2006/09/19

Razões para acreditar no sucesso do diálogo



Chavez and Ahmadinejad cement their alliance.

Belarus Lukashenko Meets Iran’s Ahmadinejad in Havana.

Fidel Castro Converses with Hugo Chavez and Evo Morales.

P.S.: Quiz multicultural/alterglobalizador: Como é que dois ditadores combatem um "poder hegemónico"?

Teoria de la conspiracion, por supuesto

O Islão - o "moderno" como o "antigo", o "laico" como o fundamentalista - não oferece maturidade, maleabilidade e respeitabilidade para aceitar o princípio do contraditório.

A avaliar pelas notícias, ninguém suporia tal coisa.

educação?

Em tempos, ficou-se com a impressão que a ministra da educação, no momento presente, em ameno debate onanista, comandava um team que não discutia, anunciava, corrigia, alterava sem dar cavaco a ninguém.
As reuniões com tudo já definido, as negociações só para transmitir as decisões, o discurso violento e desculpabilizador do estado centralista, o ónus do fracasso nas mãos dos professores que não faziam absolutamente nada.

Pela amostra do que se ouviu há pouco, já só falta a referência ao facto de estarmos perante o maior vulto educativo do país, no mínimo desde o tempo da revolta liberal.

Depois do DN, a RTP demonstra uma clara evolução na capacidade de transmitir os recados do patrão.

P.S.1: Para quem quiser ouvir o senhor do sindicato a mendigar uns trocos em directo, ainda vai a tempo de sintonizar canal em causa.

P.S.2: Basta falar um pouco mais em autonomia administrativa, e acorrem logo os famintos órgãos de gestão educativa, em pleno desenvolvolvimento de técnicas avançadas de lambebotismo e hipocrisia funconal.

2006/09/18

Com solidários deste calibre, é preferível viver rodeado de egoistas.

"Seria bom que os moradores não agissem como marginais, com comportamentos que estamos mais habituados a ver em bairros periféricos e de barracas"
Defensor Moura, Socialista

Lido n'A Aurora do Lima, a propósito do já desenvolvido caso "Prédio Coutinho", depois de um magnífico fim de semana minhoto.

Na verdade, pensávamos que a construção de bairros periféricos era uma "conquista social".
Na verdade, pensávamos que as barracas eram um "flagelo social" que retira dignidade e condições de existência a seres humanos tocados pela infelicidade.

Modelo nórdico




Sweden's centre-right opposition bloc has defeated the ruling Social Democrat party in the country's closest-fought general election for decades.

Moderate party leader Fredrik Reinfeldt declared victory as near-complete results gave him a 1% lead.

Mr Reinfeldt, who had promised to cut taxes and reform Sweden's cradle-to-grave welfare state, took to the stage in front of supporters with his arms raised.


Eu diria que está na hora dos grandes defensores do modelo de desenvolvimento nórdico sairem do armário.

2006/09/16

Totalitarismo empresarial - o caso dos fumadores

O Dolo Eventual tem estado há meses a consolar fumadores com classe e simpatia. Temo é que sem sucesso...

Lê-se na Dia D que há 3 empresas nacionais que se recusam a contratar fumadores. Algumas outras empresas utilizam o critério tabágico na escolha entre concorrentes iguais. Finalmente, muitas outras subsidiam programas de desintoxição aos seus trabalhadores com menor ou maior sucesso. Lendo a reportagem, parece haver razões para crer que o trabalhador-fumador seja ou venha a ser no futuro uma espécie em vias de extinção.

Ainda segundo os argumentos aventados pelas empresas, as razões para a sanha persecutória prendem-se com a suposta menor produtividade dos trabalhadores, mas também com a misteriosa ideia de que os fumadores contribuem para um mau ambiente de trabalho.
Quanto à primeira, não é difícil perceber que o pouco tempo perdido a fumar poderá perfeitamente ser compensado em tempo-extra ao serviço da empresa, sem aumento da remuneração.
Quanto à segunda, as razões vão mais fundo e terão que ver com o facto de a ideia da "empresa como família" estar a fazer rapidamente o seu caminho nas principais empresas sediadas em Portugal. Está hoje na forja um novo totalitarismo empresarial, de acordo com o qual os trabalhadores, não têm apenas que trabalhar bem, mas ser bons colegas e boas pessoas. Têm de oferecer prendas de aniversário aos colegas e ao patrão, têm de participar nos desportos disponibilizados pela empresa, têm ainda de frequentar as festas organizadas pela mesma ou de ajudar nos programas de apoio a pessoas carenciadas que a empresa utiliza para promover a sua imagem. Qualquer dissidência, neste sentido, poderá ter repercussões óbvias na carreira do trabalhador. Logo, o trabalhador come e cala: faz o frete com boa cara, mesmo que ele não conste do seu contrato de trabalho.
É assim que funciona: a empresa é propriedade do empresário e ele faz o que bem entende; quem não está de acordo pode denunciar o contrato ou será lentamente empurrado até à porta de saída.

