2009/03/31

fábrica Bordalo Pinheiro

Adoraria saber que tipo de negócio foi feito entre a Visabeira e o Governo para manter a Bordalo Pinheiro, principalmente aquela parte que diz quanto é que eu, como contribuinte, vou ter de pagar para manter uma fábrica que ninguém(*) quer a não ser os cento-e-tal trabalhadores durante mais uns tempos.

Ao menos que me mandem também um daqueles gatos pretos em porcelana.

(*) estatisticamente: não preciso explicar porquê, pois não?

way too big companies?

Do meu cantinho, a principal questão que a crise levanta não é concerteza se o capitalismo ou o "neoliberalismo" acabaram. Tal como diz hoje AAAmaral n'O Insurgente e como eu já o disse há uns tempos recorrendo a uma citação, as questões são outras.

A questão principal neste momento para mim é esta: até que ponto é legítimo deixar uma empresa crescer tanto (e.g., GM) ao ponto de, falindo, levar milhares de pessoas atrás?

Entre um paradigma voltado para o crescimento económico (que não pode ser um fim em si mesmo) e um paradigma todos-pobres-todos-felizes-todos-oprimidos onde fica a virtude? E se o problema não for unidimensional, onde fica a média geométrica e que dimensões definem o cubo social?

2009/03/30

partido da CGTP

Novos sindicalizados na CGTP caíram 39% desde 2000

Talvez isto mude - por exemplo, quando a CGTP parar de se armar em oposição, contribuir mais para a paz e o entendimento social e domesticar a berraria indiscriminada. É que há uma grande diferença entre (i) negociar para ter material com que depois justifica manifestações e (ii) negociar para encontrar o equilíbrio entre Estado, patronato e assalariados.

Há exemplos "lá fora". Sabem como é que se faz na Dinamarca?

das redes cibernéticas


Um relatório de 4 investigadores da Uni de Toronto chama a atenção para a falta de segurança das redes cibernéticas (...) Por isso sempre achei que o recurso aos serviços da Internet por parte dos cidadãos nas suas relações com o Estado devia ser facultativa e opcional.
(José Medeiros Ferreira, n'O Bicho Carpinteiro)

Mal ele sabe o que nessas redes cibernéticas circula...

Charles Smith is the man

Eu tenho tentado ser o mais pro-Sócrates possível no caso do Freeport. Acho que até ele (!) merece o benfício da dúvida e presunção de inocência. Começa é a ser difícil.

Neste momento, a única explicação (para além da óbvia) que me ocorre para a telenovela é a seguinte. Charles Smith andou a desviar dinheiro do projecto e desculpa-se dizendo que são luvas.

Neste sentido, o nosso PM deveria efectivamente accionar os devidos mecanismos legais. A bola está do lado dele. E escusa de se refugiar nas campanhas negras: negras, azuis ou encarnadas, há material concreto que veio a lume. No estado em que estão as coisas, primeiro que tente limpar o nome; caso esteja a ser vítima de enredos alheios, depois que se preocupe em desmascarar os autores.

Neste momento, não há qualquer desculpa para argumentos infantis de ser o Povo e a Democracia que faz justiça ou que há poderes ocultos conspirativos por detrás do caso. Há um nome: Charles Smith.

Domingos Névoa presidente da empresa intermunicipal “Braval”


(via Arrastão)

Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, condenado por tentar corromper o vereador Sá Fernandes, foi nomeado presidente da empresa intermunicipal “Braval”.

Mas a nossa legislação, tão bela quanto completa, não prevê que quem tenha sido condenado por corrupção seja impossibilitado, pelo menos durante algum tempo, de participar em negócios do Estado?

Talvez o legislador nunca tenha considerado possível o cenário de alguém ser condenado por corrupção.

2009/03/28

mais mediocridade

"Homem que é homem vê é o jogo e não quer saber dessas mariquices ambientais" -- parece ser o que CAA diz.

Este post no Blasfemias diz muito sobre o CAA. Tenho de confessar que o seu "bilhete postal" no CM me causava um sabor amargo depois de o ler. É que eu acho que a geração Blasfémias + Insurgente + outros tem o potencial de liberalizar um pouco mais Portugal (o que eu recomendo, dependendo da linha liberal). O problema é que depois lembro-me que não tenho a certeza se confio neles.

