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2008/03/18

Referência Circular

Estou com uma crise de valores...

Também não sou religioso. E também não sou vegetariano.
É como na canção de John Lennon: "I just believe in me".

Luís Lavoura, quando questionado sobre a sua recente Apostasia do liberalismo
Quando o Luís Lavoura faz referência à crença na sua própria crença, directa ou indirectamente, dá-se o nome de referência circular. O leitor não pode deduzir automaticamente todas as ideias defendidas quando uma delas contém uma referência circular. É possível remover uma referência circular ou configurar uma proposta para calcular cada política envolvida uma vez numa referência circular, utilizando os resultados da iteração anterior. A menos que altere as predefinições da iteração, o Luís Lavoura interrompe os cálculos depois de 100 iterações ou depois de todos os valores da referência circular sofrerem uma alteração inferior a 0,001 entre iterações, dependendo do que surgir em primeiro lugar.

2008/02/02

Luis, eu bem que te avisei

Durante muitos anos os aforradores viram-se condenados a investir em ações ou em obrigações, produtos com risco, se queriam receber remunerações superiores à inflação. Foram muitos os que investiram em ações e perderam muito com elas, devido à inexistência de depósitos a prazo com remuneração positiva. [...] Talvez o povo português volte à condição, que foi a sua duante muito tempo, de grande aforrador, abandonando a espiral de endividamento que caraterizou o país no último decénio.

Luis Lavoura
Os certificados de aforro estão indexados à Euribor. Mas sempre que o estado acha que estão a render demasiado, simplesmente muda-lhes a fórmula de retribuição, como o fez no ano passado. De nada vale o facto de uma pessoa ter aguardado anos para ter o prémio acumulado. Qual estado de direito? São Indexações "à la carte"[...]

Provavelmente, o próximo passo será acabar com os prémios de permanência.

Eu mesmo, em resposta ao post
told you so, told you so...em 04/09/2007

2008/01/01

Inebriações legislativas II

A minha mulher, grávida do nosso primeiro filho, teve que suportar no seu trabalho, numa grande empresa portuguesa, reuniões de trabalho que se prolongavam por várias horas, numa pequena sala fechada, com três ou quatro pessoas a fumar. Se se queixava, era desprezada.

Luís Lavoura.
Trabalhando rapidamente no sentido de fazer por realizar a profecia do Migas, pode-se concluir fácil e objectivamente pelo exemplo e pelas palavras do Luís Lavoura que a sua mulher preza mais o seu emprego do que a saúde dos seus filhos.

2007/10/15

Vai passear pá!

O primeiro parágrafo deste texto é demonstrativo da mais profunda ignorãncia sobre a situação dos Balcãs. Convido o Luís Lavoura a visitar as dezenas de milhares de Albaneses que vivem em paz e harmonia em Belgrado. Nem é preciso tanto. Convido o Luís Lavoura a vêr o que acontece de vez em quando aos carros de matrícula croata estacionados à porta do túmulo de Tito em Belgrado. Desafio-o a conversar com a população sérvia mais jovem e questioná-los sobre a sua opinião em relação aos ataques da NATO (que não os EUA - outra inexactidão). Mais interessante: desafio-o a perguntar à população mais velha o que gostariam que acontecesse aos Albaneses do Kosovo...
Também pode ir à Macedónia e à Albânia tentar saber porque raio receberam estes países dezenas de milhares de refugiados kosovares antes da intervenção da NATO, e do que fugiam essas pessoas.

2007/09/20

Por isso é que nós gostamos tanto do Luís Lavoura

Nos últimos dois ou três meses o petróleo tem subido de preço (...)
No entanto, a gasolina em Portugal ainda não bateu no seu preço máximo. (...) Isto deve-se ao facto de que o dólar tem, também nos últimos dois ou três meses, perdido fortemente de valor em relação ao euro. (...)
Isto leva-me a elaborar a teoria de que, atualmente, e pela primeira vez, o petróleo está já de facto a ser negociado em euros. O dólar é a sua moeda de cotação nominal, mas de facto o seu valor é pensado em euros. Em euros, o preço do petróleo não tem variado. Se o preço do petróleo em dólares sobe, isso deve-se apenas ao facto de o dólar estar a descer em relação ao euro.

Luís Lavoura, no sítio do costume
(e eu acabei de perder o jogo "Quem é que consegue não se rir do MLS por mais tempo")

Um autêntico breakthrough intelectual!

