2009/06/30

acho que nunca tinha ouvido uma frase destas de um político português

Se o PSD fez isso, só tenho a considerar que fez mal. E é não pelo facto de um dia nós termos feito uma coisa mal que eu posso deixar de criticar algo que está feito mal. Se fez, fez mal, não devia ter feito.

Manuela Ferreira Leite (via Público)


Não me consigo lembrar da última vez em que alguém admitiu que o próprio partido pode errar. Dito desta forma soa a ridículo. Mas é um facto.

A política portuguesa teve um bom momento.

2009/06/27

manifesto dos 78

Alguém que explique a um tecnocrata porque é que os manifestos são
incompatíveis, salvo agendas políticas.

Em particular,
(i) porque é que não há outras formas de atacar o desemprego que não
seja por via de elefantes brancos
(ii) o que é que se faz a 1 000 000 de pessoas (mais dependentes) na
próxima década enquanto as contas da mercearia não são pagas

Se não forem incompatíveis, acho que deveriam ir todos tomar um copo e
-- fica a sugestão -- produzir o manifesto dos 78.

capa do Expresso esta semana


Já não me lembro de ver uma capa do Expresso tão interessante há muito tempo.

Primeiro, a trapalhada de Sócrates com a Manuela a marcar 2 pontos antes de Sócrates fazer alguma coisa e depois de Sócrates fazer alguma coisa. As europeias fizeram-lhe bem e, por este caminho, nem precisa de Rangel na campanha.

Depois, mais Manuela: Exceptuando a Segurança Social, muda tudo: "prepara rupturas e pondera reduzir o Estado ao 'imprescindível'.

Vai daí até o vou comprar.

2009/06/26

2009/06/25

Uma questão de carros usados



Só com muito optimismo e bias se consegue perceber, politicamente, as diferenças entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite. Defendem exactamente o mesmo modelo de desenvolvimento, o mesmo tipo de sociedade, o mesmo tipo de "moral".

Há algumas diferenças; mas o que em absoluto é um jogo a feijões, em termos relativos parece ser o suficiente para marcar as diferenças de programa. Por exemplo, um quer o TGV, outra quer PMEs. São pontos válidos, seguramente que sim, mas só no país das Maravilhas que MFL tanto mencionou é que isto é central. O país tem outros problemas.

A única e verdadeira diferença, que, no fundo, me parece que é a grande estratégia de MFL ao dizer que as eleições servirão para os eleitores dizerem se querem que Sócrates continue ou não, é apostar no carácter, cobrindo um leque de qualidades que inclui "bom-senso", "rigor", "transparência", "desapego", ...

Ou seja, no boletim de voto estará implicitamente a questão "a quem compraria um carro usado?".

2009/06/19

a ler

A "mundivisão" de José Sócrates por Carlos Botelho, n'O Cachimbo de Magritte

Também me parece que é uma componente forte em Sócrates.

2009/06/18

da série "agora é perceber como"

Em segundo lugar, é necessário evitar a confusão entre socialismo democrático e socialismo estatista. A memória marxista da esquerda leva-a por vezes a pensar que a única alternativa ao neoliberalismo da direita é o regresso a uma espécie de socialismo de estado. Isso é um absurdo.
(João Cardoso Rosas, i)

2009/06/17

dresden


A propósito deste post sobre as duas Coreias (Delito de Opinião, via Afilhado):
Estou esta semana numa espécie de cruzamento entre Coreias: Dresden. Dresden é uma espécie de chão sagrado para se compreender o século XX europeu (por extensão, mundial). Não só foi reduzida a cinzas e reconstruída, por via de um nacional-socialismo, como é uma lição de história sobre o que acontece quando as belas utopias de esquerda tomam o poder e o que acontece quando as mesmas belas utopias deixam o poder.

O que é incrível é que, 20 anos passados, parece que ninguém se lembra disto.

ou é ideologia ou falta de humor

(sobre empregos mantidos por subsídios, entre José Sócrates e Ana Lourenço)
- ... mantendo artificialmente esses empregos?
- ... err... hmm... sim, sim, é isso mesmo!

2009/06/15

alternância

Acho que o que se está a passar é o princípio da desagregação de um sistema político baseado no bloco central e num pacto profundo entre os partidos do bloco central no sentido de assegurar a sua continuação e a repartição de poder.


Precisamente. Esta coisa da alternância democrática (vulgo, agora nós agora eles), em que há dois partidos "com vocação de poder" (só a expressão diz tudo) faz-me lembrar aquela anedota de loiras:
- como é que se entretem uma loira durante o tempo que for preciso?
- dá-se-lhe um papel em que em que cada face está escrito "o outro lado é que tem piada".

Independentemente de o povo ter memória ou não, parece-me que, finalmente em larga escala, se começam as pessoas a perguntar porque não haveriam de colocar a cruz noutros sítios que não os do costume. Nem que seja à totoloto.