Os "bilhetes postais" e agora este post sobre o "apaganço amaricado" (palavras do CAA) lembrou-me disso. Não só mostra um enorme desprezo por este tipo de iniciativas (independentemente de existir aquecimento global e outras "mariquices") como ainda recomenda que se dê importância ao Portugal-Suécia.

A questão aqui é uma certa falta de chá e de politicamente-correcto que, embora raramente, tem a sua função social. Relembra-nos, por exemplo, que há prioridades absolutas e há prioridades relativas. E não é preciso cair no eco-alarmismo ou em eco-economias para esabelecer estas prioridades.

Aliás, eu até aceitaria que o ambiente não fosse uma prioridade absoluta para o CAA. Mas envergonhou-me, no sentido de me associarem frequentemente ao blog, que tenha desdenhado do ambiente desta forma -- ainda por cima porque a REN até diz que é perigoso (!) -- e ainda berrar que o importante é futebol (uma prioridade relativa).

Que fique claro: eu nem teria ligado se fossem dois posts (o AAAlves d'O Insurgente tem muitos posts destes que me põem a repensar Qioto p.ex.); se num opinasse sobre o apaganço e no outro falasse de futebol.

Mas ligar os dois assuntos como o fez, colocando-os ao mesmo nível e deslocando importância de um para o outro é de uma enorme infelicidade.

sócrates vai processar alguém

Ainda não percebi é se Manuela Moura Guedes ou Charles Smith.

2009/03/26

ainda se houvesse medida de comparação

... até levava isto a sério. Em Portugal, quase todos os serviços de grande escala ou são estatais ou são de empresas com gestão de facto estatal. Simplesmente, não há medida de comparação.

O único sector onde o Estado está menos presente é o bancário. Convém é não esquecer que o maior banco é - a excepção confirma a regra - estatal.

Curiosamente, se calibrarmos os resultados pelos dos "bancos" os resultados são bem mais interessantes.

"Ou por que é que a direita anda à nora?", no Arrastão


(Já agora: o que significa privatizar uma câmara municipal...? É um conceito no mínimo interessante.)

ainda sobre o papa e o preservativo

Eu sempre disse que a Igreja tem sido de uma enorme coerência. A questão, para mim, é tão somente esta: se o pensamento da Igreja, cujos pilares são obviamente antigos e pouco foram mudando à escala de séculos, é essencialmente imutável (consequência de ser emanado de fora do Homem), manda a coerência que as suas posições sejam também rígidas.

Quanto se trata de um assunto tão prático como o uso do preservativo, o aborto ou a ordenação de mulheres, não se pode esperar que aspectos práticos e mundanos tenham grande impacto. Além disso, quando o que a Igreja defende é, nitidamente, uma solução para o problema, mais razão tem a Igreja em defender as suas ideias "retrógradas" (as aspas são importantes).

Em relação ao preservativo, o aspecto prático é de absoluta menor importância para a Igreja e ainda menos para Ratzinger. E eu leio o que ele diz da seguinte forma: sigam os preceitos religiosos e, como bónus, ainda se protegem das DST.

Obviamente que sim. Alguém no seu perfeito juízo não vê que as DST seriam minimizadas se (e.g.) todos praticassem abstinência ou tivessem apenas um parceiro durante toda a vida? Obviamente que funcionaria.

Dados estes dois aspectos -- (i) a supremacia da vivência religiosa sobre os aspectos temporais que (ii) em simultâneo funciona como um irrefutável estilo de vida contra as DST) -- eu espero que a Igreja continue a defender o que defende porque é um exemplo de coerência e de ordenação de valores.

Agora, ao mesmo tempo que esta coerência toda é notável, não esperem que eu seja católico. Mas isso é a minha opção pessoal, o que significa que uso preservativo.

2009/03/25

princípios de uma ordem constitucional liberal

a ler: princípios de uma ordem constitucional liberal por Rui Albuquerque n'O Insurgente

Recomendo particularmente o Principio da Subsidariedade.
Não recomendo particularmente o ponto Serviços Públicos.

mais mediocridade

Santana Lopes defende que as legislativas sejam depois das autárquicas.

