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2007/05/11

Flat rate

A ler, o comentário do Filipe Melo Sousa:

Indivíduo A tem um rendimento base de 1.000 €, ou seja a entidade patronal para 1.000 + (SS 23,75% sobre o base) = 1.237,5 €. O indivíduo recebe líquido 1.000 - 110 (SS) - 105 (IRC) = 785 €

Dos 785 que lhe restam, ele só pode gastar o valor isento de IVA
785 /1,21 = 648 €
(aviso desde já que não permito que me venham argumentar que os 21% são a taxa máxima, que eu contraponho desde já as taxas sobre o tabaco, gasolina, alcool e IA. Na verdade seriam uns 30%.)

Já vou para um mísero ordenado de 1.000 € numa carga fiscal de 48% para o indivíduo A. E ainda não falei das taxas de audiovisual, do imposto de selo, das inspecções obrigatórias, dos parquímetros, do IMT, IMI, dos 7,05 € que se tem de gastar por exemplo para renovar o BI para mudar a residência para Lisboa a ver se vai a tempo de votar no carmona, e dos preços exorbitantes da conta da EDP que se reflectem em transferências para as câmaras, e para construir os muito rentáveis painéis fotovoltaicos da central de moura.

Ah.. e ainda do imposto de selo para o Estado sobre a taxa de juro que este indivíduo tem de pagar sobre o empréstimo que tem junto da Cofidis para o crédito de adiantamento do retorno do IRS, dinheiro esse que o mesmo Estado retém durante mais de um ano.
Acompanhar também o respectivo artigo d'O Insurgente, originado pelo artigo do Tiago Mendes e pela subsequente iniciativa do Miguel Madeira no Vento Sueste.

Eventualmente, ler também o que escrevi por aqui há tempos, e ver estes gráficos.

2007/05/08

2007/05/07

Direito intelectual

Brazil's president has authorised the country to bypass the patent on an Aids drug manufactured by Merck, a US pharmaceutical giant.

The country will import a cheaper, generic Indian-made version of the patented Efavirenz drug.

The decision came after talks between Brazil and the US company broke down.

Merck had offered Brazil a 30% discount on the cost of the drugs but the country wanted to pay the same price as Thailand, which gets a larger discount.

BBC News.
The show discusses protests launched again the large pharmaceutical company Abbot who in reaction–no, make that retaliation–to Thailand’s decision to issue compulsory licenses on AIDS drugs, and import generic drugs acted in highly questionable ways:

“Abbott responded in a way that shocked many AIDS activists - the company announced it would withhold seven new drugs from sale in Thailand including a new AIDS drugs and treatments for arthritis and high blood pressure.”

Interprete.
A problemática do direito intelectual, concretamente no que toca à questão das marcas e patentes, é uma questão complexa e particularmente exposta a conclusões precipitadas e irrefletidas ou a discursos mais ou menos demagógicos e propagandísticos.

A própria escolha de termos tem muito que se lhe diga: o facto de se utilizar termos como "propriedade intelectual" ou "propriedade industrial" faz com que muitas vezes se tente tecer em relação a essas questões conclusões por analogia com o conceito genérico de "propriedade". Ora a "propriedade intelectual" tem muito pouco de comparável ao conceito clássico e usual de propriedade, por diversos motivos. Motivos desde a própria intangibilidade dessa propriedade, à incapacidade em ser transferida ou à possibilidade de cópia ("criação de propriedade") fácil. A generalidade dos atributos que governam o conceito de propriedade, desde a posse aos princípios que governam o seu usufruto não servem quando aplicados ao conhecimento e ao intelecto.

A defesa do direito intelectual, contrariamente ao que muitas das opiniões que assinalei referem ou deixam transparecer, surgiu não somente como um "mecanismo de protecção" dos interesses dos industriais, mas sim como um tradeoff entre a acessibilidade pública dos inventos e o legítimo direito à sua exploração pelos seus criadores (no caso das patentes), e como um tradeoff entre a defesa dos consumidores contra a publicidade enganosa e a contrafacção e o direito das empresas em verem reconhecido o seu nome e o dos seus produtos. O que se optou por estabelecer, nomeadamente no caso das patentes, foi uma troca de um período de monopólio defendido pelo estado limitado no tempo por obrigações de divulgação desse conhecimento de forma pública e liberdade de utilização desse conhecimento findo esse período.