A lei não pode, nem deve ajudar. Decerto que é proibida a discriminação publicitada de fumadores por empresas privadas. Mas só um empresário bronco é que revelará os motivos da preterição. Por outro lado, mesmo que o trabalhador fumador seja contratado, o empresário poderá usar o período experimental para despedi-lo sem necessidade de aviso prévio, sem necessidade de justificar o despedimento e sem necessidade de indemnizar. Não é, pois, minimamente crível que se possa atacar juridicamente este tipo de discriminações. E apesar de a Constituição querer aplicar o princípio da igualdade a tudo quanto mexe, a verdade é que a liberdade contratual deve permanecer o menos restrita possível, pelo que qualquer solução jurídica da questão seria sempre má de um ponto de vista liberal (cf. este meu post).

Dito isto, a solução poderia ser outra: numa sociedade civil forte, os fumadores podem juntar-se e constituir eles próprios um forte grupo de pressão. Podem, por exemplo, encher de hate-mail as ditas empresas que se recusam a contratar fumadores ou, pura e simplesmente, boicotar os seus produtos. Há várias maneiras de embaraçar este tipo de intolerância até ao ponto em que se torne a um empresário, e em termos de gestão, irracional persistir com a discriminação.

Isto, claro está, é wishful thinking meu.

Não temos essa tradição activista em Portugal. Por cá, a tradição é comer e calar.

Ps: as três empresas que, por princípio, excluem fumadores são estas: Eurodiver (produção de espectáculos), Elipse (importação/exportação) e Aofimdodia (Design E Publicidade).

2006/09/14

Órgãos de soberania ou funcionários públicos?

Leia-se este post da GLQL.

Concordo com o José, autor do post: também eu gostaria de ler a resposta do VM, autor do Causa Nossa, ao VM, co-autor da Constituição anotada. Para saber em que é que ficamos...

Imitando Carolina Salgado

Mulheres de membros de gangs na Colômbia fazem greve de sexo

BOGOTA, Colombia, Sept 12 (Reuters) - They are calling it the "crossed legs" strike.

Fretting over crime and violence, girlfriends and wives of gang members in the Colombian city of Pereira have called a ban on sex to persuade their menfolk to give up the gun.

After meeting with the mayor's office to discuss a disarmament program, a group of women decided to deny their partners their conjugal rights and recorded a song for local radio to urge others to follow their example.

Fonte: Reuters

Trabalho político



Os próximos dias avizinham-se de árduo e extenuante trabalho político puro e duro. A meditação no estado do liberalismo em Portugal exige momentos de introspecção, enquadrados numa conduta asceta de rigor e frugalidade.

As provações poderão ser grandes. Quaisquer resquícios de boaventurismo poderão espreitar e tentar tomar de assalto a cada esquina. A própria natureza, no seu estado mais elementar poderá a qualquer momento tentar-nos arrastar para o caos hobbesiano, ou pior, convencer-nos a alistar no PCC.

Mas há esperança. A carne não é fraca e os acompanhamentos são à altura.

Nesta hora difícil, fica um braço aos restantes small brothers e aos leitores.

Até ao meu regresso, a chafarica fica muito bem entregue.

CSM e a bola

Aqui há tempos, o JLP criticava a suposta conivência do Conselho Superior de Magistratura com a participação de juízes nos órgãos de justiça desportiva da Liga e da Federação. Na altura, concordei, obviamente com a crítica. Nada faz pior à imagem da Justiça que a presença de juízes no meio do lodaçal ou do "sistema" como outros caridosamente lhe chamam. E também não é de duvidar que o CSM não possa assistir impávido enquanto comportamentos, no mínimo, dúbios de juízes membros dos órgãos disciplinares da Liga e da Federação pôem em causa a imagem de todos os seus pares e, mais importante, da Justiça.
Dito isto, uma notícia do JN desmente, a imagem que transparece cá para fora do comportamento do CSM nesta matéria.
Não só o CSM quis, sem êxito, alterar o Estatuto dos Magistrados Judiciais, no sentido de a proibir, como tem, ao longo dos anos, recomendado aos juízes que se afastem do meio futebolístico. E até quer tentar, outra vez, alterar a lei no sentido proibicionista.
O problema - diz a notícia do JN - é que a anterior proposta de alteração da lei foi considerada inconstitucional, o que não comentarei porque não conheço o acórdão.
Posso, no entanto, perguntar: será que, caso a proposta do CSM vá em frente, o TC se oporá à mesma? Tenho dúvidas. Certamente a situação actual do futebol e sua consequente repercussão na imagem da Justiça não deixará de ter alguma influência no juízo dos magistrados do TC. O TC, bem ou mal, é um tribunal politizado que atribui muita importância ao contexto social e político em que as questões constitucionais surgem.
Dito isto, falta a acção disciplinar sobre os juízes envolvidos no caso Mateus. Sobre isso, vale a pena ler este artigo de José Manuel Meirim. Quer se queira, quer não, o CSM não se livra da fama de corporativismo por não investigar quem actua de forma tão duvidosa.