Não sei, nem pensei muito nisso. Mas a questão aqui é, e digo isto em tom genuinamente especulativo:

- alguém acredita que Santana Lopes está a pensar no bem do país ou no seu interesse pessoal?

2009/03/24

relvas e seguro

Estou a ver a SIC-N e estão António José Seguro e Miguel Relvas a discutir a actualidade política, particularmente a questão do Provedor de Justiça.

São, em certa medida, a nova geração de políticos maduros. Não conheço bem nenhum dos dois mas ao ouvi-los só me vem à cabeça a questão da mediocridade dos partidos e políticos portugueses.

2009/03/19

prescrição de genéricos no SNS

Vital Moreira partilha connosco a sua dúvida:

Continuo sem compreender porque é que não é obrigatória a prescrição de genéricos no SNS.


Eu não tenho muito tempo mas deixo a seguinte dica. Um "medicamento", no sentido do que se compra na farmácia e do que os médicos prescrevem, é muito mais do que moléculas doseadas em miligramas. Espero ter ajudado.

2009/03/17

Quase não foi preciso mudar o marcador de sítio

Agradeço o desafio do Vítor Jesus, e é com muito gosto que responderei. Tenho por hábito transportar comigo sempre dois livros: um que de uma forma ou de outra se relaciona com a minha área de predileção, a economia, e outro de qualquer outra área pela qual esteja interessado no momento. Confesso que este desafio aparece na pior altura, uma vez que estou a ler dois livros que me envergonho de não ter lido há mais tempo e que preferia não revelar. Do mal o menos: escolho revelar o Atlas Shrugged de Ayn Rand como um dos livros que ando a ler.

A página 161 é de fim de capítulo na minha versão, por pouco não havia 5ª frase completa. Por pouco, porque a frase está lá e é a seguinte:

'"Next time you give a party," he said, "stick to our own crowd. Don't invite what you think are my friends. I don't care to meet them socially."'

Sabendo que Steve do Michigan foi atropelado e Mary de Cape Town foi despedida depois de ambos terem quebrado a corrente, vou fazê-lo na mesma. Este elo quebra-se mesmo aqui.

o irritante vício da esquerda...

... de dizer mal da direita

Eu insisto que não sou de esquerda nem de direita e nem por isso sou incoerente. Aliás, ao contrário de quase toda a gente (que me tenha apercebido) que diz o mesmo, in fact, eu consigo justificar e explicar porquê.

Se há muitos aspectos da "direita" pelos quais só com muita boa vontade e um bom vinho sinto simpatia, há outros quantos que não há simpatia que lhes valha. Já a esquerda tem um estilo com o qual não consigo simpatizar, por muito bom que seja o vinho.

Um deles é a mania que a "esquerda" tem em desdenhar e mesmo insultar a "direita", na linha da elegância do "eu sou do FCPorto e tu és do Benfica, logo só não levas nas fuças porque és maior do que eu". É que raramente me lembro de a "direita" fazer o mesmo. Pode argumentar-se que a direita o faz de outras formas; mas há aqui uma questão de estilo -- talvez mesmo elegância.

É a velha questão de dizer que és um "filho-da-puta" ou dizer "és um filho bastardo da meretriz". Está certo que não muda nada mas isto irrita-me na esquerda.

2009/03/16

5ª frase completa da página 161

Em resposta à maldição lançada pelo André Azevedo Alves d'O Insurgente, devo primeiro explicar o seguinte.

Em primeiro lugar, a vida de quem faz doutoramento em Telecomunicações não se compagina com páginas 161 - mesmo para quem se estica para os lados dos modelos de negócio e, com um jeitinho, policies. Não há centésima-sexagésima-primeira página aqui: só se lêem papers e a maior parte não passa das 15 páginas.

Então, virei-me para o livrinho com que ando na pochette (ou lá o que é que uso): "Africa Today" (Heather Deegan, Routledge, 2009). Mas foi uma chatice: a página 161 tem uma espécie de tabela e fiquei sem perceber o que era a 5ª linha completa.