2009/06/11

o essencial do PR sobre o financiamento dos partidos

bla bla bla financiamento privado bla bla financiamento público bla bla transparência bla bla bla encargos para os contribuintes bla bla pecuniário não titulado bla bla bla bla inoportuna bla bla bla conjuntura bla

em resumo: bla bla vergonha na cara bla bla

2009/06/08

quando ele se candidatar a primeiro-ministro


sou bem capaz de votar nele

e dos pequenos partidos foi assim

PH:
A cabeça-de-lista do Partido Humanista (PH) às europeias, Manuela Magno, destacou à agência Lusa a "extraordinária derrota" de hoje dos políticos que têm "governado nas últimas décadas", manifestada nos "praticamente 250 mil" portugueses que votaram branco ou nulo.

MEP:
O presidente do Movimento Esperança Portugal (MEP), Rui Marques, reconheceu que não foi atingido o objectivo de eleger um deputado para o Parlamento Europeu, mas destacou o "excelente resultado" na primeira votação.

MMS:
O Movimento Mérito e Sociedade (MMS) lamentou hoje que "os portugueses não tenham percebido as opções novas" para as europeias e considerou que os resultados do partido "ficam longe do necessário para desencadear a mudança". O presidente do MMS referiu que quem ganhou as eleições para o Parlamento Europeu foram "a abstenção e o sistema" e que por "nada ficar alterado, perdem os portugueses e perde Portugal".

PCTP/MRPP:
O candidato "número um" do PCTP/MRPP às europeias, Orlando Alves, afirmou que os resultados do sufrágio europeu representam uma "derrota nítida do Governo", culpa "das suas políticas relativamente ao país e à integração europeia" de Portugal.


(extractos retirados da comunicação social e blogger preguiçoso para fazer as devidas referências. Googlem...)

Se isto fosse a festival da Eurovisão, seria assim
- 12 points para o MEP pela sua honestidade e coerência
- 10 points para o PH porque a leitura do valor da abstenção está, obviamente, correcta
- 5 points para o PCTP/MRPP porque é uma leitura possível
- 0 points para o MMS que acha que a culpa é dos eleitores dado que não perceberam o valor das ideias propostas


DISCLAIMERs:
1. sou militante do MMS
2. tenho afinidades emocionais com o PH



2009/06/04

mais Quimondas?

A "Silicon Valley" portuguesa vai começar a ser construída no último trimestre de 2009, anunciaram hoje os promotores da iniciativa numa conferência em França. Paredes vai acolher esta que será a primeira cidade inteligente criada de raiz na Europa, cuja construção estará finalizada em 2013.
(JNeg)

Reparem que eu nem sequer me posso queixar porque é a minha área. De um ponto de vista pessoalíssimo, venham as Silicon Valleys todas. Mas a Quimonda também já foi a minha área. E já na altura (há uns 5 anos atrás) achei que era um tiro no pé assinar contrato. Há 5 anos atrás, já se sabia que os semicondutores estavam em consolidação (i.e., fusões, encerramentos de fábricas e redução de capacidade) e a fugirem para fora da Europa.

É certo que este núcleo, a avaliar pela informação disponível (pouca) sempre parece mais flexível e robusto. Serviços em redes são human-intensive e menos susceptiveis a este tipo de processos. Mas há 15 anos atrás talvez se dissesse o mesmo da Quimonda. Até me lembro de qualquer coisa do tipo "vai ser sempre necessário grandes quantidades de memórias."

Isto para dizer que este tipo de policies são uma autêntica lotaria. Pior: uma espécie de uninformed lotaria. O que não seria dramático se fossem as empresas a entrar com o capital e o risco (problema delas). O problema é que aqueles biliões todos poderiam servir para outras coisas -- como devolver às pessoas -- a.k.a, baixar impostos -- e não deixar os Estados brincarem aos astrólogos.

2009/05/30

as acções da SLN de Cavaco Silva

Os líderes do PCP, Jerónimo Sousa, e do CDS/PP, Paulo Portas, e o cabeça de lista do Bloco de Esquerda às europeias, Miguel Portas, já vieram defender o Presidente da República, Cavaco Silva, considerando “legitima” a operação de aquisição e de venda das acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), ex-proprietária do BPN.
(Publico, hoje)


Confesso, embaraçado, que esperava outro tipo de reacções. Esperaria aquele tipo de comentários, à la Rui Tavares e João Rodrigues, que, sem explicitamente atacarem o carácter de CS (mais não poderiam fazer do que isto), poluíssem tanto a imagem do PR como o PSD, numa camada de crude que terminaria em Paulo Rangel e Manuela Ferreira Leite.