2006/09/13

Critérios confessionais

Uma das minhas consultas blogárias frequentes tem por hábito, entre outros, zurzir nas homilías semanais de um excelente economista, entretanto dedicado a lides supra-terrenas com bastante mais afinco.

Calculei que, desta vez, tal a inenarrável intervenção de um senhor dito intelectual muçulmano, muito bem desmascarada e escalpelizada na livre blogosfera, haveria motivo para uma clara inflexão de prioridades.

Ingenuidade por certo. Não só não se relevou a idiótica referência à condição islamo-feminina, como se destacaram, apenas e só, algumas referências de Pacheco Pereira ao “suposto” laicismo da sociedade americana.

Como se a óbvia patetice totalitária e comportamental (desta vez adida ao inovador discurso conspiracionista) do referido senhor não fosse um espelho claro das dificuldades e apertos que todos os cidadãos sentem em locais onde não podem expressar os seus pensamentos e a sua diversidade estética, esses sim, bem reveladores das amarras da religiosidade que cega, impõe e tortura.

Por muito que não se ajuste ao discurso libertador da causa, o facto é que, na sociedade ocidental, podemos tranquilamente ocupar diversos dias nas mais fúteis e perversas actividades sem distinguirmos o mais pequeno visumbre de confessionismo catolicista
(ao contrário, ironicamente, esbarramo-nos, em toda e qualquer esquina, com o legislacionismo paranóico dessa seita inexpugnável, chamada estado socialista).

Calculo, evidentemente, que não existe nenhum branqueamento de tais posturas.
Mas se o objectivo da associação era, primordialmente, curar os traumas da catequese, mais valia ter investido tempo e dinheiro na indústria farmacêutica.

A vêr se arranjo um tacho como provedor do leitor

A revista Atlântico, concorde-se ou não com o conteúdo, voltou aos seus bons tempos. Gostei muito das conversas Atlânticas, o artigo do JMA e do FCG. O artigo do AMN dispensava o paternalismo da introdução e o brilhantismo de Duarte Padez, maradona e Henrique Raposo justificariam, per si, os 4 euros da revista.
Mas o meu maior destaque vai para o artigo de Joaquim Luíz Gomes, uma pessoa prestes a ficar milionária no mercado de futuros tal é a certeza com que prevê que o preço do petróleo irá atingir os 200 dólares por barril. Ele está tão certo desta subida que passa o artigo inteiro a incitar ao investimento num novo sistema energético que substitua o actual. Só se esquece de mencionar que ele próprio se prepara para o fazer. Com um retorno esperado tão grande, ele, intitulado no cabeçalho do artigo como cidadão empresário, certamente não perderá esta oportunidade. Fico à espera de novidades.
Finalmente destaco o anúncio publicitário do Millennium BCP na página 29. É um anúncio publicitário em que predominam as cores do banco, ressalta uma imagem bonita e uma mensagem clara do ponto de vista publicitário. É um anúncio bem mais eficaz, e certamente mais barato, do que o da TAP nas páginas 60 e 61. Até nestes aspectos se mede a eficiência na gestão de empresas públicas e privadas. Com a quantidade de texto desse anúncio, um leitor mais desatento julgaria ser um artigo a sério. Mas justiça seja feita, a TAP pode ser uma péssima prestadora de serviços e uma sugadora de recursos mas deve albergar alguns dos melhores poetas do país senão atente-se a esta passagem do artigo anúncio:

Uma companhia aérea nacional transporta pelo Mundo as cores do seu país, a alma do seu povo e as asas da sua ambição. Fruto do passado histórico de Portugal e do seu império, que pelo Mundo deixou raízes, a TAP transporta os portugueses, transporta aqueles que vivendo no estrangeiro ainda o são ou descendem de portugueses e transporta também aqueles que, pelas mais diversas razões, procuram Portugal. O alicerce profundo da TAP, a sua razão de existência e, por isso, o seu desafio empresarial assentam na cultura portuguesa. Nessa medida, não será por demais concluír que a TAP precisa do país mas que, por seu lado, o país também precisa da TAP.
Quase consigo ouvir os Vangelis em fundo...

