2009/04/29

‘Se perder, perdi’

Ao contrário do Bernardo, eu gostei do 'Se perder, perdi' de Manuela Ferreira Leite.
(André Azevedo Alves n'O Insurgente)

leitura adicional no SB: às vezes acontece-me uma utopia

Tudo Pelo Estado

A grande questão, pós Abril, está em saber que Estado proporcionará o melhor do Homem numa sociedade verdadeiramente livre, se aquele que requer mais individualismo (não é o mesmo que egoísmo), que responsabilize cada um de nós pelo nosso futuro, individual e colectivo, ou se aquele que centraliza numa elite, em nome de uma maioria ausente, e da desconfiança, uma inexorável mediocridade.

Num Estado que, apesar do enorme dispêndio de recursos, falha logo nos seus atributos básicos (Segurança e Justiça), não pode deixar de ser uma suprema ironia a reinvenção da máxima de Salazar: "tudo pelo Estado, nada contra o Estado".
(Sociedade Aberta, Angelo Ferreira)


Eu acrescentaria mais um atributo básico que é a dimensão social do Estado: neste momento, temos uma Safety-Net mínima pelo preço de um Estado-Providência máximo.

2009/04/28

jornalistas

Eu não conheço nenhuma actividade humana (e.g., gestão empresarial, orientação de uma tese académica, escolher um prato para o almoço num restaurante, etc.), que não assente numa qualquer hierarquia de delegação. Não é uma hierarquia no sentido de importância mas uma hierarquia mais afim da divisão do trabalho.

Um jornalista é onde eu delego parte da minha cidadania, por exemplo, aquela parte em que se escrutiniza o caráter de um político. Este escrutínio é muitas vezes insuportavelmente subjectivo e especulativo. Mas faz parte de viver em sociedade.

Querer controlar todo este processo não é saudável. E ainda menos é querer controlar os próprios jornalistas, ainda que, por serem humanos, vivam humanamente inundados em self-interest.

É por isso que, a "O jornalista não pode nem deve, pelo seu comportamento como profissional, quebrar essa relação de confiança que há entre ele e o público anónimo." eu digo, sim, pode, mas igualmente importante é quem lê não perder o sentido crítico.

Thatcher



(via João Miranda, Blasfémias)

2009/04/27

geração Magalhães em Castelo de Vide


Fui informado há pouco que uma escola do 1º Ciclo de Castelo de Vide foi contactada para uma reportagem sobre o computador "magalhães".

O contacto foi feito por alguém que se identificou como estando a falar em nome do Ministério da Educação.

Os professores pediram então autorização para recolha de imagens aos pais das crianças.
(no 31 da Armada, via Arrastão)

Para além disso, eu olho para o vídeo e não percebo se é campanha eleitoral, publicidade a um produto da JP Sá Couto ou um processo de Valentinização à escala nacional, versão lágrima-no-olho, à escala nacional.

às vezes acontece-me uma utopia

E apetece-me dizer que o que interessa em política é o que se diz e não como se diz.

Isto é frontalmente oposto às ideias que um cartaz com frases folclóricas como "O Zé faz falta" ou "a rosa murchou". Ainda pior é dizer que "A palavra política está muito desgastada e não deve associar-se à palavra verdade", o que tem uma certa piada.

O cartaz do PSD pode funcionar de duas formas: ou não funciona de todo e é mais um exemplo da falha de comunicação do PSD actual ...ou... é a antítese da política espectáculo da qual tenho nojo musguento.

Acresce que o PSD não é o BE ou o Partido Humanista ou até o MMS, todos à procura dos votos que lhes permitem a sobrevivência. São ligas diferentes com histórias diferentes de onde decorrem capitais políticos diferentes. O PSD, pelo menos por enquanto e com MFL, faz bem em enveredar por uma certa "continuidade reaccionária" vincando que a diferença é a cultura governativa de seriedade e não o folclore socrático das medidas Microsoft. É que toda a gente sabe que, mais flexissegurança menos 2% de IVA, PS e PSD não diferem muito quando sobem ao Governo.