Foi, decididamente, um momento nobre da Democracia. Quanto ao Expresso, teve o seu momento Manuela Moura Guedes. Não censuro, mas também não aplaudo.

left-wing genetics ou o post que de tudo fala e nada diz

Um texto interessantíssimo sobre a origens da esquerda (via O Afilhado), ainda mais interessante sendo o facto do artigo ser do LvMises Institute e escrito por alguém cujo nome soa a Rousseau. Dentro destas interessantíssimidades, destaco esta parte:

Robespierre, who represented himself as spokesman for the people, first said that the division of the powers of government was a good thing when it diminished the authority of the king. But when Robespierre himself became the leader, he claimed that the division of the powers of government would be a bad thing now that the power belonged "to the people."

Já há umas décadas que se diz isso -- até há quem diga que, fosse a sociologia matemática, é um teorema provado. Mas, por mais que me expliquem, eu nunca consigo explicar de volta, re-explicar portanto, porque é que algo tão bucolicamente romântico como a ditadura do proletariado acaba irredutivelmente em ditadura dos Robespierres, sem que os robespierres sejam proletários ou os proletários robespierres.

A propósito, parece que se encontrou o corpo de Rosa do Luxemburgo. Deixo aqui a minha reverência aos movimentos de esquerda, desde Robespierre a Hugo Chavez, sem os quais o Mundo seria muito diferente. Às vezes um pouco melhor.

Quanto à pobre Direita, esgotada de ter andado atrás da Esquerda durante este tempo todo, é hoje pouco mais do que o direito de porte de arma à caça de terroristas pelas Igrejas Adventistas.

E viva o Movimento Mérito e Sociedade, que nem é da esquerda nem da direita mas da frente. E, já agora, o Manuel Alegre.

2009/05/29

Ana Gomes


número I.
Nem é preciso ler o post da Ana Gomes (acima). Visualmente é fácil perceber que o metabolismo da senhora está perto do ponto crítico. Basta ver o jardim zoológico de links, itálicos, negritos, pontos de exclamação.
Não se admirem se amanhã for notícia "Ana Gomes entra em combustão instantânea após José Manuel Barroso lhe ter dados os bons-dias"

número II.
Quanto ao PSD/PPE ter defendido um imposto europeu, AG mostra aqui isso. Alguém que me explique onde é que isso está. Talvez seja devido ao excesso de negritos, mas eu só vejo coisas como (em tradução livre)
- muitos consideram que ainda não chegou a hora de um imposto europeu
- embora a possibilidade exista
- mais tarde isso pode acontecer
- ir-se-á analisar a possibilidade de
- será importante analisar, no futuro, a ideia de a Europa ter recursos próprios (...) recorrendo a um imposto
- (...) (...)

Mas são os negritos que me fazem mal ou eu só leio o equivalente a um "depois vê-se" porque agora-já-maintenant ninguém quer o imposto?

2009/05/28

vital moreira e o grande capital

via Arrastão




alguém imagina este homem a dizer "Nós, Europeus"?

uma grande perda para a Esquerda (II)

João Miranda n'O Blasfémias:




(nota: A quem me pergunta porque é que não consegue votar: é uma imagem. Se quiser votar, vá ao Blasfémias.)

Vital Tiro-no-pé Moreira

Tenho de concordar. O que parecia ser uma grande aposta estratégica de Sócrates: puxar à esquerda onde estão muitos votos perdidos, com um candidato ex-PCP, com mérito intelectual e (diz-se, nem sei bem) com ideias claras sobre a Europa (sobre a Europa basta ter ideias, ninguém quer muito bem saber quais são).

O problema é que virou tudo ao contrário. Ainda que esteja fora e não consiga perceber bem como está a decorrer a campanha, Vital foi um tiro no pé: à Esquerda é um traidor, à Direita é comunista; ao vivo não diz nada de jeito, por escrito ninguém o lê; na TV o Rangel dá cabo dele, na rua fala de penteados.

A primeira surpresa [desta campanha eleitoral] veio das sondagens. Ninguém esperava o empate técnico entre os dois maiores partidos. Ora nas sondagens, tal como na Bolsa, mais do que as cotações diárias, interessa a tendência de fundo e, neste caso, verifica-se uma subida progressiva do PSD que deixa tudo em aberto para as eleições de 7 de Junho.
A segunda surpresa chama-se Vital Moreira. Já não é apenas a fraca prestação nos debates. Vital parece deslocado, fora de contexto. Apesar de brilhante, a sua pose professoral (estilo “lente” de Coimbra) não entusiasma ninguém. É visto à esquerda como um “traidor”, como se viu no triste episódio do 1.º de Maio. E à direita como ex-comunista da linha dura. Até mesmo os socialistas têm dificuldade de o ver como um dos “seus”.
(Paulo Marcelo, O Cachimbo de Magritte)