Voltei-me para a mochila do portátil onde andam livros que já li e que meia-volta abro ao acaso porque o que importa não é tanto o que se diz mas o como se diz (ainda que seja uma tradução). Neste caso anda por lá o "Molloy", de Samuel Becket.

Olhem, foi uma maravilha. É que a 5ª frase completa da página 161 da edição que tenho diz assim:

Nos países evoluídos chama-se a isto uma comuna, creio, ou um cantão, não sei, mas entre nós não existe um termo abstracto para estas subdivisões do território.


Juro que não fiz de propósito. Nem saiu uma frase que mete "cu", nem saiu uma monólogo de 3 páginas e até parece que estou a fazer, em simultâneo, uma inteligentíssima e perspicaz crítica tanto à regionalização como a um qualquer belo movimento assim para o colectivista. Uma maravilha.

Posto isto, passo a maldição ao Carlos Guimarães Pinto (vizinho aqui no condomínio), ao Nuno Cravino (que irá ser companheiro blogante em breve) e ao Diogo Gomes (parceiro das redes e internets e que tem a mania irritante de me explicar coisas básicas de redes que eu não sei e que espero que propague a maldição a paragens de outros tipos, uma espécie de polinização cruzada).

2009/03/12

a sério...?

Top banking regulators were taken aback late last year when a California congresswoman helped set up a meeting in which the chief executive of a bank with financial ties to her family asked them for up to $50 million in special bailout funds, Treasury officials said.
(NYT)

Quem imaginaria que uma coisa destas poderia acontecer...? Será o declínio do paradigma Intervencionista?

Clint Eastwood

Entrevista a Clint Eastwood no Meia-Hora (negritos meus):

Seja como for, para um homem que nasceu há 70 e tal anos, a mentalidade de hoje deveparecer-lhe muito estranha comparada com a antiga mentalidade americana, que era muito mais modesta. O sistema político actual é ou não um bocado estranho?

- Acho que temos de voltar a …. Sei bem que mudei. Quem me dera que houvesse um partido mais libertário que impedisse que o governo se intrometesse tanto na vida das pessoas. Basta de impor regras às pessoas. Deixem as pessoas em paz. E as pessoas deviam voltar a viver de acordo com os seus meios. Ter a economia a reagir desta maneira é um bocado estúpido. Há já muito tempo que devíamos andar a ensinar a ideia da responsabilidade fiscal, mas como é que isso vai ser possível quando estamos a ser, diariamente, bombardeados por anúncios que nos dizem que é possível comprar tudo apesar de não termos os meios necessários? Sei bem que os programas de apoio social têm benefícios, mas, a meu ver, o problema começou com a ideia do Estado como suporte. Foi aí que as pessoas meteram na cabeça que podiam ter algo mesmo sem trabalhar. Depois disso vieram as promessas. O povo começou a votar de acordo com as promessas dos políticos, que prometem tudo porque não estão a gastar o dinheiro deles. Era tão bom que metêssemos todos na cabeça que não vamos receber caridade de ninguém e que, mesmo assim, poderemos viver as nossas vidas como nos apetece. Garanto que ficava tudo melhor. Com as gerações mais novas ainda é pior. Vão a uma festa e, depois, à saída, ainda recebem um saco com prendinhas várias. É a geração gift bag.

2009/03/11

On the Difficulty of Giving-Away Money


Economistas e Policy-Makers arriscam solução nunca antes tentada para o complicado problema de despejar dinheiro para cima das pessoas.

Se não funcionar, espera-se a recuperação dos saudosos Zeppelin que, face às baixas velocidades que permitem, podem sobrevoar as cidades enquanto economistas e outras pessoas igualmente sofisticadas atiram dinheiro pelas janelas. As baixas velocidades dos Zeppelin's permite, desta forma, uma distribuição equitativa do dinheiro, promovendo desta forma a redução da desigualdade da distribuição dos rendimentos.

Além do mais, e à semelhança dos painéis solares, espera-se que o Governo ofereça Segways para quem documentalmente prove que não consegue acompanhar um Zeppelin a pé -- aperfeiçoando desta forma a distribuição dos rendimentos.

Finalmente, recomendo também esta discussão entre marretas e o Banco de Inglaterra.