A grande pergunta que tenho para fazer a MFL é esta: esta antítese é propositada ou é mesmo falta de jeitinho e erro de casting? É que se for a segunda, fujam.

2009/04/24

numa altura em que se propõe 12 anos de escolaridade obrigatória...

...um disparate para comissão-ver e estatísticas-wise, saída da mente de quem acha que qualificação é daquelas coisas que se erradica por decreto

ontem vi isto num concurso na TV. Sem comentários.

nota: espero não estar a violar nenhum direito sobre a propriedade da imagem. Se for o caso, queira solictar a remoção da imagem. Obrigado.

2009/04/23

uma semana depois

Por múltiplas razões, há uma semana que não leio quase nada e só me sobra tempo para ouvir os telejornais enquanto aqueço uma sopa no microondas. Tem muitas desvantagens perder o pé; mas há uma enorme vantagem. Consiste na oportunidade de poder fazer um resumo destes:

- a Ana Gomes sentiu-se ferida na honra após declarações de Guilherme Silva (GS) em que diz que é uma "falsa candidata"; AG defende-se lembrando que GS acumula vários cargos. Uma espécie de guerra unilateral do "tu és pior do que eu".

- e depois vem o João Miranda perguntar: "É minha convicção que Elisa Ferreira e Ana Gomes concorrem (...) não importando o cargo em que as vão servir.". Ou seja, sendo quase certo que pelo menos para vereadoras serão eleitas, a questão é muito pertinente.

- Não vi o Prós&Contras mas parece que lembraram ao Professor-Doutor-de-Coimbra-Meu-Deus que títulos não são sinónimo de mérito e capacidade. Em particular, parece que Paulo Rangel esteve muito bem, o que não me surpreende. A qualidade do homem como político com Pê grande lembra-me disto: quanto mais se diz que MFL não tem jeito para a política, mais vontade me dá em apoia-la. É bem possível que o PSD "desajeitado" do momento seja um dos melhores PSD's dos últimos tempos. E aqui há que lembrar a purga que Marques Mendes realizou na altura. Preparou caminho para a eventual requalificação do PSD e da política nacional. Oxalá. Se Cravinho ganhasse mais importância no PS, a vontade de fugir para outras latitudes talvez diminuisse.

- Metade dos blogs que acompanho são de Esquerda/Não-liberais. Faço questão que assim seja para manter uma certa lucidez e equilíbrio. Mas é verdade que só há três bloggers a cujos escritos dou realmente atenção. São o Carlos Santos (a quem ainda tenho de responder), o Valupi e o João Rodrigues n'Os Ladrões de Bicicletas.

- A respeito da questão do salário mínimo levantada n'O Afilhado, o TMR pôs-se a jeito e o Carlos Santos deu cabo dele (à sua maneira, com pavio devidamente curto...). Mas ainda há alguém que defenda que o mercado funciona da forma como o TMR acha? Haver ou não imposição do SMN é uma discussão aberta e eu tenho até alguma tendência para defender a abolição do SMN. Mas uma coisa é certa: não é pelas razões que o TMR argumenta. E nem é preciso conseguir provar a existência de nenhum Nash equilibrium. Muitas vezes basta bom-senso.

- Já o Valupi tem três tipos de posts: os que digo "sim, sr, muito bem tirando aquele e este pormenor", os que mostram uma capacidade de sátira invulgar e estes.

- Já quanto ao João Rodrigues, acompanho há pouco tempo e ainda não tenho opinião formada. Mas sabe defender teses de esquerda e mais vale um JR do que 1000 Danieis Oliveiras ou 100 Migueles Portas.

2009/04/18

Socialização das perdas

Quando os benefícios são exclusivos de alguns mas a contrapartida é uma provável socialização das perdas (...)
(Cavaco Silva, ontem)

Esta frase é notável. É a fotografia de Portugal.

