Mostrar mensagens com a etiqueta esquerda folclórica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta esquerda folclórica. Mostrar todas as mensagens

2007/04/30

Leituras

A ler, Programa do Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores e Comunismo versus nazismo e fascismo, pelo João Miranda no Blasfémias, e A ignorância liberal, por João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas.

Porque torna-se cada vez mais premente compreender que a divisão entre esquerda e direita, herdeira da escolha de cadeiras no aftermath da Revolução Francesa, está cada vez mais morta e faz cada vez menos sentido.

2007/04/23

Pedro Arroja v2.0 (Diz que é uma espécie de socialista)

Algo que me orgulha em fazer parte da blogosfera liberal portuguesa é o facto de este post de Pedro Arroja ter merecido tantas reacções de protesto. É que se tivesse sido escrito num blogue de esquerda (que nem precisaria de ser de extrema esquerda), e a expressão "judeus" fosse substituída por "americanos", passaria em claro, muito provavelmente até seria aplaudida.

2007/04/16

Aviso: este senhor é professor de Economia

A moção que a direcção do Bloco de Esquerda vai apresentar à V Convenção Nacional, em Junho, defende a nacionalização da EDP e GALP, e propõe a proibição a prazo do transporte rodoviário de longa distância.

Na moção de orientação, intitulada "A Esquerda socialista como alternativa ao Governo de Sócrates", cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã, o BE defende que "a resposta civilizacional às alterações climáticas" passa pela redução "do consumo global de energia da UE em 50 por cento".

(...)

Em alternativa, o BE defende a criação de uma rede pública europeia de ferrovia e de transporte marítimo, a imposição de limites aos construtores de automóveis, e a proibição da venda de veículos todo o terreno a usos não profissionais.

portugalnet.
A cartilha é conhecida, mas faz sempre bem refrescar a memória e lembrar as medidas que são defendidas por aqueles que tantos atraiem nas causas fracturantes. É bom lembrar em que é que votam as almas caridosas que vão votando, imbuídas de utilitarismo, no partido que mais habilmente explora a memória fraca dos nossos eleitores.

As medidas são bem conhecidas e em nada originais. Afinal, são a consequência óbvia do desejo de bolivarização da nossa economia, nas pegadas dos laboratórios do socialismo renascido de Evo e de Cháves.

Fica contudo a curiosidade em acompanhar o sentido de voto na moção daqueles que, sendo militantes destacados do partido, têm vindo a tentar colar-se a um discurso tolerante e moderado, quase centrista, e que esconjuram a associação ao bolivarismo venezuelano e aos fantasmas do comunismo puro e duro.

Ficamos para ver.

2007/04/04

Não era este que andava lá agastado com o "Sunday, bloody Sunday"?

U2 singer Bono has accepted an honorary knighthood at a ceremony in Dublin.

Fellow band members The Edge and Adam Clayton joined the frontman's wife and four children at the British ambassador David Reddaway's official residence.

[...]

The U2 singer's new title is Knight Commander of the Most Excellent Order of the British Empire (KBE).

BBC News.
Parece que a "causa" da Irlanda reunida, longe do "opressor imperial", é um cavalo cansado que já não rende os seus frutos e que perdeu o seu apelo comercial.

O que é que as pessoas fazem por uma carica. Desde aturar o Sampaio até perder a memória.

Fidel hostiliza base política de apoio estrangeira II

Fiquei algo surpreendido (mas não muito) com a reacção ao meu anterior artigo desta série. Surpreendido porque achava que o facto de, desde a massificação da utilização e da proliferação do gás natural, não me lembrar de uma golpe com tanto potencial no cartel do petróleo como a introdução dos biocombustíveis, poderia ser acompanhado por muito do "ecologismo" reinante, e naturalmente pelos comentários neste blog. Afinal, o adversário é de força, e é um dos que costumam unir as hostes quando se trata de abanar a bandeira do ambiente.

Mais ainda: de uma vez só, poder-se-ia apertar simultaneamente com o cartel do petróleo e com a política de intervencionismo e proteccionismo reinante em relação à produção agrícola, pondo os dois a competir entre si num novo mercado com proporções brutais.

Mas não. Parece que ainda há outras prioridades, mesmo aos olhos dos eco-bem-intencionados.