Apelo à reflexão III

Desde o 11 de Setembro que não há ataques terroristas aos EUA.

Apelo à reflexão II

Morrem 3 americanos por dia na luta contra o terrorismo. Apenas em 11 de Setembro de 2001 morreram 2973.

Festival cómico-trágico

Tinha logo à partida pouca esperança no debate de ontem do Prós&Contras sobre o 11 de Setembro. A emocionalidade do tema, a falta de distanciamento como vítima óbvia da oportunidade acrescida de o debate ser feito na data, e a quase impraticabilidade notória de discutir o assunto com racionalidade e calma em público prometiam o pior. Os protagonistas do debate também não prometiam muito.

De qualquer modo, comecei a ver. Foi triste. A prestação de Mario Soares está, sem dúvida, há muito longe dos seus tempos de brilhantismo tribunício. A arrogância, permanentemente demonstrada pelo tom de sobranceria moral e histórica, e por uma tentativa permanente de subalternizar Pacheco Pereira, fizeram notar com clareza que Mario Soares não aprendeu nada durante a trágica espiral descendente que foi o seu desempenho durante a última campanha presidencial. A forma quase infantil como mordeu o isco de todas as armadilhas argumentativas que lhe eram servidas de bandeja assumiu proporções quase confrangedoras em alguns momentos. Um Pacheco Pereira particularmente inspirado conquistou vitória argumentativa sobre vitória argumentativa, diga-se de passagem, com aparente facilidade.

Coadjuvado por uma inenarrável participação do "intelectual da comunidade islâmica", de New York Times e Le Monde diplomatique em punho (não há uma tradução portuguesa do Corão anterior à dessesenhor?), a discussão rapidamente morreu. Perante a subtileza e a sagacidade argumentativa de Pacheco Pereira (o "toque" a Mario Soares sobre a negociação com os terroristas, fazendo a comparação com as negociações feitas com os movimentos independentistas das ex-colónias portuguesas foi de mestre!), o outro lado simplesmente se ficou por uma falta de comparência.

Aos que acompanham o que penso e ocasionalmente escrevo sobre o assunto, só afianço que a minha posição não é nem a de Pacheco Pereira nem a de Mario Soares. Mas face ao que se viu, só se pode esperar que alguém com dois palmos de testa e com alguma seriedade argumentativa não tenha dúvidas em, contrapostos os argumentos, alinhar com Pacheco Pereira.

Com muita pena minha, por ainda não ter sido desta vez que vi o tema ser discutido com o distanciamento e a razão que as questões internacionais exigem.

2006/09/12

Apelo à reflexão

Desde 9 de Setembro, o total de mortos americanos no Iraque suplantou o número de vítimas do 11 de Setembro.

(Via BoingBoing.)

Ó tempo, volta pra trás!

"Eu já ando a dizer há cinco anos que Blair é um bluff."

Por seu lado, Mário Soares (citado do debate de ontem), enquanto primeiro-ministro, é genericamente reconhecido como o melhor gestor que alguma vez pisou solo lusitano, só superado pelo sua inigualável prestação na pasta dos negócios estrangeiros.

Vá-se lá compreendê-los.

No caso de José Veiga, e ao contrário da toda a escória dirigento-desportiva, a coerência é uma virtude reconhecida e aplicada.
Era conhecida a sua predilecção por desafios de futebol em paragens exóticas, mesmo com o eventual prejuízo relacionado com o aumento da distância a sua casa.
Surpreende, portanto, que o senhor tenha sido escutado a tentar poupar uns trocos em subsídios de transporte, numa outra profissão que anteriormente exerceu.
Seria de calcular que, pertencendo a essa emblemática escola de virtudes que representa 6 milhões de indígenas, esse escasso bem estivesse a ser devidamente preservado.

Usar a cabecinha

Estima-se que o QI de Bush seja 20 pontos mais baixo do que o do seu predecessor, Bill Clinton, o que criou um efeito de contraste, que salientou as fraquezas do actual chefe do governo.

2006/09/11

Até à próxima conspiração

Agora que a efeméride já foi discutida e dissecada até ao tutano, fico impacientemente à espera das teorias conspirativas que expliquem a verdade sobre os atentados de Madrid e das chocantes revelações sobre os verdadeiros culpados das explosões ocorridas em Londres.
Fico à espera que engenheiros me expliquem que os comboios em Atocha teriam ficado em posições diferentes se os explosivos fossem de fabrico muçulmano e que agentes reformados da Scotland Yard revelem documentos que provem que Blair avisou os amigos para não apanharem o metro naquela manhã.

É que já passaram muitos meses e ainda não vi nada. Depois admirem-se que se diga que só nos EUA é que se faz boa ficção.