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2008/05/24

Customers vs Súbditos



O que podem ver acima é uma multa de estacionamento emitida pela Polícia no Dubai. Se repararem, no canto inferior esquerdo é referido que esta é a cópia do cliente ("customer copy"). Para um português, parece ridículo ser tratado por um organismo público, especialmente sendo a polícia, como um cliente. O Português está habituado a ser tratado por contribuinte, infractor, beneficiário, nunca cliente. E, acreditem, as diferenças não estão só nas palavras.

Leituras adicionais: Os súbditos do poder, Would you expect?

2008/04/09

Cotovelo



There is a lot of self-congratulatory compliments of ex-Atlântico members going on today in the blogosphere. I was one of the few bloggers who wrote about the end of Atlântico and did not have a good word about the project. I still don't. I cannot accept people who run campaigns against other people and insult them simply because they disagree about ideas.

(...)

These people were not merely anonymous commentators of the blogosphere. (...) Without discussion they thought they had the truth and I was wrong and they considered this difference to be a good reason to call me all the names coming to their minds. I find such behaviour unacceptable. Thumbs down to them.

As for who is wrong or right, one thing is certain. The market has already produced its verdict about them and the verdict is: they were wrong. As for me, it remains to be seen.
Pedro Arroja atirou-se vorazmente ao prato frio da vingança contra alguns membros do colectivo do blog de suporte à revista Atlântico que ousaram dirigir-se-lhe (1, 2, 3) em termos que não passaram o seu crivo (que, como sabemos, é particularmente fino).

A vingança é, contudo, totalmente compreensível (e até previsível), mesmo que se possa estranhar de um propalado liberal a confusão do todo de uma revista com alguns dos responsáveis e colaboradores. Afinal, Pedro Arroja nunca escreveu para a dita publicação, e há certamente derrotas argumentativas e comentários duros e acintosos que devem ser bastante duros de engolir. Assim, mais uma vez, a ânsia de aproveitar a oportunidade e disparar sobre alguns elementos da lista dos que lhe fizeram a vida difícil no passado toldaram-se o discernimento.

Pedro Arroja afirma que o "mercado" escrutinou quem estava certo, se ele ou a dita revista. Deixou para si o julgamento de tal ainda não lhe ter ainda acontecido.

Estará concerteza esquecido. Afinal, todos nos lembramos que, ainda não há muito tempo, o mesmo Pedro Arroja foi corrido sem apelo nem agravo do blog colectivo onde participava, que acumula mais visitas e tem os artigos lidos por mais olhos do que os que passaram por todas as edições somadas da referida revista.

Ficamos então esclarecidos (e tranquilos). O mercado decidiu, e podemos estar certos que, por aplicação do próprio critério Arroja, Pedro Arroja está errado.

2007/10/29

Separação entre Estado e religião

Nada tenho contra a religião em geral e menos ainda contra a Igreja católica em concreto, porém, a defesa da liberdade religiosa é incompatível com a não separação entre o poder do estado e uma qualquer religião.A Igreja Católica é o exemplo de uma oligarquia não nepótica muitíssimo hierarquizada. Nada a opor a esta organização de poder desde que exista livre associação e dissociação. Existirá livre associação e dissociação enquanto existir separação entre o poder coercivo do estado e a religião. O fundador da Igreja Católica já o dizia: "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". E o meu entendimento é que não se referia ao dízimo.

Lembro-me destes temas devido a mais um post "interessante" do Prof. Pedro Arroja. Tendo em mente a definição de Igreja tal qual me a ensinaram, que inclui toda a comunidade de crentes comento o post "Sociedade Livre":


Representatividade e eleição (democracia);
A única eleição que existe é sobre o líder máximo da hierarquia, o Papa. Convêm lembrar que o direito de voto nesta eleição é conferido por nomeação dos anteriores Papas. Historicamente este formato de eleição foi utilizado para a perpetuação de poder dentro do mesmo grupo. A oligarquia dentro da oligarquia.

Ausência de órgão legislativo;
A palavra do Papa é lei. Pode fazer tudo dentro da sociedade, sem restrições ou limites. Um poder que pode ser usado conforme a vontade do eleito. Goste-se ou não goste-se das leis e regras criadas ou alteradas ao longo da história da Igreja um facto é que elas existem.