Parece que, com a concorrência acrescida, a produção agrícola que se ia arrastando há anos essencialmente como um sumidouro de subsídios e na agonia de uma política de estruturação essencialmente centralizada, descobriu um novo fôlego com perspectivas até de a tirar de uma vez do bolso do contribuinte. Mas há um problema. Parece que faz aumentar o preço de alguns géneros alimentícios.

Coisa grave, dirão logo alguns. Afinal, antes do combustível vêm a necessidade alimentar. O problema é que a realidade os parece desmentir, não fosse verificar-se o aumento da procura deste género de bens com destino a serem processados como combustível, e não pelo engrossar da procura dos esfomeados. Logo se erguem os adeptos do intervencionismo, já com a visão clara e catastrófica do futuro que há-de vir, se os iluminados não forem chamados a intervir: que não pode ser, que é imoral alguns "morrerem à fome" para que sejam salvaguardadas as necessidades de combustível de outros. E fica a curiosidade sobre a solução alternativa proposta. Provavelmente, o intervencionismo do passado seria resolvido por... mais intervencionismo. Afinal, aos decisores corresponderá naturalmente a obrigação de serem mais inteligentes que todos os agentes do mercado. Criar-se-ão quotas de produção alimentar e de produção para outros fins? Irão (no pun intended) subsidiar o petróleo? Vão garantir novos preços mínimos subsidiados para se aumentar a produção? Afinal, a imaginação do intervencionismo socialista não tem limites (para além dos da bolsa de contribuintes e consumidores).

E a alternativa que proponho, dir-me-ão? Bem, a alternativa, quanto a mim, é separar problemas que não têm nada a ver um com o outro. Deixar o mercado funcionar, estabelecendo os equilibrios que tiver que estabelecer entre oferta e procura dos diversos produtos. No seguimento dos transitórios que hão-de (eventualmente) vir, e se a (nova) riqueza resultante na maisvalia do recurso milho (que entrará no país se este optar por exportar esse produto) não resolver por si só o problema, e houver pessoas em situação de limite que sejam empurradas para situações de fome, resolve-se o problema da fome, de acordo com uma perspectiva de safety-net, como aos outros que caiam nessa situação pelo motivo que for. Sem ter nada a ver com petróleo nem com milho.

2007/03/29

Twilight zone

(...) hoje em dia em Portugal, o "liberalismo" tornou-se num confortável guarda-chuva onde cabe uma míriade de coisas: a direita pura e dura, os tecnocratas eficientistas, os anarco-capitalistas de candura ingénua, liberais clássicos, ou a esquerda liberal. Se isto, visto à luz da tradição que subjaz ao conceito de "liberalismo", não é um problema por aí além, a questão é que algumas destas correntes não concordam em absolutamente nada; se todos usam e abusam da palavra "liberdade", às vezes tomando-a como património seu inalienável (esquecendo toda a história da esquerda libertária, o socialismo utópico e mesmo o marxismo antes de Lenine) (...)

No entanto, isto não deixa de ser natural: esta nova geração, a minha geração, cresceu num tempo em que o guarda-chuva para toda a gente era o "socialismo", tanto que, hoje por hoje, já poucos fazem a mínima ideia do que signifique- ouve-se por aí que vivemos no "socialismo", o que seria uma anedota, se não significasse justamente isso. Desde pelo menos 1977 que pouco ou nada do que se faz em Portugal tem o que seja a ver com "socialismo", e no entanto cada vez mais se lhe atribui a culpa de todos os males portugueses.

The portuguese way, por André Carapinha no 2+2=5 (com negritos meus).

Fidel hostiliza base política de apoio estrangeira

Cuban President Fidel Castro has strongly criticised the use of biofuels by the US, in his first article since undergoing surgery last year.

He said George W Bush's support for the use of food crops in fuel production would cause 3bn deaths from hunger.

BBC News.
Tanta malta do djambé, da t-shirt do Che e tantos ecologistas de intervenção contra o lobby do pitróil, assim subitamente deixados ao abandono por um dos seus principais faróis políticos.

É feio. Não é bonito.

Mas, é óbvio, às vezes é preciso um bocado de publicidade paga para sustentar as camisolas vermelhas dos auto-intitulados filhos dilectos, agarrados ao combustível sujo do capitalismo...