2007/06/21

Gestão Democrática do Dinheiro dos Outros

No âmbito da reforma dos actuais órgãos colegiais, os bloggers Nos Ladrões de Bicicletas, decidiram lançar uma cruzada pela participação democrática dos funcionários e consumidores na vida económica dos seus prestadores de serviço aqui e aqui:

Os actuais órgãos colegiais de gestão das universidades, compostos por representantes eleitos dos estudantes, professores e funcionários, são substituídos por um novo órgão, o Conselho Geral, onde os funcionários não terão lugar e os estudantes estarão reduzidos a um peso 20% do CG. A substituí-los estará um conjunto de «notáveis» da sociedade civil, com um peso de 30%. (…) este processo resultará na subordinação da universidade a interesses particulares. Estes não-eleitos “notáveis” serão sempre o fiel da balança de um órgão onde professores e alunos são eleitos por listas. A autonomia e democracia universitária, conquistadas há 33 anos atrás, acabaram, ironicamente (ou talvez não!), com um governo "socialista".

Com o novo regime jurídico o governo incentiva as universidades a tornaram-se fundações de direito privado. (…)Aplica-se a lógica do mercado ao ensino superior, favorecida pela homogeneização dos diplomas ocorrida com o processo de Bolonha, na vã esperança que a concorrência por professores e alunos resulte miraculosamente em excelência. O resultado é previsível: fim da autonomia científica de docentes e investigadores; subordinação do ensino superior às voláteis necessidades do mercado; assimetrias crescentes entre diferentes faculdades.
Luís Lavoura, numa posição com a qual muito concordo, já referiu há uns meses atrás:
Contratam-se novos professores, criam-se novas cadeiras e novos cursos, em função dos interesses dos atuais professores, e não em função dos interesses e necessidades da sociedade. Este é o resultado da forma de governação autogestionária das universidades portuguesas. As universidades são geridas pelos seus próprios professores, e pelos estudantes e funcionários. No jargão político português chama-se a isto "governação democrática das universidades", mas na verdade não é democracia, é autogestão. Os professores, estudantes e funcionários gerem as universidades em função dos seus interesses pessoais e de classe(…).

Deve ser o Estado a gerir as universidades, uma vez que é o Estado quem as pagou e paga. As universidades são empresas. Quem as gere deve ser o seu proprietário, em função de diretivas políticas que esse proprietário define. (…) Isso sim, é democracia. (…)No caso das universidades privadas, elas têm que deixar de ser propriedade de cooperativas de professores, como a lei atualmente - e erradamente - estabelece, para passarem a ser propriedade de fundações privadas. (…). A autogestão dos professores em colaboração com os estudantes e funcionários, em que muitas universidades se encontram, não é democrática, e tem como consequência a reprodução de interesses instalados.
Após isso, seguiu-se o contraditório de Hugo Garcia, perfeitamente em linha com os ladrões de bicicletas:
(…) coloca-se em o IST ser dirigido por gestão interna o que me parece ser extremamente adequado e certamente o modelo mais eficiente. (…)É elementar que os professores são quem sabe mais sabe sobre a qualidade do ensino. Mas é igualmente elementar que nem sempre os professores têm por interesse a solução que é melhor para todos. Não por maldade, mas apenas por desconhecimento ou por darem menos importância a factores que são muito importantes para alunos e funcionários. Naturalmente que a solução pragmática é a de os professores terem mais poder que os alunos ou os funcionários isolados, mas que por outro lado, os funcionários e os alunos quando combinados tenham mais poder que os professores isolados.

E esta foi a solução encontrada: O conselho directivo é formado por 4 professores, 3 estudantes e 2 funcionários. Esta solução combina a democracia com a diferença de importâncias e conhecimento. Qualquer outra situação como ter uma maioria absoluta do poder dos professores conduziria certamente a abusos de poder. Temos ainda que ver que quando estudantes e funcionários estão do mesmo lado, em princípio fazem-no porque têm razões muito fortes. Gostei de saber que as faculdades em Portugal (…) utilizam um método tão autónomono, democrático e pragmático.
De seguida nos comments do mesmo: Luís Lavoura: Tal como um consumidor protesta contra a má qualidade dos produtos de uma empresa, mas não gere a empresa, também o estudante deve protestar contra a forma como a universidade é, mas não deve ser ele a geri-la. O estudante é, simplesmente, um consumidor do ensino prestado. Não pode ser ao mesmo tempo consumidor e produtor.