Não podemos esquecer qual era o cenário que imperava antes deste enquadramento. Anteriormente ao estabelecimento de mecanismos de patente, o que reinava na industria era a regra do segredo industrial. Sem limites temporais. Cada empresa guardava os seus conhecimentos e fabricava os seus produtos enquanto entendesse, sem que desse facto adviesse algum beneficio colectivo que não fosse a própria disponibilidade do produto. Lembremo-nos, por exemplo, da fórmula da Coca-Cola, que se mantém como um segredo comercial longe dos olhos de potenciais interessados. Com a institucionalização das patentes, a situação mudou: a sociedade comprometeu-se a, em troca das "receitas" e das "instruções" que possibilitariam a qualquer pessoa com conhecimentos na área replicar a invenção, garantir um exclusivo do uso dessa informação e da venda desse producto durante um tempo limitado.

Este compromisso foi em grande parte espontâneo, e como tal agradou a ambas as partes. Deu até origem a mecanismos internacionais de reconhecimento dessas marcas e patentes a que aderiram voluntariamente praticamente a totalidade dos países do Mundo.

Foram estas as regras que foram definidas para o jogo. O que se passa agora é que, para acorrer às necessidades internas e aos seus sistemas de saúde em grande parte falídos, alguns estados passaram a utilizar a chantagem e a coerção como arma de arremesso contra as regras vigentes, impondo (ou ameaçando durante negociações de preços com a indústria) mecanismos de licenciamento compulsório que (sendo já por si discutíveis), estavam reservados a situações críticas de pandemias ou situações excepcionais de emergência, rasgando os compromissos a que se tinham sujeitado voluntariamente. O que passa, portanto, é em grande parte uma tentação de nacionalização por parte desses estados desses recursos de conhecimento, para os quais não contribuiram um cêntimo, mas tão somente com a promessa desse reconhecimento.

O que é que se avizinha? Já se vê, no caso referido da Abbot: naturalmente, vendo os seus interesses e as suas legítimas espectativas defraudadas unilateralmente, as empresas farmacêuticas vão retaliar, e com toda a legitimidade. Vão retaliar de vários modos, como por exemplo recusando a venda de outros medicamentos que sejam difíceis de reverse engineer, ou disponibilizando os seus medicamentos premium somente a países com boa reputação de respeito dos seus compromissos. Além disso, é fácil de esperar que os déficits comerciais que emerjam desta situação sejam diluídos pelo preço das outras especialidades farmacéuticas. Pior do que isso, poderá acontecer que se regresse ao cenário anterior de segredo industrial, prescindindo a indústria farmacêutica de registar as patentes dos seus novos medicamentos. Já para não falar no espectável aumento da duração dos ciclos de descoberta de novos princípios activos e no aumento do custo dos medicamentos, já que os investidores privados naturalmente preferirão ir investir em outros ramos que não estejam sujeitos a mecanismos arbitrários e tentações nacionalizadoras.

É este o cenário que está em cima da mesa. São estes os benefícios de longo prazo que esperam os cidadãos brasileiros e tailandeses.

2007/05/02

Dúvida do dia, alimentada pelo último artigo do Carlos

Vai-se poder fumar tabaco nas salas de chuto?

Luta por quota de mercado

O líder do Partido Nacional Renovador (PNR) defendeu hoje o "trabalho nacional" e o combate à imigração, num discurso com críticas ao Governo socialista, ao "mentiroso Jerónimo de Sousa" e aos "burgueses de caviar do Bloco de Esquerda".

[...]

"O estado deve ser interveniente no que diz respeito à justiça social, às reformas e à família e tem de intervir no equilíbrio salarial", defendeu.

