expo deste ano. Mesmo em falência técnica, a câmara tem intenções de criar mais empregos camarários para boys da sua confiança.

A câmara tem imensos recursos para prestar um óptimo serviço: um património imobiliário valioso, receitas do jogo, derramas, contribuições autárquicas e impostos crescentes, licenciamento de construção, parquímetros e avultadas transferências do estado. Todos derretidos impunemente em actividades sem valor.

A população activa da cidade vive na maior parte fora dela, expulsa pela falta de habitação, estacionamento e transportes. Não é de admirar que o discurso eleitoral se vire cada vez mais para uma população envelhecida, inactiva, que aproveita as rendas simbólicas. É cada vez mais o seu voto a decidir os destinos da cidade.

2008/03/04

eu fiz as contas

Ontem comprei a edição impressa do Jornal de Negócios precisamente por causa deste artigo, que dava o investimento imobiliário como uma mais-valia certa. Rapidamente fiquei desiludido, porque o artigo nada relatava sobre os encargos de compra e venda, anunciando taxas de retorno que não são minimamente reais. Dificilmente se conseguiria tirar lucro de tais especulações.

No seguimento deste post do Migas, que também chegou à mesma conclusão, pus-me a fazer as contas, e cheguei a taxas de retorno negativas na maior parte dos casos:



Pressupostos: Maior parte dos dados podem ser retirados do artigo. As taxas de IMT e IMI podem ser retiradas do simulador do Millenium. Os encargos de venda médios andam pelos 3% pagos às agências imobiliárias. A Remax por exemplo cobra o dobro (5%+IVA).

Em suma, não sei que raio de conselhos dá um jornal que se quer sério.

2008/02/27

Pela despenalização da corrupção desportiva


Apesar de todos os protestos e acusações de arbitragem tendenciosa, cada vez que o Benfica mete os pés em campo, aceita automaticamente a legitimidade das regras da Liga de Clubes. Confia que esta é a principal competição portuguesa, que os clubes que nela participam são os fiéis representantes do melhor futebol português, e que os órgãos por eles eleitos têm todo o interesse em investigar e fazer desaparecer casos de má arbitragem.

Se não é este o caso, então a Liga de Clubes não é a fiel confederação do melhor futebol português, e poderá existir, nada o impede, uma outra competição mais importante que o Benfica poderá disputar. Que crie outro torneio com outros clubes que não se reconhecem na Liga, e que alegue ser esta a fiel representação do melhor futebol português, que reúna os patrocinadores e que comece o jogo. Os apreciadores de futebol saberão reconhecer a verdadeira competição, assim como o flagrante da má arbitragem, e o gosto pelo desporto continuará.

A Liga de Clubes perderá credibilidade em detrimento da nova. A corrupção auto-regula-se sem necessidade de criminalizar a corrupção na arbitragem. A corrupção também se auto-regula na medida em que o dinheiro gasto a corromper os árbitros é perda de recursos. Os clubes que concorrem numa liga menos corrupta tendem a libertar menos recursos para alocar em meios desportivos.

Que não peça que o governo interceda para mediar uma disputa legal, que nem legal deveria ser. Trata-se de uma luta pelo esclarecimento das regras do jogo que os próprios clubes de futebol definiram. Quando jogo ao King, e começa-se a discutir se o Rei de Copas tem de ser baldado na primeira vasa, não chamamos a Maria José Morgado para mediar a discussão. Os contribuintes portugueses, muitos dos quais não gostam de futebol, não têm que financiar a dispendiosa investigação que envolve os mais altos cargos do ministério público.

É só uma porcaria de um jogo, porra!