2009/04/16

subsídio para comprar carros

Governo amplia incentivos à compra de carros novos.
(JNeg)

Se há um sector onde eu vejo o Estado a entrar é o de apoiar transportes públicos. Por exemplo, porque há regiões e locais onde os privados não querem entrar porque não parece ser rentável.

Está tudo ao contrário.

sigilo bancário e enriquecimento ilícito

Eu tenho de confessar que, no mundo ideal, acho um abuso do Estado espreitar sem mais nem menos a minha conta bancária. E, ainda pior, é eu ter de provar que sou rico porque ser rico é ofensivo e criminoso. Não é que o seja, mas as leis são para todos.

A questão é que isto é no mundo ideal. No mundo Portugal, e dado o Estado de coisas, em que basicamente a Justiça funciona para gerar papel cosido a fio norte e para arquivar processos, ........ olhem, venha daí essas leis. Estou fartinho disto.

É isto ou ainda acabo a defender a monarquia absolutista.

2009/04/14

dos tipos de esquerda

A propósito deste post, onde aprendi que existe a esquerda trolliteira (a quem se estaria ele a referir...?), e no sentido de contribuir para a construção de uma tipologia da esquerda portuguesa (quiça além fronteiras), aqui fica um apanhado do que me lembro existir até agora. Ele há a

- esquerda caviar
- esquerda poética
- esquerda trauliteira
- esquerda trolliteira

Estou aberto a contribuições, de preferência com o devido link a servir de referência.

comércio tradicional

A ver se as pessoas percebem a diferença entre subsídios e planos da treta à modernização do comércio tradicional e dar a iniciativa a quem sabe, quer e/ou arrisca do seu bolso:

Inovador é o conceito subjacente à componente comercial do empreendimento, que se diferencia, entre outros aspectos, pelo facto de que todas as suas 25 lojas [em pleno centro de Braga] irão ter fachadas para a rua e ter uma gestão integrada à semelhança de um centro comercial tradicional.
(JNeg)
Reparem que, de uma perspectiva pura de gestão da res-pública, não há forma de eu, enquanto cidadão, perder (salvo contrapartidas da cidade de Braga ao projecto): se o projecto tiver sucesso, é um case-study de como não patrocinar actividades que ninguém quer; se o projecto não tiver sucesso, o problema é de quem lá pôs o dinheiro. Ganho sempre, chova ou faça sol.

Já agora, poucas coisas me dão tanto prazer como caminhar do Marquês à Batalha num dia de sol. Mas poucas coisas me irritam tanto como me tirarem metade dos meus rendimentos (nem os vemos) para alimentar um gordo a queques de cenoura chamado Estado.

Brasil e o TGV

O Brasil vai aproveitar a experiência portuguesa para construir o seu modelo de negócio para a introdução da alta velocidade no país.
(JNeg)
tá certo... Até porque nós temos a capacidade de gerar modelos de negócio tão elaborados e requintados que poucos mais os conseguem compreender. Lá está, há que dar uso a estas competências; neste caso, até as exportamos.

E a propósito do debate que por aí anda sobre conflitos de interesses, a notícia acaba assim, para festa de duas ou três sinapses que se me acenderam nesse momento:
*O jornalista viajou a Brasília a convite da CP

2009/04/13

argumentos contra a liberalização do mercado de trabalho

Parece que alguém (António Barreto, não sei quem é), propõe, como medida contra a crise, a liberalização temporária e exceptcional dos despedimentos.

Não é hora nem local para discutir este tipo de políticas. Mas deixo a ressalva que estou genericamente de acordo este tipo de políticas, embora seja uma longa, difícil e delicada discussão.