Abertura e meritocracia;
A abertura é limitada pelo entendimento e avaliação da própria hierarquia. Para a base estão todos convidados, se aí em diante não. Não é novidade em uma sociedade oligárquica e hierárquica. O poder é atribuído dependendo da hierarquia superior. Um dos critérios de atribuição poderá ser o mérito. É uma possibilidade, não uma regra. Outro critério pode ser a velocidade a rezar Avés-marias ou a capacidade para angariar fundos. A hierarquia tem o poder de decidir o critério.

Descentralização e governo local;
Não existe autonomia nem decisão descentralizada. A história da Igreja Católica foi feita com cisões devido a ensejos de autonomia. Qualquer pequeno desvio pode implicar a expulsão. Também pode não o implicar. No limite tudo pode depender da hierarquia.

Autoridade e hierarquia;
Sem dúvida. Sujeição ou exclusão.

Ausência de poder arbitrário;
Por definição o Papa tem poder arbitrário dentro dos limites dos poderes legais desta sociedade que são diferentes de país para país.

Tradição;
Sem dúvida.

Justiça humanizada;
Se por justiça humanizada se entender que a justiça dentro da Igreja é feita por seres humanos, é verdade.

Assistência aos pobres,
Sem dúvida. Entre outras voluntárias bem feitorias.

Igualdade de tratamento.
Por definição não é verdade. A igualdade de tratamento perante Deus não implica a igualdade de tratamento perante a Igreja. Na prática a igualdade de tratamento é sempre difícil senão impossível. No campo das intenções não é essa a doutrina da Igreja. Dentro da hierarquia da Igreja indivíduos diferentes têm liberdades e deveres diferentes. Existe discricionariedade cujo melhor exemplo é a possibilidade do Papa de fazer o julgamento que quiser sobre qualquer caso.

2007/10/24

Separar Águas

Assim, eu sou um adepto do sufrágio universal, mas não a partir dos 18 anos - somente a partir dos 40. Como argumentei em post anterior, eu julgo também que uma Câmara Corporativa seria muito útil à democracia portuguesa. Sou também um defensor de restricções à liberdade de expressão - especialmente em matéria religiosa e de protecção às crianças, como sucede na Irlanda. E sou ainda um crítico, em Portugal, do Estado laico, considerando que o Estado democrático português deveria privilegiar a tradição católica da população.

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo
Por estas e por outras é que a "esquerda moderna" prefere a direita conservadora... e por estas e por outras é que é necessário separar águas.

2007/09/18

beligerância insignificante mas assumida

Caro Prof. Pedro Arroja,

Este insignificante blogger tambem escreveu posts a fazer pressão para que saísse no Blasfémias. Adianto que sou Economista de formação e empresário (dos pequeninos) de profissão. Nem académico nem de Direito de formação. Já agora, nem Judeu nem de Coimbra.

2007/09/14

Autoridade

Há cerca de 2 anos tive a oportunidade de passar 1 mês em Dharamsala. Durante esse período ouvi muitos relatos de jovens tibetanos que se tinham arriscado passar a fronteira da Índia com a China em caminhadas de mais de um mês pelos Himalaias para se juntarem àquela comunidade. Saem de casa da família com absolutamente nada, e tudo o que o espera é acolhimento temporário da comunidade estabelecida. Não o fazem por dinheiro ou por serem perseguidos, fazem-no porque querem estar próximos do seu líder. É um tipo de autoridade que nenhuma forma de coerção consegue conquistar.

2007/09/11

Até acordei mais cedo

Hoje é o primeiro aniversário do 9/11 com o Pedro Arroja na blogosfera. Can't wait.

2007/08/28

Com um tipo chamado David e outro chamado Adam, estavam à espera de quê?

Conheceram-se em 1750, David Hume tinha então 39 anos e Adam Smith 27, e permaneceram amigos íntimos até ao final da vida - Hume faleceu em 1776, Smith em 1790.

A maior parte dos meus leitores já compreendeu onde vai desembocar a minha tese.

Durante os 26 anos que conviveram desde 1750 até à morte de Hume em 1776, Hume e Smith frequentaram os mesmos círculos literários, viajaram juntos e, sobretudo, moveram continuamente influências um em favor do outro, quer com o objectivo de favorecerem as suas respectivas reputações literárias, quer com o objectivo de conseguirem posições públicas de relevo. Quando Smith publicou o seu primeiro livro, A Teoria dos Sentimentos Morais, foi Hume que preparou o terreno e assegurou a boa receptividade da obra, escrevendo depois a Smith orgulhoso do seu trabalho. A carta denota uma cumplicidade entre ambos que não seria de esperar nos padrões formais da época.