"Não é só atirar pessoas para o desemprego, prejudicar o interior ao fechar centros de saúde e a seguir abrir clínicas privadas que favorecem bancos e seguradoras", acusou, salientando que "os nacionalistas não são contra a iniciativa privada".

"As instituições são boas mas o capital e a iniciativa privada terá de estar ao serviço da nação", afirmou.

Pinto Coelho acusou o Governo de ter "ideias como a mobilidade (dos trabalhadores) que cortam a estabilidade, a segurança e o equilíbrio do país".

O líder do PNR lembrou que a classe média portuguesa está cada vez mais endividada, enquanto os governantes "acumulam o tacho", "servem e servem-se do capitalismo selvagem em nome do lucro e da competitividade".

Público Última Hora.

2007/04/30

Momento de doublespeak do dia

Por isso quando os fascistas reivindicam «justiça social e combate ao capitalismo selvagem e à luta de classes». (...)» o que pretendem é invocar a ideia de que é preciso criar estruturas que esmaguem e/ou disciplinem as classes trabalhadoras e os seus movimentos autónomos.

João Rodrigues, no Ladrão de Bicicletas.

2007/04/26

A ler

A falência do estado social de modelo Europeu é a principal causa da xenofobia.

Os cidadãos dos vários estados Europeus têm associado à sua cidadania uma série de direitos positivos. Privilégios de ser um cidadão de determinado país europeu. Estes privilégios são, por definição, racionados entre os cidadãos. Quanto maior o “bolo” e menor a base de distribuição, maiores os privilégios distribuídos em média a cada indivíduo.

Um imigrante quando acede à cidadania entra nesta base de privilegiados. Quando isto acontece entra no sistema social em que, por definição, uns são contribuintes líquidos e outros são beneficiários líquidos do sistema social. Se a sua contribuição para o “bolo” é menor do que os privilégios que retira significa que os privilégios dos antigos cidadãos são diminuídos.

Xenofobia e Socialismo, pelo Ricardo Francisco, no Speakers Corner Liberal Social.

2007/04/23

Redistribuição, ou democracia e fiscalidade

Os dados da Direcção-Geral de Impostos relativos a 2005 mostram que mais de metade dos portugueses não tem rendimentos suficientes para pagar Imposto sobre o Rendimento (IRS).

De acordo com um comunicado do Ministério das Finanças sobre as estatísticas de 2004 e 2005 do Fisco relativas às declarações de IRS de trabalhadores dependentes, pensionistas e profissionais liberais, perto de 52 por cento dos agregados familiares portugueses que declararam rendimentos acabaram por não pagar IRS.

Além disso, dos restantes 48 por cento que pagaram houve 88 por cento que pagaram uma taxa nominal de imposto entre os 12 e os 24 por cento.

O ministério de Teixeira dos Santos chama ainda a atenção para o facto de se estar a verificar uma “progressividade significativa” no sistema fiscal português (forma de redistribuir rendimento entre os mais pobres e os mais ricos).

Cerca de 15 por cento dos contribuintes pagaram 3,0 por cento do imposto, 32 por cento suportaram 7,0 por cento e um por cento foram responsáveis por 26 por cento.

Público Última Hora.
Absolutamente escandalosos, estes números revelados pela DGCI, demonstrativos do saque fiscal e da inequívoca estratégia de aquisição de votos recorrendo à extorsão que vigora no nosso país.

Não basta concluir que praticamente metade de quem trabalha em Portugal o faz pagando impostos pela outra metade que trabalha. É preciso pensar que essa metade dos que declaram rendimentos sustenta todos os desvarios do estado e prestações sociais respeitantes tanto à outra metade, como a toda a multidão de não-contributivos que nem sequer declaram rendimentos em sede de IRS e que, em grande medida, são os principais beneficiários desses recursos.

Não. Para se ver bem a fotografia do que acontece neste país, é preciso olhar para o dado para mim mais significativo: o de que 1% dos que pagam impostos (naturalmente um número bem inferior a 1% da população), pagam a módica factura de 26% dos impostos que financiam o nosso estado!

