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2008/06/02

Privatizar CGD

Um conjunto de razões para privatizar a CGD :

A primeira razão é a de que o Estado não pode regular de forma minimamente eficiente e eficaz o mercado financeiro enquanto tiver um interesse tão forte como fornecedor.

A segunda razão é a de que o Estado não precisa de deter um banco para cumprir com qualquer uma das funções que lhe são atribuídas pelos grandes partidos portugueses, PSD e PS, incluindo funções sociais e de redistribuição da riqueza.

A terceira é a de que a CGD, como grande investidor e como grande financiador intervem em variadíssimos mercados. Esta intervenção, feita em enormíssima escala, embora seja feita por uma entidade detida a 100% pelo Estado português tem uma gestão que é completamente opaca para os eleitores e sem garantia nenhuma de equidade no tratamento dos cidadãos.

A quarta é que é um mau investimento para o Estado. A CGD é banco com baíxissima rentabilidade de capitais. Existirá quem consiga gerir melhor este banco, mesmo com um regulador menos cooperante, e capaz de pagar um prémio adicional sobre a rentabilidade que o Estado portugues consegue retirar de lá.

Um conjunto de razões para privatizar o mais rápidamente possível:

Do primeiro ao último lugar para acabar o mais rapidamente possível com todos os problemas acima anunciados. Razão suficiente.

PS: O esforço que fiz para não usar calão neoliberalfascistaeconomicista neste post...

2008/05/26

Especuladores e usurários

(...) "Quando um preço aumenta tal indica que esse produto se está a tornar relativamente mais escasso."

Esta afirmação elimina radicalmente o fundamento básico do capitalismo (selvagem): a especulação.

Retirado de um comentário de JPG ao texto de LA-C Impostos sobre os combustíveis
A face visível do capitalismo selvagem são estas duas figuras. Especuladores e usurários. Mas o que são?

Um especulador é aquele que compra porque acredita (especula) que vai conseguir vender com margem. Não compra bens porque precisa (precisar é uma palavra importante) destes para produzir outros bens ou para o seu próprio consumo mas sim porque acredita que é capaz de os voltar a vender por um valor superior.

Um usurário, ou em termos correntes, um banqueiro ou banco, padece do mesmo mal do especulador. Também não produz. O usurário acumula dinheiro (outra palavra importante) e cede-o. Em contrapartida não se limita a receber o dinheiro que cedeu mas exige (ainda outra palavra importante) uma quantia adicional, a usura. O usurário tal como o especulador não cria, mas uma vez, apenas intermedeia.

Estes intermediários são as figuras que minam o bom funcionamento do planeamento central "orientado para o bem do colectivo". O especulador lembra a escassez e que esta tem valor. Se acredita que o preço está baixo compra para vender ao preço que acredita que vai conseguir praticar. Lembra que o valor de um bem é independente da vontade do planeador central.

O usurário lembra que o dinheiro tem valor e que o mesmo dinheiro tem mais valor hoje que amanhã. Lembra que se o volume nominal de dinheiro aumenta mais do que o valor dos bens existentes que o dinheiro vale menos e quanto maior esta tendência menor o valor do dinheiro no futuro. O usurário lembra que quanto maior a incerteza do valor da propriedade no futuro mais vale a propriedade, e logo o dinheiro, hoje.

Nem especuladores nem usurários forçam outros a transacionarem com eles. Poderá o bemfazejo planeador central dizer a mesma coisa?

Os especuladores e os usurários são de facto os mensageiros do horror. Do horror que é a realidade para os amantes da colectivização e consequente planeamento central. Não entendem a realidade, fujam do horror, adaptem-se ou desapareçam.

2008/01/01

Inebriações legislativas I

Pela minha parte estou já preparado para nos próximos temos chatear muita gente.
Assim termina a resolução de ano novo da presidência do liberalismo tuga.

Armada a malta do progresso com a nova boa lei, saliva já, no dia 1, pela oportunidade de meter o bedelho, acompanhada da ASAE, da Inspecção Geral do Trabalho e das demais agências armadas da coerção pela boa causa, nas relações humanas e profissionais, bem como na casa dos outros.

Afinal, a oportunidade de guiar pela mão os pobres estúpidos, incautos e ignorantes que ainda não foram expostos à Verdade revelada é algo que faz concerteza salivar qualquer bom planeador central que se preze.

Mais ao lado, vaticina-se até o dia de hoje como o Dia da Liberdade. Todos os atentados ao contribuinte, todas as intromissões na vida privada, os abusos, as perversões e os desvarios (impostos no passado por outros tantos iluminados) do estado omnipresente no nosso dia-a-dia aparentemente acabaram hoje, porque finalmente uns quantos vão poder exercer o seu direito humano e fundamental a comer uma sandoca no centro comercial sem que ninguém à sua volta esteja a fumar.

A exercer o seu direito egoísta, sustentado pelo braço coercivo do estado, a ditar e a impor as regras e o que é tolerável ou aceitável nos sítios que frequentam, senhores do politicamente correcto em casa alheia.

São estas as prioridades dos liberais tuga. Apoiar as boas leis e depois arregaçar as mangas para chatear o próximo. Nada que, afinal, nos surpreenda particularmente, mas que não podemos deixar de assinalar com o respectivo nojo e asco quando é protagonizado com tanta clareza.

2007/11/29

Notícias da La-La Land

Cada empresa deverá dar seguros a todos os trabalhadores, por blocos de 1 ano. Desta forma, mesmo que o trabalhador se despeça ou fique sem emprego, terá acesso ao seguro de saúde durante o período de um ano. Note-se que as seguradoras tendem a oferecer melhores condições a seguros feitos em bloco, pois o segurado ganha posição negocial perante a seguradora.
Os seguros dos trabalhadores deverão ser extendidos aos progenitores (quando reformados ou desempregados) e eventualmente a todos os familiares directos.

Hugo Garcia, no sítio do costume.
Já agora, lembro o caro Hugo Garcia que "estendidos" se escreve, em bom português (e não em "estrangeiro"), com "s".

2007/09/21

Iluminados

Como deve ser bom viver a acreditar que se é capaz de tomar decisões melhores do que o resultado da combinação de decisões de milhões de indivíduos.

Supremacia moral e racional. Excelente. Pelo menos não têm falta de auto confiança.

É uma pena que o mundo não seja dirigido por uma mão cheia destas pessoas iluminadas. Seria um mundo novo e diferente. Um mundo em que as pessoas não fariam asneiras. Em que o bem-estar de longo prazo seria claramente encontrado pelos Iluminados. Ou talvez não seja pena. Qual será a reposta certa? É melhor esperar por um dos Iluminados para ficar a saber...