Esta forma isolada e protegida da sociedade de agir e de manipular influências é bem conhecida, e não é de estranhar que muitas das teses que defenderam, relativamente à religião ou ao individualismo como motor de uma economia de mercado, fossem posteriormente adoptadas sem reservas pelos ideólogos do neoliberalismo que lhe sucederam.

A minha tese é a de que Hume e Smith eram judeus na clandestinidade. Apesar da informação anterior, eu não me sinto ainda capaz de confirmar - e muito menos infirmar - esta tese. Porém, se a tese vier a ser confirmada, eles podem bem ter estado no centro do primeiro lobby judaico da era moderna, bem como terão estabelecido as bases sobre a qual os ideólogos judaicos do neoliberalismo explanaram as suas teses.

2007/08/02

Verdades escolhidas

A teoria das probabilidades é um ramo da matemática e, como todos os ramos da matemática, está fundada num conjunto de verdades absolutas e indemonstráveis - os axiomas.

Os axiomas da teoria das probabilidades são três e fáceis de enunciar: [...] É sobre estas três verdades simples e indemonstráveis que se contrói em seguida todo o edifício da teoria das probabilidades e da estatística matemática.

É possível questionar, rejeitar até, os axiomas? É, mas quem os rejeitar não terá uma teoria das probabilidades e todos os benefícios que dela resultam; pelo contrário, quem quiser ter uma teoria das probabilidades - e, depois, também, o corpo teórico da inferência estatística - tem de aceitar os axiomas como um acto de fé. A escolha é simples. Eu consagrava sempre muito tempo a esta parte da matéria e só depois prosseguia pela teoria fora, enunciando os teoremas e demonstrando-os, derivando os corolários, etc. Mas que ficasse bem claro: os axiomas não são demonstráveis.

Pedro Arroja.
Nada a apontar à constatação final de Pedro Arroja de que os axiomas, por definição, não se demonstram. Mas, quanto a mim, parece transpirar da generalidade das palavras do artigo em causa um equívoco: o de que os axiomas são Verdade, e de que a adesão aos axiomas é um acto de fé. Ora, quanto a mim, pela definição de axioma, tal não deixa de ser falso.

2007/07/22

Persistência da memória

A mensagem principal que eu retirei da minha visita ao Museu Judeu de Berlim foi a de a comunidade judaica poder dizer ao mundo "Olhem o que os alemães nos fizeram...", e fazê-lo a partir do centro da capital da Alemanha.

O Museu visa lembrar os alemães, de forma permanente, que eles são culpados para sempre. Imagino aquilo que pode pensar a actual geração de alemães, que nada tem que ver com o holocausto, e mais ainda as gerações futuras. Aquele Museu, cravado ali no coração da sua capital, não pode ser senão um factor de irritação permanente.
Aparentemente, a História e a memória provocam uma "irritação permanente" em Pedro Arroja. Ou seja, um edifício-monumento onde se homenageiam vitimas dos desvarios totalitários do passado, construído no seio da capital do estado que os patrocinou, não é um sinal de catarse e paz civilizacional para com os abusos do passado, mas sim uma permanente afronta aos presentes, que serão diariamente relembrados do seu passado pouco brilhante.

Ou seja, a função de aprendizagem da História, no sentido de que não se esqueça o que se fez e que não se repitam os erros do passado, não é uma maisvalia, mas uma inconveniência permanente que assombra o presente.

Mais curiosa ainda é a afirmação de que a "mensagem principal que retirou da sua visita", foi afinal, a da acusação feita aos alemães do passado pelos judeus em relação aos que lhes foi feito. Entre considerações sobre, por exemplo, os limites a que se pode chegar em democracia, do que pode significar o totalitarismo de um estado e o desaparecimento do indivíduo face a um estado plenipotenciários e opressor directo dos cidadãos, Pedro Arroja escolhe "a afronta" que é relembrar hoje todos os dias o que foi feito. Os factos e as megalomanias. Curiosa escolha de mensagens e prioridades.

