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2008/06/02

Contra as políticas neoliberais... pode ser que pegue... (2)

Henrique Monteiro faz o mesmo apelo no Expresso. Pode ser mesmo que pegue. Isto ainda vai lá.

PS: Tambem no Expresso e na página ao lado, o Henrique Raposo escreve uma coluna demolidora. Do melhor que já passou no Expresso.

2008/05/29

Contra as políticas neoliberais... pode ser que pegue...

Vamos acabar com décadas de políticas neoliberais em Portugal e começar a aplicar as políticas que tiveram tanto sucesso social em países como a Nova Zelândia, Irlanda, Chile ou República Checa!!!

Será que o Mários Soares me ouve? E se deixar um link aqui ou aqui?

Todos juntos! Vamos a isso?

2007/07/02

Fazer o TPC

Como a recente historiografia tem repetido, [a ideologia do neoliberalismo] é uma parente directa da guerra-fria. Começou bizarramente como protocolos para optimizar o bombardeamento da União Soviética, conjurados nos think-tanks da Forca Aérea Americana. Esta formalização do comportamento humano foi veiculada para a academia pelos economistas matemáticos. E da academia colonizou outras ciências, pelos institutos e fundações conservadores até a cultura e a sociedade.
Parece-me que por aqui se anda a confundir "neoliberalismo" com Teoria dos Jogos...

2007/06/22

Quiz (2)

O João é o principal accionista e administrador executivo da empresa "luta de classes". Na empresa "luta de classes" é reservado um lugar de administrador ao representante dos trabalhadores. Tem um departamento na área de recursos humanos cuja única função é garantir que os trabalhadores da empresa são os melhores pagos do sector e que têm condições dignas de trabalho. Os trabalhadores da "luta de classes" concordam que o João é um "companheirão", um amigo.

A Raquel é o principal accionista e administradora executiva da empresa "Mercado". Nesta empresa os trabalhadores recebem salários base abaixo do que é pago nas outras empresas do sector mas recebem prémios de produtividade sempre que excedem as expectativas. A área de recursos humanos tem um departamento cuja única função é detectar variações de produtividade. A Raquel é reconhecida por ser uma gestora dura e pouco amiga. De facto os trabalhadores não gostam da Raquel, "não é humana", dizem.

A "luta de classes" está a acumular resultados negativos ano após ano (independente da forma de gestão e das regalias dadas aos trabalhadores). A "luta de classes" não encontra financiadores. Os accionistas, incluindo o João, não sabem mais o que fazer. A “luta de classes” deixa de poder pagar os salários este mês.

A representante do "Mercado" abordou os representantes da "luta de classes" para uma possível aquisição e fusão. A "luta de classes" seria absorvida pelo "Mercado" e metade dos trabalhadores da "luta de classes" seria despedida, tendo algumas área sido já identificadas como redundantes tal como a de gestão de recursos humanos. A empresa resultante seria mais competitiva que as inicias separadas sendo que o previsto é iniciarem a planificação de expansão de operações.

O que deve fazer o João?

i) Nada

ii) Montar uma manifestação no ministério da economia para que o estado viabilize a "luta de classes"

iii) Promover a nacionalização da Banca se esta não continuar a financiar os maus resultados da "luta de classes"

iv) Render a "luta de classes" ao "Mercado"

v) Dar a decisão ao representante dos trabalhadores da “luta de classes”

2. Sabendo que as respostas ii) e iii) à pergunta 1. eram armadilhas e não existem de facto, se fosse o representante dos trabalhadores da "luta de classes" que decisão tomaria?

i) Nada

ii) Aceitar a absorção da amanhãs que cantam pelo "Mercado"

iii) Montava manifestações à porta da “luta de classes” esperando por repórteres da TVI.

3) Neste caso os interesses dos trabalhadores e dos accionistas da "luta de classes" estão alinhados?

i) Sim

ii) Não

iii) Prefiro não responder a esta questão teórica que me pode comprometer na prática

4) Preferia trabalhar para a "luta de classes" ou para o "Mercado"?

Nota: Este não é caso real nem há mais informação.

Nota 2: Dedicado ao comentador jms

Nota 3: Editado para corrigir o erro de confundir "amanhãs que cantam" com "luta de classes"

2007/06/21

Quiz...

Conversa entre A, B e C:

A: Tenho um problema gravíssimo com uma fábrica. Os trabalhadores em alguns meses desaparecem por completo. A fábrica para e perdemos toda a produção do mês.

B: Param porquê? Não estão satisfeitos?

C: Quanto é que perdes nesses meses sem produção?

A: Eles estão satisfeitos, mas vão trabalhar para as terras deles. São meses de colheitas. Perco 100.000 Euros em cada mês.

B: Não há desemprego nessa zona, certo?

C: E quanto é que gastas em salários?

A: O desemprego e o sub-emprego atingem níveis brutais. Gasto em salários 5.000 Euros por mês.

B: As condições de trabalho devem ser muito más... são trabalhadores precários?

C: Quanto é que eles ganham nas colheitas?

A: (B)Têm um contrato e ganham semanalmente como é prática. Não temos acidentes de trabalho. São as pessoas com mais educação na zona que procuram trabalho nas fábricas. De facto são também esses que têm mais terras próprias. (C) Nos meses de colheita ganham o dobro se trabalharem nas próprias terras do que se estivessem na fábrica.

B: Pelo menos os trabalhadores estão contentes. Os donos da fábrica podem bem com o prejuízo. Eis um bom exemplo em como a vontade dos trabalhadores unidos os liberta do jogo do capital em prol do desenvolvimento dos meios próprios de produção.