O argumento de que tal política seria benéfica é rebatido n'Os Ladrões de Bicicletas. Um apanhado dos argumentos dá nisto (ipsis verbis):
- até economistas convencionais reconhecem que um forte impulso público (...), que proteja mais os trabalhadores e um Estado social robusto são a única coisa que pode prevenir um desastre absoluto
- dificuldade em despedir ou em contrair os salários, (...) subsídios de desemprego mais generosos, que evitam cortes tão intensos na procura, a maior viscosidade dos preços, [... evitando] espirais descendentes geradoras de falência e de aumentos de desemprego, ajudam a estabilizar as economias.
- maior precariedade desincentiva o investimento no aumento das qualificações (...) [dos] trabalhadores
- um dos efeitos (...) da desregulamentação unilateral das relações laborais [é] (...) o aumento das desigualdades que (...) é prejudicial à criação de emprego
- a precariedade e a contracção (...) dos salários (...) [reduzem] os incentivos à modernização e à inovação empresariais.

Duas questões pertinentes (para mim):
1. Mas isto é o melhor que conseguem? Até eu defenderia melhor uma legislação rígida.
2. Só fala em contracção de salários, qualificação de trabalhadores e inovação quem tem emprego. Já experimentaram vender essa cantiga a famílias desempregadas?

2009/04/12

genéricos e dress-codes

Do Portugal medíocre:

1. João Cordeiro, da ANF, é o exmeplo máximo de como um sector pode ser de tal forma organizado e eficiente que consegue fazer frente a um Governo. É o lobbying por excelência que se for preciso nem depende do Estado. Oxalá todos os sectores económicos tivessem esta organização. Não têm razão quanto à questão dos genéricos porque farmaceutico e médico são agetes com papeis bem distintos e uns não substituem os outros. Mas é exactamente por estes casos que admiro o sector das farmácias. Eles têm poder a mais, notoriamente, e por este andar ainda aparece o Provedor do Medicamento -- mas ninguém pode censurar quem defende a sua casa.

2. Às vezes acho que o pior que podia ter acontecido à esquerda poética (principalmente aqueles que nunca fizeram nada na vida senão depender de lugares públicos) foi o 25 de Abril. O problema é que ficaram sem causas e agora têm de andar atrás de picuinhices para terem razão de viver. Manuel Alegre é representativo da esquerda poética: acha que impôr, numa empresa, um dress-code, ainda que na Loja do Cidadão, “é uma coisa de cariz fascizante, totalitário, contra a liberdade individual”. Se fosse ao contrário (e.g., as senhoras são forçadas a ir de grandes decotes e mini-saias) até perceberia. Mas não é. Pelo que li, são recomendações nrmalíssimas de um traje formal de trabalho normalíssimo em qualquer empresa normalíssima que não seja uma casa de massagens tailandesas.

2009/04/11

manifesto assoc 25 de abril

Um comentário interessante de Helena Matos sobre o Manifesto da Associação 25 de Abril:

Seria interessante perceber quantas das pessoas que subscreveram este texto foram capazes de criar e manter pelo menos um posto de trabalho e não fizeram a sua vida em lugares públicos ou políticos

aposta sobre o Atlantida

A quebra do contrato pode provocar sérios problemas aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo , que terão de assumir um enorme prejuízo e encontrar um comprador para o 'Atlântida'.
(Expresso)
Quanto apostamos que, das duas uma:
1. o Atlântida, com todos os seus defeitos, vai acabar por ser vendido em Portugal, (não descartando a possibilidade de o deixarem a enferrujar em Viana) e o Estado acaba por pagar os custos de um barco defeituoso mais os custos de outro barco importado?
2. ou o Gov dos Açores aceita o barco, continua a fretar outros para não descontinuar o serviço entre as ilhas, enquanto o Atlantida é remodelado?

Alternativamente: quanto apostamos que ninguém vai pedir indemnização aos Estaleiros de Viana (muito menos a devolução do que já foi pago) e usar esse dinheiro para comprar um barco de qualidade?

2009/04/09

o que se faz para conseguir mais um mandato

Evo Morales em greve de fome

Em 2015, quando começar a apertar o mandato seguinte, talvez corte os pulsos.

comentário de um leitor:
Ta' em greve de fome com direito a pausa para almoço e jantar.