2007/06/05

Eu estava bem melhor a morrer à fome

Suponhamos que eu estou a morrer de fome e disponho de uma única pessoa que me venda pão. Essa pessoa vende-me pão a um preço exagerado, aproveitando-se do seu poder de monopólio e do meu estado de necessidade. Num tal caso, dificilmente se pode argumentar que eu fico melhor depois da transação do que antes.

Luís Lavoura aqui em baixo
Agora mais um teasing:

Solução paternalista-liberal para o caso: limitar o preço do pão no local em que o Luís Lavoura mora
Resultado intermédio: Nenhum operador privado aceitaria vender pão naquela área
Resultado final: padarias do estado, senhas de racionamento, filas do pão,...

Que bom o regresso à guerra fria!


(Cox & Forkum)

Para Putin, o desenvolvimento de mecanismos defensivos por parte dos EUA é casus beli suficiente. Perante tal afronta, o gigante militar adormecido volta a ameaçar apontar as suas ogivas nucleares para a... Europa. Como medida de retaliação, e para encher o ego ferido da nação Russa.

A mensagem é clara: não é o território russo, nem a sua segurança que estão em causa. A Rússia não prescinde de ter um poder de ameaça sobre os estados europeus. É disso que se trata. Caso um escudo anti-mísseis seja construído em território Europeu, a Europa volta a estar na mira das ogivas. Mais: a uma escalada dos sistemas defensivos, a Rússia responde com uma escalada do seu poder de fogo. Putin ameaça:

we will have to take appropriate steps in response. What kind of steps? We will have to have new targets in Europe, (...) These could be targeted with "ballistic or cruise missiles or maybe a completely new system
Claro que há sempre quem veja nisso um motivo de alegria. Numa lógica maniqueísta, qualquer coisa que incomode o grande satã é motivo para festejar, nem que o motivo da festa seja termos uma arma apontada à cabeça.

Private Equity (IV) - Encerramento de empresas

O desemprego está na ordem do dia. De um lado defende-se que o importante é garantir-se que as empresas não fechem nem reduzam a capacidade. O como varia de um PS que atira subsídios a um PCP que advogará a nacionalização a um BE que ameaçará com a oratória de Francisco Louçã. Do outro lado estão os que defendem a flexibilidade, o funcionamento dos mercados. Mesmo olhando para o emprego como um fim em si, a flexibilidade é importante, porque ao final o que importa é que abram mais "postos de trabalho" (adoro este termo) do que fechem "postos de trabalho".

Dos que apostam na flexibilização do mercado como melhor meio para se "combater o desemprego" alguns defendem que as barreiras ao encerramento de empresas prejudicam a abertura de novas empresas.

Perguntam os "economistas de esquerda": e porque é que impedir o fecho das empresas prejudica a abertura de empresas? A resposta é simples e terão de acreditar nela, mesmo que não venha no "Das Kapital".

Quando se abre uma empresa existe um projecto de rentabilização, se não explícito, pelo menos implícito. São cada vez mais raros os projectos em que se pressupõe rentabilidade perpétua. Quando o negócio implica o investimento em imobiliário (por exemplo) uma parte importante da entrada futura de rendimentos passa pela venda desses mesmos bens imobiliários no futuro. Quanto mais difícil é o encerramento da empresa mais difícil é a recuperação desse valor terminal, menor o valor do projecto. Quanto menor o valor do projecto ou maior o seu risco menor a probabildiade de este ser implementado. Leia-se, menor a probabilidade de que a empresa e os respectivos "postos de trabalho" sejam concretizados. Esta lógica é simples e aplicada na realidade todos os dias.

2007/06/04

Private Equity (I) - Esclarecimentos gerais

Nuno Teles, nos Ladrões de Bicicletas, dedica 3 textos à bolsa de valores e aos fundos privados de capital de risco, vulgo “Private Equity Funds”. Acredito que o Nuno Teles, com estes textos, quis ajudar o Luís Lavoura a perceber um pouco como funciona a bolsa de valores e o mercado de valores financeiros em geral.

Uma empresa pode ser rentabilizada de várias formas. Uma delas é fechando-a, ou reduzindo as operações. Uma empresa pode ter activos como terrenos ou imóveis que estão a ser mal empregues. Que outra empresa ou indivíduo pode rentabilizar de forma superior. Uma das formas de rentabilizar empresas é fechando as suas operações e recolhendo o valor terminal das mesmas. Isto pode acontecer a uma empresa como um todo ou apenas a uma parte, eliminando-se uma linha de negócio ou simplesmente reduzindo-se a capacidade. Há muitas empresas que embora sendo irrecuperáveis operacionalmente têm um tremendo valor.