Mais do que isso, quando se poderia louvar a capacidade dos presentes em tentar compreender e fazer a paz com o passado, e em se prestar uma justa homenagem, afinal, às vitimas, parece que tudo isto está mal. Que irrita. Provavelmente, o que já não acontecerá em relação às igrejas que povoam no nosso país e na vizinha Espanha os terreiros onde no passado se materializaram Autos de Fé, e onde ainda hoje se glorifica e se presta homenagem à instituição culpada, mas se esquece a homenagem às vítimas. Aí, confiamos que Pedro Arroja achará que está tudo bem.

Mas as pérolas não ficam por aqui:
Como cidadão português, eu nunca aceitaria que a comunidade judaica em Portugal fosse colocar no centro de Lisboa um museu evocativo das perseguições que os judeus foram alvo no país - e estou persuadido que seria nisso acompanhado pela esmagadora maioria dos portugueses. Recomendaria que fizessem o Museu no centro de Telavive.
Fica a dúvida: o que estaria Pedro Arroja preparado para fazer com que tal não acontecesse, ou seja, para que não fosse construído esse museu, em propriedade privada e com dinheiro de privados. Ou até no que toca à propriedade privada o seu liberalismo já sucumbiu?

Adenda: sobre o mesmo assunto, ler o que diz o Adolfo Mesquita Nunes e Júlio Silva Cunha (1, 2)

2007/07/04

Escola austríaca

Quem lê os textos de Pedro Arroja percebe porque é que este não pode ser o maior admirador de Karl Popper.

Muitas das teses que Pedro Arroja escreve de facto não podem ser refutadas. Não por serem verdadeiras, mas por serem "especulações metafísicas".

Embora este tipo de artigos possam ser muito interessantes de ler, com teses fáceis de aceitar por alguns leitores, não são aceites como científicos pela academia. Mais uma vez, é fácil de entender a falta de amor de Pedro Arroja à escola Austríaca em geral e ao judeu Popper em particular.

2007/07/03

SIDA

De entre os homens que utilizam preservativo, uma quantidade substancial são judeus. Não admira: desprovidos de parte da sua protecção peniana em tenra idade, os judeus sempre sofreram de ultra-sensibilidade fálica tornando o sexo num acto muito doloroso. Sem a distracção do sexo, os judeus puderam dedicar-se a outras artes mais nobres, o que lhes possibilitou prosperarem mesmo em ambientes muito hostis. Sendo humanos, ou algo aproximado, não puderam os judeus viver em paz sem resolverem este problema. Foi em sequência disso que um grupo de descendentes de judeus criou no século XVI o preservativo: um mecanismo que oferecia uma protecção fálica artificial compensando a protecção natural perdida em tenra idade. Durante os 3 séculos que se seguiram, os judeus, seus descendentes, amigos e conhecidos foram aperfeiçoando a técnica de produção de preservativos (de intestinos de animais até ao latex de hoje em dia).
Porém o grande problema mantinha-se para o macho judeu: a fêmea vista perante a perspectiva de ser penetrada por um objecto estranho, retraía-se, preferindo os machos de pila limpa, mesmo que de espécie diferente. A solução passava por forçar os machos de outra espécie, os tais que não sofriam de hiper-sensibilidade peniana, a também usar a camada extra: o preservativo. Foi neste contexto que os judeus criaram o vírus da sida, transmitido sexualmente. Como controlam os meios de comunicação social, conseguiram fazer passar a mensagem de que apenas usando o preservativo, os machos de todas as espécies se poderiam livrar de um vírus mortal. A minha teoria é que os judeus introduziram na sociedade o virus da sida. Inclusivamente estudos indicam que o primeiro macaco com o vírus HIV usava chapeu preto e barba comprida.
Sobre a utilização dupla do preservativo falarei num outro post.

2007/06/25

O Erro de Arroja

Aqui, Pedro Arroja insiste no erro que, na minha opinião, o afasta sistematicamente do liberalismo que tanto ajudou a difundir.

Uma sociedade liberal pugnaria pela defesa intransigente dos direitos negativos. E aqui está o problema que Arroja tem de resolver. Direitos negativos não pressupõem obrigações nem deveres das outras partes.

Quando define uma sociedade liberal como:

"(...) eu defini uma sociedade liberal como aquela em que todos cumprem as suas obrigações para com os outros.(...)"
Afasta-se da defesa de liberdades negativas por definição. Mais, concentra a sua atenção nas liberdades positivas, aquelas que exigem o cumprimento de obrigações de parte a parte.