C: Porque é que não aumentas os salários de todos os trabalhadores para o dobro em todos os meses? Dessa forma os trabalhadores da fábrica já não teriam razões para parar de trabalhar nos meses da colheita porque podiam contratar outros para fazer o seu trabalho na terra.

Pergunta 1: O que deve fazer o A?

i) Nada

ii) Congratular-se por gerir uma fábrica em que os trabalhadores também trabalham a sua própria terra

iii) Duplicar os salários dos trabalhadores

Pergunta 2:

No texto quem é o socialista e quem é o liberal?

Pergunta 3:

Os trabalhadores ficam melhor com a solução do liberal ou com a solução do socialista?

Pergunta 4:

O dono da fábrica fica melhor com a solução do liberal ou com a solução do socialista?

Pergunta 5:

Esta história tem algum fundo de verdade?

2007/06/04

Private Equity (III)

Se há oportunidades por explorar, como é que o mercado bolsista se deixa ultrapassar por estes fundos de Private Equity que de forma deliberada retiram estas empresas do escrutínio, supostamente eficiente e racional, dos mercados financeiros?

Ladrões de Bicicletas.
No seguimento da análise do Ricardo sobre a referida sucessão de artigos, acho que há um ou outro ponto que será interessante e importante de referir.

Um ponto é mais ou menos óbvio: a bolsa de valores, e o mercado financeiro, não são "O Mercado". São tão somente vectores de um mercado livre. Nada obriga, nem cauciona a liberdade do mercado (mesmo que só na sua vertente de mercado de capitais), que uma empresa se faça cotar em bolsa. Aliás, há empresas que fazem gáudio de não dispersarem o seu capital em bolsa, já que anseiam antes por autonomia de gestão e decisão e pela autonomia de planeamento de longo prazo, longe das imposições de divulgação de informação operacional periódica do mercado de capitais. É uma decisão legítima, livre e que só enriquece o mercado, ao diversificar os intrumentos de gestão acessíveis às empresas.

Além disso, há outra questão que importa ponderar. A bolsa, em primeira análise, é tão somente um fórum de troca de autonomia de gestão e de informação previlegiada e operacional da empresa por capital e por dispersão do risco empresarial. Um empresa ofereçe informação, essencialmente, e uma participação no património, nas decisões e uma garantia de partilha do futuro económico da empresa, e em troca recebe o capital disperso (distribuído pelos seus sócios originários) bem como uma participação no risco operacional da empresa. Como na generalidade das transacções num mercado, há claramente uma troca de informação por capital (e genericamente, por risco).

O que sucede, é que o próprio facto de haver essa dispersão do risco, nomeadamente no caso de empresas em que o capital se encontra disperso por vários accionistas, faz com que a atitude empresarial passe a ser bastante mais conservadora, quer pela vontade de obtenção de lucros rápidos quer pela cautela agregada que se manifesta nos processos de decisão da empresa.

Mas, lembre-se, a informação, apesar de mais disponível, não é absoluta. O que acontece é que a ligação entre a decisão de gestão, o acesso à informação e a titularidade do risco dilui-se. Como tal, é natural que se acumulem ineficiências internas, ou mesmo dificuldades de apreensão do real valor da empresa pelo mercado.

Posto isto, é perfeitamente natural que instituições financeiras, com propensão para o risco, utilizem esse factor como maisvalia de gestão. Na prática, o que acontece é uma reversão da troca que presidiu à dispersão do capital em bolsa da empresa que é adquirida por estas empresas. Há uma re-agregação do risco, um restabelecimento de um mecanismo de decisão absoluto e com pleno acesso à ordem interna da empresa. Nada de estranho, num mercado livre e que funcione com pressupostos liberais.

Concretamente em relação às criticas dos artigos em causa, levanta-se ainda outra questão, e constata-se a estranheza: acha-se uma reacção anormal e uma atitude perversa num mercado livre uma empresa adquirir outra, "comprando" o seu valor de mercado e retirando-a de cotação, desmantelando-a e reorganizando-a de acordo com o ganho de informação e de capacidade de gestão adquirido, e ao facto de se re-dispersar as empresas resultantes em bolsa, com ganhos de "4,3 vezes em 20 meses". Mas já não se acha estranho que uma empresa persista com um valor que acaba (por falta de informação) por ser sub-avaliado em relação à realidade efectiva, e por manter uma empresa no mercado alheada da sua verdadeira realidade e potencial, e desprovida de capacidade de atrair investimento fresco que até é capaz de, bem vistas as coisas, cativar.

Ou seja, mercado livre, para alguns, não é um fórum de interacções e de trocas não-coercivas e voluntárias entre indivíduos, mas sim um mecanismo de fazer perfurar o bafio e o alheamente da realidade para onde foram remetidas algumas empresas.

2007/05/14

Definições

Um liberal não é anti-democrata, mas deve, sempre que possível, defender a primazia do mercado sobre qualquer sistema político, incluindo o democrático. A opção por um processo de decisão democrático em assuntos que o mercado pode resolver, é um sacrifício inútil da liberdade individual dos minoritários. Alguém que conscientemente opta por sacrifícios inúteis de liberdade não pode afirmar-se como liberal.

2007/04/16

A ler

A história que este governo e outros executam políticas “neo-liberais” quando fecham serviços do Estado já deixou de ter piada. O que os Governos fazem é nem mais nem menos que racionamento. Não é racionalização, é racionamento. O Séc XX foi pródigo a demonstrar que qualquer serviço ou produto fornecido pelo Estado acaba racionado. Não há racionamento de produtos ou serviços fornecidos pela sociedade.

Outra reflexão pequenina, pelo Helder n'O Insurgente.