A própria linguagem do artigo do Público é subtil. Segundo esta, "metade dos portugueses não tem rendimentos para pagar impostos", como isso fosse um fenómeno independente, uma espécie de "coitadinhos, que nem dinheiro têm para pagar os impostos". Não. O facto de isso acontecer deve-se tão somente à escolha de escalões de rendimento aplicados em sede de IRS. É o governo, no estabelecimento da sua política fiscal, que determina a borla dada a essa metade dos que declaram rendimentos, não é um infortúnio da sorte.

É esta, concerteza, a tal da "justiça social". É este o estímulo que se quer dar ao trabalho e à criação de riquesa neste país. É todo um esquema parasitário instalado que teima em perdurar, travestido de "redistribuição de rendimentos". É a "democracia" dos 50 e poucos porcento dos beneficiados sobre o rendimento dos poucos porcento que pagam a crise.

Há quem pergunte "onde está o eleitorado potencial de um partido liberal?". Aqui está ele (também), meus senhores. Aquele que tem que ser despertado para constatar a riqueza fruto do seu trabalho que lhe é espoliada todos os meses.

2007/04/17

O aborto legal diminui o número de abortos, e sugestão de futuro "racionamento" ao nosso ministro da Saúde

An increasing number of doctors are refusing to carry out abortions, leading to a crisis in NHS services, experts have warned.

The Royal College of Obstetricians and Gynaecologists says there has been a big rise in the number of doctors who are "conscientious objectors".

About 190,000 abortions take place in England and Wales annually.

The NHS pays for four out of five - but half of these are carried out by private sector providers.

[...]

[Kate Guthrie, head of abortion services in Hull] suggested a solution to the current crisis might be to increase the involvement of nurses in providing abortion.

The Department of Health said it was aware a minority of NHS doctors chose to opt out of providing abortions, but added this did not prevent women obtaining a termination.

It added that a "stable" number of abortions was being performed each year, and that the number of terminations performed before the 10th week of pregnancy had increased from 51% in 2002 to 64%.

BBC News.

2007/04/16

Aviso: este senhor é professor de Economia

A moção que a direcção do Bloco de Esquerda vai apresentar à V Convenção Nacional, em Junho, defende a nacionalização da EDP e GALP, e propõe a proibição a prazo do transporte rodoviário de longa distância.

Na moção de orientação, intitulada "A Esquerda socialista como alternativa ao Governo de Sócrates", cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã, o BE defende que "a resposta civilizacional às alterações climáticas" passa pela redução "do consumo global de energia da UE em 50 por cento".

(...)

Em alternativa, o BE defende a criação de uma rede pública europeia de ferrovia e de transporte marítimo, a imposição de limites aos construtores de automóveis, e a proibição da venda de veículos todo o terreno a usos não profissionais.

portugalnet.
A cartilha é conhecida, mas faz sempre bem refrescar a memória e lembrar as medidas que são defendidas por aqueles que tantos atraiem nas causas fracturantes. É bom lembrar em que é que votam as almas caridosas que vão votando, imbuídas de utilitarismo, no partido que mais habilmente explora a memória fraca dos nossos eleitores.

As medidas são bem conhecidas e em nada originais. Afinal, são a consequência óbvia do desejo de bolivarização da nossa economia, nas pegadas dos laboratórios do socialismo renascido de Evo e de Cháves.

Fica contudo a curiosidade em acompanhar o sentido de voto na moção daqueles que, sendo militantes destacados do partido, têm vindo a tentar colar-se a um discurso tolerante e moderado, quase centrista, e que esconjuram a associação ao bolivarismo venezuelano e aos fantasmas do comunismo puro e duro.

Ficamos para ver.

A ler

A história que este governo e outros executam políticas “neo-liberais” quando fecham serviços do Estado já deixou de ter piada. O que os Governos fazem é nem mais nem menos que racionamento. Não é racionalização, é racionamento. O Séc XX foi pródigo a demonstrar que qualquer serviço ou produto fornecido pelo Estado acaba racionado. Não há racionamento de produtos ou serviços fornecidos pela sociedade.

Outra reflexão pequenina, pelo Helder n'O Insurgente.