A sociedade que define não é uma sociedade liberal, é uma sociedade, em que todos os indivíduos têm os mesmos valores e que por isso não necessita de uma entidade central para os impor. Sendo a eliminação da coerção pelo poder central uma coisa desejada em uma sociedade liberal, não pode ser considerada condição suficiente. Por mais que o seja defendido pelos mais distintos autores.

2007/05/19

Governância

Concorde-se ou não com as suas opiniões, Pedro Arroja foi dos melhores bloggers que passou pela blogosfera. No seu próprio estilo foi capaz de discutir assuntos tabu, de ir contra o politicamente correcto. Podia até não ter espaço no Blasfémias, mas tem um enorme espaço na internet.
Pedro Arroja edita agora uma revista online. O seu primeiro artigo aqui.

2007/05/16

Numa frase se resume a atitude etnocêntrica do progressista europeu

Os americanos são um bocado infantis e atrasados mentais, precisam de aprender com a ajuda de bonecos.

Luís Lavoura, nesta caixa de comentários

3 pelo preço de 1

De onde menos se esperava, vem uma tentativa de revitalizar a instituição do casamento. Ao flexibilizar a instituição do casamento civil, o Bloco de Esquerda torna-o mais atractivo. O casamento civil passa a ser mais competitivo em relação à união de facto. Uma pessoa poderá casar-se mais vezes.
Como diria o, já saudoso, Pedro Arroja: a mulher portuguesa ficará ainda mais barata.

2007/04/26

dupla precaução

A minha regra é a de usar dupla precaução a interpretar a análise de jogos, arbitragens ou meramente de artigos de opinião escritos predominantemente por intelectuais adeptos do Futebol Clube do Porto. Estão neste caso o Miguel Sousa Tavares, o Pôncio Monteiro e o Manuel Serrão e vários bloggers desta casa.

Presumo que os adeptos do Futebol Clube do Porto são sempre mais fieis às suas preferências clubísticas do que à verdade e que, em caso de conflito entre ambas, optam pela primeira em detrimento da segunda - e sem hesitação.

Liberdade de expressão

No seguimento deste recente artigo do CAA, e de toda a novela (e subsequente vitimização, algo a que bem nos habituou) de Pedro Arroja na sua saída do Blasfémias, acompanhado dos desenvolvimentos recentes do cartaz do PNR e das iniciativas europeias de criminalização a nível europeu dos crimes de ódio, de incitamento e de negação dos genocídios, da questão da decisão que penalizou o Público vs. Sporting referindo doutrina que previligia o "bom nome" à divulgação da verdade (bem como outras conversas que agora não vêm ao caso), o tema da liberdade de expressão voltou a estar em cima da mesa, impondo-se (ou pelo menos motivando-me a) uma reflexão sobre o tema.

Na minha perspectiva, o Liberalismo afirma como fundação do Estado de Direito a perspectiva da Liberdade negativa, conjugada com o direito de propriedade, entendido como o direito que cada um tem ao que é seu (incluindo o seu corpo e a sua integridade física). A primeira concebe-se como ilimitada, na medida em que não viole o segundo, constituindo o direito de propriedade a delimitação da esfera de influência exclusiva de cada um. Todo o Estado de Direito, e em concreto a Justiça, deve comprender-se como um processo de arbítrio quando há violação de um ou outro conceito, partindo de um princípio de igualdade de todos os indivíduos perante a lei.

Conjugado, quanto a mim, com este princípio, existe outro: pelo facto de o estado estar empossado (por delegação explícita ou por tradição, não vem ao caso) de poder coercivo, não existe por parte deste e das suas instituições o direito ao usufruto do mesmo conceito de Liberdade e de propriedade que assiste a cada um, ou à titularização da Liberdade na mesma acepção. O mandado do estado pressupõe, portanto, a imposição de limites à sua liberdade, e a definição de barreiras ao que lhe é permitido. Uma das barreiras óbvia, quanto a mim, é que não deve ter o direito de estabelecer políticas discriminatórias ou desiguais em relação ao tratamento dos indivíduos.