As acções de uma empresa são transaccionadas considerando a possibilidade de mudança de gestão e de estratégia. A possibilidade de alguém ou alguma empresa ganhar poder suficiente para mudar a gestão e aumentar a rentabilidade da empresa. Fechando-a por exemplo.

O mercado a funcionar de forma perfeitamente flexível garantiria que em cada momento esses activos estariam a ser usados por quem melhor os rentabilizaria. Como de facto os ajustes levam tempo, em alguns casos anos ou mesmo décadas, há muitas empresas que se arrastam com valores terminais prontos a serem rentabilizados.

É neste momento que podem entrar fundos privados de capital de risco. Como podem entrar quaisquer outras empresas ou indivíduos. Acontece que existem fundos que são criados exactamente para explorar oportunidades de rentabilização com reduções ou mesmo fecho das operações. Isto é óptimo. Ajudam a que empresas fechem se não tiverem razão para existir. Dão espaço a novas empresas.

As mesmas “Private Equity funds” também podem especializar-se no investimento em empresas que procuram capitais para crescer. Ou em empresas que procuram capitais para nascer. Ou em empresas que para serem operacionais precisam de uma nova gestão.

Estes Fundos são do melhor que pode acontecer a uma economia. Por um lado são o sinal que investidores privados estão dispostos a arriscar as suas poupanças investindo em negócios com rentabilidade incerta em vez de activos de rentabilidade certa como títulos obrigacionistas do estado, por outro são autênticos catalisadores da mudança. Fornecem o lubrificante que faz uma economia mexer-se e evoluir, o capital. Quem nos dera que existissem mais a operar em Portugal.

2007/05/29

Valor de uma acção - explicação para iniciados

No limite, cada activo pode ter um valor diferente para cada indivíduo.

Quando todos os indivíduos livres interagem de forma livre em um mercado, vendendo e comprando um activo pode-se chegar a um preço do dito activo em cada momento. Este preço em cada momento é sempre especulativo. Porquê?

Um activo tem o valor para um indivíduo que depende das suas expectativas de extracção de valor do mesmo. É uma especulação. Especulação feita pelo indivíduo, que pode ser mais ou menos fundamentada, o que é indiferente. Para o bem ou para o mal é da responsabilidade do indivíduo que a especula.

Uma acção de uma empresa é um activo. Dependendo da acção em concreto dá uma série de direitos sobre as decisões da empresa e sobre os dividendos a serem partilhados. Estes títulos são transaccionáveis. O valor de uma acção em dado momento não é dado por uma entidade chamada "bolsa". É dada pelo valor a que é possível a um indivíduo comprar ou vender essa acção em dado momento no mercado especializado neste tipo de activos - as bolsas de valores.

O mercado destes activos, cujo preço não está regulado (thank god), é o resultado da especulação brutal. Porque uma acção é valorizada, no limite, de forma diferente por cada indivíduo. E que isto seja assim, faz sentido. Porque cada indivíduo, no limite pode esperar valores diferentes dos demais em relação aos rendimentos futuros de uma empresa, ao valor futuro de transacção e valor da influencia de decisão na mesma empresa.

Quem acha que uma acção em particular está barata deve comprar. Quem acha que uma determinada acção está cara deve fazer uma venda (possível mesmo sem deter acções). É fácil. É só especular. Se tiver razão ganha, se não, perde.

Isto é o terror do planeador central. Do iluminado que pretende saber melhor que todos os outros o que é certo e o que é errado para todos os outros. Especialmente se este planeador central perder dinheiro cada vez que se engana sobre aquilo que os outros acham que é melhor para si próprios.

2007/05/26

Já não pega...

Sugiro ao Luís Lavoura que vá falar com o João Rodrigues. É que o Luís , com estes posts, envergonha a ala económica da esquerda moderna.

Bolsa, esquema de ponzi? Mercados de capital, esquema de ponzi? O Luís ainda está com as palavras de ordem dos partidos que formaram o BE...e estes entretanto evoluiram. Perceberam que era necessário perceber-se mesmo muito pouco de economia e finanças para se fazerem essas comparações. Evoluíram, agora as ilusões são outras.


PS1. Por estas é que me recuso a escrever sobre física nuclear...

PS2. Será que me vão moderar este post?

2007/05/16

Numa frase se resume a atitude etnocêntrica do progressista europeu

Os americanos são um bocado infantis e atrasados mentais, precisam de aprender com a ajuda de bonecos.

Luís Lavoura, nesta caixa de comentários