Sendo assim, no caso da liberdade expressão (como vector diferenciado da Liberdade), não faz sentido que se estabeleçam limites que não sejam, como no resto do usufruto da Liberdade, o seu pendor negativo. Aliás, dir-se-á que o interesse na definição do conceito de liberdade de expressão é exactamente no seu teor ilimitado, e não na possibilidade de se vislumbrar limites avulsos do que é ou não permitido. O interesse do conceito é exactamente o de defender os discursos menos concensuais e extremos, já que os outros se depreende que não esbarrem contra a normal tolerância. Se a liberdade de expressão não valer exactamente pelo que de liberdade a qualifica, não valerá muito a pena concebê-la.

Partindo deste princípio, a liberdade de expressão só deverá ser alvo de sanção quando se tornar positiva, ou seja, quando for de encontro ao direito de propriedade do outro ou quando limitar o usufruto da sua liberdade negativa, e só deverá ser nessas circunstâncias que o estado deverá estar mandatado para intervir.

Como tal, e de acordo com o exposto, discordo com a proibição e/ou penalização de qualquer forma de discurso, seja incitamento ao "ódio", à discriminação ou ao negacionismo histórico.

Uma coisa é dizer-se que "todos os muçulmanos (para não cair em clichés) deviam ser mortos, e que se o fizerem vão para o céu com perdão divino". Pelo facto de alguém o afirmar, não se mata nenhum muçulmano nem se ofereçem benefícios a terceiros para que o façam. Também não se tira a ninguém a liberdade de professar a religião muçulmana. Somente quem tome a decisão (por ter ouvido, pela sua irreflexão ou incultura anterior) autónoma e que lhe compete como pessoa que tem a última palavra a dizer e mate um muçulmano é que deverá sofrer as consequências legais.

Outra muito diferente é alguém oferecer uma recompensa para quem faça determinado crime, ou que abuse de situações particulares de poder e de influência (que acabam por ser mecanismos de coerção, como por exemplo pais abusarem do seu poder sobre os filhos) para forçar alguém a agir de um determinado modo.

Uma coisa é o papel de mandante de um crime. Outra, completamente diferente é o conceito de "incitamento" ou de "apelo" à prática de um determinado crime.

Assim como a penalização do apelo à discriminação, numa perspectiva liberal (assim como da própria discriminação) não faz qualquer sentido, já que toda a gente deve ter toda a liberdade de acção e de escolha no domínio da sua propriedade. Se alguém não quiser contratar chineses, não quiser vender produtos a brancos ou negar a entrada de um preto ou de fumadores (ou não fumadores) no seu estabelecimento, se uma religião se recusar a casar homossexuais ou se alguém expulsar alguém de sua casa por ter dito algo de que não gostava, estará no seu direito e não deve ser penalizado. Diferente, como referi, deverão ser as regras que governam a relação do estado com os cidadãos, em que não deverão existir regras discriminatórias.

No seguimento do que disse, a tentação de conceber a liberdade de expressão de um modo positivado é quanto a mim um erro. Um erro porque se submete inevitavelmente aos compromissos não necessariamente justos da democracia, além de convergir para deixar como "autorizado" e legal exactamente o exercício de liberdade de expressão que não precisa de defesa, por incipiência. Além de permitir e conferir a entidades externas, nomeadamente ao estado, o poder de interceder entre emissor e receptor de um discurso que até seja tolerado pelas duas partes.

Para concluir, a questão de Pedro Arroja como caso prático: a perspectiva de clamar, como (suposto) liberal, uma ofensa à sua liberdade de expressão em todo o processo que culminou na sua saída do blog Blasfémias (quaisquer que tenham sido os seus contornos) é, no mínimo, uma birra, um testemunho de incoerência e um resvalar para um discurso que se ouve com frequência de outras paragens.

Pedro Arroja não têm um "direito" à liberdade de expressão. Não tem o direito a forçar a sua opinião e a sua presença à instituição privada para que foi convidado. O Pedro Arroja continua a ter, e não foi minimamente beliscada, a sua liberdade de expressão: a liberdade de dizer o que quiser (infelizmente actualmente limitado pela lei), de abrir um blog para o dizer, de montar um jornal, de imprimir panfletos e distribuí-los na vizinhança com o que lhe passar na cabeça. Essa liberdade ninguém lhe tirou ou limitou. E isso é que é liberdade de expressão. Não é qualquer direito a alguma forma de "quota" inamovível ou de tempo de antena, à custa dos recurso geridos privadamente por terceiros e da sua vontade.

Um verdadeiro liberal, defensor do mercado livre (inclusivé de ideias), teria no momento a seguir à sua saída do Blasfémias, aberto um outro blog (é gratuito até), onde pudesse continuar a dizer o que bem intendesse, e fixando as regras que melhor lhe aprouvessem. Mas não, escudou-se na habitual estratégia de vitimização, e foi persistir no choradinho e na lavagem de roupa suja na casa que lhe deu exposição e protagonismo (justo e válido enquanto resultou de um equilíbrio de vontades das partes), numa não muito original versão do discurso dos "direitos adquiridos".

2007/04/24

A porta da rua é a serventia da casa

Numa doce ironia e reviravolta, Pedro Arroja sai do Blasfémias em véspera do 25 de Abril (pelo que pelo menos temos uma razão para juntar às poucas que temos para comemorar a data), de cravos na mão e imbuído de espírito revolucionário.

Se calhar (tenho dúvidas), aprendeu que, assim como algumas ditaduras caem de podres, também há estratégias, retóricas e ideias às quais isso também acontece.

Para trás fica uma sucessão de artigos em progressiva degeneração, uma recorrências de fétiches, um insistir numa mesma tecla que todos (excepto o seu inner circle, consumação do espírito de bajulação e de comandita tão típico de muitos portugueses) viram desmontados e descredibilizados, muitas das vezes em termos arrasadores, e que caminhavam firmemente no sentido da anedota. Um testemunho da impossibilidade em assumir uma derrota (honrosa) intelectual face a argumentos mais fortes. O viver na ilusão de que a sua posição só pode ser refutada por substituição por uma tese melhor (aos seus olhos, e pelos seus argumentos).

Concretamente, na sucessão de artigos de Pedro Arroja, verificou-se que o suposto manto de seriedade degenera não numa discussão elevada em termos intelectuais (da qual PA sistematicamente foge) mas para estratégias de vitimização paralelas (veja-se a sua "púdica" fuga sistemática, entretanto abandonada, deixando o trabalho aos "fiéis escudeiros", para a condição de "insultado" e de "vítima") ou para falácias de autoridade pessoal que (reconhecidamente) não lhe é conferida.

Foi inequívoca a degradação do nível das caixas de comentários dos seus artigos, principalmente face à comparação com a memória do que acontecia com discussões acaloradas do passado no mesmo local, que nunca deixaram na generalidade de manter a elevação.

Ao pactuar com (e até enaltecer) uma atitude de conflito e insulto sistemático, e com um nivel de taberna como qualificativo e apanágio dos comentários aos seus artigos, a presença que se prometia como mais-valia de Pedro Arroja confirmou-se, em grande medida, como um bluff.

A própria caixa dos comentários do artigo de despedida é o apanágio do que se estabelecera como rotina: conteúdo, nada; somente uma sucessão de trocas de insultos e de desvarios chorosos das carpideiras, órfãs do estatuto efémero e fictício estabelecido pelo antigo regime. Na altura em que escrevo este artigo, já ultrapassa largamente os 500 comentários.

Muitos, escudam-se em acusações de "censura" e de "agressão à liberdade de expressão". Esses são os que perceberam poucas das palavras que foram escritas no passado naquela casa sobre propriedade e sobre essa liberdade de expressão. A liberdade de expressão, para os homens livres, não é um direito positivo. Pedro Arroja mantém toda a liberdade de abrir um novo blog onde bem lhe entender, e continuar com o exacto mesmo discurso que praticava até ao momento em que saiu. Na casa dos outros não há direitos adquiridos.

A censura é algo que somente faz sentido ser definido, do ponto de vista liberal, quando é exercida por um estado, no abuso do seu poder coercivo. Se calhar, no abuso da autoridade autoritária que tanto enalteceu nos seus artigos.

E fica mais uma vez provado que as organizações liberais e livres também têm capacidade de regulação. Que não são necessárias "proibições" ou afirmação de direitos positivos avulsos.

Saiu pelo seu pé, ou no exercício de legítimos direitos de propriedade. A sucessiva descridibilização e desvalorização do produto "Blasfémias" teve as suas consequências naturais, forçando a reorganização e a reacção espontâneas. Os accionistas falaram.

Agora, chegou o momento de voltar a dar provas por si, e não de continuar a parasitar os demais colegas de blog e comentadores.

Já foi tarde.